SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

1889 - FIM DO IMPÉRIO E O INÍCIO REPUBLICANO

Feitos e fatos
1. Criações de cargos públicos
A Lei de nº 048, de 22 de março de 1889, criou "os lugares de Contador e Partidor nos termos de (...) Santa Cruz do Rio Pardo", como servidores públicos encarregados, o Contador dos números – valores e cálculos, e o Partidor como o responsável pelas partilhas de bens. Partilhas e contabilidades eram atividades de natureza complexa e exigiam conhecimento técnico específico, principalmente considerando as grandes propriedades da época.

1.2. Atos provinciais de nomeações
Por Ato do Governo de São Paulo, de 25 de maio de 1889, foi nomeado Escrivão – Serventia Vitalícia, o senhor Francisco Xavier Dantas de Vasconcellos Junior (RG, U 1144, 1889 /1889: 4). 
No relatório apresentado pelo Presidente da Província, exercício de 1889, consta nomeação de Emygdio José da Piedade para o Comando Superior da Guarda Nacional de Botucatu e região (RG, BN 1033, 1889).

2. Seitas [religiões] cristãs acatólicas
-Texto corrigido e ampliado em 05/02/2018
O Censo de 1872, concluído em 1874 na província paulista, não identificou acatólicos na paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo. Antigos presbiterianos diziam das primeiras famílias no lugar, e, talvez até existissem, todavia, desconsiderados pelos recenseadores que mais se embasavam nas informações da Vigararia Católica, no caso santacruzense, instalada em 1873.
Com segurança documental, no início dos anos de 1877 pelo menos o presbiteriano Francisco Martins de Paula residia em Santa Cruz do Rio Pardo, conforme publicação oficial de governo que assim o identifica (Diário de S. Paulo, 06/05/1877: 1), num pedido para a inclusão de cidadãos santacruzenses na lista de jurados. 
Parece correto que outros presbiterianos residiam no município, desde então, numa convivência atribulada com os católicos. Carta datada de 17 de dezembro de 1883 acusava o presbiterianismo local de arrebatar "jovens da religião catholica, em que foram creados, para unil-os na seita protestante!" (Correio Paulistano, 04/01/1884: 2).

2.1.1. A controversa conversão de Francisco Ignácio Borges
Mêmores familiares informavam a chegada de Francisco Ignacio Borges, com a família, agregados e escravos, a Santa Cruz do Rio Pardo, por volta de 1860, e teria sido ele o primeiro convertido ao presbiterianismo, por volta de 1873, com a chegada de parentes mineiros sectários da nova fé.
Documento de alienação de terras atesta que o Borges adquiriu propriedade em Santa Cruz do Rio Pardo em 1862, a Fazenda Mandaguahy, conforme edital do Juízo de Direito de Santa Cruz do Rio Pardo citando transação datada de 29 de dezembro de 1862 (Correio do Sertão, 28/11/1903: 3).
Embora dono de terras na região santacruzense, Borges residia em Lençóis Paulista na década de 1860, onde o registro de batismo de sua filha Anna [Carolina], aos 02 de março de 1862 (Eclesial, Livro Batismos 1861-1869: 33). Outras referências comprovam sua estadia naquela localidade, citado em grave crise financeira e devedor a um capitalista da região (Diário de S. Paulo, 05/05/1868: 2; Correio Paulistano, 15/01/1868: 2).
Nos anos de 1870/1880, Borges é citado morador em Santa Cruz do Rio Pardo como fazendeiro, político conservador e, em algum tempo, juiz de paz (Correio Paulistano, 03/10/1878; 02/10/1879: 2 e 09/03/1887: 4). Em Santa Cruz, ainda, nascido suas filhas: uma cujo nome ilegível, batizada aos 02/11/1879 (Livro 1879/1884: 5); Mariana, batizada aos 25/09/1881 (Livro 1879/1884: 34); Ozoria batizada aos 06/07/1884 (Livro 1884/1890: 4); e Francisca, batizada aos 22/10/1887 (Livro 1884/1890: 67). São, ainda, conhecidos os filhos João Ignácio Borges e Manoel Ignácio Borges (Correio do Sertão, 28/11/1903: 3; DOSP, 06/01/1904: 32).
Considerando batismo da filha Francisca [Ignácia Borges], no credo católico em 22 de outubro de 1887, depreende-se a conversão de Borges ao presbiterianismo após referido batizado e o ano de 1889, pois falecido ‘antes de 1890’ (Apud Henrique Dias da Silva Junior, informando fonte Cedap/Unesp - Assis, Negócios Eleitorais), além da ciência que o mesmo não constou no rol dos eleitores santacruzenses inscritos para o ano de 1890, a significar morto o patriarca sabendo ainda residente em Santa Cruz do Rio Pardo toda sua parentela (SatoPrado, CD: A/A).

2.1.2. Repressão aos primeiros presbiterianos
De maneira geral, os presbiterianos foram fortemente reprimidos em Santa Cruz. Uma demonstração de ranço religioso imiscuído com a política local, deu-se quando nomeado para Juiz de Paz Municipal o professo presbiteriano Francisco de Paula Martins, em detrimento a um católico, da religião oficial (Correio Paulistano, edição de 02/08/1884: 3, Seção Livre: 'Ao Governo Imperial - os protestantes avançam', assinado aos 12 de julho de 1884, por Joaquim Antonio Carmillo [sic]):
—"O vice-presidente desta heroica província acaba de confirmar quanto avançámos, escolhendo, no seio de uma população inteiramente catholica, o mais aceptico de todos os protestantes Francisco de Paula Martins para 3º supplente do juiz municipal e orphãos deste termo"—
Ainda mais, notícias de 1886 informam que o filho de um presbiteriano teve 'negação de sepultura' no cemitério local, e foi enterrado na propriedade de Francisco de Paula Martins (Imprensa Evangélica, São Paulo, 06/02/1886, Volume XXII: 46). O Francisco Ignácio Borges, cuja conversão após 1887 causara grande repercussão em Santa Cruz do Rio Pardo, também teria sido sepultado 'fora do cemitério', então considerado católico, segundo informes familiares, por Iolanda Martins e outros, conforme publicação Debate (http://www2.uol.com.br/debate/1450/cadd/cadd.htm)ou seja, óbito ocorrido antes da laicização de 1891. 
—Em verdade, desde a morte do menino em 1886, com ecos negativos em todo o pais, arranjara-se lugar para futuros sepultamentos presbiterianos em Santa Cruz do Rio Pardo, campo segregado do cemitério católico, separado por uma cerca, lugar onde o atual 1º Distrito Policial, esquina das atuais Rua Euclides da Cunha com a Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha, e ali sepultado o Borges; tudo, porém, deixou de ser problema com a transferência do cemitério, tornado municipal, para os altos do Bairro São José, a partir de 14 de abril de 1894.—
Em 1888 o Reverendo Georges Anderson Lands, ministro presbiteriano, foi a júri acusado ter celebrado matrimônio de uma menor, sem o consentimento paterno. O caso ganhou manchetes e o pastor protestante viu-se livre, defendido pelo renomado advogado paulista, Dr. Antonio Teixeira da Silva (Diário de Notícias, 22/01/1888: 2).

2.1.3. A oficialidade e a história presbiteriana inicial em Santa Cruz do Rio Pardo
A despeito dos acontecimentos, oficialmente o presbiterianismo teve início em Santa Cruz do Rio Pardo aos 13 de agosto de 1889 (Matos, 2009: 2), com o Reverendo João Ribeiro de Carvalho Braga e os ofícios religiosos realizados, ainda, nos lares. 
Em 1900 o Reverendo Othoniel Motta assumiu o lugar, e com os poucos fiéis na época, requisitou da Câmara um local para a construção do templo, no Largo da Matriz (Correio Paulistano, 27/10/1900: 3), bastante próximo do santuário católico, num tempo que os terrenos urbanos ainda pertenciam à Igreja Católica. A 'Igreja Oficial' opôs-se e a decisão camarária favorável e a medida tornada sem efeito.
Os presbiterianos conquistaram o terreno do antigo cemitério onde sepultados os seus mortos até 1894 "Ja está firmado o contracto para a construcção da Egreja Presbyteriana desta cidade. Grande parte do material acha-se reunido no largo do cemiterio velho, logar onde vae ser contruido o templo." (Correio do Sertão, edição 06/09/1902). 
Sem qualquer indicativo de oposição, os membros da seita procuraram outro local e conseguiram terreno à Rua Marechal Bittencourt esquina com a Rua Quintino Bocaiuva, noticiado como elegante edifício, em construção, sob a direção de Salathiel Ferreira e Sá (Correio do Sertão, 18/04/1903: 2).
Tudo parecia certo quando se agravaram as dissenções entre os líderes presbiterianos até 'o cisma' de 31 de julho, confirmado aos 16 de agosto 1903, com reflexos imediatos em Santa Cruz, surgindo daí a Igreja Presbiteriana Independente - IPI, com total adesão dos membros locais. O Reverendo Othoniel Motta, já ausente de Santa Cruz, contava entre os sete pastores do grupo independente. 
Com o separatismo formou-se a Igreja Presbiteriana Independente - IPI que em Santa Cruz manteve os objetivos religiosos e assumiu a sede construída, na qual permaneceu até a inauguração do templo atual, à Rua Quintino Bocaiúva, esquina com a atual Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha, em agosto de 1950, quando da data de memoração separatista.
—A denominação Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), esvaziada pela cisão de 1903, construiria sua sede à Rua Joaquim Manoel de Andrade, quase três décadas depois, inaugurada em 1931.—
Os religiosos católicos e presbiterianos ainda tiveram desavenças no século XX, por exemplo, em 1903, quando o Vereador Presidente da Câmara, advogado e subdelegado Dr. Fernando Eugenio Martins Ribeiro, alterego do chefe político Francisco de Paula de Abreu Sodré, mandou multar o vereador e comerciante Salathiel Ferreira e Sá, presbiteriano, por ter se recusado fechar seu comércio em feriado religioso católico.
Em 1916 os presbiterianos queixavam-se das atitudes de certo Frei Lourenço, coadjutor, o que motivou Paulo Cagnoto, oficial marceneiro, a denunciar o procedimento do padre contra os presbiterianos e lançar-lhe público repto para debate dos princípios religiosos cristãos (O Contemporaneo, 24/09/1916: 2). O Padre Vicente Rizzi, titular na paróquia, apaziguou os ânimos.
A maior dissenção posterior, entre católicos e evangélicos em Santa Cruz ocorreu no domingo de 18 de abril de 1948, quando padres missionários em missão religiosa coletaram bíblias impressas por editoras evangélicas, distribuídas na cidade pelos líderes religiosos cristãos não católicos, lançando-as numa fogueira elevada para tais fins ao pé do cruzeiro no Bairro da Estação.
O Reverendo José Coelho Ferraz, da Igreja Presbiteriana Independente local, fez veementes protestos contra o ato sacrílego e insultuoso, através de publicações no informativo presbiteriano local (Chamas do Evangelho, 21/04/1948: 1-2 e 01/06/1948: 1-2).

2.1.3.1. Igreja Presbiteriana Independente no Bairro Ribeirão dos Cubas
Sudário Machado, vindo do Mato Grosso para o Bairro Ribeirão dos Cubas, nos anos de 1923, evangelizou primeiro o parente Antonio de Souza e, com a conversão deste, os demais parentes e vizinhos também aceitaram o presbiterianismo independente, e assim, praticamente, todos os moradores do bairro tornaram-se membros da Igreja local santacruzense. 
O primeiro templo erguido no Cubas era de madeira, depois substituído por outro de alvenaria que subsiste até os dias atuais [referência 2013], com programação evangélica semanal.

2.2. Outros segmentos evangélicos 
O Censo de 1890, unificado Santa Cruz/São Pedro do Turvo, apresentava os primeiros evangélicos - 48 fiéis, sem identificar denominações e o presbiterianismo com 126 membros.
Independente do Censo de 1890, ao longo de décadas surgiram em Santa Cruz as seitas cristãs evangélicas, desde as tradicionais, como a Metodista e a Batista, aos pentecostais, Assembleia de Deus e Cruzada Nacional de Evangelização - Igreja do Evangelho Quadrangular, nesta última com os destaques para o Pr. Armando Trovatti, que depois com segmento próprio, marcando a história deste ministério em Santa Cruz, através de batismos nas águas e no 'Espírito Santo', tardes de bênçãos e curas de enfermos, tornando-se nome conhecido no meio evangélico brasileiro.
Demais denominações do gênero somente marcariam presenças a partir dos anos de 1960 /1970, sob as influências dos grandes líderes David Miranda, Miranda Leal e Manoel de Mello, com os processos de curas divina e demais dons espirituais manifestos, depois seguidos dos neopentecostais – dos ministérios de curas por reivindicações e da teologia da prosperidade, com espantoso aumento das denominações de cultos oriundos de dissidências. 
No ano de 1965, o norte-americano, Reverendo Steve Montgomery, presente no Brasil desde 1957 vindo do Japão, iniciou a Igreja Batista Independente em Santa Cruz do Rio Pardo, à Rua Major Gabriel Botelho (Montgomery, 1999: 13), nome bastante conceituado na sociedade santacruzense e no meio evangélico brasileiro. 

2.3. Seitas ditas heréticas ou pseudocristãs
Vistas como pregadoras de doutrinas contrárias aos evangelhos, ou de particulares interpretações ou, ainda, destoante aos interesses de seitas tradicionais, em todo ou em partes, alguns cultos assim cognominados existem ou existiram em Santa Cruz do Rio Pardo, a exemplos e sem discutir méritos, a Congregação Cristã no Brasil, a denominação Testemunha de Jeová, os Adventistas da Promessa, enquanto a Adventista do 7º Dia já alguns anos encerrou suas atividades no lugar. Os segmentos considerados heréticos são denominados, por alguns, como Seitas enquanto as demais seriam Igrejas.
Ainda são contados em Santa Cruz os seguidores do Tabernáculo da Fé e/ou Tabernáculo da Mensagem, originárias no norte-americano William Marrion Branham.
Também a Igreja Apostólica Santa Vovó Rosa tem ministério em Santa Cruz, tipo culto miscelado e cuja patrona é considerada dotada da plenitude total do Espírito Santo de Deus, para completar na terra as obras que Jesus não pode concluir.

2.4. Os espíritas 
No censo de 1890 constou cento e vinte e seis praticantes de outros cultos, sabendo-se do crescente número de espíritas – os kardecistas, cujos cultos praticados pelos ditos intelectuais e entendidos, 'pesquisadores autodidatas' e simpatizantes. 
O espiritismo praticado em Santa Cruz, desde os últimos anos do século XIX até os anos de 1920/1930, visava mais fenomenologias que a religiosidade em si; as sessões eram domésticas e restritas. Seria típico espiritismo científico, com estudos das fenomenologias à luz da metapsíquica. 
A popularização do kardecismo como religião aconteceu no final dos anos de 1930, e depois, em 1940 com um grupo de abnegados sob lideranças de Argemiro Orestes da Silveira e Pedro de Almeida Gonçalves [Pedro Caco], além de importantes nomes da seita, entre eles Nelson Fleury Moraes, José Garcia, Felipe Zied, Sebastião Correa de Moraes e Augusto [Augustinho] Alóe. As mulheres Jacyra [Jacira] Ferreira de [e] Sá e Hilda Fonseca, com grupos de senhoras, foram importantes nomes do movimento espírita santacruzense.
O espiritismo religioso sofreu perseguições de católicos e evangélicos, tendo seu templo sido alvo de apedrejamentos e seus membros discriminados.
Inicialmente os espíritas foram unidos – União Espírita Santa Cruz, fundada em 19 de novembro 1950, de breve duração, e na dissidência, dois Centros firmaram-se, o Jesus e Maria, e o Alan Kardec.

2.5. Os fanáticos ou exaltados
Santa Cruz foi palco, no final do século XIX, de religiosos místicos, como típico catolicismo popular, centrados no pessoalismo do líder e de reivindicação política ou restauração do império. Destacaram-se Francisco Izabel ou Francisco Catarina, conhecido como frei Manoel, morto em 1892, e seu substituto Francisco Garcia - o Chico Gago, autointitulado 'São Sebastião' ou 'Missionário de Cristo', à frente do grupo 'Contingente da Reacção' e, igual ao antecessor, seguido por multidão e velado apoio dos ricos, e seu grupo também caçado e desmantelado em 1893. 

2.6. Sincretismos religiosos - cultos raiz
Aparentemente os escravos e libertos tinham liberdade de cultos próprios em sua sede, no denominado Largo do Rosário, hoje Praça Octaviano Botelho de Souza. Pelas memórias seria uma fusão de cultos mediúnicos afro-brasileiros com divindades africanas representadas nos santos católicos, vista por alguns como variante do Candomblé, por outros como cultos mediúnicos de raiz, ou, na visão dos kardecistas, como atos e manifestos do baixo espiritismo.
As práticas sincréticas observadas em Santa Cruz, desde os primeiros anos do século 20, caracterizavam-se 'cultos mistos', ou seja, com cerimoniais individualizados e centrados no conhecimento, vontade, personalidade e inspiração do chefe religioso, sem qualquer uniformidade de ritos, embora os líderes, a partir de meados de 1900, identificados com o Candomblé ou a Umbanda.
Uma mulher, sob a alcunha de 'Chumbeada', foi a primeira pessoa referenciada na prática condenável do baixo espiritismo em Santa Cruz. Perseguida pela polícia e com ordem de prisão, por curandeirismo, 'Chumbeada' pôs-se em fuga (Correio do Sertão, 01/11/1902: 2).
O afrodescendente José Dias de Melo, também conhecido por José Bezerra ou Zé Dias, oriundo do Estado do Rio de Janeiro chegou na região do Paranapanema nos anos de 1930, com passagens por Piraju, Bernardino de Campos e Santa Cruz do Rio Pardo, onde residiu no Distrito de Caporanga [Monte Belo].
Considerado o maior de todos os chefes de cultos de raiz na região - seu nome virou lenda, sempre acossado pela polícia, anatematizado pelas denominações cristãs e injuriado pela imprensa.
O hebdomadário A Cidade (14/01/1954: 2 e 4) dedicou-lhe extensa reportagem, intitulada Curandeirismo, juntando testemunhos negativos e críticas às autoridades que não conseguiam prendê-lo. Zé Dias tinha policiais entre seus seguidores e gozava de prestígios nos mais diversos segmentos da sociedade; morreu no início dos anos de 1980, em Bernardino de Campos. 
O médium curador João Giardulo ou Ciardulo, acusado de embusteiro, foi perseguido e preso pelo Delegado Antonio Catalano (A Cidade, 21/11/1943: 4). 
Nos anos seguintes se destacaram, entre outros, certo Crispim – vindo de Dois Córregos; Denise da Silva; Zulmira do Sacoco; Josefa Reali - Zefa de Ipaussu; Luiz Vermelho e Lourdes Machado. Todos os citados, embora federados, praticavam cultos mistos sob estranha autoidentificação: 'Umbanda por fora Candomblé por dentro'. 
Do final de 1970 ao início de 1990, Celso Prado, devidamente registrado, apresentou-se formador de médiuns e atendimento público teológico-psicanalítico, práticas magicas e cultos de raiz.

3. O advento republicano
O grande acontecimento brasileiro de 1889 foi a Proclamação da República.
Acontecida a República, os vereadores santacruzenses se reuniram, aos 21 de novembro de 1889, para ciência de documento oficial que declarava "empossado o governo provisório do Estado de São Paulo (...)", triunvirato composto dos senhores Dr. Prudente José de Moraes e Barros, Coronel Joaquim de Souza Mursa e Jornalista Francisco Rangel Pestana.
O Presidente da Câmara Municipal, Coronel Emygdio José da Piedade, contando com as presenças dos vereadores Marcello Gonçalves de Oliveira, Manoel Antonio de Andrade, Alferes Firmino Silvério de Oliveira e Manoel Garcia Duarte, fez registrar em ata o seu pronunciamento, que o governo republicano estava instituído no Brasil, e instalado o governo provisório no Estado – antiga Província de São Paulo (Câmara, Ata Legislativa, sessão de 21/11/1889).
Pouco depois o Governo de São Paulo, com base no Decreto nº 107, de 30 de dezembro de 1889, dissolveu 121 das 134 Câmaras Municipais eleitas na província, agora estado paulista, e nomeou Intendentes para as localidades – os 'Conselhos Municipais de Intendentes'.
Entre os municípios cujas Câmaras extinguidas estava Santa Cruz, com Intendência nomeada aos 17 de fevereiro de 1890, compondo o quadro Joaquim Manoel de Andrade, Moysés Nelly e João Evangelista da Silva, sendo o primeiro qualificado presidente e os demais na condição de membros. Também no rol Dr. Manoel Malta Leite de Araujo, Intendente Procurador do Município. 
O Livro de Registros de Eleitores para Santa Cruz do Rio Pardo, Termo de Abertura, de 07 de abril de 1890 está assinado por Andrade como Presidente da Intendência, enquanto no Auto de Demarcação da Vila, de 17 de setembro de 1890 assinam os Intendentes Moysés Nelli e João Evangelista da Silva, juntamente com o Coletor João Castanho de Almeida e o Secretário da Intendência Municipal, senhor Vicente Finamore.
Eram os seguintes Quarteirões Eleitorais estabelecidos para Santa Cruz com respectivos números de eleitores: 
  • -1º Quarteirão: Villa [sede] 108;
  • -2º Quarteirão: São Domingos 12; 
  • -3º Quarteirão: Serrinha 03; 
  • -4º Quarteirão: Perobas 15; 
  • -5º Quarteirão: Praia Vermelha 15; 
  • -6º Quarteirão: Mandassaia 18;
  • -7º Quarteirão: Pica-Pau 10;
  • -8º Quarteirão: Pedra Branca 01;
  • -9º Quarteirão: Óleo 08; 
  • -10º Quarteirão: Lajeado 51; 
  • -11º Quarteirão: Pires 12; 
  • -12º Quarteirão: Figueira 16; 
  • -13º Quarteirão: Mumbuca 14; 
  • -14º Quarteirão: Boa Vista 17; 
  • -15º Quarteirão: Poção 27; 
  • -16º Quarteirão: Paranapanema 08; 
  • -Total de inscritos / votantes 335, mais o presidente, totalizando 336 eleitores. 
Neste levantamento são observados os bairros rurais com maior concentração populacional. Alguns dos povoados iniciais à beira do Turvo, margem esquerda, estão lançados para Espírito Santo do Turvo e, aqueles ao lado direito, para São Pedro do Turvo.
Com o advento da República, Santa Cruz do Rio Pardo experimentaria profunda mudança política, com a ascensão do jovem João Baptista Botelho, que embora monarquista liberal viu-se guindado ao poder para fazer história como mandatário do lugar. Botelho foi, em 1901, o primeiro Intendente santacruzense do século XX.

4. Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo
Pela Lei Provincial nº 7, de 13 de fevereiro de 1884, o Termo de Santa Cruz era elevado à categoria de Comarca, sequenciada de longa disputa jurídica e política, entre o Judiciário de Lençóes [Lençóis Paulista] e a Câmara Municipal de Santa Cruz, com o primeiro a não concordar com as decisões da Assembleia Provincial e do Governo de São Paulo em conceder, imediatamente, a emancipação judiciária, enquanto a segunda a ensejar instalação imediata do foro conquistado.
As disputas para a instalação ou não da Comarca de Santa Cruz extrapolaram os limites da Província, remetido o processo para o Ministério da Justiça do Império, daí para a decisão do Governo Republicano que, pelo Decreto Federal nº 114, de 03 de janeiro de 1890, confirmou: "É declarada de primeira entrancia a comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, creada no Estado de S. Paulo pela Lei n. 7 de 13 de fevereiro de 1884."
O Governo de São Paulo assim reconheceu: "No regimen actual foram classificadas as 15 comarcas seguintes, creadas por leis anteriores à proclamação da república: – (...), Santa Cruz do Rio Pardo." (RG, U 1145, 1890/1890: 11).
Como primeiro Juiz de Direito para a nova comarca foi nomeado o Dr. Augusto José da Costa, por Ato do Ministério da Justiça, de 11 e publicado aos 12 de janeiro de 1890, com prazo de três meses para assumir exercício (DOU, edição de 12/01/1890: 2 – Seção I). A publicação tornava sem efeito a nomeação anterior daquele Juiz para a Comarca de Paranapanema.
O Governo de São Paulo então designou o dia 1º de março de 1890 para a instalação da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, o que efetivamente realizado (RG, U 1145, 1890/1890: A-181). O Decreto 114 preservava a figura do Juiz Municipal e manteve-se a estrutura do Juizado de Paz.
Pela Lei nº 80, de 25 de agosto de 1892, Campos Novos Paulista desanexou-se da então Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, para se tornar Sede de Comarca de todo o sertão adiante desde suas divisas com São Pedro do Turvo.

4.1. O Poder Judiciário
4.1.1. O Juiz Dr. Augusto José da Costa
O primeiro Juiz de Direito, titular para Santa Cruz do Rio Pardo, foi o Doutor Augusto José da Costa, nomeado por Ato do Ministério da Justiça de 11 e publicado aos 12 de fevereiro de 1890 cuja posse ocorreu no ato da instalação da Comarca, em 1º de março de 1890. Dr. Augusto José contava experiência judiciária anterior, como Juiz Municipal e de Órfãos na Comarca de Guaratinguetá – SP (Correio Paulistano, 10/11/1885).
Dr. Augusto registrou-se eleitor aos 10 de abril de 1890, em 'Alistamento dos Eleitores do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, de 1890', informando idade de 29 anos e residente na Praça da Liberdade, atual Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha. O juiz era casado com a sobrinha, Euridice de Macedo Costa – Dona Nhanhã conforme conhecida, filha do Dr. Antonio José da Costa Junior (Correio do Sertão, 13/12/1902: 1). 
A passagem de Augusto pela Comarca foi bastante tumultuada, e sua permanência no lugar, por mais de dez anos, deu-se graças a influência de seu irmão e sogro, Costa Junior, advogado, capitalista, fazendeiro e político influente no Império e na República.
O juiz sofreu acusações de fraudar eleições, consentir em assassinatos, protecionismos, arbitrariedades e atos de violências durante o exercício do cargo em Santa Cruz. Irmão e genro do Dr. Costa Filho e cunhado de Abreu Sodré - também tio deste por afinidade, líderes políticos em Santa Cruz (1901/1907), os adversários não o poupavam das críticas e denúncias de prevaricações, e até sua vida particular devassada, e dito beberrão.
O advogado Olympio Rodrigues Pimentel teve sérias pendengas com o Juiz José Augusto, e conseguiu enquadrá-lo em "receber, por adiantamento, custas não devidas e referentes á causa não iniciada." (Correio da Manhã, 08/04/1902: 4). O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra o juiz que admitiu o crime, cuja pena previa prisão celular de um ano, perda do emprego público e inabilitação para outro, além de multa. Depois o próprio Tribunal retiraria a denúncia, por concludência que Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, como cidadão, não foi diretamente ofendido pelas transgressões do Juiz. 
No entanto, o Tribunal deveria devolver o expediente ao Ministério Público, para que este apresentasse nova denúncia, porém não o fez. O erro formal justificou novas providências, em 1904, e o Tribunal aceitou a denúncia e suspendeu Augusto das funções de Juiz de Direito, sentença ratificada por Ato do Poder Executivo - Decreto de 26 e publicado aos 27 de janeiro de 1905, que, "sob proposta do Tribunal de Justiça resolve que o bacharel Augusto José da Costa deixe o exercicio do cargo de juiz de direito da comarca de Santa Cruz do Rio Pardo." (DOSP, 27/01/1905: 1).
O Juiz procurou pelos direitos, licenciou-se por motivo de moléstia (DOSP, edição de 30/03/1905: 811), para mascaramentos da pena imposta, sem reverter a situação, conforme decisão publicada: "a 21 do mesmo mez [janeiro de 1905], o bacharel Augusto José da Costa, juiz de direito da comarca de Santa Cruz do Rio Prado, deixou o exercício do cargo, tendo assumido a jurisdicção o primeiro juiz de paz do districto, cidadão Moyses Nelli." (07/02/1905: 342-343). 
Dr. Augusto José da Costa transferiu-se de Santa Cruz em 1º de agosto de 1905, nomeado Juiz de Direito para a Comarca de Ituverava, e dele, em relação a antiga sede de exercício ouviu-se dizer pela publicação do Decreto Estadual de 22 de março de 1921, autorizando pagamento da diferença de seus vencimentos, relativa ao período de 22 de janeiro a 06 de setembro de 1905, em que esteve sumariamente afastado do cargo na comarca.
Pela Lei nº 10.128, de 07 de junho de 1968, foi dada denominação de 'Dr. Augusto José da Costa', ao Fórum de Santa Cruz do Rio Pardo, pela aprovação do Projeto de Lei 807/1967, de autoria do Deputado Lucio Casanova Neto.

4.1.2. Dr. Francisco Cardoso Ribeiro
Após o Dr. Augusto José da Costa assumiu a Comarca o Juiz de Direito Dr. Francisco Cardoso Ribeiro – Decreto de 10 e publicado aos 12 de agosto de 1905. 
O Dr. Cardoso Ribeiro se tornaria famoso no anedotário do judiciário, por ver-se obrigado, às pressas, abandonar a comarca, em 1909, escondido numa carroça de padeiro, após desavença com o mandatário do lugar, o Coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista.
Referido juiz, depois da humilhante retirada, veio a ser o Secretário da Justiça e Segurança do Estado de São Paulo e, posteriormente, Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Dr. Cardoso Ribeiro, suspeito local em arquitetar o assassinato do desafeto Lista, suicidou-se aos 16 de maio de 1932, com idade de 56 anos. 

4.1.3. Dr. José Manoel Machado de Araujo Filho
Após o Dr. Cardoso Ribeiro, apresentou-se nomeado Juiz de Direito da Comarca o Dr. José Manoel Machado de Araujo Filho, para o período de 1909 e 1916, numa desmedida subserviência ao coronelismo local.

4.1.4. Dr. José Mesquita de Barros
Doutor Barros sucedeu a Machado de Araujo Filho, para o período de 1916 a 1920, dentro do mesmo procedimento do antecessor, sem se indispor com os políticos, ou mais propriamente, com o Coronel Tonico Lista.

4.1.5. Dr. Arthur Mihich
De 1920 a 1924 foi Juiz de Direito na Comarca local, o Doutor Arthur Mihich, designado diretamente pelo Secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, o Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, com instrução direta para fazer prender o desafeto Tonico Lista. 
As atitudes de Mihich revelam isto, e, também, Cardoso Ribeiro fizera nomear Delegado de Polícia o Dr. Coriolano de Araujo Goes Filho – policial linha dura para execução das ordens dadas, além da indicação do Promotor Público, Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, com o propósito de incriminar o Coronel Lista, tão logo a primeira oportunidade efetiva.
O trio de nomeados iniciou providências quando acontecido o atentado que vitimou José Rocha, sendo Tonico Lista o suspeito. Conclusa a diligencia policial pelo Delegado Coriolano e oferecimento da denúncia pelo Promotor Daunt, o Juiz Arthur Mihich determinou a prisão de Lista aos 08 de outubro de 1921.
O Coronel esteve preso por alguns dias, mas livrou-se de todos os processos.

4.1.6. Outros Juízes de Direito
Após a morte de Lista em 1922 e com a saída do Juiz Mihich (1924), o Juízo de Direito entrou num período de normalidade com juízes titulares e substitutos revezando-se, numa localidade sem muitos atrativos para permanência efetiva de qualquer magistrado, à exceção do Dr. Antonio José Magdalena, no lugar desde 1989, ano de referência 2014.

4.2. Promotoria Pública ou de Justiça
A Promotoria Pública, em meado do século XIX, era vista como instituição essencial à função jurisdicional do Estado, Órgão defensor da sociedade, atuando em defesa dos interesses do Estado e nos juízos de crimes.
Para o exercício das funções escolhia-se um advogado da localidade para determinada representação, podendo o juiz nomear até mesmo um leigo, com as devidas justificativas.
O primeiro Promotor Público, legalmente investido no cargo, foi Augusto Elysio de Castro Fonseca, nomeado em 23 de novembro de 1887, assumindo exercício aos 23 de dezembro do mesmo ano (RG, BN 1033, 1888/1889: 6-7), nos tempos de Santa Cruz como 'Termo Reunido da Comarca de Lençóes' - Lençóis Paulista.
A posse do Dr. Fonseca, ocorrida em Lençóis Paulista, precisou ser refeita, porque o juramento deu-se perante o Juiz Municipal do Termo, e não do Juiz de Direito que, naquela data, presidia o Tribunal do Júri em Santa Cruz.
No exercício de 1888 o Dr. Gaspar Mena Barreto de Barros Falcão exercia o cargo (Almanach da Provincia de São Paulo, 1888: 623), até a efetivação de Santa Cruz do Rio Pardo como Comarca, quando designado Promotor Público o Dr. José Balthazar de Abreu Cardozo Sodré (DOSP, 07/06/1891: 5), tio do médico Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, o sobrinho por afinidade e concunhado do Juiz Augusto José da Costa.
José Balthazar de Abreu Cardoso Sodré era o primeiro titular da Promotoria Pública no julgamento de Tonico Lista, aos 06 de setembro de 1892, e deixaria o cargo em dezembro do mesmo ano, quando nomeado Juiz de Direito para a Comarca de Campos Novos do Paranapanema (DOSP, 22/12/1892: 1), substituído na Promotoria pelo Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, por Decreto Estadual de 23 e publicado aos 25 de dezembro de 1892.
Dr. Pitaguary foi exonerado a pedido (DOSP, 04/09/1894: 1) e a vaga decorrente suprida pelo bacharel Octaviano de Aguirre Camargo, vindo da Comarca de Avaré, por Ato do Governo do Estado publicado aos 14 de setembro de 1894. Camargo permaneceria no cargo até a posse do bacharel Waldomiro ou Valdomiro da Silveira, nomeado Promotor Público por Decreto de 26 e publicado aos 30 de janeiro de 1895.
Dr. Silveira, famoso literato brasileiro, teve passagem insólita pela comarca, com o denominado 'Crime da Mãozinha', e não resistiu às pressões da família da mandante do crime, pedindo férias e a seguir demissão do cargo, cujo pedido deferido conforme Decreto de 11 e publicado em 13 de janeiro de 1898. 
Para a vaga do Dr. Silveira foi nomeado o bacharel Arlindo Vieira Paes (DOSP, 13/01/1898: 8), exonerado em 1902, com a nomeação do Dr. José Amadeu César, no mesmo exercício substituído pelo Dr. José Fernandes de Oliveira Moraes, este a permanecer no cargo até 1906, quando substituído pelo Dr. Aristides de Toledo Piza, titular até 1913.
Durante ausências legais, dos representantes da Promotoria Pública, cumpria ao Juiz de Direito designar substitutos. Dr. Pedro Camarinha, por exemplo, foi designado Promotor Público interino em 1913; em 1918 a designação recairia sobre o advogado Dr. Ovídio Badaró.
Em 1921 assumiu a Promotoria Pública o Dr. Ricardo Gumbleton Daunts, quando da prisão do Coronel Tonico, acusado de mandos de crimes de mortes e espancamentos.
Dr. Daunt tornou-se famoso como o precursor da polícia científica e pioneiro da datiloscopia no Brasil. 
Com as tantas designações interinas de Promotores Públicos, por Juízes de Direito, tornam-se difíceis as separações daqueles efetivamente Promotores Públicos - cargo de carreira, daqueles designados, inclusive pela transitoriedade nas funções.
Cita-se o cidadão fazendeiro Hermínio da Cunha Campos, sem banco escolar, nomeado Promotor Público para os anos de 1923/1924, pelo Juiz Arthur Mihich: "Ofereci ressalva, pois não possuía condições para tanto. Mas dada a insistência, aceitei" (Debate, nº 1391, edição de 02/12/2007). 

5. A Maçonaria
Os movimentos sociais e políticos do século XIX, não podem ser isolados da importância e influência exercida pela Maçonaria nos principais líderes políticos, inclusive locais.
Em Santa Cruz, após proclamada a república, instalou-se a primeira loja maçônica em 1891, sob a denominação 'União Paulista', Rito Adonhiramita (Boletim GOB, nº 117º ano, março de 1892: 35), ao Oriente São Paulo, e entre os fundadores estava João Raul Gonsalves [Gonçalves] da Silva, iniciado na 'Loja América', da Capital paulista, e um dos grandes nomes da maçonaria paulista (Grande Oriente do Estado de São Paulo, Boletim 10º fascículo – junho de 1911: 190). 
A loja teve o primeiro endereço conhecido à Praça Marechal Deodoro (Correio do Sertão, 03/05/1902: 1), atual Dr. Pedro Cesar Sampaio.
Raul Silva, assim melhor identificado, teve intensa participação na sociedade santacruzense de sua época, provisionado e depois advogado, Promotor Público interino, fundador e editor do hebdomadário 'O Paranapanema' – o pioneiro em Santa Cruz no ano de 1895, e o seu nome consta no rol de votantes de 1893.
A loja esteve em situação de dissidência no ano de 1893, posto vinculada ao 'Grande Oriente Maçônico de São Paulo' (Grande Oriente de S. Paulo), criado por facção (sete lojas) da maçonaria paulista rompida com o 'Grande Oriente do Brasil', aos 28 de maio de 1893. Ato do 'Grande Oriente do Brasil', naquele ano, declarou espúrio o grupo das sete lojas aderentes, 'Roma', 'Sete de Setembro', 'Vinte de Setembro', 'Harmonia e Caridade', 'Amizade' e 'União Paulista' encabeçadas pela 'América' (Maçonaria Paulista. In: Boletim do Grande Oriente do Brasil, 1893, ano 18. n. 3. p. 102).
Pela participação, como loja organizada, ainda que não oficialmente estatuída, a União Paulista tem preexistência confirmada ao cisma de 28 de maio de 1893. Nenhuma das lojas paulistas, espúrias ou não, tinham estatutos em conformidade com a Lei [Federal] nº 173, de 10 de setembro de 1893, e a primeira a registrar-se foi a 'Loja Amizade', à igual data que assim procedeu o 'Grande Oriente Maçonico de São Paulo' (DOSP, 09/10/1894: 12).
Após Raul Silva, a União Paulista e o Coronel Botelho ajustaram-se. O Coronel tornou-se líder político regional e Venerável da Loja União Paulista.
Historicamente correto, de acordo com Registro Oficial em Diploma, que o senhor 'Bernardino Antonio Pereira de Lima, da Loja Maçônica de Lençóis Paulista desde 1876, filiou-se à Loja União Paulista aos 03 de junho de 1896, quando Secretário o senhor João Castanho de Almeida Junior'.
A Igreja Católica, visando ampliação da Praça onde pretendia-se a nova Matriz, adquiriu o terreno da loja maçônica. Segundo reportagem do Correio do Sertão, a situação que parecia simples complicou-se porque a Loja "não é pessoa juridica, razão porque ainda não recebeu escriptura do terreno onde foi edificado o templo." (Correio do Sertão, 03/05/1902: 1).
Igreja e Maçonaria, acertadas as documentações, confirmaram a transação através dos lançamentos da Igreja com despesas de escritura e demolição do prédio. O Correio do Sertão, de 30 de agosto de 1902 confirmava a transação através dos lançamentos de despesas com a escritura e a demolição do prédio. 
A denominação 'União Paulista' era marca exclusiva para a Loja de Santa Cruz, em 1902, estando entre aquelas que, "Por Decreto nº 5 do Grande Oriente Estadoal, foram eliminadas do quadro geral de matriculas" (Correio do Sertão, 15/11/1902: 2, Eliminações – edital), depois, em 1905, reintegrar-se-ia ao 'Grande Oriente e Superior Conselho do Brasil'.
Desde 1902 a Loja já não funcionava no endereço da Praça Marechal Deodoro, estabelecendo-se à então Rua Visconde de Pelotas, hoje Farmacêutico Alziro de Souza Santos, ao lado da antiga Câmara Municipal - 1910/2012, onde o Restaurante 'Barrica' - referência 2015, em próprios do atual Icaiçara Clube.
No ano de 1905 a Loja ainda estava presente em Santa Cruz, integrada ao 'Grande Oriente e Superior Conselho do Brasil', conforme Diploma expedido pelo Órgão, de 23 de julho de 1905, ao maçom 'Constâncio Carlos da Silva - União Paulista de Santa Cruz do Rio Pardo'.
Desconhecida outra Loja denominada de 'União Paulista' entre 1893/1908, e a gênese maçônica, salvo melhor juízo, parece não concordar que duas casas tenham idêntica denominação, numa mesma época, exceto se da mesma origem e distinguida por números. Então a 'União Paulista', no referido período seria exclusiva para Santa Cruz do Rio Pardo.
No ano de 1932 estava em funcionamento a 'Loja União Paulista II', em São Paulo, uma das atuantes na Revolução de 1932, na qual citado Julio de Mesquita Filho, então dirigente do jornal O Estado de São Paulo:
  • "As reuniões preparatórias do movimento [Revolução de 1932] foram levadas a efeito na sede do jornal "O Estado de S. Paulo", fundado, em 1875, com ideias republicanas, pelos maçons Américo de Campos (Loja América), Francisco Rangel Pestana (Loja América), Manoel Ferraz de Campos Salles (Loja Sete de Setembro) e José Maria Lisboa (Loja Amizade). Nessa época, o jornal já era dirigido por Júlio de Mesquita Filho (Loja União Paulista II), que era um dos principais líderes do movimento." (Forato - Denílson, M.’.I.’, A Revolução Constitucionalista de 32 e a Maçonaria Paulista. A.’.R.’.L.’.S.’. Fraternidade e Amizade – 321 – GOP-COMAB / Brasil, http://www.maconaria.net/portal).
A loja santacruzense teria entrado em situação de 'loja adormecida' em 1907/1908.
Nos tempos atuais duas lojas maçônicas identificam-se 'União Paulista', a mais notória delas em Itapetininga - SP; e a outra, a Loja Maçônica 'União Paulista I nº 434', à rua São Joaquim 457, Bairro da Liberdade, São Paulo.
Os autores não encontraram registros de alguma outra loja maçônica santacruzense entre 1908 e 1920, entretanto, no artigo, 'O Carnaval (...) Blocos Carnavalescos', o colunista responsável identificava, entrelinhas, alguns maçons santacruzenses, uns pela profissão e outros pelas origens ou características, descrevendo-os como sairiam fantasiados para o Carnaval daquele ano. A Maçonaria de então, cuja loja não identificada, era carnavalescamente cognominada 'Clube dos Pellas' (O Contemporaneo, 05/03/1916).
Com certeza, por documentos, nos anos de 1920 estava presente em Santa Cruz a Loja Maçônica 'Deus e Caridade', destacando-se dentre os membros Alfredo Theodoro de Souza Almeida (CD: A/A) e Amadeu Lucante (Correio Paulistano, 27/11/1924: 6, referência ao seu óbito).
A Municipalidade doou à Loja 'Deus e Caridade' terreno para sua sede, à Rua Benjamin Constant, conforme Lei nº 354, de 17 de junho de 1925.
Santa Cruz conta atualmente - referência ano 2014, com duas Lojas Maçônicas, a 'Santa Cruz – nº 395' da 'Grande Loja do Estado de São Paulo', fundada em 10 de outubro de 1990, e a 'União – Justiça e Fraternidade – nº 2815', fundada em 01 de agosto de 1994, do 'Grande Oriente do Estado de São Paulo', entidades distintas abrigadas num mesmo imóvel, à Rua Francisco Maximiano de Oliveira, nº 42 – Vila Saul.

6. Ajustes territoriais e divisas 
6.1. São Pedro dos Campos Novos do Turvo - São Pedro do Turvo
A Capela São Pedro, no município de Lençóis Paulista, foi elevada à condição de Freguesia denominada São Pedro dos Campos Novos do Turvo, pela Lei Provincial nº 4, publicada aos 05 de julho de 1875, e as suas divisas marcadas por Ato do Governo de São Paulo, de 17 de dezembro do mesmo ano.
Ato do Governo de São Paulo, de 24 de fevereiro de 1876, transferiu São Pedro dos Campos Novos do Turvo, do município de Lençóis Paulista para Santa Cruz do Rio Pardo, mantendo as divisas.
Pelo Decreto nº 181, de 29 de maio de 1891, a freguesia foi elevada a Vila, conservando as mesmas divisas. E teve o nome reduzido para São Pedro do Turvo.

6.2. São José do Rio Novo - atual Estância Climática Campos Novos Paulista 
A Capela de São José do Rio Novo, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, assumiu a condição de Distrito Policial, por Ato do Governo da Província de São Paulo, de 24 de junho de 1878, com as descrições de suas divisas.
Pela Lei Provincial nº 62, de 13 de abril de 1880, referido Distrito Policial foi elevado a Distrito de Paz e, depois, pela Lei nº 023 de 20 de março de 1882 à condição de Freguesia, sem alterações das divisas.
A Freguesia de São José dos Campos Novos subiu à categoria de Vila, pela Lei Provincial de nº 25, de 10 de março de 1885, com a denominação de Campos Novos do Paranapanema, com território constituído pelo distrito sede, desmembrando-se de Santa Cruz e estabelecidas suas demarcações.

6.3. Óleo
No Relatório de Governo de 1890, Divisão Judiciária, foi criado "Arraial do Óleo, no termo de Santa Cruz do Rio Pardo, por acto de 02 de Outubro de 1890" (RG U 1145, 1890 / 1890: 13), com anexação oficializada pelo Decreto nº 205, de 06 de junho de 1891. O Óleo tinha classificação anterior como Distrito de Subdelegacia.
Com a nova classificação, o Óleo teve acréscimo territorial, com a propriedade agrícola denominada Novo Niágara, do dr. José Alves de Cerqueira Cezar (DOSP, 14/06/1891: 1). 
Óleo, tornou-se município, pela Lei nº 1.576, de 14 de dezembro de 1917, com estabelecimento de suas divisas.

6.4. Salto Grande do Paranapanema - atual Salto Grande
O Distrito de Paz de Salto Grande do Paranapanema, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, foi criado pelo Decreto nº 155, de 14 de abril de 1891, e declaradas suas divisas.
Salto Grande desmembrou-se de Santa Cruz do Rio Pardo, como município, nos termos da Lei nº 1.294, de 27 de dezembro de 1911.

6.5. Ilha Grande - Ipaussu
No ano de 1893, a Lei Estadual nº 187, de 23 de agosto, "desmembra, do município de Pirajú, e anexa, ao de Santa Cruz do Rio Pardo, o Bairro da Ilha Grande e fixa-lhe as divisas", antiga denominação de Ipaussu.
A Lei Estadual nº 550, de 13 de agosto de 1898: "Crea do districto de paz de 'Ilha Grande', no município de Santa Cruz do Rio Pardo", estabelecendo-lhe as divisas. O Distrito tornou-se freguesia pela Lei nº 550, de 13 de agosto de 1898. 
A Lei Estadual n° 1.465, de 20 de setembro de 1915, criou o município de 'Ipauçu', corruptela de 'Ipa-guaçu' - Ilha Grande (em Tupi), pertencente à Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo formado pelo distrito de paz de Ilha Grande do Paranapanema e com sede no respectivo povoado, comunicando suas divisas.
Vinculada à Comarca de Ourinhos, em 1944 foi transferida para a Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 02/12/1944: 8).
Por Lei Municipal nº 55, de 01 de outubro de 1990, pela Câmara Municipal, a localidade teve o seu Ipauçu nome alterado para Ipaussu.

6.6. Mandaguahy
Pela Lei Estadual nº 942, de 10 e publicada em 18 de agosto de 1905, criou-se o Distrito de Paz com a denominação 'Mandaguahy', no município e comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, estabelecendo confrontações.
Quase três anos depois, a Lei 1.114 de 24 de dezembro, publicada em 01 de janeiro de 1908, revogou a Lei 942, de 10 de agosto de 1905.
Mais adiante na história, pela Lei nº 1.657, de 04 e publicada aos 07 de novembro de 1919, Mandaguay torna-se Mandaguary e é incorporado territorialmente ao Município de Óleo.
Em conformidade com a Lei Estadual nº 2.119, de 30 de dezembro de 1925, "Fica transferida a séde do districto de paz de Mandaguary, para a Estação de Baptista Botelho, no municipio de Oleo da comarca de Pirajú."
O Decreto-Lei Estadual nº 9.073, de 31-03-1938, reafirmou o distrito de Batista Botelho com a mesma denominação, no município do Óleo.

6.7. Santana da Cachoeira - Irapé/Chavantes
Moradores do antigo bairro rural 'Santana da Cachoeira' iniciou um movimento reivindicatório para o reconhecimento do lugar como Distrito de Paz, feito conseguido pela Lei Estadual nº 1.172 de 22 e publicado aos 26 de outubro de 1909, sob a denominação 'Irapé' (do Tupi: Tapi'irape - Tapi -r- Anta e Irape Caminho, ou Caminho das Antas, também grafado pelo fonema Iapirape), dando-lhe as divisas.
Do referido distrito foi desmembrada uma parte, pela Lei nº 1.294, de 27 de dezembro de 1911, publicada em 09 de janeiro de 1912, que criou o município de Santo Grande do Paranapanema.
Em 1916, pelo Projeto Lei do Legislativo, nº 40, foi autorizado mudança de denominação do nome do Distrito de Paz de Irapé para o de Chavantes.
A parte restante para o Distrito de Irapé foi desanexada pela Lei 1.885, de 04 de dezembro de 1922, com a criação do município de Chavantes cujo distrito sede carregou a mesma denominação, Chavantes – 'chave antes' numa alusão ao leito ferroviário em relação a Canitar, mantidas as divisas.

6.8. Douradão - Bernardino de Campos
A origem do lugar, em 1886, foi sob a denominação bairro do Douradão, abandonado posteriormente pelos moradores que transferiram seus domicílios para as proximidades do leito da estrada de ferro, formando a povoação de Figueira ou Figueira Branca, onde instalada a gare, em 1907.
O novo lugar teve seu nome alterado para Bernardino de Campos, em homenagem ao ex-governador do Estado de São Paulo, de 1892 a 1896 e de 1902 a 1904, falecido aos 18 de janeiro de 1915.
A localidade tornou-se Distrito de Paz pela Lei nº 1.570, de 06 de dezembro de 1917, estabelecendo suas divisas, para depois emancipar-se de Santa Cruz do Rio Pardo, elevando-se a município pela Lei nº 1.929 de 09 de outubro de 1923, sendo as divisas as mesmas de quando da elevação para a condição de Distrito.

6.9. Sodrélia
A sede da fazenda do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, cognominada Estação Sodré em razão da gare ferroviária, tornou-se o Distrito Policial de Sodrélia e, depois, Distrito de Paz pela Lei nº 2.366, de 07 de novembro de 1929, com as divisas que lhe eram conhecidas.

6.10. Rio Turvo [Espírito Santo do Turvo]
Desvinculada da Capela de Santa Cruz - depois Santa Cruz do Rio Pardo, quanto à origem, a Capela de Espírito Santo do Turvo ou Rio Turvo, no município de Lençóis [Paulista], tornou-se Distrito Policial criado por Ato do Governo da Província de São Paulo, aos 30 de dezembro de 1875, e dadas as suas divisas.
Elevado a Distrito de Paz, pela Lei Provincial nº 8, de 23 de março de 1878, teve condição de Freguesia, com a denominação de Espirito Santo do Turvo, pela lei provincial nº 8, de 23 de março de 1878, ainda subordinada ao município de Lençóis Paulista. 
Pela Lei Provincial nº 20, de 10 de março de 1885, o lugar foi desmembrado do município de Lençóis Paulista e elevado à condição de Vila, consequentemente município, com a mesma denominação e mantidas as divisas.
A Lei Estadual nº 0111, de 01 de outubro de 1892, desanexou o município de Espírito Santo do Turvo da Comarca de Lençóis, anexando-o à Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo.
Administrativa e politicamente Espírito Santo do Turvo não teve vinculação com Santa Cruz do Rio Pardo no século XIX, senão quando a sua anexação jurídica, e depois quando lhe foi extinto o município, pelo Decreto Provincial nº 6.448, de 21 publicado aos 22 de maio de 1934 e passou a integrar aquele, na condição de Distrito de Paz.
Pelo Decreto-Lei 14.334, de 30 de novembro de 1944 perdeu terras para as formações dos Distritos de Caporanga e Clarínia.
Desmembrou-se de Santa Cruz do Rio Pardo, pela Lei Estadual nº 6.645, de 09 de janeiro de 1990, para se tornar município. 

6.11. Caporanga
Iniciado por volta de 1907, com a doação de 19 e meio alqueires de terras para o Patrimônio de Senhor Bom Jesus.
  • Apud Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para Santa Cruz do Rio Pardo – Distrito de Caporanga; informações familiares por Zenaide de Souza Maitan; e Cartório de Registro de Imóveis Escritura de 13/10/1907 e Registro aos 24/04/1908 – transcrição nº 3.543, e Escritura de 13/03/1913 e Registro de 29/07/1943 – transcrição 9.838. 
Constam doadores: 
Doc. 3.543:
  • -José Theodoro de Oliveira e sua mulher Maria Custódia[o] de Oliveira;
  • -Antonio Bernardino de Souza e sua mulher Maria Theodora[o] de Souza ou Maria de Souza;
  • -João Bernardino de Souza;
  • -Maria Ignacia Domiciano;
  • -José de Souza;
  • -Joanna Maria de Jesus;
  • -Joaquim Ferreira de Souza;
  • -Pedro Theodoro de Souza;
  • -Maria Francisca Assumpção;
  • -Joaquim Theodoro de Souza;
  • -Vania de Jesus.
Doc. 9.838: 
  • -José Theodoro de Oliveira e sua mulher Maria Custódia[o] de Oliveira;
  • -Antonio Bernardino de Souza e sua mulher Maria Theodora[o] de Souza ou Maria de Souza.
O Patrimônio do Senhor Bom Jesus deu origem a Caporanga – 'Ca(a) = Mato e Poranga = Belo', antes de ser Monte Belo e outra vez Caporanga, referência para os bairros adjacentes ao Turvo, a montante e jusante, com reconhecido destaque regional.
Tornou-se Distrito Policial em 1928:
  • "Foi creado o districto policial denominado Caporanga, no municipio e comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, com as seguintes divisas:" 
  • "Começam no ribeirão dos Cubas no espigão do lado esquerdo, até á barra do Carrapatal ao espigão do corrego Grande, até Santa Clara; descendo pela Santa Clara, até á barra que faz no Turvo; atravessando o Turvo, sobem o córrego da Cachoeira, dividindo com Espirito Santo até o Lambary com suas vertentes Lambary abaixo até á barra que faz no Turvo, em frente ao ribeirão dos Cubas, onde tiveram começo." (Correio Paulistano, 27/12/1928: 3).
Caporanga tornou-se Distrito de Paz conforme Decreto-Lei Estadual nº 14.334, de 30 de novembro, publicado em 02 de dezembro de 1944: 
  • "O distrito de Caporanga foi criado com sede no povoado de Monte Belo e com terras desmembradas do distrito da sede do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo e do distrito de Rio Turvo." 
O lugar somou-se territorialmente com o povoado de São Sebastião e mais as terras divisas entre Espírito Santo do Turvo e de Santa Cruz do Rio Pardo.

6.12. Clarínia
Lugar conhecido por Santa Clara, iniciada a partir dos anos de 1850, como sede de fazenda – propriedade de José Custodio de Souza, em 1889 parte de seu território e as fazendas vizinhas, Capivari e Barreiro, foram anexadas a Espírito Santo do Turvo (ALESP/Projeto: PR 89_081).
Santa Clara tornou-se Clarínia antes da oficialidade que lhe foi dada, através do Decreto-Lei Estadual nº 14.334 de 30 de novembro de 1944: "O distrito de Clarinia foi criado com sede no povoado de Santa Clara e com terras desmembradas do distrito de Santa Cruz do Rio Pardo e do distrito do Rio Turvo."
Em algum tempo Santa Clara teve denominação de "Patrimônio do Longo" (O Estado de S. Paulo, 30/01/1945: 6).
O distrito foi oficialmente extinguido quando publicada a Resolução nº 1, de 29 e publicada aos 30 de dezembro de 1971, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, das extinções de distritos incluiu-se "Clarínia - Vila do Município de Santa Cruz do Rio Pardo; incorpora-se ao distrito da sede do município", conforme "Seção IV – artigo 10 – XVII Resolução nº 1 de 29 de dezembro de 1971, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo."
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