SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

HISTÓRIA COMPLEMENTAR - INÍCIO DO SÉCULO XX (...)

No século XX – primeiro decênio, Santa Cruz apresentava-se: "(...) uma das melhores e mais importantes povoação sertaneja" (Almanak Laemmert, indicador para 1909: S 214).
1. Entretenimentos
A Santa Cruz no início do século XX, para os segmentos populares de sua sociedade, ainda seria a continuação do século anterior no que tange aos usos e costumes, povoadores e habitações, enquanto a classe dominante já se distanciava destes valores, fenômeno observado desde 1883. A sociedade, como um todo, participava de festividades religiosas e folguedos relacionados, ou festas folclóricas e saraus.
Para o lugar, nos tempos de 1883, já existiam salões de jogos e diversões, e as casas do ramo estavam sujeitas a regulamentações de acordo com o Código de Posturas daquele mesmo ano – Capítulo IX, sendo proibidos os jogos de parada e de azar, e os infratores seriam severamente punidos, porém tolerados pelas autoridades, num lugar onde todos se conheciam e faziam-se amigos.
Existiam os jogos de cálculos, de mesas e o carteado propriamente dito.
Entre os jogos de cálculos, portanto permitidos, estavam aqueles de tabuleiro (xadrez, damas e gamão), vários de cartas e de dados.
Entre os jogos de mesas enquadravam-se o bilhar e o 'snoocker', o primeiro com regras francesas, um tanto diferentes das atuais, enquanto o 'snoocker' seria uma versão ou adaptação inglesa do bilhar, criada em 1875, com regras próprias.
O termo 'snoocker' foi abrasileirado para 'sinuca', com adaptações de regras, e a gerar o ditado 'sinuca de bico' para alguma situação difícil, tipificação do jogo na qual o bico da caçapa não favorece alinhamento entre a bola branca com a bola a ser jogada – 'a bola da vez', outro dito popular.
A roleta, como jogo de mesa ou de balcão, era considerada como jogo de azar e, assim, proibida, mas evidentemente jogada e era jogo de altas apostas. Criou-se uma versão permitida para rodadas de lazer, que é a roleta de parede.
O carteado ou jogo de cartas chamado de bacará, aparentemente deu entrada em Santa Cruz do Rio Pardo com os italianos, ainda que, digam, já se jogava o 'vinte e um', sob as regras francesas, jogo mais ou menos igual ou de origem pelo menos comum com o bacará.
Outro jogo de carta bastante popular era o 'truco' trazido da Europa pelos espanhóis, que ganhou regras em Minas Gerais e chegou ao sertão paulista com os mineiros. As regras seriam adaptadas posteriormente, criando o truco paulista. Ditam as tradições que o truco quase sempre era jogado nas casas de jogos mais tradicionais depois de certas horas ou em dias pré-determinados, mas era jogo constante em qualquer folgança ou reunião de amigos.
O poker – jogo de cartas aportuguesado pôquer, foi aperfeiçoado nos Estados Unidos e chegou ao Brasil como grande atração nos salões ou casas de diversões.
O jogo do loto [italiano], tombola [inglesa] ou que nome e origem for, tornou-se aqui o bingo, atrativo de grande público, ora como jogo de azar, ora como diversão familiar ou rodas de amigos. Em Santa Cruz jogava-se bingo, mesmo sendo proibido em salões.
Também os santacruzenses divertiam-se com as corridas de cavalos, denominadas parelhas, permitidas mediante licenças, pelo Código de Posturas de 1883. O local de corridas de cavalos funcionava adiante dos fundos onde viria ser o Hospital Maternidade. Uma disputa, em 1910, mostra o interesse da imprensa e da população por tais eventos::
  • "Hyppodromo"
  • "Realisar-seá hoje, ás 4 horas da tarde, na raia, as corridas dos seguintes animaes: Sete de ouros, Coola-torta, Mouro, Rosilho, Gavião, Rio de Janeiro, Trajano, Guanabara, Púrús, Botafogo, Fradiavolo, Ping-pong, Herege, Pindorama, Sultão e outros esplendidos bucephalos, que duspurarão grandes premios!"
  • "Á raia!"
  • -(Cidade de Santa Cruz, 27/11/1910: 2).
Também os circos, "eram sempre bem-vindos e sua estada era alvo de comentários pelas diferentes camadas da localidade" (Rios, 2004: 69-70).
A presença de um circo no lugar, no século XIX,  representava a mudança do cotidiano pelo divertimento, e o palhaço era a atração maior, e do qual dependia todo o sucesso circense. Em algumas empresas circenses o palhaço participava de todas as apresentações.
  • Os circos que iam de um povoado a outro, com permanência de alguns dias num lugar, eram, na época, legitimamente populares e representativos da cultura sertaneja. O palhaço surgido na Alemanha por volta de 1850, logo chegou ao Brasil, como figura ridicularizada de algum bufão.
Com a imigração italiana surgiram os grupos comediantes mais bem definidos e mudou-se a figura do palhaço, agora algum herói ingênuo representando o tipo brasileiro, conquistador malandro, falante de frases picantes ou de duplo sentido, sempre com muita graça.
Existem informações de apresentações de circos com mágicos, ilusionistas e que traziam cavalos que 'sabiam calcular', além dos cães adestrados, e dos espetáculos equestres, com saltos, malabarismos e montarias sincronizadas.
Em geral eram os circos de recreação e os circos teatros que mais chegavam ao sertão, desde os primeiros anos de povoação; onde quer houvesse algum povoado lá chegava o circo, segundo as mais antigas tradições, com seus espetáculos ginásticos juntamente com os acrobatas e equilibristas, das artes malabares, dos pirófagos, dos engolidores de espadas e das comicidades com trapalhadas e, em geral, o encerramento com encenação religiosa conforme calendário eclesiástico.
Quase sempre os circos traziam grupo de teatro, razão porque alguns denominados de Circo Teatro, estilo mambembeiro.
Antes do advento da imprensa no interior paulista quase nenhuma nota sobre presença de circos nas localidades do sertão, senão pelas tradições de famílias. Já nas primeiras circulações hebdomadárias, a partir de 1890 [1895 – em Santa Cruz do Rio Pardo] tornou-se possível conhecer nomes de circos e algumas reportagens a respeito.
O Circo Rubens, de Mira e Filho, era o mais conhecido dentre os circos. De empresa recreativa modesta tornou-se Circo Teatro e de variedades sendo destacado o drama 'Vinte anos de martírio' (Rios, 2004: 70).
O palhaço do Circo Rubens era chamado 'Mimoso', ano de referência 1902, cujo nome real era José Serafim Mimoso, que "com suas modinhas tem feito o gaudio da rapaziada" (Correio do Sertão, 23/08/1903).
Os Circos de Touros, as touradas profissionais sem a morte do animal, além das montarias em animais xucros eram outros espetáculos de grande público. Até nestes tipos de apresentações a figura do palhaço fazia-se presente, como atração familiar mais esperada do espetáculo.
A classe rica frequentava os primeiros dias das apresentações, e depois ocorria a popularização, como preços promocionais, afluindo aos espetáculos todas as camadas sociais.
Nos anos de 1880 a elitizada sociedade santacruzense encontrava-se rotineiramente nos saraus para as apreciações de músicas variadas, tocadas e cantadas; e para os jogos e discussões dos momentos econômicos e da política. Seus membros apreciavam espetáculos de entretenimentos, sacros, românticos – representados pelos grandes dramas, os vulgares, as comédias – inclusas as rurais (caipiras) e os programas essencialmente culturais e histórico-educativos.
Todos se divertiam nos parques, as vindas dos mágicos, dos prestidigitadores, com os jogos esportivos, montarias, corridas a cavalo e lutas de pugilato ou livre, com lutadores a empresa e, quase sempre na última apresentação acontecia luta desafio entre o profissional da empresa e um lutador da cidade ou região.
As casas de espetáculos abarrotavam-se mesmo diante de espetáculos amadores, especialmente aqueles beneficentes, destacando-se grupos de artistas de ocasiões, como as apresentações do 'Grupo Dramático 14 de Julho', para auxílio à Santa Casa e outras instituições (O Contemporaneo, 07/07/1917: 1).
Os informativos da época, além dos anúncios de publicidade, descreviam as qualidades dos espetáculos realizados, inclusive descrevendo as reações do público.
O santacruzense incentivava os seus tantos poetas e admirava os estudiosos cujas matérias, destes e daqueles, eram publicadas com destaques e sempre em primeira página.
Nas festas carnavalescas, após a fase do entrudo, percebia-se a apatia do santacruzense.
A partir de 1902 surgiram as primeiras diversões mecânicas e, somente no final do século XX surgiram os brinquedos eletrônicos.
2. Diversões: cultura, esporte e lazer
2.1. Cinematógrafo
Em 1902, sete anos após a invenção do cinematógrafo, os empresários itinerantes, Volpe, Nardino e Massimo (Correio do Sertão, 15/11/1902), apresentavam espetáculos do gênero, pela primeira vez em Santa Cruz, num salão de propriedade da família Raveduti.
Aquele cinematógrafo foi a grande sensação com as apresentações dos primeiros filmes no lugar, com a lotação esgotada durante a segunda quinzena de novembro e todo o mês de dezembro.
Enquanto Santa Cruz não apresentava cinema próprio, outros empresários ambulantes apareciam, para seus espetáculos através dos cinematógrafos.
2.2. Cinemas
Nos tempos mais antigos as fitas cinematográficas eram curtas e mudas – com diversas apresentações num só espetáculo, e, durante as projeções dos principais filmes uma orquestra apresentava-se ao vivo, além de certas improvisações de efeitos sonoros, onde cocos batidos ao chão imitavam passos, trotes ou disparadas de cavalo, ou as folhas de flandres vibradas que davam ideias de trovões, e outras execuções de momento, sempre sob a coordenação do contrarregra, chefe da equipe escondida atrás da tela.
Antes das exibições e nos intervalos molhava-se a tela com o uso de uma vara chamada 'canudo', porque as projeções eram feitas por trás da mesma sob o forte calor da iluminação necessária.
Em algumas exibições, durante as interrupções regulares, faziam-se sorteios de prendas em pró alguma instituição local, com números previamente adquiridos ou ingressos numerados, por exemplo, em pró a reforma da Igreja Matriz (Cidade de Santa Cruz, 10/03/1912: 2).
2.2.1. Cine Oriente – 1909/1914
Após adiamentos, aos 18 de setembro de 1909 inaugurava-se a primeira casa fixa de espetáculos do gênero (Cidade de Santa Cruz, 18/09/1909: 3), pelo empresário Bichara Elias Eide.
Pouco depois, o Cine Oriente anunciava a estreia de seu moderno aparelho d'Pathe Frere, modelo 1910, e o aviso que as fitas seriam fornecidas pela grande empresa 'Bijou Theatre' de São Paulo (Cidade de Santa Cruz, 06/06/1910: 3).
O aparelho 'Pathe Frere', da Sociedade Irmãos Pathé, resumia-se em sincronizar o som com a imagem na tela, onde a força motriz substituía o meio mecânico das apresentações, ou seja, os efeitos sonoros e musicais, substituindo gramofones e efeitos manuais. Comumente denominava-se Pathé projetor de filme 35 m/m.
O Cine Oriente em 1912 incorporaria o Cine São Luiz, de Augusto Swenson, sob o gerenciamento único de Bichara Elias Eide, funcionando as casas em salas distintas.
2.2.2. Cine Brasil – 1911/?
Curiosamente, também propriedade de Bichara Elias Eide, o Cine Brasil entrou em funcionamento no dia 04 de julho de 1911, gerenciado por Manoel P. Tavares.
Nunca suficientemente explicado a decisão do empresário. Talvez a melhor razão esteja na informação do Almanack Paulistano – Velhos Cinemas do Interior, que muitas vezes 'brigas políticas' obrigavam duas salas de cinema numa mesma localidade cuja população nem era suficiente para uma única casa.
Com a incorporação do Cine São Luiz pelo empresário Bichara Elias Eide, não se sabe qual o destino do Cine Brasil.
2.2.3. Cine São Luiz – ?/1914
Não localizado, até o momento qualquer expediente que possa informar quando o início das atividades do Cine Teatro São Luiz, do empresário Augusto Swenson, situado a Rua Euzébio de Queiroz [atual Catarina Etsuko Umezu] esquina do Largo da Matriz, hoje Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio.
Anúncio de 26 de novembro de 1911 informava que o Cine São Luiz apresentava sempre filmes novos das grandes produções europeias e do Brasil – fitas nacionais (Cidade Santa Cruz, 26/11/1911: 3).
Pela divulgação sabe-se da apresentação do filme 'Astúcia de um Marido', de Max Linder, esclarecendo a notícia que, durante a projeção do filme uma orquestra se apresentaria ao vivo.
  • Max Linder foi o primeiro ator 'clow' [palhaço] da comédia arte - expressão do ridículo e da fraqueza de cada pessoa, no qual se inspiraria Charles Chaplin.
O Cine São Luiz, alugava o recinto para conferencias e reuniões, sem distinções partidárias, de credo e racial, mediante pagamento adiantado. A exemplo dos outros cinemas, na época, o São Luiz também favorecia espetáculos beneficentes, e em 30 de maio de 1912, "um espetáculo em beneficio da desvalida Rita Emboava".
O Cine São Luiz associou-se ao Cine Oriente:
  • "Comunicam-nos os srs. Bichara Elias Eide e Augusto Swenson, que por acôrdo realisado há dias, organisaram uma sociedade para exploração dos cinematógrafos São Luis e Oriente, desta cidade".
  • "A gerência dos negócios referentes aos mesmos cinemas, ficará a cargo do sr. Bichara Elias Eide
  • (Cidade Santa Cruz, 17/10/1911: 2).
Os Cines São Luiz e Oriente funcionaram em salas distintas, até 1914, quando da falência de Bichara Elias Eide (Cidade Santa Cruz, 04/10/1914: 3 – edital), sem menções daquelas casas de espetáculos no rol dos bens penhorados, ou que a sociedade tenha sido desfeita antes da decretação falimentar.
2.2.4. Cine 'Theatre Bijou' – 1911/?
De propriedade de José Aloe, por aquisição, esta casa de espetáculos já funcionava em 05 de março de 1911. O semanário 'Cidade Santa Cruz' ao referir-se ao empreendimento zombava da capacidade de geração de energia da Companhia Luz e Força Santa Cruz: "O sr. José Alóe actual proprietário do 'Bijou', vae nos mimosear, hoje, com mais uma funcção cinemathographica. Portanto todos ao Cinema, ainda com risco de quebrar uma perma devido esplendido funccionamento da 'Luz e Força' (Cidade Santa Cruz, 05/03/1911: 2).
2.2.5. Cassino Cinema – 1911/1912
Santa Cruz, em novembro de 1911, tinha quatro cinemas: Oriente, Brasil, São Luiz e Theatre Bijou, já com anúncio de mais uma sala de espetáculos cinematográficos, o 'Casino Cinema' de propriedade Xavier e Vianna (Cidade de Santa Cruz, 26 /11/1911: 2).
O Cine Cassino encerrou as atividades em 1912.
2.2.6. 'High-Life' Cinema – 1912/1912
Mais um cinema em Santa Cruz do Rio Pardo, da Empresa Xavier e Vianna (Cidade de Santa Cruz, 30/05/1912: 2), conhecido como Teatrinho, também promotor de espetáculos beneficentes.
Funcionava com apresentações de diversos filmes, com até oito fitas num só espetáculo.
O Cine 'High-Life' funcionou poucos meses, e em setembro de 1912, o prédio onde instalado dava lugar ao renovado Cine Oriente, de Bichara Elias Eid.
Dois anos depois, em 1914, depois o empresário Eid estava falido.
2.2.7. Cine Santa Cruz – 1914/1946
O semanário 'Cidade de Santa Cruz', aos 11 de outubro de 1914 anunciava o funcionamento do Cine Santa Cruz, dos empresários Machado (?) e Augusto Swenson, firmado sobre as deixas dos cinemas Oriente e São Luiz.
No período de 08 de maio a 15 de outubro de 1915 – datas de publicações de 'O Contemporaneo', o Cine funcionou em duas casas distintas de espetáculos cinematográficos, para então retornar num só salão mais apropriado e confortável.
Em outubro de 1927 o empresário Manoel Santos Ribeiro, apresenta-se proprietário do Grêmio Santa Cruz e do Cine Teatro Santa Cruz – ou Cine Santa Cruz, em prédio recém construído (A Cidade, 23/10/1927: 2) para tal propósito.
O terreno onde fez-se a construção era o todo anunciado à venda em 29 de novembro de 1917: "Vendem-se quatro datas de terreno no perímetro urbano desta cidade, e situadas na Rua Antonio Prado, esquina da rua Euzebio de Queiroz, lado de baixo. Tratar com o prof. Cornélio" (O Contemporaneo, edição de 29/11/1917: 5).
Em 1926 a área tornou-se patrimônio público municipal, cedido ao empresário Manoel Santos Ribeiro para nele construir o prédio destinado a um cine teatro, de acordo com a Lei Municipal 378, de 06 de agosto do mesmo ano, sendo o empresário também beneficiado com isenção de impostos pelo prazo de oito anos sobre o prédio, o cinema e bar instalados, todavia mediante cessão de lugares gratuitos na casa de espetáculo – eventos ocasionais, e a permissão de uso para festas, em benefício do hospital Santa Casa de Misericórdia.
Desde 1927, quando da inauguração do Cine Teatro Santa Cruz, apenas um cinema continuou em Santa Cruz do Rio Pardo instalado onde hoje a Prefeitura Municipal, sito à Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha nº 340.
Manoel Santos Ribeiro estava entre os maiores comerciantes de Santa Cruz da época, dono de uma Casa de Fazendas e Molhados à Rua Conselheiro Dantas (Cidade de Santa Cruz, 13/03/1921: 6).
Após três décadas de funcionamento, contadas administrações (proprietários) anteriores, o Cine Santa Cruz, em 1945, foi integrado à Empresa Teatral Pedutti, de Emilio Pedutti. O megaempresário no ramo de cinemas determinou a construção de novo prédio para a casa de espetáculos Santa Cruz.
Desde a ocasião, os informes publicitários, anunciações de filmes e outros espetáculos, traziam a identificação conjunta: "A Empreza Teatral Pedutti e o Cine Santa Cruz" (A Cidade, 13/05/1945: 1).
O novo prédio, cognominado 'Palácio da Sorocabana', foi inaugurado em 1946 sob a denominação de 'Cine São Pedro'. Após a anexação do Cine Santa Cruz, mudanças de nome e endereço, o empresário Manoel Santos Ribeiro instalou o Clube Soarema no lugar.
-Cine São Pedro/Empresa Teatral Pedutti – 1946/1987
Cine Teatro São Pedro, pela Empresa Teatral Pedutti, foi fundado em 1946, à Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 560, com capacidade de 1.050 lugares, valendo-se de projetor para filmes 35 m/m, com média anual de 565 sessões/ano e público de 252.310 espectadores num ano (Cine Mafalda, 2009: Interior – Santa Cruz do Rio Pardo), nos seus melhores tempos, ou seja, próximo a 450 frequentadores por sessão.
O prédio foi adquirido pela municipalidade em 1987 e inaugurado em 20 de janeiro de 1988 como 'Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto', em homenagem ao artista santacruzense, com a presença de Plinio Marcos [dramaturgo], Beth Farias – atriz e então deputada federal, outros nomes do meio artístico local e regional, além dos políticos e autoridades em geral.
Atualmente o edifício, reformado, destina-se a apresentações de filmes de teatro e grandes reuniões, sob a administração pública municipal.
2.3. Teatros e casas de espetáculos
Pelo Código de Posturas de 1883 entendem-se, em Santa Cruz, existências de teatros e clubes de danças, mas deles praticamente inexistem registros, afora vagas referências pela imprensa, sem menções de nomes ou endereços.
A classe social mais elevada fazia seus encontros e danças nas residências, e notícias dão conta que o sobrado do Coronel Moysés Nelli era dos principais lugares de encontros para os bailes da elite, acontecimentos desde o final do século XIX.
Nos salões apresentavam-se orquestras, promoviam-se bailes, vinham as bandas e peças teatrais. Santa Cruz era uma cidade que apreciava a cultura.
2.3.1. Salão [do] Ravedutti
Em 1902 existia o Salão do Ravedutti, notável casa de espetáculos da época, com apresentações de grandes bailes com presenças de orquestras e bandas, sessões cinematográficas e variedades, e à frente das apresentações locais a família Ravedutti – de imigrantes italianos, e que importava espetáculos e variedades de shows (Correio do Sertão, 26/04/1902: 2).
2.3.2. Salão nobre da Câmara / Tribunal do Júri
Não era praxe espetáculo realizados no amplo salão do edifício público, que servia para as atribuições camarárias e de júri, no entanto alguns acontecimentos sociais, musicais e dançantes de grandezas maiores, lá aconteceram.
A inauguração em 1901 foi uma grande festa social dançante – esplendido baile (Correio do Sertão, 21/03/1903: 2) que avançou a madrugada.
Importante apresentação musical realizou-se no local, em mês de agosto de 1903, quando os anunciados irmãos russos, na verdade croatas, Mirko e Stefan Seljan, concertistas e exploradores científicos numa viagem pelo Brasil, chegaram a Santa Cruz do Rio Pardo onde permaneceram por alguns dias.
O 'Correio de Sertão', em sua edição de 08/08/1903: 2, referiu-se a uma das apresentações: "Foi bastante concorrido e applaudido o concerto musical, dado nesta cidade, na noite de 4, pelos Irmãos Seljan".
2.3.3. Salão Aurora
Em 1908 citou-se o Salão Aurora (Correio de Santa Cruz, 26/06/1908), de propriedade de Sebastião Antunes Ribeiro.
2.3.4. Salão Brasil
Não se sabe desde quando o funcionamento do Salão Brasil, destinado a eventos sociais e festejos, e em os bailes carnavalescos.
Informe publicitário de 1933 informa-o de propriedade de Augusto Totti, e lá era possível adquirir o lança-perfumes – venda permitida na época, confetes e serpentinas. Segundo a publicidade, naquele ano de 1933 o carnaval na casa ia ser de 'arromba' (Santa Cruz Jornal, 05/02/1933: 4).
2.4. Clubes Sociais, Literários e Recreativos
Alguns clubes funcionaram em Santa Cruz do Rio Pardo, aqui apresentados aqueles cujos registros chegaram aos dias atuais:
2.4.1. Democrata 'Club'
Em 1902 existia em Santa Cruz o Democrata Club, numa a notícia dada referindo-se a apresentação do espetáculo, em três atos, 'Supplicios de uma mulher', e o anúncio da comédia 'Uma scena no Sertão de Minas' (Correio do Sertão, 11/03/1902: 2).
O Democrata teve sua origem no final do século XIX, a exemplo de outros clubes de igual nome e época, em lugares diversos, inspirado no movimento católico pós-advento da República, como espaço aberto à cultura, sobretudo à arte musical.
2.4.2. Clube Literário e Recreativo
No mês de junho de 1903 noticiou-se a fundação do Clube Literário e Recreativo Santacruzense: "Com esta denominação, por iniciativa de um grupo de distinctos rapazes, acaba de ser fundada uma sociedade dançante nesta cidade, a qual será inaugurada brevemente" (Correio do Sertão, 27/06/1903: 2).
O Clube reuniu seus membros, aprovou estatutos e nomeou comissão para angariar fundos e consumar a denominação, elegendo a primeira diretoria aos 20 de julho de 1903, sendo: "presidente Major Vicente Finamore; thezoureiro capm. Antonio Sanches Pitaguary; secretario, Luiz Octavio de Souza; procurador, José A. Pereira Junior" (Correio do Sertão, 25/07/1903: 2), e, ainda, escolhidos por votos, Julio Estevam de Sant'Anna, Manoel de Novaes Cortez e o tenente João Manoel de Almeida, para a Comissão de Sindicância.
2.4.3. Tabajara 'Club'
Notícias de 1915 mencionam o salão Tabajara Club (O Contemporaneo, 28/08/1915: 3).
Tradições lembram, em Santa Cruz, que se tratava de clube típico nordestino, com músicas típicas, sem nenhuma discriminação.
A palavra tabajara, de origem tupi: 'senhor ou senhores de [da] aldeia', era comumente usada para identificar paraibanos ou, mesmo, nordestinos de modo geral.
2.4.4. Clube 21 de Abril
Clube cultural e de recreação, elitizado, o '21 de Abril', estava em funcionamento no Largo do Jardim, no ano de 1919, constando que fora naquela localidade que o Coronel Tonico Lista mencionara, em presença das testemunhas Benedicto Xavier e Francisco Vidal, mando ou sugestão para os espancamentos do advogado Francisco Giraldes Filho e o cliente Fernando Foschini, ameaças levadas a efeito (Processo Criminal: Ocorrências Inquérito Policial – Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista: 1919).
2.4.5. Clube Náutico
Lendário, o Clube Náutico faz parte da tradição de Santa Cruz do Rio Pardo, e já estaria em atividade na década de 1920, não estatuído, com grupos de amigos que por lá se reuniam para divertimentos de pescas, natação e canoagem.
Oficialmente seu idealizador foi o francano José Rios, em 1933, ao entender que aquele lugar calmo à beira rio pudesse receber e melhor acomodar as pessoas para convescotes familiares ou amistosos, além das práticas náuticas, originalmente sem as pretensões de algum clube formal. 
  • José Rios, filho de Ricardo Rios e Josepha Sanches, nasceu em Franca – SP aos 20 de maio de 1897, chegou a Santa Cruz ainda criança, exerceu cargo de Porteiro do Grupo Escolar e destacou-se como atleta amador especialista em natação, falecido aos 15/07/1961. José Rios não deve ser confundido com José Rios Massa, nascido em Iguape, por volta de 1891, filho de André Massa e Cesira Massa, casado com Frida Kühne aos 18/01/1923, em Santa Cruz do Rio Pardo, importante membro da sociedade da época e partícipe dos clubes desportivos santacruzenses, morto em 23/07/1957 (CD: A/A: Família Rios).
Inevitavelmente surgiram as regras de convivências e de manutenções, criando-se uma associação, com setenta pessoas contribuintes mensais para as realizações no lugar: terraplanagem, balanços, gangorras, campo de futebol, barras para exercícios físicos, quadras de areia, represamento de uma mina para natação infantil, coberturas para o abrigo do sol e chuva, lugar para guardas de canoas.
A inauguração, no melhor estilo, foi disputada por provas náuticas – natação até a altura da ponte então existente com acesso a rua Saldanha Marinho.
As tradições guardam revelações, que Maria Rosa Fernandes, depois casada com Renato Taveiros, teria sido a primeira mulher a atravessar o Rio Pardo a nado, margem a margem, além de dar causa de discussão social pelo ousado traje [maiô] usado naquele evento.
O Clube Náutico até os anos de 1970 não foi rígido nas cobranças das mensalidades dos associados, e chegou a ser abandonado até 2001, quando da remodelação do lugar e uma nova administração, dando origem ao Ingá Náutico Clube, com significativos melhoramentos e nova ordem.
2.4.6. Clube XV de Novembro
O Clube XV de Novembro foi inaugurado aos 15 de novembro de 1921, num confortável prédio, com vastos salões decorados e iluminação deslumbrante.
A solenidade ocorreu hasteamento do pavilhão nacional, com o discurso do dr. Hernande Brazil, orador oficial do clube, discorrendo sobre os fins e utilidade do XV de Novembro, muitas vezes interrompido pelos aplausos.
Após o serviço de chá, a corporação musical animou os festejos até a madrugada. "Emfim, o festival da inauguração do Club 15 de Novembro, deixou gravado nos corações das familias Santacruzenses uma perenne recordação" (Cidade de Santa Cruz, 20/11/1921: 2).
2.4.7. Clube Recreativo Progresso
No ano de 1925, 14 de setembro, noticiou-se a inauguração do Clube Recreativo Progresso (A Cidade, 20/09/1925: 2), com as escolhas dos membros diretores, Francisco Martins da Costa, Presidente; Guilherme Wolf, Vice-presidente; Benedicto Fonseca, Secretario; José Antonio, Thesoureiro; Joaquim Monteiro, Vice-tesoureiro; e Octavio Lizzi, o fiscal geral. Para a Comissão de Sindicância foram indicados Manoel Ferreira Martins, Antonio de Oliveira, Henrique Scheramm, Luiz Lorenzzetti, Tertuliano Vieira da Silva. Para Mestres de Salas, Paulo Wolf e Joaquim Bressani.
2.4.8. Éden 'Club'
Publicação em 'A Cidade, 20 de setembro de 1926: 1 – Notícias Diversas' trouxe a informação: "Realiza-se amanhã [21 de setembro de 1926], às 20 horas, eleição da nova Directoria do Eden Club desta cidade".
No ano seguinte, 1927, o 'Eden Club' surge sob a denominação 'Gremio Santa Cruz', para funcionar em nova sede, à Rua Conselheiro Antonio Pardo, designando-se tendo o dia 12 outubro de 1927 para a organização da nova sede e posse da diretoria (A Cidade, 02/10/1927: 2-3):
  • "Presidente – Dr. Pedro Cesar Sampaio; Vice-presidente – Agenor de Camargo; 1º secretario – Luiz Octaviano de Sousa; 2º secretario – Mauriles de Almeida; Thesoureiro – João Baptista Ferreira e Orador, Dr. Vasco de Andrade".
  • "Comissão de Syndicancia: Florberto Alves Cruz, Carlos Rios e Antonio Aloe".
2.4.9. Grêmio Santa Cruz
Manoel Santos Ribeiro assumiu controle do 'Eden Club' e o transformou no 'Gremio Santa Cruz' instalado em nova sede e inaugurado aos 12 de outubro de 1927, à rua Conselheiro Antonio Prado, que tinha por objeto a recreação familiar e sua inauguração mereceu reportagem, com posse da Diretoria sendo Presidente o Dr. Pedro Cezar Sampaio.
Após o discurso do Presidente eleito, "Seguiu-se animadíssimo baile onde viam-se as mais distinctas famílias desta cidade, prolongando-se as dansas até ao romper da aurora, tocando a orchestra Wolf variadas musicas de seu variado repertorio" (A Cidade, 16/10/1927: 1).
A localização do 'Grêmio Santa Cruz' indica ser próxima ao Cine Santa Cruz, do mesmo empresário, construções numa mesma época, estando por dedução o local onde, posteriormente, funcionou o Clube dos Vinte a partir de 1929 e, depois, a Rádio Difusora Santa Cruz, inaugurada em 15 de maio de 1949.
2.4.10. Clube [de] Xadrez
Clube recreativo e literário-musical, onde as "Pessoas se reuniam para discutir cultura, jogar xadrez e declamar poesias, sob os auspícios do Grêmio Estudantil Dario de Moura, da escola Leônidas do Amaral Vieira" (Debate, edição de 11/11/2007: 8, do entrevistado José Eduardo Piedade Catalano).
Funcionava no sobrado do Nelli, construção do século XIX, situado na Travessa Manoel Herculano com a Rua Conselheiro Antonio Prado, mais propriamente na atual Praça Deputado Leônidas Camarinha.
A prática maior do clube, sem dúvidas, era o enxadrismo, sobretudo nos anos de 1920, e tinha como grande destaque o jovem João Evangelista da Silva Netto, de 22 anos, filho do Coronel Tonico Lista.
Motivado pelos seus praticantes, em 1927 o Clube Xadrez promoveu a vinda do enxadrista Vicente Tulio Romano, primeiro vice-campeão brasileiro daquele ano (A Cidade, 20/11/1927: 2).
Segundo o entrevistado José Eduardo Piedade Catalano – Debate 11/11/2007, nomes da intelectualidade santacruzense passaram pelo Clube Xadrez e "que mais tarde se destacaram no meio educacional praticamente se formaram no Clube do Xadrez, como Teófilo de Queiroz, João Batista Borges Pereira e outros".
O Clube [do] Xadrez 'desapareceu' no final da década de 50.
2.4.11. Clube dos Vinte
Aos 15 do mês de maio de 1929 um grupo de vinte ilustres nomes da sociedade santacruzense, da época, decidiram pela formação de um clube social, ao preço – joia de 200$000, com estatuto apresentado e aprovado. Foram eles: "Leônidas do Amaral Vieira, Florberto Ales Cruz, Dr. Pedro Cesar Sampaio, Osorio Bueno, Dr. Pedro Camarinha, Dr. Odilon Bueno, Theophilo J. Queiroz, Agenor Camargo, Julio Cesar Covello, Francisco de Paula Assis, Avelino Taveiros, Leônidas Camarinha, Angelo Fazzio, Dr. Viriato Carneiro Lopes, Dr. Vasco de Andrade, Antonio Aloe, Jayme Castanho, Jorge Bassit, João Batista Ferreira e Jarbas Bueno" (Clube dos Vinte, Estatuto aprovado, 1929).
A inauguração do Clube ocorreu aos 07 de julho de 1929, e a sede situava-se à Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 56, aonde depois funcionou a Rádio Difusora. A data coincidia com o aniversário de seu fundador e o seu principal nome, Leônidas do Amaral Vieira.
O Clube dos Vinte estava sempre atento às datas festivas e religiosas para promoções de seus eventos. Em 19 de abril de 1930 –'sábado da aleluia', por exemplo, promoveu-se "um grande 'soirée' dansante dedicada aos seus associados", estando também na programação "um baile infantil, com distribuição de bombons, no dia seguinte, domingo de paschoa, 20 do corrente, das 14,00 às 17,00 horas" (A Cidade, 06/04/1930: 2).
O hebdomadário A Cidade (21 de junho de 1931: 4) noticiou:
  • "Gratificação – O Club dos Vinte grafifica com dusentos mil réis, a quem der notícias seguras do desapparecimento de sua placa, ou disser aonde a mesma se encontra; será guardado o mais absoluto sigillo a respeito". À mesma página publicava-se: "Processos Crimes – Foram com vista ao dr. Promotor Publico, para os fins legaes, o processo referente ao desapparecimento da placa do 'Club dos Vinte' (...)".
O Clube dos Vinte constou na relação de entidades beneficiadas com auxílio público pelo Governo do Estado para construção de sede própria (DOSP, 21/12/1954), que viria ser num terreno público destinado a esse fim, onde antes a velha cadeia, à atual Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha, num 'endereçado' edital de arrematação, de 07 de novembro de 1955, fundamentado na Lei Municipal nº 8, de 31 de outubro de 1955, a tratar-se apenas de legalização posto o prédio inaugurado em já em 1956.
O Prefeito Cyro de Mello Camarinha, em Edital de Arrematação, com prazo de quinze dias, fez saber que a Municipalidade, nos termos da Lei Municipal 8/55, de 31 de outubro de 1955, 'venderia a quem melhor oferta fizesse, de um terreno situado à Praça da República, com área total de 765,40 m² medindo 37,20 metros de frente para a referida praça pública e confrontando de um lado com a propriedade de Célio Barbosa Martins, do outro lado com terrenos de Augusto Totti e pelos fundos com terrenos de José Mazzante'.
Com dificuldades financeiras e má administração o Clube dos Vinte encerrou atividades e processos que lhe foram movidos ainda tramitam na Justiça. O prédio onde antes a sede, após reforma e remodelação, abriga a Associação Comercial e Empresarial – ACE.
No Capítulo VII do Estatuto do Clube – Disposições Gerais, o seu artigo 35, informava: "No caso de extinguir-se ou dissolver-se o Club (art. 33 § unico) o seu patrimônio passara intacto, á Santa Casa de Misericordia".
Por referência dada, o artigo 33 e o seu parágrafo estão assim expressos: "Art. 33 – Os estatutos jamais poderão ser alterados no tocante á constituição do Conselho Diretor e suas atribuições. (...). § Único – Qualquer modificação levada a effeito contraria á disposição deste artigo importará na dissolução do Club (art. 35)".
2.4.12. Clube Social 'Soarema'
Nome dedicado, segundo as tradições, a Manoel Francisco Soares, cofundador da cidade.
O 'Soarema' surgiu notícia em 1946 ao ocupar o prédio onde antes instalado o Cine Teatro Santa Cruz, um grande salão sem mobiliário algum, e o mezanino com as frisas – ou camarotes em nível acima da plateia. Situava-se na esquina da atual Rua Catarina Etsuko Umezu, ou Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha, com a Rua Conselheiro Antonio Prado.
Foi importante clube social dançante de sua época, que servia, ainda, para promoções de acontecimentos sociais, estudantis e políticos, através de locações, e os móveis podiam ser colocados conforme exigências ou necessidades daqueles eventos.
O 'Soarema', inscrito como Instituição Recreativa e Literária, constava na relação de entidades auxiliadas pelo Governo do Estado, assim, em 1954, de acordo com publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo (21/12/1954).
Aos 18 de agosto de 1955 pelo Ofício 386, da Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, foram suspensas as atividades recreativas e festivas no Clube Soarema, em face da instabilidade e insegurança do referido prédio segundo laudo de vistoria procedida pela Prefeitura Municipal.
Muitos santacruzenses têm lembranças dos bailes ocorridos no clube, e festas de formaturas e convenções partidárias – ano de referência 2013. Nome sempre presente em qualquer realização ou evento social, José Eduardo Piedade Catalano, como orador, apresentador, locutor, paraninfo e organizador de festas e recepções, tem as melhores lembranças do ecletismo do Soarema (Debate, 11/11/2007, entrevista com José Eduardo Piedade Catalano).
Em 1961, a Lei Municipal nº 378, de 06 de agosto de 1926, que permitia o uso daquele terreno da municipalidade pelo empresário Manoel Santos Ribeiro, foi revogada pelo descumprimento quanto às regras de segurança e outras estabelecidas, já há mais de dez anos, e o prédio encontrava-se em estado de ruínas, conforme texto da Lei Municipal nº 127, de 30 de dezembro de 1961, e ao empresário foi dado prazo de noventa dias, a contar da publicação da lei, para remoção dos materiais existentes no terreno, mas a retirada não foi imediata e, questionou-se a quem pertenceria a edificação.
Endividado, o Clube Soarema encerrou atividades e o prédio foi 'adquirido' pela Municipalidade, no Governo Carlos Queiroz, em troca de débitos tributários, e no local, após a reforma, foi instalada a Prefeitura Municipal, em 1967, oficialmente inaugurada em 1969, e ainda hoje no lugar – ano 2013.
Oportuno destacar que o terreno, onde funcionou o Cine Santa Cruz e depois o Clube Soarema, era patrimônio público municipal, originariamente cedido ao empresário Manoel Santos Ribeiro para nele construir um prédio para casa de espetáculos, de acordo com a citada Lei Municipal 378 de 06 de agosto de 1926.
2.4.13. Icaiçara Clube
Oficialmente fundado aos 27 de fevereiro de 1957, na residência do senhor José Osiris Piedade – Biju, o Icaiçara (Caboclo da Beira do Rio) teve esse nome por sugestão do Professor Wilson Gonçalves. Tinha por objetivo ser sociedade literária e recreativa aos seus sócios; depois a isto seria acrescida a filantropia.
Com a elaboração estatutária elegeu-se o 1º Conselho Administrativo, aos 30 de novembro de 1958, assim composto por: Dr. Derly Ribeiro, Jose Osíris Piedade – Biju, Alcides Rosso, Dr. Waldomiro Ferreira Neves, Jose Antonio Ramos, Mario Moreira Martins, Ulysses Butgnoli, Dr. Fernando Jose Santos e Alfredo Gonzaga de Oliveira. Também nesta data foi escolhida a Diretoria: Agenor Pereira de Oliveira – Presidente; Dr. Osmar Gonzaga de Oliveira – Vice-Presidente; Rubens Carmagnani – 1º Secretário; Dr. Clelio Zanoni – 2º Secretário; Professor João José Corrêa – 1º Tesoureiro; e Renato Fraga Moreira – 2º Tesoureiro.
Sua inauguração deu-se aos 30 de junho de 1959 com recepção aos associados e convidados, e o baile sob a animação da Orquestra de Silvio Mazzuca.
Pela Lei 8.099, de 07 de abril de 1964, o Icaiçara constou no rol de entidades inscritas para recebimento de auxílio do Governo do Estado de São Paulo, com os valores para o próprio Icaiçara Clube, para a Construção da Casa do Estudante, para a Festa do Peão, para Bolsa de Estudo e para as Damas de Caridade (DOSP, 09/04/1964).
O Icaiçara permanece em atividade (2013) e bastante ativo.
2.4.14. Umuarama Rádio Clube
Clube recreativo e cultural fundado em 1957, o Umuarama Rádio Clube ganhou matéria jornalística (A Cidade, 14/07/1957: 2):
  • "Inaugurou-se dia 8 p. [julho de 1957] mais um Clube em nossa sociedade, que nos vem proporcionar um melhor divertimento que tanto antes necessitávamos. Dizemos necessitávamos, e porque não temos no momento, nenhum que possa satisfazer as exigências que um Clube poderia conseguir".
  • "Agora, com a inauguração oficial pelos diretores de nossa Z.Y.Q.-8, surgiu, para o contentamento da sociedade atual, a 'Umuarama Rádio Clube' que foi marcada com a realização de um grandioso baile ao ar livre, com a animação do famoso conjunto que ainda esta cidade não havia conhecido, Gorni e sua Orquestra".
  • "Apezar do frio reinante náquela noite, muito esteve frequentado; suas dependências aglomeradas, suas mesas lotadas e os nossos dançarinos animados".
  • "Com a quadra de esportes e danças, contruídos em terreno da Rádio Difusora local, digamos em poucas palavras: felicidade Umuarama Rádio Clube, parabens componentes da Rádio, e, nossos elogios, senhores Diretores!"
2.4.15. Outros clubes
Certamente existiram clubes sociais, recreativos e literários em Santa Cruz do Rio Pardo do século XIX, além dos luaus residenciais, e festejos religiosos.
Dos recreativos, ainda no século XIX, antes da libertação dos escravos, os membros da 'Irmandade do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos' divertiam-se na sua sede, com suas externações sincréticas, reuniões convencionais e palestras.
No século XX alguns clubes associativos representavam entidades esportivas, por exemplos, a Associação Operária Santacruzense e a Atlética Santacruzense.
Tradições lembram que nos primeiros trinta anos do século XX, ainda era perceptível a discriminação social e racial em Santa Cruz do Rio Pardo, sabendo que o 'Clube Bar' ou 'Bar Massa' destinava-se aos afrodescendentes, no segundo andar do prédio situado à Travessa Manoel Herculano com a Praça Deputado Leônidas Camarinha, acessado por uma escada fora do edifício.
Em Santa Cruz existiu, nos anos de 1950/1960 o 'Clube de História – Economia Política e Ciência das Finanças do Instituto de Educação Leônidas do Amaral Vieira', chefiado pelo Professor (Dr.) Carmelo Salvador Francisco José Sigismundo Crispino, na década de 1960, ligado ao Deputado Estadual Leônidas. Pretendia-se uma obra sobre Santa Cruz do Rio Pardo e o professor Carmelo teria solicitado alguns livros camarários e não devolvido nem a história escrita.
O Clube de História recebia verba pública para sua manutenção (DOSP, 19/03/1964: 5, parte 1).
2.5. Clubes desportivos
2.5.1. Futebol
O futebol era a moda e, em Santa Cruz, existiam times representantes de bairros, vilas, fazendas, empresas [comércio e indústria], tipo 'catação' e alguns de formações particulares, com nomes identificados às origens, e outros vinculados a datas festivas ou históricas.
Em 1908 existiam grupos de pessoas que praticavam futebol em campos improvisados nos bairros urbanos e rurais de Santa Cruz, quando Rômulo Baptista resolveu criar uma liga desportiva, o 'Clube Foot-ball', como associação de times interessados ou formados no próprio clube, para prática organizada daquele desporto, a exemplo de outras localidades que assim procederam.
A imprensa escrita, na época noticiou: "Chamamos a attenção dos amadores para uma circular do Club Foot-ball, inserta na seção competente desta folha. Esta util associação sportiva, como suas congeneres, tem por fim proporcionar aos associados agradável distração e boas horas de prazer" (Correio de Santa Cruz, 26/07/1908: 3).
O objetivo do 'Club Foot-ball' era formar equipes associadas para competições entre si, com regras oficiais e campeonatos regulares. Os sócios jogadores, contribuiriam com joias estabelecidas.
A Liga se encarregaria em formar os times, mas estes podiam ingressar já organizados, e a Associação aceitava donativos. As equipes feitas ou formadas disputavam entre si, melhor de três partidas, até os primeiros campeonatos organizados, com mais clubes participantes, no sistema dois turnos – ida e volta.
O futebol cresceu desde então, alguns clubes criaram rivalidades entre si.
Alguns times existiram apenas para um campeonato, outros tiveram durações prolongadas, e aqueles que já são tradicionais desde décadas, impossível nominá-los a todos, em razão que os órgãos de imprensa de suas épocas noticiavam tão somente os times destacados, alguns pelas suas realizações, outros em razões de influências de seus diretores.
Dentre os primeiros clubes de futebol, os 'Sport Club' de várzea, destacaram-se: Santo Antonio, São Benedito, São José, Santa Cruz. O semanário 'O Contemporaneo' cobria os principais eventos futebolísticos, anunciava convocações e publicava notas dos responsáveis. Reportagem de 1915 revela o jogo entre Sport Club Santa Cruz e o Sport Club São Benedito, realizado no campo do Rosário, proximidade da atual Praça Octaviano Botelho de Souza (O Contemporaneo, 08/05/1915: 2).
Os clubes possuíam, geralmente, duas equipes, '1º e 2º team' sendo o segundo para a partida preliminar e o primeiro a disputa de fundo ou principal.
Não raramente, na ausência de adversários, os 1º e 2º times de uma mesma agremiação jogavam entre si, com reservas em comum, consoante matéria publicada pelo 'O Contemporaneo', de 08 de maio de 1915: 2, ao anunciar convocação das duas equipes do Sport Club Santa Cruz, para embate no dia 09 de maio, às 17,00 horas, a primeira equipe formada por José, Alexandre, Rocha, Ataliba Aristides, Francisco, Cruz 1, Castro, Cruz 2, Jayme e Flávio; a segunda com Castellete, Dias, Octavio, Jango, Jandyra, Totó, Cassio, Leite, Luiz, Accacio e Paulo; e os reservas A. Nogueira, J. Santos e Chico.
A chamada trazia, ainda, a observação: "Os captains pedem por nosso intermedio que todos os jogadores compareçam competentemente uniformisados".
Aos 31 de julho de 1915 novamente as equipes do Sport Club Santa Cruz se enfrentaram, desta vez, em maioria, com diferentes jogadores: 1º time: José, Oscar Cyrillo, Accacio, Vieira, Dionísio, Cesar, Castro, Nino, Jayme e Cruz. 2º quadro: Castello [certamente o mesmo Castellete], Benedicto, Octavio, Flávio, Jango, Vicente, Leite, Luiz Adauto, Umberto e Paulo. As diferentes escalações demonstravam a importância do clube e não os participantes.
Havia toda importância e formalidades para os clubes de futebol. Uma reunião a realizar-se a 15 de agosto de 1915 para discutir assuntos do Sport Club Santa Cruz, por exemplo, foi convocada, via imprensa, pelo secretário Francisco Antonio Raveduti, por ordem do presidente da agremiação, nas dependências do Clube Social Tabajara (O Contemporaneo, 28/08/1915: 3).
Imagina-se Santa Cruz, para a época, cidade pequena onde todos se conheciam e os recados facilmente repassados, até com eficiência maior que as convocações formais pela imprensa. Era, mesmo, para ninguém alegar ignorância.
O 'Sport Club São Benedito', em 1921 tratava-se de respeitável agremiação futebolística, presidida pelo Escrivão do 2º Ofício da Comarca, Jandyra Trench, o mesmo que em 1915 jogava pelo Sport Club Santa Cruz, sendo os demais diretores nomes ilustres da sociedade santacruzense, a exemplos do vice-presidente Deoclides Santos Marques, do primeiro secretário Benedicto de Andrade, o segundo secretário Santo Almara, o tesoureiro Benedicto Rodrigues do Nascimento, o orador official dr. Hernande Brasil, o diretor esportivo José Alves dos Santos, o juiz oficial Adolpho Totti, o 1º capitão – Godofredo Piedade, e o 2º Capitão – Manoel Roque da Silva (Cidade de Santa Cruz, 06/02/1921: 2).
  • Jandyra Trench, exceto homonímia, fez-se lembrado em Penápolis e seu nome foi dado ao Recinto de Exposições daquela localidade, onde trabalhou como escrivão interino – DOSP, 01/12/1929 – e prefeito de 01/01/1952 a 31/12/1955 – Prefeitura de Penápolis – Galeria de Prefeitos.
A agremiação União Esportiva (Sportiva), em 1921, sob a presidência de Avelino Taveiros, vinculava-se ao meio jornalístico e elite santacruzense (Cidade de Santa Cruz, 06/02/1921: 2). Era o início da identificação de clubes com empresas.
Nos anos de 1930 surgiram os primeiros clubes como associações como a Atlética Santacruzense e a rival Operária Santacruzense.
Alguns clubes de futebol tiveram vínculos políticos e recebiam verba pública. O Esporte Club [EC] Cruzeiro e o Esporte Clube Vinte [XX] de Janeiro, forças tradicionais do futebol santacruzense, constaram na relação de entidades inscritas para recebimento de auxílio do Governo do Estado, de acordo com anexo à Lei 8.099, de 07 de abril de 1964 (DOSP, 09/04/1964).
O XX de Janeiro tinha influência; em 1960 o governo municipal, pela Lei nº 104, de 1º de dezembro de 1960, doou terreno ao Esporte Clube Vinte de Janeiro para "construções das dependências necessárias ao funcionamento do Esporte Clube XX de Janeiro".
  • Na história do XX de Janeiro consta uma mulher, Anna Maria Cotrim Monteiro "Presidente do time de futebol do Bairro São José, o 'Esporte Clube XX de Janeiro'-" (Debate, 30/01/2011, Anna, a pioneira, por Sonia Maria Monteiro - Seção Cartas), a saber que a mesma Anna, conhecida festeira na Comunidade do Bairro São José, e, também, a primeira mulher a disputar vaga na Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo.
Foram os principais times do futebol santacruzense:
Associação Atlética Santacruzense
Também conhecido como Atlético Santacruzense, surgiu nos anos de 1920. Informe publicado no hebdomadário 'A Cidade', edição de 06/05/1923, comprova:
  • "Realiza-se hoje ás 16 horas, no campo da Associação Athletica Santacruzense, uma partida de futebol entre um combinado organizado pelo Snr. José Rios, com a denominação =Almofadinhas= e o 2º team da Associação." (Observações e gentileza do Sr. Edilson Arcoleze Ramos de Castro).
Sem quaisquer outros expedientes administrativos conhecidos, a oficialização documental da Associação, por exigência legal, deu-se aos 31 de março de 1930:
  • "Realizou-se dia 31 p.p. a assembléa da fundação do 'ATHLETICO SANTACRUZENSE', sociedade esportiva para a pratica do futebol nesta cidade. Perante grande numero de esportistas deu-se a installação da mesa que deveria presidir os trabalhos e em seguida prcedida a eleição da 1ª directoria. Foi, então, apresentada u'a moção, por um grupo de esportistas, pedindo fosse dispensada a eleição e se acclamasse a seguinte directoria":
  • "Presidente - Cap. Avelino Taveiros, Prefeito Municipal e director da Escola Normal; Vice-presidente - Prof. Dario Queiroz, Inspector - fiscal da Escola Normal; 1º e 2º secretários - Prof. Mario Gulaberto de Camargo, director do Grupo Escolar e Braulio França Mello; 1º e 2º tehsoureiros - José Rocha e José Rios Massa".
  • "Commissões de esportes: - Joaquim Monteiro, Turreno Scuccuglia e Pedro Catalano".
  • "Comissão Fiscal: - Agenor de Camargo, Dr. José Carqueijo e Benedicto Carlos da Silva".
  • "Consultado pela mesa, todos presentes apoiaram a indicação, ficando assim constituida a 1ª directoria do ‘Athletico Santacruzense’, lavrando-se a respectiva acta" (A Cidade, 06/04/1930: 1).
Pelo mesmo semanário 'A Cidade', consta que aos 02 de abril de 1930, aconteceu assembleia para posse da diretoria da Associação Atlética Santacruzense e, entre as praxes e discursos transcrito na respectiva ata:
  • "Nada mais havendo, foi encerrada a sessão, tendo antes, o Sr. Presidente cap. Avelino Taveiros communicado haver conseguido o terreno necessário para a construcção dum novo campo de futebol, o qual, deverá ser num dos terrenos do Sr. Joaquim Paulino, nesta cidade, que gentilmente não se recusou a emprestar assim o seu concurso aos esforços dos esportistas locaes".
O terreno cedido localizava-se na chácara 'Joaquim Paulino', na esquina atual das Avenidas Coronel Clementino Gonçalves com a Joaquim de Souza Campos, nas proximidades onde a Organização Pimentel de Educação e Cultura, e a municipalidade muito contribuiu, com "adhesão de 2:000$000, fóra outros favores já concedidos louvavelmente" (A Cidade, 24/08/1930: 1).
A primeira crise da Associação surgiu com o resultado adverso da 'Revolução de 1930' desfavorável a Santa Cruz, necessitando a entidade reorganizar-se, aos 11 de novembro de 1930, com nova diretoria, pois os principais nomes foram afastados da vida pública.
Independente da destituição dos políticos locais pela Revolução de 1930, a palavra empenhada para a construção do campo de futebol para a Associação Atlética Santacruzense foi mantida, assim como os gastos da municipalidade, e o estádio inaugurado aos 07 de junho de 1931, com torneio eliminatório entre equipes da região e a renda revertida para obras do Hospital Santa Casa (O Trabalho, 07/06/1931: 2).
Num outro semanário, da época descreveu-se o estádio (A Cidade, edição de 31/05/1931: 4):
  • "O campo é todo fechado de madeira, caprichosamente cercado, com aspecto sóbrio e elegante. A fachada principal é mais imponente. Mais alta, traçada symetricamente, de forma vistosa".
  • "Ha duas entradas para o campo, aos lados, e ao centro um portão grande para vehiculos além das 2 bilheterias".
  • "Interiormente a vista geral é magestosa area grande, ampla".
  • "O recinto destinado à pratica do futebol, isto é, o campo propriamente dito, possue as dimensões estabelecidas pelo regulamento da A.P.E.A. Separa a assistencia dos jogadores em toda a extensão do campo, um gradil caprichosamente assentado, solido e vístoso, formado por ripas de madeira colocadas verticamenete, escoradas por palanques fortes e presas em travessas horizontaes tambem de madeira".
  • "Num dos lados do fundo o espaço é maior, bem disposto, de forma a comportar os automoveis estacionados e permittir sejam manobrados á vontade".
  • "Cogita, ainda, a actual directoria, construir uma confortavel archibancada, bem talhada e nos moldes às que existem nos bons campos de futebol. Isso, porem, não será já e já, mas, estamos certos, muito em breve será uma realidade victorisosa".
  • "Finalmente, logo à entrada dessa bella praça de esportes, na parte interna, foi contrído um optimo reservado, bem alto, de sorte a permittir aos convidados especiaes, autoridades etc. ficarem em boa posição para assistirem ao desenrolar dos jogos sem importunação alguma".
Em 1935 a Associação, reorganizada aos 11 de novembro de 1930, publicava o extrato de registro estatutário (DOSP, 22/06/1935), informando o objeto:
  • "Proporcionar aos seus associados toda sorte de exercicios esportivos e ao ar livre, especialmente futebol, remo, natação, polo aquatico, tennis, bola, jogos licitos, jogos de salão, leitura de livros, revistas e jornaes, promover festas esportivas entre os associados, ou com o concurso de outras sociedades, cobrar entradas a estranhos, quando estas festas tiverem caracter publico, promover reunião intima das familias".
A mesma publicação trouxe a identificação da Diretoria: Joaquim Gomes Reis – Presidente; Vice, Horacio Mazzante; 1º Secretario, Benedicto Peixe; 2º Secretário Basilio Maciel; compondo a equipe dirigente os senhores Roberto Kune, Francisco Tavares, Octacilio Bueno, Domingos Scuccuglia e José Rios Massa.
No ano de 1940, o então Prefeito Municipal, Leônidas Camarinha, pretendeu um estádio municipal na atual Praça São Sebastião e adjacências, para isso lançando mão de pacote desapropriatório de terras, para fins diversos e de utilidade pública – Decreto-Lei Municipal nº. 12, de 20 de dezembro de 1940.
  • Camarinha fazia largo uso político promocional do esporte, através da Associação Atlética Santacruzense, mas a construção do estádio não se realizou.
No ano de 1940 a sede social da Associação Atlética Santacruzense localizava-se à Praça 13 de Maio –conforme conhecida aonde atual Praça Octaviano Botelho de Souza. 
Mapa urbano santacruzense, início dos anos de 1940, apresenta a Associação Atlética Santacruzense no uso da sede esportiva e campo de futebol do extinguido o Comercial Futebol Clube, ao final atual Rua Eclides da Cunha, onde a Praça Coronel José Eugenio Ferreira e fundos da Escola Leônidas do Amaral Vieira (APESP, Protocolo S.E.G 2030: 19/11/1950).
A Associação Atlética Santacruzense novamente reorganizou-se, aos 20 de março de 1945, e fez editar extrato de seu estatuto (DOSP, 29/07/1945), e sua sede esportiva transferia-se para a margem do Rio Pardo.
A Associação recebia subvenção pública (DOSP, 21/12/1954), até 1964, continuava em atividade e subsidiada com verba pública, constando no rol anexo à Lei Estadual nº 8.099, de 07 de abril de 1964.-Associação Operária Santacruzense
Conhecido como Operário, a associação surgiu na mesma época que a Associação Atlética Santacruzense, aliás formadas para a rivalidade esportiva e, durante quase quatro décadas disputaram entre si memoráveis partidas de futebol, num sistema anual de melhor de três para se conhecer o campeão da cidade.
O hebdomadário 'O Trabalho' noticiou tarde futebolística ocorrida aos 31 de maio de 1931, no campo da Associação Operária Santacruzense – Vila Sidéria, entre a referida Associação e a Ourinhense Futebol Clube, onde "não obstante o Operário estivesse desfalcado de dois de seus melhores elementos, o campeão local conseguiu vencer o seu forte adversario na contagem de 3 a 2. Na preliminar tambem venceu os locaes na contagem de 3 a 0". A agremiação era conhecida como 'tricolor santacruzense' (O Trabalho, 07/06/1931: 2).
O mesmo semanário, na ocasião referiu-se ao 'bello campo da Vila Sidéria', da Associação Operária Santacruzense, aonde, atualmente, o Estádio Municipal Leônidas Camarinha.
A sede social da Associação Operária Santacruzense funcionou, por tempos na Praça da República – atual Deputado Dr. Leônidas Camarinha, mencionado em 1940 na eleição de sua diretoria quando elegidos os senhores: "Presidente: Nazareno Escolástico; Vice, Fernando Cesar Junior; 1º Tezoureiro, Benedito P Tavares; 2º João Fleury; 1º secretario, José de Paula Assis; 2º Renato Taveiros; Orador, Eça Taveiros" (A Cidade, 03/02/1946: 3).
O Conselho Administrativo do Estado de São Paulo ao aprovar o Parecer nº 1.694 (DOSP, 17/10/1943), referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1582 de 1943, condicionou subvenção do município à Associação Operária Santacruzense mediante prova de seu registro na 'Diretoria de Esportes'. Dois anos depois a 'AOS' encerrava suas atividades esportivas.
-Aparte histórico
Os dois principais times santacruzenses, Atlético e Operário, disputavam amistosos pela região.
Enquanto um ia jogar fora o outro recebia equipe visitante, e os jornais davam amplas coberturas aos jogos, de mais de uma página descrevendo os principais lances, destaques entre os jogadores, opiniões das torcidas e sobre os juízes.
No ano de 1932 a Associação Operária Santacruzense sagrara-se campeã da cidade, mas a Associação Atlética Santacruzense frustrou-lhe o título trazendo para a cidade a poderosa equipe paulistana, Argonautas Futebol Clube, para uma série de amistosos com times da região, valendo-se do campo da Associação Atlética Santacruzense:
  • "A valorosa entidade esportiva local, A. Athletica Santacrusense, acceitou as propostas que lhe foram feitas pela valorosa e pujante associação esportiva da Capital, Argonautas F. Clube, pertencente a divisão Municipal da APEA, onde conseguiu destacada posição".
  • "Assim por todo este mez, na 'cancha' dos rubros, dar-se-á a mais bella e empolgante batalha pébolistica, pois o conjuncto visitante além dos ‘players’ valorosos que possue, trará, integrando-o astros de primeira grandesa de futebol paulista, que nesta cidade pela primeira vez, farão exhibição de technica'-".
  • "Por um requinte de gentilesas a direcção da poderosa agremiação esportiva da Capital, offerecerá aos vencedores onze bellissimas medalhas e uma rica taça".
  • "Eia, avante Santacrusenses".
  • (O Trabalho, 18/05/1932: 2, significando APEA: Associação Paulista de Esportes Atléticos, atual Federação Paulista de Futebol).
Se as torcidas eram fanáticas, defendendo suas cores, mas as diretorias mantinham cordiais relações que seriam, no entanto, rompidas em 15 de julho de 1935.
A confusão iniciara-se no dia anterior, quando a Associação Atlética foi batida em seu campo, por dois a um, pela equipe visitante Garça Futebol Clube. Na data seguinte, a equipe de Garça, pela manhã, enfrentou o Operário e perdeu por um a zero (A Cidade, 21/07/1935: 4).
A despeito do cansaço e as condições do time adversário, o tripudio dos torcedores do Operário sobre os atleticanos envolveu as diretorias, numa crise sem precedentes entre os clubes, rompendo entendimentos campo e extracampo, um não jogava mais contra o outro, e assim permaneceriam por dois anos.
De 1935 a 1937 estavam cessadas as grandes disputas entre a Associação Atlética Santacruzense e a Associação Operária Santacruzense, até prevalecer a esportividade e o bom senso em agosto de 1937:
  • "O Athletico e o Operario medirão forças, dia 29 do corrente".
  • "O futebol santacruzense terá novamente os seus dias de glória, revivendo as memoraveis partidas desenroladas nos campos desta cidade".
  • "Depois de um prolongado afastamento, novamente os velhos rivaes da cidade, Associação Athletica Santacruzense e Associação Operaria Santacruzense conseguiram entrar em entendimentos honrosos, ficando assentado que esses clubs alinharão seus esquadrões, no próximo dia 29, no campo da Chacara Joaquim Paulino na primeira disputa da série 'Melhor das Trez'-".
  • "Dizer-se da grande expectativa em torno desse esperado encontro, é tarefa difficil. Amos os quadros estão em completa forma. Entrarão em campo, perfeitamente compenetrados da grande responsabilidade assumida pelas Directorias e serão os defensores disciplinados de suas cores".
  • "Nada poderá deslustrar o brilho invulgar da partida do proximo dia 29".
  • "Para isso, os directores do Operário e Athletico, em reunião realizada quinta-feira, entraram em perfeito accordo, resolvendo todos os pontos e idéias que apresentaram".
  • "Para a partida do dia 29, no campo do Athletico, actuará o snr. José Patrocinio, digno director esportivo daquella Associação e veterano do futebol santacruzense. O 2º jogo, a realizar-se dia 5, no campo do Operario, será actuado pelo snr. Romeu Rodrigues, esforçado treinador do quadro trocolôr".
  • "Grande é a animação que reina no meio esportivo. O Athletico e Operario farão novamente Santa Cruz voltar aos seus dias de gloria, revivendo, naquellas tardes, as memoraveis partidas desenroladas em outros tempos".
  • "Esperemos".
  • (A Cidade, 15/08/1937: 4).
Antes do rompimento entre as duas agremiações santacruzenses, em 1935, surgia nova corporação futebolística, a Associação Esportiva Santacruzense – desde janeiro de 1931, por iniciativa de empregados ferroviários para disputas de várzea e entre as companhias da Estrada de Ferro, segundo as tradições mais antigas:
  • Nos anos de 1930 o Governo Vargas promoveu Decretos e Leis de amparos aos trabalhadores, com inclusões das classes não abastadas ao convívio social, pelo esporte e lazer, destacando-se o futebol como forma interativa entre as diversas classes de trabalhadores. A exemplo de outras grandes empresas a Estrada de Ferro Sorocabana aderiu à onda propagada, incentivando cada companhia sua, ou onde as gares, organizar times de futebol que promoveriam disputas entre si, com a vantagem da locomoção gratuita.
Voltada ao futebol interno da Sorocabana, a Associação Esportiva Santacruzense não ocupou qualquer espaço, conhecido, na imprensa local, até que o periódico 'A Cidade', destacou sua reorganização, ocorrida em 1944, preexistente e com diretoria eleita, presente num encontro formal com os diretores das Associações Atlética e Operária Santacruzenses, aos 07 de janeiro de 1945:
  • "Os antigos associados do clube juntamente com um pugilo de outros esportistas de bôa vontade tomaram o encargo de reorganisar o clube aproveitando todos os bons elementos que militavam antigamente no 'Operario e Atletico' e num laço de fusão surge a nova Associação com um programa novo e novas diretrizes"(A Cidade, 14/01/1945: 1).
Desde 1940, talvez pouco antes, o prefeito nomeado, Dr. Leônidas Camarinha (1938/1946), entendeu o binômio: 'o uso político do esporte e o uso da política pelo esporte' como jogo de interesses entre ele, na política e os dirigentes de clubes. 'Distante das rivalidades entre torcidas, em 1945 a Associação Esportiva Santacruzense livrava-se das amarras de sua empresa para vincular-se a um grupo político dominante'.
A então Associação Operária Santacruzense encerrou suas atividades e as cores do seu uniforme foram repassadas para a nova Associação Esportiva Santacruzense, e até cedeu-lhe o seu campo de futebol, porém a Associação Atletica Santacruzense permaneceu ainda ativa, disputando jogos e batendo-se com a Associação Esportiva Santacruzense (A Cidade, 20/01/1946: 3).
A Associação Atlética e a Esportiva inscreveram-se para o Campeonato Amador de 1947, 6ª Região, promovido pela Federação Paulista de Futebol, ao lado dos: Olimpicus e Ourinhense –de Ourinhos, e mais os clubes de Bernardino de Campos e Itai. Ambas reclamaram a inclusão de Ittai, quando tal deveria, pela distância, ser localizada na região de Avaré (A Cidade, 09/03/1947).
A Associação Esportiva Santacruzense transformava-se num sucesso e grande força regional, enquanto a Associação Atlética Santacruzense destroçava-se, em 1948, perdendo de 16 a 3 da equipe de Jacarezinho (PR), de acordo com crítica reportagem do periódico 'A Cidade', edição de 11 de abril de 1948, página 1, que aquele clube santacruzense vinha de continuadas derrotas.
Doravante apenas a Esportiva Santacruzense seria a representante local nos campeonatos oficiais, fazendo sua própria história.
A Associação Atlética Santacruzense perdera o grande jogo na disputa política para a Associação Esportiva Santacruzense, e até o campo lhe foi tirado para utilidade pública.
Leônidas Camarinha tornou-se o patrono da Esportiva e estava deputado Estadual, e assim se manteria por sucessivas legislaturas até 1967.
A Associação Atlética Santacruzense ainda foi referenciada no início dos anos de 1960, time de várzea, nada mais.
-Comercial Futebol Clube
No ano de 1931 anunciava-se:
  • "Está fundado mais um clube de futebol nesta cidade – Commercial F.C. – constituido de elementos esforçados e modestos, sem o rotulo de figurões".
  • "A primeira directoria foi eleita na assembléa da fundação do club, dia 25 deste mez [25 de maio de 1931], ficando constituida da seguinte maneira: Presidente – Theophilo J. de Queiroz; Vice Dr. J. de Queiroz; Secretarios – Clovis Carvalho e Pedro Catalano; Thesoureiros – prof. Abilio Fontes e José Osiris Piedade; Orador Dr. Braz di Francesco. Commissão Fiscal – Fco. Villas Bôas, A. Dalmatti, prof. Mario Gualberto Camargo e Ricardo Campbell – Commissão Syndicancia, Humberto Magdalena, Olavo Madureira, A. Pelligrini e Jacomo Olivatt[i] – Commissão de Esportes - João M Filho, Americo Roder, José Felix e Elias Saliba. Director Esportivo – prof. Albino Mello Oliveira".
  • "O campo de esportes do novo Club acha-se localisado em terreno visinho às praças de esportes da A.O. [Associação Operária] Santacruzense e A.A. [Associação Atlética] Santacruzense".
  • "Está sendo preparado convenientemente, apresentando aspecto muito promissor e em breve se tornará, tambem, numa praça de esportes digna de fazer jús ás demais existentes nesta cidade".
  • (A Cidade, 31/05/1931: 4).
Extinguido o clube, sua sede esportiva foi ocupada, por algum tempo, pela Associação Atlética Santacruzense (APESP, Protocolo S.E.G 2030: 19/11/1950, mapa urbano).
-Associação Esportiva Santacruzense – AES
Segundo relatos históricos:
  • "A Associação Esportiva Santacruzense foi fundada em 1931, por um grupo de funcionários da extinta Estrada de Ferro Sorocabana que trabalhava na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. A Locomotiva, como é apelidada, disputou sua primeira competição oficial em 1954, no Campeonato Paulista da Terceira Divisão (atual Série A3), onde permaneceu até 1958. Neste meio tempo, em 1956, o clube alcançou sua melhor classificação em uma competição até então: o vice-campeonato." (Federação Paulista de Futebol – FPF/Associação Esportiva Santacruzense).
A despeito da menção FPF, ainda não localizado qualquer documento que ateste o ano de 1931 como aquele da fundação da AES. Naquilo que se conhece, a agremiação não figurava nas matérias esportivas da época.
Tradições apontam e são assumidas:
  • "A Associação Esportiva Santacruzense foi fundada no dia 25 de janeiro de 1935 por um grupo de atletas amadores da cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. O objetivo era competir com outras agremiações do município. Com o passar do tempo o clube foi conquistando o carinho dos torcedores e se tornou o time oficial da cidade." (Associação Esportiva Santacruzense - AES: História).
Efetivamente os ferroviários santacruzenses tiveram um time de futebol nos anos de 1930, conhecido como 7ª Cia, conforme referência numa foto de 1936, citados os jogadores: Garcia, Diegues, Ricardo, Nogueira, Bibi, Ferrazzini, Zeze, Noce, Sebastião, Jurandir e Pinotti. Segundo as memórias, o escrete 7ª Cia viria ser a Associação Esportiva Santacruzense, mas não existe documento conhecido que possa confirmar isto.
De todas as publicações esportivas encontradas sobre equipes santacruzenses, nenhuma refere-se à Esportiva Santacruzense, senão aos 07 de janeiro de 1945, quando reorganizada – portanto preexistente, com a seguinte diretoria:
  • "Presidente - Cleofano Mota; vice – Carmelo Comegno;" 
  • "1º Secretario – Xisto Rios; 2º Cornelio Campbell; 1º Tesoureiro - Dante Saleme; 2º [Tesureiro] – Arlindo Luiz Pereira."
  • "Comissão de Sindicancia – Sebastião Marques de Oliveira; João Fleury e Cristovam Perez." 
  • "Comissão Fiscal – Italo Balielo, Manoel de Campos e Benjamim Benedito de Oliveira." 
  • "Consultor e Orador social – Pedro Catalano."
  • -(A Cidade, 14/01/1945: 1).
Na mesma data, a empossada diretoria reuniu-se com as iguais das Associações Atlética e Operária, para a formação de um time municipal representativo, para disputas futebolísticas locais e na região.
Em 1948 a AES era equipe de futebol consolidada e recebia subvenções do Estado de da Municipalidade, conforme sucessivas publicações de atos oficiais (DOSP, 20/11/1948), atendimento às constantes reivindicações do Deputado Leônidas Camarinha.
Em 03 de abril de 1949, numa tarde chuvosa, a Esportiva enfrentou o Sport Club Corinthians, cuja delegação chegou de avião como pré-inauguração do aeroporto local. O placar foi de 4 a 2 para os visitantes.
A AES desde sua reorganização ocupava o estádio da Vila Sidéria, o mesmo desde os tempos da Associação Operária Santacruzense, sob forma de arrendamento, até 1950, quando a notícia: "A Esportiva acaba de adquirir o terreno de sua praça de esporte localizada na Vila Sidéria e já passou, segundo a mesma fonte, a necessária escritura." (A Cidade, 08/01/1950: 1). O imóvel pertencia a Victório Ferrazinni e sua mulher Antonieta Cabral.
A nota trazia outras novidades da Esportiva Santacruzense, sob a presidência de Lucio Casanova Neto, como a reforma do gramado, o cercado em torno do campo – alambrado e outros serviços, cumprindo exigências da Federação Paulista de Futebol.
Em 1950 o Estádio já tinha a denominação 'Leônidas Camarinha', e a 'AES' preparava-se para disputar Campeonato pela Federação Paulista de Futebol –A Cidade, 08/01/1950: 3:
  • "Senão vejamos: Para o campeonato de 1950 sabe-se que a Federação Paulista de Futebol não permitirá que os clubes filiados disputem o certamem sem cumprir as exigencias que determina o Regulamento da entidade maxima paulista, quais sejam, entre outras, cercamento da praça de esportes de ‘propriedade do clube’, por alambrado, campo gramado, dois vestiarios com chuveiros, vestiario em separado para árbitros que porventura sejam designados pelo Departamento de Juizes para dirigir prélios do torneio interiorano." 
Para a inauguração do nome do estádio 'Leônidas Camarinha' a Associação Esportiva Santacruzense convidou o Santos Futebol Clube para um amistoso em 1º de maio de 1950.
Estreou em competições oficiais da Federação Paulista de Futebol – 3ª Divisão, em 1954 (atual Série A-3 - referência 2010). Em 1956 a 'AES' conquistou o Vice-campeonato Paulista da Terceira Divisão, algo comparado com a atual série A-3.
Sem condições de sustentação financeira, o clube deixou de participar de campeonatos oficiais entre 1959 a 1961, retornando para disputar a Segunda Divisão [nova categoria e igualmente correspondente à série A-3], graças ao recebimento de recursos públicos do Governo do Estado, então prática legal (DOSP, 10/12/1963: 26, das – Subvenções e Auxílios – Reajustamento Orçamentário de 1963, CR$ 100.000,00, pelo Decreto 42.719, de 03 publicado em 05 de dezembro de 1963, sobre termos do Decreto 41.173, de 12 de dezembro de 1962).
Campeã da 2ª Divisão de 1963 foi, então, promovida para o Campeonato Paulista da Primeira Divisão de Futebol Profissional, onde permaneceu até 1967, para novo retorno, em 1969, na 2ª Divisão.
O título de 1963 deixou marca indelével na história da 'AES' e de todo município. Na data de 15 de agosto de 1963, a equipe fez o penúltimo jogo do campeonato em São Caetano do Sul e venceu o time do Cerâmica por um a zero, ficando apenas a um empate do título, o que aconteceria contra o Ituverava na semana seguinte.
No jogo contra o Cerâmica que torcedores santacruzenses resolveram viajar num veículo, Kombi VW, para assistir ao jogo, quando no Km 191 da Rodovia Raposo Tavares o veículo foi colhido por um caminhão matando todos os ocupantes: "Adalberto Manzo, Adelmo Morandim, Antonio Benedito Andrade, João Simão Ávila, José Antonio Biondo, José Cardoso, José Carlos de Andrade, Luiz Andrade, Otorino Sartorato e Sérgio Sartorato." 
A Associação Esportiva abandonaria as competições oficiais de futebol profissional entre 1970 a 1978, retornando em 1979 na 3ª Divisão (na época 5ª Divisão), que a partir de 1980 equivaleria à A-3.
Ausente do campeonato do ano de 1981 a 'AES' firmou-se nos anos 1982 a 1984, mas não presente em 1985.
Preparou-se para o retorno em 1986, adequando-se financeiramente, com manobra política pela Lei Municipal nº 1.045, de 06 de maio de 1986, com a passagem do Estádio Leônidas Camarinha à Municipalidade, por doação da 'AES', significando a Prefeitura arcar com a manutenção e adequações daquela praça de esportes, para o campeonato e, para evitar reversão do patrimônio á doadora, a Prefeitura responsabilizou-se, outrossim, pelos encargos contraídos pela 'AES' junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, até junho de 1993, conforme outra Lei Municipal de nº 1.461, de 30 de dezembro de 1993.
Partícipe do campeonato em 1986, parada em 1987, voltando em 1988, no final do governo municipal de Onofre Rosa de Oliveira, e continuidade na Administração Clovis Guimarães Teixeira Coelho, em 1989, com interrupção em 1990.
A Associação Esportiva Santacruzense voltou ao Campeonato Paulista de Futebol Profissional em 1991, 2ª Divisão, por três anos e chegar à Série A-2 em 1994.
Ausentou-se, a seguir, por quase dez anos, para regressar em 2004 – Série B-2 do Campeonato Paulista, com financiamento, em parte, pela Prefeitura no Governo Adilson Donizeti Mira, com repasses tidos ilegais de dinheiro público e o prefeito valendo-se politicamente do time profissional de futebol:
  • "Os repasses ilegais de dinheiro público à Esportiva Santacruzense começaram em 2004, quando o prefeito Adilson Donizeti passou a usar politicamente o time profissional de futebol. Na época, o presidente do time, Pedro Lombardi, foi nomeado diretor de esportes. Como a lei proíbe o repasse de recursos oficiais a clube de futebol, o prefeito elaborou leis indicando que o dinheiro seria para fomentar 'categorias de base' da Esportiva. As primeiras transferências foram pequenas, mas no ano passado o prefeito elaborou lei para entregar R$ 120 mil ao clube. Na Câmara, os vereadores aprovaram uma emenda determinando prestação de contas. Os balanços, todavia, sempre foram feitos com atraso, contrariando a própria lei do prefeito. Mas as notas fiscais que apareceram deixaram claro que havia fraude. Além de gastos com hotéis e restaurantes nas cidades onde a Esportiva jogava com o time profissional, as prestações exibiram notas de mercados indicando compra de produtos totalmente incompatíveis. Em muitas delas, o clube teria adquirido toneladas de mantimentos, entre lingüiça, carne bovina, centenas de litros de leite e óleo. Estava claro que a Esportiva não possuia sequer local adequado para armazenar tantos produtos. Recibos de técnicos de "categoria de base" também foram apresentados, com fortes indícios de fraude. Em depoimentos, o Ministério Público descobriu toda a armação." (Debate, 04/11/2007).
O Presidente da Associação Esportiva, Pedro Miguel Lombardi era ocupante de cargo em confiança da Municipalidade, como Diretor de Esportes, uma relação proibida, tanto porque a situação de Diretor de Esportes lhe exigia fiscalizar prestação de contas da Associação Esportiva Santacruzense, da qual ele Presidente.
Pressionado pelas denúncias junto ao Ministério Público, o prefeito determinou, tardiamente, abertura de sindicância para apurar a tal 'categoria de base', concluindo pela sua inexistência, e assim a 'AES' notificada judicialmente para devolução dos repasses (Juízo de Direito - 2ª Vara Judicial de SCR. Pardo, Associação Esportiva Santacruzense, Processo 539.01.2007.008414-6, 2007).
Em 2011, o então ex-prefeito Adilson Donizeti Mira, apresentava versão perante as autoridades, que a Sindicância teve resultado por inexistência de categoria de base, e não houve interesse do clube, pela sua presidência, em defender-se.
Pedro Miguel Lombardi, Presidente da Associação Esportiva, ocupava concomitante cargo ad-nutum de Diretor de Esportes da Municipalidade, portanto na obrigação de satisfazer a vontade política de seu empregador, na sórdida forma do denominado 'capachismo'.
Para o Ministério Público em relação ao prefeito: 
  • "A conduta revela extrema audácia e abuso de poder, desvio de finalidade e malbaratamento da coisa pública. Manter o requerido Adilson no cargo é tolerar, até o fim de seu mandato, a presença de um perigo constante ao erário que, como se sabe, após lesado, dificilmente é reparado em sua integridade”, sem se esquecer de "outras condutas ímprobas do atual alcaide." (Debate, 04/11/2007).
Em janeiro de 2008 a Associação Esportiva Santacruzense estreou no Campeonato Paulista da Série A-3, no Estádio Leônidas Camarinha "que passou por uma série de melhorias como, construção de seis banheiros femininos, instalação de corrimões nas arquibancadas, portões, pintura geral, remarcação dos números nas arquibancadas" (Semanário Oficial Município, 26/01/2008).
Dos feitos originou-se outro escândalo, sem precedentes na história esportiva do município, novamente envolvendo o Prefeito Adilson Donizeti Mira, além das acusações de repasses ilegais de dinheiro público para time de futebol profissional, com documentos fiscais extemporâneos e duvidosos, também a aquisição de arquibancada móvel num valor superior a meio milhão de reais entre aluguéis e aquisição daquele bem que se mostrou imprestável em 2010, levando à interdição judicial das arquibancadas móveis.
Assunto referente aos repasses, exercício 2006, o Tribunal de Contas do Estado concluiu irregular:
  • "(...) a prestação de contas apresentada, nos termos do art. 33, III, 'b', da Lei Complementar Estadual nº 709/93, e condeno a Entidade Beneficiária: Associação Esportiva Santacruzense, na pessoa de seu representante legal, à pena de devolução do valor recebido, devidamente corrigido, nos termos do artigo 36 do mesmo diploma legal, ficando, até o efetivo recolhimento, proibida de receber novos benefícios, na forma do disposto no artigo 103, da referida Lei." (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, repasses públicos, Processo nº 002480/004/07).
A sentença condenatória transitou em julgado (DOSP, 06/11/2011, e a AES não apenas perdeu direitos de receber incentivos municipais, como condenada a restituir ao cofre público os recursos aplicados irregularmente, o que fez encobrir a responsabilidade do prefeito no repasse ilegal. 
No entendimento dos autores o Presidente da Esportiva, ocupante de cargo público municipal de confiança, como Diretor de Esportes, não teve empenho suficiente em defesa do clube.
Em 04 de maio de 2008, de maneira melancólica, a 'AES' despediu-se do Campeonato Série A-3, em último lugar, sendo rebaixada para a série B do Campeonato Paulista, divisão na qual permaneceu ainda em 2010, com a atual Diretoria desvinculada da Municipalidade. Não lhe foi campanha fácil. Por requerimento do Ministério Público, de 02 de junho de 2010 (Inquérito Civil nº 36/10 – PJ, Defesa dos Direitos do Consumidor/Estatuto do Torcedor), a Justiça interditou as arquibancadas, pelo péssimo estado.
A direção do Clube alugou assentos móveis, aguardando o início da construção assentos fixos, em alvenaria, por conta da Municipalidade, dona do estádio, o que não aconteceu.
Em 2010 a AES não conseguiu vaga para a Série A-3 do futebol paulista de 2011. No entanto, com o acesso do Comercial de Ribeirão Preto para a A-2, abriu claro na A-3 que, pelo regulamento da competição, ficou com a Esportiva pela melhor campanha na competição, afora os quatro times que conseguiram a vaga nos gramados.
As arquibancadas também não foram construídas em 2011, nem os refletores para jogos noturnos - um bastião político do ex-prefeito Adilson Donizeti Mira desde 2008, quando não aproveitou os recursos públicos oferecidos pelo Governo do Estado de São Paulo/Secretaria de Esportes.
A despeito das dificuldades, a Santacruzense conseguiu acesso à Série A-2, feito inédito, para o ano de 2012, ao vencer o Flamengo de Guarulhos – SP, aos 04 de maio de 2011. Para a participação era preciso, além dos refletores para jogos noturnos, a obrigatoriedade de arquibancadas para quinze mil lugares – exigências da Federação Paulista de Futebol, daí o impasse com a Administração Municipal e a volta das rusgas políticas e administrativas.
Sem as arquibancadas o clube correu risco em não disputar a inédita Série A-2, mas Clube e Prefeitura acertaram-se, o primeiro em alugar arquibancada móvel provisoriamente e o outro em construir os assentos em alvenaria – o que não aconteceria.
Sob toda essa pressão disputou, ainda em 2011, a Copa Paulista iniciada em julho do mesmo ano, numa sofrível campanha, findando na sétima colocação entre nove participantes, fase encerrada para a 'AES' aos 02 de outubro de 2011.
Direção desintegrada, o Presidente do Clube, o empresário Hélio Majone, lançou mão de campanha popular para arrecadar fundos para aluguel de arquibancada móvel objetivando a disputa do campeonato de 2012, pois que o Poder Executivo Municipal, sob a chefia da Prefeita Maura Soares Romualdo Macieirinha não mostrou interesse em atender as reivindicações do Clube nem as exigências da Federação Paulista de Futebol.
A Administração Pública e a Diretoria da Associação Esportiva Santacruzense, insultaram-se sem nenhuma solução apresentada. Para alguns, a inadimplência do Clube com a Municipalidade seria o motivo para a Prefeitura recusar-se investir num patrimônio público, praticamente de uso exclusivo da Associação.
Então aconteceram os primeiros contatos entre a 'AES' e a Rede de Academias paulistana, 'K2 Sports Club Ltda Epp', do empresário Alberto Ferrari. Acertaram-se, tanto que os Conselheiros da 'AES' se reuniram aos 16 de dezembro de 2011, para escolha da nova Diretoria e, por aclamação, reelegeram o empresário Hélio Majoni presidente por mais dois anos, Abner Vieira Damasceno – da K2, como 1º Vice-presidente e Luciano Rosalém o 2º Vice-presidente.
A 'AES' e a Rede de Academias 'K2 Sports Club Ltda Epp', do empresário Alberto Ferrari, celebraram parceira aos 29 de novembro de 2011, por cinco anos, permitindo a continuidade do time santacruzense na Série A-2 e a contratação de atletas, além da modernização da estrutura do clube e a profissionalização de marketing, registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (AES – Carta documento assinada pelo Presidente do Clube e da K2), com multa estipulada em dez milhões de reais, cobrada dos conselheiros.
Com o contrato de gestão, a K2, pelo seu presidente, podia fazer gestão irrestrita do Departamento de Futebol, com liberdade para tomar quaisquer decisões; além de transformar o clube em empresa, detendo o controle absoluto das quotas, em razão dos investimentos que viria a realizar na AES.
Aos 03 de janeiro de 2012 o assunto maior no esporte local foi a divulgação que a Associação Esportiva Santacruzense teria o seu nome mudado para Santa Cruz Futebol Clube, justificado em marketing e uma melhor identificação com a cidade. Nos esclarecimentos da K2 o clube passaria ser uma empresa, nova documentação e, na visão de muitos, nenhuma responsabilidade da K2 com o passado do clube e suas pendências judiciais. O novo nome extinguiria o anterior e, então, a Municipalidade e 'AES' continuariam com suas pendengas judiciais.
Notícias divulgadas pela TV Tem/Bauru, aos 23/02/2012, o empresário e proprietário da K2, Alberto Ferrari, foi anunciado novo presidente da Santacruzense, visto no meio esportivo estadual como proprietário do Santa Cruz Futebol Clube (Futebol Interior, edição de 12 de junho de 2012), com intenções de arrenda-lo a outra cidade, ou seja, tirá-lo de Santa Cruz do Rio Pardo.
A 'AES' na zona de rebaixamento durante quase todo o campeonato de 2012, surpreendentemente reagiu nas rodadas finais – últimas quatro disputas, conquistando oito pontos dos 12 possíveis, para completar os 22 e se salvar do rebaixamento.
Na sofrível 'Copinha' que se seguiu ao campeonato paulista, a Diretoria e Conselho Deliberativo da 'AES' desentenderam-se de vez, e o empresário Alberto Ferrari, optou encerrar a parceria, num acordo com o Conselho Deliberativo do Clube, sem qualquer ressarcimento do seu investimento, de multas contratuais e sem ações na Justiça – anúncio em 07 de novembro de 2012.
Da parceria restou o processo 0001828-49.2012.8.26.0539 (539.01.2012.001828-1) – Nº de Ordem 239/2012, em tramitação na 1ª Vara Judicial de Santa Cruz do Rio Pardo, por requeridos a Academia 'K2 Sports Club Ltda Epp' e a Associação Esportiva Santacruzense, e a requerente 'NOS Accessory Company Ltda. ME'.
Em reunião realizada aos 27 de novembro de 2012, Luciano Rosalém e Hélio Majoni, foram aclamados como presidente e vice-presidente, respectivamente, pelos Conselheiros AES, e dois dias depois anunciava-se nova parceria do clube, agora com a Casa Soccer, por um ano, como responsável pela comissão técnica e o elenco.
A parceria não deu certo em termos de resultados, o time não correspondeu em campo e a Esportiva foi rebaixada para a Série A3 de 2014.
2.5.2. Clube de 'Ping-Pong'
Sob a presidência de Jandyra Trench, em 1922, em Santa Cruz funcionava o Clube de Ping-Pong, com sede própria, mencionado em reportagem esportiva sobre torneio realizado aos 21 de abril daquele ano, entre referido clube e o 15 de Novembro.
Para conhecimento de quem eram alguns dos mesa-tenistas da época:
  • "O jogo decorreu em meio de grande animação. Sahiram vencedores, por circumstancias especiaes, as turmas 'Club 15 de Novembro'. Ao lado do club vencido jogaram as gentis senhoritas: Carmem Barbosa, Noemia Silva, Regina e Maria Pimenta. O snr. Jandyra Trench, Presidente do 'Ping Pong', que é inconstestavelmente, o campeão deste sport em Santa Cruz, teve o seu jogo enormemente prejudicado por pequenos incidentes provocados pelos torcedores do '15 de Novembro'. Á directoria e aos jogadores de ambos os clubs os nossos parabéns." (A Ordem, 27/04/1922: 2).
O memorialista Neison Paulo Rios apresentou cópia de ata de fundação e diretoria de um Clube de Ping-Pong local datada de 18 de agosto de 1929 (CD: A/A):
  • -Presidente: João Baptista Ferreira;
  • -Vice-presidente: Elias Ribeiro;
  • -Tesoureiro: Joaquim Monteiro;
  • -Secretário: João Francisco de Vasconcellos;
  • -Capitão: Maurilles de Almeida;
  • -Orador: Pedro Catalano.
Talvez tal ocorrência tenha se dado pela extinção do primeiro clube.
2.5.3. Clube de Natação e Regatas Rio PardoSanta Cruz do Rio Pardo teve um Clube de Natação e Regatas.
Na sede do Ideal Club, aos 27 de outubro de 1923, realizou-se reunião para a formação do Clube de Natação e Regatas Rio Pardo, presidida por Vasco de Andrade, e os organizadores José de Campos, Breno de Paula Leite e Jarbas Bueno (A Cidade 27/10/1923: 3).
O 'Ideal Club' seria entidade futebolística com sede social.
2.5.4. Cestobol
Existiu uma quadra esportiva para a prática de cestobol no terreno ao lado da Escola Normal Livre, na Avenida Tiradentes.
Os informes são poucos, e, apenas três equipes foram identificadas em Santa Cruz da época, sendo as equipes da Associação Ginasial [Ginazial] de Esportes – AGE, Associação Atlética Santacruzense – AAS, e a Associação Esportiva da Escola Normal – AEEN. Todas as equipes tinham o denominado 'Bandos Secundários', ou seja, um segundo time.
Informações publicadas em matéria intitulada 'Cestobol em Botucatu', destacou a Escola Normal de Santa Cruz do Rio Pardo campeã do Sul Paulista (Santa Cruz Jornal, 23/07/1933:1):
  • "O Diario da Noite de quinta-feira, em nota de destaque registra o jogo havido, em Botucatú entre o Club Normalista e Lyceu A.C., sahindo aquelle, vencedor pela contagem de 20 a 14 e confirmando o seu titulo de campeão do sul do Estado".
  • "Houve passeiata pela cidade e saráo dançante promovido por admiradores do Clube Normalista".
Em 1933 foi noticiado que a Associação Atlética Santacruzense, AAS, sagrou-se campeã de cestobol santacruzense, após duas vitórias contra a Associação Ginasial de Esportes, AGE, numa série 'melhor de três', e eram os cestobolistas: Serafim, Mardegan, Bada, Batista e Nêm – e o reserva Almeida, atletas da AAS; e pela AGE – time perdedor, Fontes, Carneiro, Dias, Alcides e Pierino, além do reserva Martins (Santa Cruz Jornal,19/11/1933: 4).
Na mesma disputa da série 'melhor das três' dos bandos secundários foi vencedor o AGE, com os atletas: Bide, Broch, Santinho, Martins e Aurelino. Pelo Atlético jogaram: Tião, Pavôa, Tonico Aquino e Apa, além do reserva Afonso.
A Associação Esportiva da Escola Normal, teve auxílio financeiro aprovado pelo Parecer nº 1.694/43, do Conselho Administrativo do Estado de São Paulo, referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1.582 de 1943, de auxílio financeiro à prática de esportes em Santa Cruz (DOSP, 17/10/1943: 7).
2.6. Clubes de Serviços
2.6.1. Escotismo
Notícias em novembro de 1915 informavam do apelo do advogado Dr. Pedro S. de Sampaio Doria, para a fundação da Associação de Escoteiros de / em Santa Cruz do Rio Pardo, cuja proposta sustentada no sistema de valores preconizado pela Lei Escoteira, ou do Escotismo, de Baden Powell, através da dedicação ao aperfeiçoamento físico, moral e comportamental dos adolescentes, com rigor hierárquico e ética paramilitar, além dos exercícios no campo, adaptações e convivências com a natureza e as práticas sociais, com importante participação na sociedade santacruzense (O Contemporaneo, 27/11/1915:1).
Dois anos depois constituía-se a Diretoria da Comissão Regional de Escoteiros de Santa Cruz do Rio Pardo:
  • "Presidente honorário – Cel. Antonio Evangelista da Silva".
  • "Presidente – Cel. Raymundo Vianna".
  • "1º Vice-presidente – Dr. Alvaro Canera".
  • "2º Vice-presidente - Sr. Antonio Botelho de Souza".
  • "1º Secretario - Prof. Plinio Paulo Braga".
  • "2º Secretario - Luiz Octavio de Souza".
  • "Thesoureiro - Sr. Constancio Carlos da Silva".
  • "Vogaes - Dr. Antonio Viotti, Sr. Ernesto Porciuncula, Sr. Jorge Chedid, Sr. Carlos Kühne e Sr. José Ferreira Nenê.
  • (O Contemporaneo, 11/10/1917: 2).
Em 1929, eram setenta os escoteiros santacruzenses representados pela sua Comissão denominada 'Garcia Rodrigues Paes' (A Cidade, 15/09/1929: 1). A mesma folha destaca naquele número a representatividade dos escoteiros santacruzenses nas comemorações das festas da independência, em São Paulo:
  • "Em 7 de setembro a nossa luzida representação tomou parte na grande parada esportiva ao lado de 50 mil esportistas e militares, voluntarios, desfilando com enthusiasmo na immensa avenida Carlos de Campos, onde uma multidão incalculavel se achava em massa assistindo aos festejos da maior data nacional. No regresso da parada, os nossos escoteiros visitaram alguns pontos da cidade, tornando, em seguida, ao Quartel do 1º Batalhão a fim de repousarem".
Na continuidade da reportagem informa aquele hebdomadário que, aos 8 de setembro, realizaram um passeio a Santos, assim informado: "em bonde especial rumaram os escoteiros à praia José Menino, permanecendo alli durante duas horas, jubilosamente admirando com proveito e encantamento".
O mesmo semanário destacou o retorno dos escoteiros a Santa Cruz:
  • "(...) quando a locomotiva silvou victoriosa, ao approximar-se, toda aquella multidão inquieta qua alli se achava sentiu u fremito de enthusiasmo. E, o comboio, então vem chegando, resfolegando, trazendo uma embaixada triumphante. A expectativa geral recrudesce, e a banda musical faz vibrar o sentimento de todos com as notas sonantes de uma bellissima marcha. Todos se acotovelam para esperar a sua luzida Comissão de Escoteiros. Alli estavam as altas autoridades locaes, os alumnos da Escola Normal, do Grupo Escolar e elevado numero de pessoas, cerca de 40 automoveis buzinaram demoradamente. Sob os applausos demorados dos presentes, e num apice de emocionante confraternisação os escoteiros, sorridentes, alegres, deixaram os carros".
Nesta recepção discursou Dr. Cesar Sampaio e "Muitos choraram de contentamento; todos os corações foram tocados de emoçoes profundas ...". Às palavras do Dr. Sampaio "Respondeu o discurso o prof. Mario Gualberto, diretor do Grupo Escolar. No calor daquela scena suas palavras impressionaram os presentes que ainda romperam em applausos ao jovem educador que, sensibilizado, colhido de intensa vibração civica, exaltou a bondade e o civismo d'um povo culto".
Também o jornal mencionou as saudações proferidas pelo professor Cornelio Martins, e, em seguida, agradece ao Deputado Leônidas "um grande amigo do escotismo que se desdobrou em actividade para que a Commissão de Escoteiros tivesse todas as commodidades", ao prefeito Avelino Taveiros "que incentivou a ida dos escoteiros e acompanhou a excursão com o mais vivo interesse", e de maneira geral a todas as demais autoridades paulistas e locais que tornaram sucesso aquele evento, que bem evidencia a Santa Cruz do Rio Pardo, daquela época, eivada de civismo e de entusiástico orgulho dos seus valores e dos seus representantes.
2.6.2. Rotary Club
O Rotary apresenta-se, tecnicamente clube de serviço tanto voltado ao bem estar e a promoção de interesses de seus sócios, quanto, pelo bem servir, a cooperação social pelos serviços e auxílios à comunidade e o relacionamento internacional.
Suas ações consolidam-se na prestação de serviços de natureza assistencial ao dia-a-dia das famílias: a promoção social, a saúde e a educação.
  • "Quando o Rotary retira menores das ruas, assiste portadores de deficiências e enfermos, patrocina alfabetização, luta pela ética nos negócios e nas profissões, toma iniciativas para proporcionar condições de cidadania, ou quando cria os Centros Rotary de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos e promove intercâmbios de jovens, de amizade e de grupos de estudos, está atuando em favor da sociedade, usando seu poder secular e renovado para a paz e a compreensão mundial".
Uma das mais importantes contribuições rotarianas em todo o mudo, pela Fundação Rotary, é a luta no sentido da erradicação da poliomielite, em conjunto com a Organização Mundial de Saúde e a Unicef, iniciada em 1988.
O Rotary Club santacruzense teve início experimental ou caráter provisório em 1963, conforme praxe, com diploma admissional aos 6 de dezembro de 1964, com os sócios representativos:
  • 'Antonio Carlos Bertoncini, comerciante; Antonio Leme da Silva, gráfico; Antonio Carlos Prezzoto, agricultor; Antonio Vuolo Sobrinho, comerciante; Aquino Rosso, fazendeiro; Calil Ali, médico; Carlos Queiroz, comerciante; Cyro de Mello Camarinha, advogado; Clélio Zanoni, cirurgião-dentista; Éder Gonçalves, cirurgião- dentista; Elmo Palloni, funcionário público - chefe do posto fiscal; Franco Pelegrino, comerciante; Georgino Macedo Coelho, agrônomo; Ginez Garcia Fernandes, comerciante; Guido Martins Moreira, administrador agrícola; Henrique Vieira de Almeida, professor; Idílio Sonego (frei Antonio), sacerdote; João Adauto Pinhata, cartorário; José Carlos Nascimento Camarinha, engenheiro civil; José Eduardo Piedade Catalano, radialista; Luiz Distrutti, comerciante; Maurício Pompéia Fraga, advogado; Pedro Vargas Perez, comerciante; Samuel Martins Figueira, médico; Saulo do Vaz Esteves de Almeida, fazendeiro; Teruichi Suzuki, engenheiro químico; Walter Rosa de Oliveira, advogado; Wilbur Kolb Hunnicutt, fazendeiro; e Wilson Gargioni, fazendeiro'.
Oficialmente instalado teve sua primeira diretoria:
  • Presidente: Antonio Carlos Bertoncini;
  • Vice: Dr. Calil Ali;
  • 1º Secretário: Teruichi Suzuki;
  • 2º Secretário: José Carlos Nascimento Camarinha;
  • 1º Tesoureiro: Eder Gonçalves;
  • 2º Tesoureiro: Carlos Queiroz;
  • Diretor de Protocolo: Luiz Distrutti.
Embora a participação feminina na 'Associação de Famílias de Rotarianos – AFR', também em Santa Cruz – 'AFROSC', as mulheres não podiam ser membros do Clube, a despeito das atividades praticamente paralelas, sobretudo no campo do assistencialismo e filantropia e até participação financeira – pela própria família. O Rotary deixou a exclusividade masculina em 1989 e, em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 2004, a advogada Ana Paula Tondim Stramandinoli Lemos Ferreira, foi a primeira mulher ocupar a presidência do Rotary local.
O maior destaque rotariano santacruzense, José Eduardo Catalano, sócio fundador, já foi governador do distrito 4620, além de presidente local e ocupante de diversos cargos internos em Santa Cruz e âmbito distrital.
Ideológico, o Rotary é clube de serviços 'comunitários' em forma de associação sem fins econômicos, e de natureza privada.
2.6.3. Lions Club
O 'Lions' é uma organização internacional com objetivo maior em servir suas comunidades, atender às necessidades humanas, fomentar a paz e promover a compreensão mundial.
Oficialmente definido "É um movimento universal que congrega homens e mulheres de elevação moral e espiritual, motivados pela sã necessidade de servir desinteressadamente a uma comunidade e aos seus semelhantes" – e Noções sobre o Leonismo.
O 'Lions' é considerado "a maior organização de clubes de serviço do mundo" e seus associados são participantes de programas de serviços sociais comunitários, em todas as necessidades humanas, além do fomento à paz mundial.
Como clube de serviço, de associação hierarquizada e composta de sócios voluntários, o 'Lions' parece bastante próximo do Rotary quanto aos propósitos e organização, à semelhança do qual o destaque principal firmado no tripé: servir, paz e compreensão mundial.
O 'Lions' de Santa Cruz foi fundado aos 21 de setembro de 1964, tendo por objetivo filantrópico o atendimento aos necessitados (A Folha, 21/03/1965: 1). A fundação deu-se em caráter provisório e, em data de 28 de fevereiro de 1965, noticiou-se:
  • "O Lions Clube desta cidade festivamente comemorou a 21 do corrente o recebimento de sua carta constitutiva, passando assim de entidade provisória definitiva".
  • "Fundado por uma plêiade de homens empreendedores, este clube de serviços que tanto já fez em tão pouco tempo de existência, vê de uma vez por todas o seu ideal concretizado com a entrega da referida carta constitutiva, pelo governador sr. Halley Penteado, do Distrito L-12, ao qual o mesmo pertence" (A Folha, 28/02/1965: 1).
Dr. Osmar Gonzaga de Oliveira foi o primeiro presidente do 'Lions' local. Em reunião de 26 de maio de 1965, procedeu-se a eleição para as escolha de membros para a nova diretoria – exercício 1965/1966, com a reeleição do Dr. Osmar Gonzaga de Oliveira para Presidente, também a reeleição de Glauco Caravieri como Tesoureiro. Outros integrantes: Idarilho Gonçalves do Nascimento, Dr. Aparecido Rodrigues Mouco, Dr. Nelson Bussanra, Felipe Saliba, Joaquim Severino Martins e José Teófilo de Queiroz (13/06/1965: 4).
Nos anos de 1970 o 'Lions' encerrou atividades em Santa Cruz pela aparente inércia de seus membros.
Ao empenho de Áureo Ferreira da Silva e um grupo de companheiros seus, aos 16 de junho de 2009 ressurgiu em Santa Cruz do Rio Pardo o 'Lions Club', sob a identificação 'RI 105732', jurisdicionado ao 'Distrito LC-8' – área geográfica abrangida.
O 'Lions' local teve início com vinte e três associados, fundadores empossados, sendo a senhora Tânia de Andrade Nunes Silva. Adotou o nome do sertanista / humanista Orlando Villas Boas, nascido em Santa Cruz do Rio Pardo e destaque mundial defesa dos povos indígenas do Brasil.
É um clube com participação comunitária/social em Santa Cruz cuja Diretoria em 2011 apresentava-se assim constituída:
  • Presidente: CL Wilson Ferrazini Junior; CaL Rita de Cássia Vasconcelos Silva Ferrazini.
  • Secretária: CaL Tânia de Andrade Nunes Silva; CL Áureo Ferreira da Silva.
  • Tesoureiro: CL Wilson Vanderley Bacocini; CaL Luciane Delfino Nogueira Bacocini.
  • Diretora de Associados: CaL Dirce Benatti Zimak; CL Marco Jorge Zimak
2.7. Orquestras, bandas, corais e conjuntos
As bandas, formadas por instrumentos de sopro e percussão, marcaram presenças nos principais acontecimentos da vida santacruzense, desde os acompanhamentos de marchas cívicas, fúnebres, religiosas e desfiles solenes, às recepções de autoridades civis, militares, eclesiásticas, além das anunciações de visitantes ilustres e chegadas dos circos à cidade.
São desconhecidos os primeiros conjuntos musicais de Santa Cruz, as orquestras, as bandas e corais, porém certo que existiram desde o princípio da localidade. Os corais na Igreja e solenidades religiosas, as bandas nas praças públicas, as orquestras nos salões da sociedade, e os conjuntos nos acompanhamentos de bailes em geral.
Não se desprezam os cantores, as duplas, trios e quartetos acompanhados de instrumentos.
Algumas grupos ganharam destaques através dos tempos:
2.7.1. Banda Lira São José
Até o ano de 2013, a primeira banda que se tem notícias, para Santa Cruz, foi a 'Banda Lyra São José', de 1902, dirigida pelo proprietário maestro Tenente José Cypriano Nenê, chamado de Professor.
A Lyra São José é vista a primeira vez na solenidade religiosa de 21 de março de 1902, tocando durante todo o percurso de uma procissão (Correio do Sertão, 24/03/1902: 1), e no ato de entronização da imagem de Nossa Senhora em próprios da Coletoria da cidade.
A banda tinha Estatuto de Formação, com regulamentos dos ensaios, obrigações, comportamentos e, sobretudo, das responsabilidades dos músicos, e das multas às infrações, por exemplo, no artigo 11º:
  • "Todo musico de banda, é obrigado, toda véspera de Domingo do mes, limpar o instrumento que toca e quando o professor da banda lhe ordene; o infractor será multado em 5$000, sendo ainda sujeito a limpar o mesmo, e na reincidencia será multado em 10$000" (Correio do Sertão, 03/05/1902: 2-3).
Também ao músico era proibido apresentar-se embriagado, tocar com o chapéu na cabeça, fumar no ambiente, fazer algazarras, abandonar o instrumento ainda que provisoriamente nalgum lugar - sem deixá-lo aos cuidados de algum colega, podendo, inclusive, ser demitido por incapacidade, não acatamento às ordens, procedimentos inadequados e desrespeitos outros que pudessem ser considerados graves.
Oferecendo os serviços aos interessados, públicos ou particulares, independente de cores políticas, em 1902 a banda fez acompanhamento do funeral de José Ferreira dos Santos, colono português, assassinado por José Antonio de Moraes Peixe, onde "compareceram mais de 200 pessoas de todas as classes sociaes, tocando marchas funebres durante o trajeto, a banda 'Lyra S. José'-" (06/09/1902: 1).
2.7.2. Banda Carlos Gomes
A 'Banda Carlos Gomes' tem sua primeira citação conhecida, em 1909, para o septenário de Nossa Senhora Carmo, período de 12/18 de julho, que na data do encerramento "às 4 horas da madrugada, a excellente banda musical 'Carlos Gomes' regida, pelo Major Hylarino Nogueira, percorrerá as principais ruas da cidade, depois do ribombar de 21 tiros de salva" (Cidade de Santa Cruz, edição de 10/07/1909: 3).
2.7.3. Banda Santa Cecília
Presente em espetáculos cinematográficos no ano de 1916, a 'Banda Santa Cecília', identificada como Coral, era dirigida pelo professor José Cypriano Ferreira Nenê – da 'Banda Lyra São José', e teve apresentação anunciada para o dia 17 de janeiro de 1918, na praça, com destaque para a execução do Dobrado Tiro 451, autoria do maestro Theodorico Franco em homenagem à Instituição (O Contemporaneo, 10/01/1918: 2).
Nos anos de 1950, a Banda [Coral] Santa Cecília contava com as integrantes: Dagmar Marques, Leila Biel, Maria Liberina Romano, Mariquinha Libarde, Odila Renófio e Zeni Benassi, entre outras da época.
2.7.4. Banda União dos Artistas
Ainda em 1918 é citada a 'Banda União dos Artistas' (O Contemporâneo 27/04/1918: 3), sendo o artista por significação de operários especializados em determinados tipos de trabalhos. Foram os principais regentes da Banda União dos Artistas, a seu tempo, os maestros Theodorico Franco e José Amorim Ribeiro.
A Banda União dos Artistas tinha sede recreativa e era partícipe na política local, demonstrado em 1921 quando "adheriu ao Partido Municipal, demittindo o regente sictuacionista e acclamando o Capitão Theodorico Franco para o substituir" (A Ordem, 02/06/ 1921), sem informar quem teria sido o maestro anterior, porém o sucessor foi o célebre José Amorim Ribeiro – o maestro Zequinha, já observado a partir de agosto de 1921 (Cidade de Santa Cruz, 14/08/1921: 1).
A União dos Artistas, sob a regência do maestro Zequinha, recepcionou a chegada do time de futebol de Avaré, em 1923, para jogo amistoso com a equipe União Santacruzense (Correio Paulistano, 13/01/1923: 2) – clube presidido por Jandyra Trench.
  • O time de futebol União Santacruzense era formado por donos de jornal e empregados.
2.7.5. Banda Municipal
A Banda Municipal foi criada em 1919, pelo português José Amorim Ribeiro, o 'maestro Zequinha', conhecida como 'Furiosa', já a partir do anos de 1920, quase sempre apresentando-se com vinte ou mais integrantes.
Ao maestro Zequinha sucedeu o Silvio de Paula – de saudosa memória, depois o professor Alcinio (...), morto em 1990, então substituído pelo maestro Iramis Trevisan, presente na banda desde 1949, tocando clarinete.
Sabe-se que em 1932 a Banda Municipal esteve desativada. "Uma cidade sem banda de música" (Santa Cruz Jornal, 29/05/1932: 1).
Mencionada no ano de 1943, a Banda integrava o rol de entidades beneficiárias de recursos públicos, de acordo com publicação da aprovação do Parecer nº 1.694/43, pelo Conselho Administrativo do Estado de São Paulo, referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1.582 de 1943 (DOSP, 17/10/1943).
A Banda tem o nome 'Corporação Musical Maestro Zequinha', em homenagem ao fundador e regente.
Tecnicamente abandonada em 2008, senão para apresentações eventuais em festas cívicas, e em 2009 efetivamente encerrada, com suspensão de repasses da Municipalidade.
2.7.6. Orquestra Wolf
Certamente anterior à data, mas 12 de outubro de 1927 noticiou-se a animação da 'Orchestra Wof' na festa de inauguração do Clube Grêmio Santa Cruz:
  • "Seguiu-se animadíssimo baile onde viam-se as mais distinctas famílias desta cidade, prolongando-se as dansas até ao romper da aurora, tocando a orchestra Wolf variadas musicas de seu variado repertorio" (A Cidade, 16/10/1927: 1).
2.7.7. Conjunto Jazz Tabajara
Sem nenhum respaldo histórico que possa associar o nome Tabajara ao clube referenciado em 1915, sabe-se que em 1935 era ativo o Jazz Tabajara, com a formação: Gilberto – trombone; Pedro Charuto – pistom; Pedro lamoso – clarinete; Hélio Castanho de Almeida – violino; Noé Portezan – saxofone; Octacílio Longo – violão; Cláudio Magnani – pandeiro, Walter Biel – chocalho; e Dede – bateria (Debate, 07/07/2013: 8, por Pedro Lamoso, integrante do Conjunto).
Em 1944 ainda existia o 'Jazz Tabajara', dirigido pelo Maestro Mário Piedade (A Cidade, 29/10/1944: 2).
2.7.8. Corporação Musical Sete de Setembro Independente
A tradição santacruzense guardou com carinho as lembranças da banda 'Corporação Musical Sete de Setembro Independente', sabendo esta atuante nos anos de 1930, regida pelo Maestro Eugenio Vecturelli (O Trabalho, 22/03/1931: 2).
Publicação de 1932 informa ausências de bandas de música no município em 1932, mas em fase de reorganização a Banda Sete de Setembro, graças aos 'empenhos do Prefeito Abelardo Pinheiro Guimarães e Américo Roder' (Santa Cruz Jornal, 29/05/1932: 1).
2.7.9. Conjunto MN 7
Nos anos de 1950 destacou-se o maestro Mário Nelli, considerado o maior músico santacruzense de todos os tempos, formando conjuntos musicais e apresentando-se em programas de rádios e clubes, até liderar, em 1959, o conjunto 'Mário Nelli e o Clube dos XX', e depois, em 1964, formando o célebre 'MN7 – Emi Eni Sete' (Debate, 05/12/2010, Caderno D).
O talento de Mário Nelli, levou-a a capital paulista, juntamente com outro músico santacruzense, Vasco de Britto, convidados pelo empresário do cantor Tony Angeli.
  • Britto seguiu carreira como cantor, enquanto Mário, também professor na rede pública, optou deixar a música por incompatibilidade de horários entre as profissões, além da necessidade de retornar a Santa Cruz em causa da enfermidade da mãe.
Nelli regressaria, como músico local, pouco tempo depois.
Ainda em atividade regional, ano de referência 2012, o Maestro Mario Nelli é sempre grande atração, sendo o autor do hino oficial santacruzense e de diversas composições e jingles políticos.
2.7.10. Banda Light Brasil
Versátil banda santacruzense, sob a direção do casal José Carlos Sales – Bodon e Ana Maria Crivelli Sales, músicos e professores na matéria, especializada em casamentos, formaturas, shows, bailes e quaisquer outros tipos de apresentações musicais, com três cantoras, um tecladista cantor, um guitarrista cantor, um baixista, um baterista, um flautista transversal e um percursionista. Acompanham a banda três bailarinos – duas mulheres e um homem.
A Banda iniciou-se com o Duo – Bodon e Crivelli Sales, depois um trio e posteriormente a Corporação propriamente dita, e hoje, para atendimento às demandas, a 'Light Brasil' apresenta a Banda completa, quarteto, duo ou DJ. Tem repertório eclético e com ritmos dançantes variáveis.
Paralelo à Banda, o casal Sales formaou, em março de 2001, o 'Duo Light Brasil' com o projeto pioneiro regional 'Musica no Hospital', mais voltado aos gêneros de seresta, choro, erudito e antigas canções da Musica Popular Brasileira.
O 'Duo Light Brasil' também apresenta-se em eventos particulares, especialmente em empresas de grande fluência pública.
2.7.11. Banda Landau 1969
Em meado de 2002 surgiu o quarteto intitulado 'Banda Landau 69', com os jovens João Rafael Nantes – baixo, Luciano Pimentel (Barry) – bateria, Tiago Cachoni – guitarra, Thiago Pitol – vocal.
Com a saída de Pitol, em 2004, Cachoni assumiu o lugar.
O trio, aparentemente despretensioso no início, tornou-se sucesso regional, com participações em shows nos anos de 2010 e 2011.
2.7.12. Outras bandas, orquestras e conjuntos
Outras bandas e conjuntos musicais santacruzenses, cada qual a seu tempo, marcaram época e foram sucessos na cidade e região.
'Conjunto da Saudade' fazia sucesso nos anos de 1920, inicialmente com Francisco Rios, Guilherme Wolf e José V. Sobrinho entre outros integrantes. Nos anos de 1960, o 'Conjunto da Saudade' estava em atividade com os músicos Antonio Alves Farias, Arcílio Mardegan, Dante Saleme e Hélio Castanho de Almeida, apresentaram-se inclusive a Televisão - TV Excelsior, em 1968.
Nos anos de 1930 era atuante a 'Banda do Rios'.
O 'Conjunto Serenata', em 1968, tinha no Professor Messias de Brito como o seu intérprete nas músicas românticas, já saudosismos para a época.
Nos anos de 1970 as 'Fanfarras das Escolas Estaduais' em Santa Cruz do Rio Pardo encantavam a todos com suas apresentações oficiais, destacando-se aquela ou aquelas que estiveram sob o comando do Maestro Excedil Magnani Filho.
Excedil, com morte acidental no final dos anos de 1990, foi grande musico e maestro, e seu nome foi dado à Fanfarra Municipal de Taquarituba.
Em 2010 o grande sucesso popular estava com o grupo 'Borogodó do Samba', liderado pelo músico Ubirani Gonçalves.
No clássico, a 'Camerata' formada e liderada pelo músico [professor e autor] José Magali Ferreira Junqueira.
Despertou grandes atenções a 'Associação Aprendizes de Sodrélia', a partir de 2010 – ano da fundação, voltada para educação, cultura e cidadania, através da música, sob responsabilidade de Maria Cecília Donsbach Camargo, no exercício de trabalho voluntário.
A Associação Aprendizes de Sodrélia está voltada para os menores daquela localidade, e já e atração obrigatória em festividades cívicas e apresentações diversas.
2.8. Carnaval e os blocos carnavalescos
Os carnavais santacruzenses, sem tradições memoráveis, remetem aos tempos do 'entrudo', com foliões adolescentes às ruas, apresentando danças histórico-representativas de grandes eventos, com simulações de lutas, músicas satíricas, ano a ano com algumas variações introduzidas, a exemplos de vestimentas folclóricas de personagens do imaginário popular da época.
Então, vigiados ou prestigiados pelos pais e parentes, que ficavam nos passeios, os jovens saíam às ruas, fantasiados de almas ou assombrações, de esqueletos, de facínoras, de diabos, e todos se divertiam.
Os adultos somente ousavam mais nas folias promovidas pelos clubes restritos aos associados, com os rostos cobertos por máscaras, enquanto os mais velhos optavam pelos retiros espirituais promovidos pelas religiões.
Existia pensamento na época que carnaval era palavra oriunda de 'carni vast' com significado livre de 'festa da carne', ou seja, festejos profanos, amplitude da carne – a matéria sobrepondo-se ao espírito, ou expansão carnal – onde tudo era permitido, inclusive o pecado, a carnalidade como orgia advinda de festa pagã ou cultura do paganismo.
Publicação do começo do século anunciava-se certo Julio da Silva como organizador carnavalesco, diretor de algum clube, que meses antes do evento já convidava "a todas as pessoas que queiram fazer parte no carnaval do anno de 1903, próximo, a virem se entender com director abaixo assignado. Santa Cruz, 20-12-1902, Julio da Silva" (Correio do Sertão, 03/01/1903: 3).
A edição do Correio do Sertão – 28/02/1903: 1, trouxe pequena nota do carnaval daquele ano: "Passaria inteiramente despercebido o carnaval desta cidade si não fossem alguns mascarados bem desenxabidos que andaram fazendo graças pelas ruas".
Em 1916, um artigo publicado no hebdomadário 'O Contemporâneo', intitulado 'O Carnaval', discorre sobre a apatia santacruzense diante da festa do Mono:
  • "Hoje, amanhã e depois, são os dias consagrados à festa mais popular do Brasil, a festa em que todos, sem distinção de crenças, de idades, de fortuna, de colocação social, se divertem doidamente, alacremente, numa promiscuidade descuidosa, esquecidos todos dos dias e horas de amargor que porventura tenham passado. Divertir-nos-hemos também em Santa Cruz? Parece-nos que muito pouco. A nossa população diverge por completo das de outras cidades. Não gosta de folguedos carnavalescos. Nem mesmo a creançada, que não tem preconceitos, nos alvoroça ou nos inferna os ouvidos o clássico Zépereira que precedem aos dias consagrados a Momo. A excepção de uma ou outra pequena lucta de lança-perfumes, animada pelo Lobo ou pelo Benedicto Carlos na anciã de venderem os seus stocks desse artigo: do carnaval dos Sérvulo, representado por uma ceia e um baile em projecto, em que diz elle: 'nós muito nos divertiremos', parece-nos que não teremos nenhum folguedo externo ou mesmo interno, nos salões familiares e que denuncie a festa de Momo".
O articulista convocava a cidade a sair do costumeiro torpor, especialmente os jovens, para os divertimentos carnavalescos. Conta de sua participação em carnavais de outras localidades, narra fatos recorrentes e, por fim, anuncia um acontecimento inesperado, aparentemente a ser realizado pelos membros da maçonaria local:
  • "Já estavam escriptas estas linhas quando nos communicaram que o 'Club dos Pellas' ia dar a nota no carnaval, tinha resolvido à ultima hora e sairiam todos os socios phantasiados em alegre folgança. Com a nossa costumeira bisbolhetice, depois de muito indagar, conseguimos descobrir as phantasias de alguns dos socios e são elles":
  • "O irmão 2º Orador envergará um vistosa sobre-casaca de cascas de amendoim torrado, calção a Luiz XV, confeccionado com bilhetes de loteria e uma fina cartola de casca de coco da Bahia".
  • "O irmão Tiradentes, todo lampeiro, vestirá um dominó de cascas de cebollas, e um gorro a luxo, feito de paralelepípedos".
  • "O irmão Vice-Presidente, com os seus 96 kilos, vestirá bombachas de sorvete de caju, blusa mexicana de penas de papagaio e cantará o meu boi morreu".
  • "O irmão Clinico do Largo do Jardim, vestidinho de anjo, com uma phantasia a luxo, de folha de bananeira, corôa de louro cereja e asas de tico-tico, cantará o mineiro páu".
  • "O irmão Secretario, sahirá vestidinho de mordomo de castello, com uma libré de palha de café e um chapéu ornado de sementes de laranja".
  • "O irmão Magister deitará elegante casaca de todos de cigarro, calção de sellos de charuto e na cabeça trará uma cartolla do tamanho da matriz".
  • "O irmão Clinico da Villa Nova, virá vestido de mulher: saias de marmelada e bluza de goiabada, com uma cabeleira de corda de bacalháu; com os outros irmãos cantará em côro o luzimento".
  • "O futuro irmão de choupana, como ainda não está iniciado, irá vestido de leigo, com uma batina de pregos e chapéu de parafusos".
  • "Fechará o prestito o irmão Presidente vestido de bébé, com uma camisinha de tela de arame, meias e sapatinhos de lã de cágado, touca de semente de abóbora e chupando uma mamadeira de vidro de oleo de rícino".
  • "Enorme saparia acompanhará o bando".
  • "Já não passará despercebido o carnaval em S. Cruz".
  • "(a) Pierrot de Colombina".
  • (O Contemporaneo, 05/03/1916: 1-2).
Tratou-se de brincadeiras do articulista e identificações de maçons da época, sem qualquer efetiva notícia de participação da Loja, como tal, no Carnaval de 1916.
A partir dos anos de 1930 as festas carnavalescas mostravam foliões nos clubes, com nenhuma história significativa de desfiles de ruas.
O carnaval santacruzense de 1933, nos salões do Bar Paulista, do Sr. Tertuliano Vieira da Silva, encheu apenas o bar, com boa presença feminina, muita música ao som de orquestra, enquanto "Nas ruas silencio quase absoluto" – Santa Cruz Jornal, 05/03/1933: 1; e a fonte revelava que as folias carnavalescas ali "chegaram ao delírio, na noite de terça feira quando a despedida a Momo revestio-se de intenso brilho e de uma belleza sem par em festas dessa natureza".
Nos anos de 1940 noticiam-se concentrações defronte aos clubes, a exemplos do Soarema e dos Vinte com sedes próximas, misturando-se os participantes, e nos anos de 1950 famosas as marchinhas carnavalescas marcaram época, e a banda tocando no coreto do jardim com o público manifestando-se ao som das músicas.
Os casais ou moças e rapazes passeavam pelo jardim, aspergidos por águas de cheiro, confetes e talcos, ou mesmo o 'sangue do diabo' – uma combinação caseira de amoníaco com fenolftaleína, álcool e água, que por algum tempo – segundos – deixava a roupa manchada de vermelho na parte onde atingida, quando não algum ataque mais agressivo com 'pó de mico' – feito com apêndices que cobrem as superfícies de alguns vegetais, ou mesmo de pólen de flores, existindo também os minerais.
Os 'lança-perfumes', ou as drogas dos carnavais, eram restritos aos salões, mas a mocidade inventava misturas para cheiros em lenços umedecidos. Comumente o lança-perfume era combinação de éter, clorofórmio, cloreto de etila – gás, e essência de algum perfume; nas fabricações caseiras dispensava-se o uso do cloreto de etila, daí o uso dos panos umedecidos.
Nos clubes alguns homens fantasiavam-se de mulheres tipificando que no carnaval elas – as mulheres mandavam.
Em meado dos anos 1960, [Valdomiro] Eliseu Nascimento e o grupo Amigos do Bairro São José teriam ousado o primeiro carnaval de rua, naquele bairro e em carnavais seguintes avançando ruas do centro da cidade. Com o tempo e outras lideranças o grupo tornou-se Império do São José.
Não tardou e o Bairro da Estação fundou o seu grupo, caracterizado carnavalesco, por volta de 1967, com poucos instrumentos, porém contagiante. Estariam à frente do grupo, logo batizado de Califórnia, o Reco Beguetto e o João Andreolli.
As disputas entre os grupos São José e a Estação eram divertidas, ainda que acirradas, quando os grupos desfilavam pelas Avenida Tiradentes, Rua Conselheiro Dantas e Rua Euclides da Cunha.
Já adiante de 1974, João Pitaca – o Pitaquinha, que aprendera 'Carnaval em São Paulo' juntamente com Américo Bruno Filho, destacou-se carnavalesco e fundou em Santa Cruz, juntamente com Ubirani Gonçalves, a 'Escola Unidos da Baixada', cantando os primeiros sambas-enredos culturais homenageando destaques do município – o café e o algodão, e os nomes ilustres ou famosos, como Tonico Lista, os irmãos Villas Boas, com letras João José 'Dedé' Corrêa, Umberto Magnani e outros, musicadas por Mário Nelli e o próprio Ubirani, além dos nomes esquecidos no tempo.
  • Pitaquinha residira por anos em São Paulo aos fundos da casa da avó de Américo Bruno Filho, e ambos passaram alguns carnavais em Santa Cruz do Rio Pardo, destacando-se Pitaca como bom formador de grupos de foliões, repassando aprendizados adquiridos junto aos carnavalescos da Penha.
Por alguns anos, após 1978, o carnaval de rua ganhou desataques, com o Califórnia agregando-se com o Unidos da Baixada, criando dissidência na Unidos que migraram para o São José e formaram a Escola Império São José.
As intrigas, as ausências de estrutura e auxílio público, encerraram as atividades carnavalescas de ruas, ficando os espetáculos mais para os Clubes, sendo destacado o Carnaval no Ginásio Aniz Abras.
Com a decadência do Clube dos Vinte e, mais adiante, a não autorização para brincadeiras do gênero no Ginásio de Esportes, somente o Icaiçara Clube manteve inalterado programação carnavalesca, às vezes incrementada com decorações de artistas plásticos da cidade, destacando-se Plinio Rigon.
Desde o carnaval de 2000 as tradicionais escolas não mais desfilaram em Santa Cruz. No carnaval de 2003 as Escolas, Pequerrucho e Objetivo, fizeram desfiles com os blocos dos pais, dos professores e dos alunos, procurando o resgate das marchinhas carnavalescas, mas o grande nome estava com a Unidos de São Benedito, com o seu carnaval cristão idealizado pelo Padre Esdras Moraes Freire, quatro anos antes.
Sem verbas ou interesses do poder público e empresarial para desfiles das escolas de samba, em 2003 a Prefeitura Municipal por concursos de blocos carnavalescos - em média de dez integrantes e carros alegóricos opcionais, com julgamentos e distribuições prêmios quanto a originalidade, criatividade e harmonia, e isto foi um fracasso.
Em 2004 se pensou numa escola independente sob o nome 'Unidos por Santa Cruz'.
A despeito dos esforços de alguns, o carnaval não tem grande aceitação em Santa Cruz, mesmo as 'folias de ruas', além das apresentações no Icaiçara Clube.
3. Tecnologias de Comunicação
3.1. Telegrafia
O telégrafo em Santa Cruz do Rio Pardo chegou com a Estrada de Ferro Sorocabana, em 1908, cujo serviço disponibilizado às autoridades, em casos de emergências.
Constam como os primeiros telegrafistas, conhecidos: Vicente Ferrer de Almeida – Agente do Telégrafo; Augusto Nott – Conferente; e José Lauro de Siqueira – Telegrafista (Almanak (...), 1910: 1558).
Em 1919, apresentavam-se telegrafistas na Estação Ferroviária Santa Cruz: Napoleão Lourenciani – Agente; Antonio Barbeiro – Telegrafista; Benedicto Marques – Mensageiro (Almanak (...),1919: 2075).
Nos anos de 1940, o serviço de telégrafo da ferrovia, disponibilizado ao público, funcionou por anos num escritório à esquina das atuais ruas Farmacêutico Alziro de Souza Santos e Coronel Julio Marcondes Salgado, cujo aluguel à expensa da municipalidade (DOSP, 17/10/1943 e Decreto-Lei Municipal nº 37, de 12/11/1943), mantendo desta maneira Santa Cruz conectada com o mundo de sua época, sendo possível correspondência bastante rápida, ainda que indireta, a depender do rádio-operador.
Em dezembro 1952 foi contratado Noir José Rodrigues como o primeiro Rádio-Operador, na então Agência Postal Rádio Telegráfica de Santa Cruz, com aparelhagem no mês de maio de 1953.
3.2. Telefonia
A oficialidade telefônica para Santa Cruz do Rio Pardo ocorreu mediante concessão dada pelo Governo do Estado ao empresário Adolpho Villela de Figueiredo, pelo Decreto nº 1.460-A, de 15 de abril de 1907, de acordo com "a licença para o estabelecimento, uso e gozo ou exploração de uma linha telefonica ligando a cidade de Piraju às de Fartura, Santa Cruz do Rio Pardo e Avaré" Isto implicava um centro onde as instalações da base telefônica e um aparelho para o uso público.
Do Figueiredo a concessão foi repassada aos empresários Antonio Almeirindo Gonçalves e Antonio Augusto Mayer Gonçalves – Decreto Estadual nº 1.565, de 29/01/1908. Com estes empresários iniciaram-se as primeiras instalações de telefones comerciais e residenciais, havendo a necessidade de autorização do governo em prorrogar "por seis meses o prazo para início de construção da rede telefonica concedida pelo Decreto nº 1.565, de 29 de janeiro de 1908" – Decreto Estadual nº 1.646, 31/07/1908.
A Câmara Municipal outorgou licença de operação aos referidos empresários, conforme sessão de 15 de julho de 1908. Num referência pela Câmara Municipal – Livro de Contratos – 09/04/1910 é informado que em 23 de outubro de 1908 os identificados concessionários, Almerindo e Mayer, transferiram a empresa para Antonio Augusto Freire de Oliveira. Freire foi o sócio representante dos empresários José Fernandes Esan e Maurílio Ribeiro Freire.
As obras tiveram início em 15 de maio de 1909, quando uma garrafa com expedientes da solenidade foi enterrada defronte ao prédio da dita empresa telefônica, situada à atuais ruas, Joaquim Manoel de Andrade esquina com a Catarina Etsuko Umezu, e que foi encontrada três décadas depois, onde então, na época, instalada a Prefeitura Municipal (A Cidade, 05/03/1939).
Freire, aos dezesseis de setembro de 1909, transferiu a licença de operação a Antonio Augusto Mayer Gonçalves. Segundo a Câmara os serviços foram concluídos "mais ou menos dentro do prazo concedido iniciado e provisoriamente instalado, achando-se funcionando mais ou menos regularmente até nesta data [09 de abril de 1910]" (Câmara, Livro de Contratos, 09/04/1910: 40-46).
O primeiro telefone comercial anunciado em Santa Cruz do Rio Pardo pertencia a Casa Oliveira Borges e Cia (Cidade de Santa Cruz, 05/06/1910: 4), no Largo da Liberdade, registrado sob nº 15.
A Empresa Telefônica Santa Cruz, sob a direção dos empresários Alfredo Soares Marcondes e Emilio Mory, em 1910 fazia promoções nas vendas de linhas, reduzindo preços nas instalações e mensalidade única, além de garantir gratuitamente o conserto de aparelhos, exceto intencionais. Anunciava, também, extensão das linhas a Irapé e São Pedro do Turvo, além de reforma da linha Santa Cruz/Salto Grande" (Cidade de Santa Cruz, 27/11/1910: 3).
Não se tem nenhum exemplar de lista telefônica da época, mas sabe-se que era uma folha de papel tipograficamente impressa com os números dos telefones e proprietários, por volta de 1910, posteriormente encadernados com o aumento de usuários inscritos.
Em 01 de junho de 1911 a operadora de telefonia foi transferida dos sócios Alfredo Soares Marcondes e Emilio Mory para João Baptista de Souza Meirelles, "livre de quaesquer ônus" (Cidade de Santa Cruz, 04/07/1911: 2).
  • Marcondes e Mory, cunhados, foram responsáveis, juntamente com Francisco de Paula Goulart no desenvolvimento da região da alta Sorocabana, adiante da Fazenda Montalvão – Quatá, e outras localidades limítrofes, progredindo os urbanos, entre os quais e principalmente Presidente Prudente.
O sistema telefônico era magnético, girando uma manivela para dar acesso à telefonista que, então, fazia a ligação solicitada, quando local, ou a outra telefonista do lugar desejado, e esta acionava o número pedido, em casos interurbanos. A chamada interurbana nunca era imediata, e às vezes, quando não havia ligação direta entre as localidades, era repassados por diversos postos intermediários.
A despeito da Companhia Telefônica do Estado de São Paulo desde 1905, operando e encampando redes telefônicas no interior paulista, Santa Cruz manteve-se rede particular até a nacionalização da empresa canadense 'Brazialian Telephone Company' e subsidiárias que operavam majoritariamente no Brasil, inclusa a 'Companhia Brasileira de Telefone – CBT'. Entrava em curso a estatização das telecomunicações no Brasil, mantendo o nome já conhecido Companhia Brasileira de Telefone.
A telefonia rural para Santa Cruz, não se sabe ao certo, teve sua primeira operação em 1960, numa das propriedades de Onofre Rosa de Oliveira, a partir de linha telefônica destinada a um distrito, e essa iniciativa trouxe avanços para uma vasta comunidade rural adjacente.
No ano de 1965 a Câmara Municipal aprovou projeto nº 1/65 que se transformou em Lei Municipal nº 242, de 23 de março de 1965, autorizando exploração de telefonia por sistema automático em Santa Cruz do Rio Pardo, com ratificação pela Lei nº 249, de 21 de maio – alterando parte da lei anterior, porém mantendo a sua essência. Naqueles tempos o município era quem autorizava a 'CBT' reajustar ou corrigir valores de tarifas.
Em 1966 a 'CBT', com suas subsidiárias e através delas, assumiu o controle da telefonia em todo o Brasil, salvo exceções, e posteriormente, em 26 de maio de 1972, o Ministério das Comunicações designou uma concessionária para cada estado ou região geoeconômica, encampando as companhias menores então existentes.
Essa política de exploração dos serviços concluiu-se pela Lei Federal 5.972, de 11 de julho de 1972, com a criação da 'Telecomunicações Brasileira – Telebras', e para o Estado de São Paulo a operadora seria a 'Telecomunicações do Estado de São Paulo – Telesp'.
Em agosto de 1995 ocorreu quebra do monopólio estatal das telecomunicações, e a Telesp foi adquirida pela 'Telefónica' [Telefônica], empresa espanhola de telecomunicações, com ampliações tecnológicas e acessos facilitados aos serviços.
A título de curiosidade, em Santa Cruz do Rio Pardo, até o final dos anos de 1970, o telefone livre da manivela, era preciso apertar um botão para acionar a operadora [telefonista].
3.3. Rádio - aparelhos
Consta um primeiro aparelho de rádio receptor em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1928, adaptado de um aparelho de radiotelefonia:
  • "Noticias Diversas".
  • "Radio-telephonia".
  • "Acha-se installado e funccionando com admiravel perfeição, no Gremio Santa Cruz, um superior apparelho radiotelephonia, communicando-nos com as estações de Buenos Ayres, Republica Argentina, Rio e São Paulo. A superioridade do apparelho trará optima distracção a nossa sociedade, que nas horas de descanço, terá opportunidade de saber o que se vae passando pelas grandes Capitaes" (A Cidade, 22/04/1928: 1).
Segundo o rádio-operador Noir José Rodrigues, em verdade instalaram nas dependências do Clube um rádio receptor para que as pessoas pudessem ouvir notícias e outras mensagens transmitidas. "Isso atira-nos aos princípios da popularização do rádio receptor".
Sem a informação exatamente quando, a tradição santacruzense refere-se ao médico Dr. Pedro Cesar [Cezar] Sampaio o primeiro aparelho de rádio na cidade, colocado no muro de sua residência, e as pessoas então se aglomeravam para ouvir 'a caixa falante'. Não antecederia o Grêmio Santa Cruz.
3.4. Radioamadores
Nos anos de 1940 diversos radioamadores operavam em Santa Cruz.
O hebdomadário A Cidade publicou aos 22 de setembro de 1940: 4, sob o título Registro de Rádios, comunicando os proprietários de receptores o encerramento para registros de aparelhos de rádio, e àqueles que providenciaram a tempo serão multados – Diretoria Regional dos Correios.
3.5. Televisão
O primeiro aparelho de televisão em Santa Cruz do Rio Pardo foi ligado em 1963, com antena improvisada, ao lado da loja Santa Cruz Elétrica, antigo endereço à Catarina Etsuko Umezu - então Senador Euzébio de Queiroz, onde depois funcionou, o Banco HSBC [ano referência 2003] – (Debate, 02/02/2003).
A 'inauguração' coube a Ary Cândido da Silva proprietário da Santa Cruz Elétrica, adquirida naquele mesmo ano de 1963, em sociedade com Wilson Schimidt e José Carlos Vieira de Melo. A Loja, adquirida com todo o estoque incluído um aparelho de televisão, pertencera a Carlos Queiroz então eleito Prefeito.
A antena foi levantada ao topo de uma torre de 40 metros, feita em madeira – eucalipto, entrando precariamente as imagens da então TV Coroados de Londrina – PR.
Foi o começo, e logo outros aparelhos foram instalados, sendo os melhores locais para captações das imagens os altos da cidade, ainda assim com antenas no topo de alguma torre elevada.
O 'Rotary Club' local, sob a presidência do Cirurgião-Dentista Clélio Zanoni, se empenhou até com vendas de rifas para dotar a cidade com a primeira torre de retransmissão de sinal de TV, e aos 09 de maio de 1966 a Lei Municipal 299 autorizou a montagem e manutenção pela Prefeitura Municipal de uma estação repetidora de imagens de televisão.
A Municipalidade, após experiências de recepção e retransmissão de áudio e vídeo foi autorizada a aquisição de aparelhagens para ampliações e melhores qualidades aos serviços de televisão, com o maior número possível de canais.
4. Sistema financeiro e seguradoras
4.1. Primeiras casas de créditos
4.1.1. Banco de Custeio Rural
Surgido de associação entre capitalistas paulistas, a Sociedade Incorporadora foi fundada aos 25 de agosto de 1906, visando incentivo rural aos associados e financiamento às prefeituras / câmaras municipais. A Sociedade Incorporadora contou com o incentivo e participação do Governo de São Paulo, em apólices, a cada um dos bancos organizados e instalados em cidades do estado.
Os Bancos de Custeio Rural nos municípios eram autônomos, cada qual trabalhando com o seu capital e auxílio de governo que também era o agente fiscalizador. Para sua instalação era necessário um quadro de associados, com capital de 100.000$000.
Obteve-se o quadro santacruzense e seu regulamento estatutário aprovado em assembleia constituinte realizada aos 12 de julho de 1908, e eleito Presidente o advogado Olympio Rodrigues Pimentel (DOSP, 17/07/1908: 21).
O estatuto publicado elencou cada associado com número de ações e valor unitário, destacando-se a Câmara Municipal com vinte ações; a Sociedade Incorporadora com cinco ações; e entre particulares, Coronel Antonio Evangelista da Silva, Coronel Henrique Cunha Bueno [Ilha Grande – Ipaussu], Coronel Olympio Braga [Óleo], com duas ações cada; e os demais com uma ação, completando o quadro de acionista.
No rol de associados notam-se, também, as mulheres Dona Anna Braga Negrão – por si e como inventariante do marido Joaquim Fernandes Negrão, e D. Guilhermina Brandina da Conceição, viúva do Coronel Botelho e em convívio com o Antonio Evangelista da Silva.
O Decreto Estadual n° 1.656, de 26 e publicado aos 28/08/1908: aprovou os estatutos do Banco de Custeio Rural de Santa Cruz.
O Banco localizava-se à Rua Visconde de Pelotas (atual Farmacêutico Alziro de Souza Santos), onde depois seria instalada a Loja Benedicto e Carlos – Secos e Molhados, onde depois construída residência da família Zanette – referência 2012.
4.1.2. Caixa Econômica do Estado de São Paulo
A Caixa Econômica do Estado, ou Caixa Econômica do Tesouro do Estado, foi fundada em 1916 (Luz e Góis, 2008: 7 - Tabela II), com a aprovação pelo Decreto-Lei 2.765, de 19 de janeiro de 1917, criada à maneira e semelhança da Caixa Econômica Federal, com propósito de incentivar a poupança e conceder empréstimo a juros menores.
A inauguração oficial da Caixa Econômica Estadual ocorreu em São Paulo, no dia 22 de março de 1917. Tratava-se de sociedade de economia mista, com 71,25% das ações ordinárias em mão do Governo do Estado de São Paulo.
Rapidamente espalhada pelo interior paulista, anexas às Coletorias de Rendas Estaduais, em Santa Cruz teve funcionamento autorizado em 1917, com a publicação em "Actos do Poder Executivo: nomeando o sr. Aggripino Braga Negrão, para exercer o cargo de escripturário da Caixa Economica de Santa Cruz do Rio Pardo" (DOSP, 07/12/1917: 1).
A efetiva instalação em Santa Cruz do Rio Pardo ocorreu em 1918: "Sabemos que já se acham em poder do sr collector estadual os livros necessários para a escripturação do movimento da Caixa Econômica desta cidade" (O Contemporaneo, 14/02/1918: 1).
O endereço da Caixa Economica do Estado, adjunta à Coletoria funcionou onde a Rua Catarina Etsuko Umezu – então Euzébio Queiróz nº 281. Separada da Coletoria de Rendas, funcionou na esquina [à direita] das ruas Marechal Bittencourt com a Quintino Bocaiúva, depois na esquina Rua Conselheiro Antonio Prado [à direita] com a Marechal Bittencourt, até sua transferência para sede própria à Avenida Tiradentes, esquina com Rua Catarina Etsuko Umezu.
Em 1951 a Caixa Econômica funcionava de maneira autônoma do Governo, gerida por um Conselho Administrativo, então entidade autárquica sob a denominação Caixa Econômica do Estado de São Paulo. Tornou-se sociedade anônima em 1971 – Lei 10.430, de 16 de dezembro, e, depois, tornou-se banco múltiplo por Deliberação em sessão extraordinária Assembleia Geral de 28 de dezembro de 1989, para oficialização a partir de 6 de março de 1990, assim equiparando-se a outras empresas bancárias, e teve seu nome alterado para Nossa Caixa – Nosso Banco,
Necessitando adequações ao mercado financeiro tornou-se Banco Nossa Caixa S/A em fevereiro de 2001, e, pela Lei nº 10.853, de 18 de julho de 2001, o Governo de São Paulo foi autorizado vender 49% de suas ações e isto retirou da empresa, definitivamente, o perfil de empresa pública.
Aos 20 de novembro de 2008 o Banco do Brasil S/A 'adquiriu ' a Nossa Caixa.
4.2. Outras agências bancárias
As seguintes agências instalaram-se em Santa Cruz do Rio Pardo, algumas chegando aos dias atuais.
4.2.1. Caixa de Crédito Agrícola:
À Rua Coronel Emygdio José da Piedade, nº 15, funcionou nos anos de 1917 a Caixa de Crédito Agrícola de Santa Cruz do Rio Pardo, uma sociedade cooperativa de responsabilidade ilimitada, agência filiada ao Banco Cooperativo de Crédito Popular de São Paulo, com objetivo de empréstimos aos associados, para o custeio de lavouras mediante garantia hipotecária ou penhor agrícola. Os empréstimos eram a juros médios.
A Caixa também recebia depósitos abonando taxas de mercado, operando descontos, encarregando-se, inclusive de cobranças onde agências da mesma ordem. Destacava-se por efetuar depósitos e transferências de valores a qualquer lugar na Europa.
A primeira Diretoria da Instituição compôs-se dos: Francisco Rodrigues Costa, Presidente; Godofredo Fernandes Negrão; Florberto Cruz, Tesoureiro; e o Conselho Fiscal: Philadelpho Aranha Junior, Dr. Ovidio Badaro e Carlos Rios, sendo suplentes: Godofredo de Camargo Bueno, Major Ozório Bueno e Dr. João Baptista de Mello Peixoto Filho.
As informações colhidas de informes publicitários publicados em 'O Contemporaneo', 07/07/1917: 4.
4.2.2. Banco Comercial:
Instituição financeira controlada pelo advogado e capitalista José Maria Whitaker (1878-1970), foi fundado em 1886, como um dos quatro bancos paulistas da década de 1880. Abriu agência em Santa Cruz do Rio Pardo, à Avenida Tiradentes, então no número 89, onde hoje o Banco Itaú, ao qual incorporado o Banco Comercial, em 1974.
Consta presença em Santa Cruz desde os anos 1919, num prédio posteriormente duas vezes reconstruído, para o Banco Mercantil e depois para a 'Casas Bahia', defronte sua atual agencia fusionada Itaú / Unibanco.
Documentos resgatados comprovam historicamente a presença do Banco Comercial desde os anos de 1920 (Debate, 01/01/2012).
4.2.3. Banco do Brasil:
Primeiro banco a operar no País, abriu subagência em Santa Cruz do Rio Pardo em 1941:
  • "Banco do Brasil em Santa Cruz do Rio Pardo: – Damos a mais ampla publicidade da grata notícia de que os ilustres dirigentes do Banco do Brasil, já nomearam os funcionários que deverão constituir o corpo administrativo da Sub-Agência do Banco do Brasil creada para esta cidade" (A Cidade, 19/10/1941: 1).
Consta instalação primeira à Rua Conselheiro Dantas, nº 685, depois funcionaria, por anos, na Avenida Tiradentes, e, atualmente, à Rua Benjamin Constant.
4.2.4. Banco América do Sul:
No ano de 1941 Santa Cruz do Rio Pardo possuía Agência do Banco América do Sul, à Rua Marechal Bittencourt, nº 701 (A Cidade 23/11/1941: 1).
Encerrou atividades.
4.2.5. Banco Nacional da Cidade de São Paulo:
Inaugurou sua agência em Santa Cruz do Rio Pardo aos 15 de abril de 1942.
A presença dessa agência em Santa Cruz foi ápice de grande comemoração política, de Leônidas Camarinha, segundo a reportagem:
  • "O surto progressista por que passou Sta. Cruz com a administração Leônidas Camarinha atinge hoje sua alta finalidade dos anos que passaram. (...). Assim é que acaba de ser inaugurada mais uma instituição bancária em nossa terra, e mais um palacete se ergue em pleno coração da cidade, graças ao espírito empreendedor de nossa gente, do comercio, da industria e da lavoura. Trata-se do Banco Nacional da Cidade de São Paulo S/A, cuja inauguração deu-se dia 15 do corrente com uma elegante festa onde o nosso melhor elemento se apresentou de maneira condigna" (A Cidade, 19/04/1941: 1).
Estiveram presentes diversas autoridades regionais e representantes financeiros, cumprindo inclusive a benção da Igreja pelo Padre Marcus Righi. Encerrou atividades.
4.2.6. Banco do Estado de São Paulo:
Publicidade no semanário 'A Cidade' – 19/04/1942: 4 revelava a Agência do Banco do Estado de São Paulo funcionando em Ourinhos, mas atendia clientes de Santa Cruz, em especial os pequenos agricultores, com garantia de penhor agrícola.
Apenas em novembro de 1948 o Banco do Estado de São Paulo [Banespa] recebeu Carta Patente para a instalação de agência em Santa Cruz do Rio Pardo (DOU, 06/11/1948: 19).
O Banco Santander adquiriu controle do Banespa, com as transferências de ações, em 2001.
4.2.7. Banco Brasileiro de Descontos S/A – BRADESCO
A primeira agência do Banco Brasileiro de Descontos tem anúncio em 1952, com endereço à Praça da Matriz nº 756 (O Regional,1952: edição especial).
Ismael V Machado ocupava a gerência e Oracy Monteiro de Moraes a Contabilidade.
Cinco anos depois o Banco funcionava na mesma Praça da Matriz, no prédio número 233.
A instituição incorporou o Banco Inco – Indústria e Comercio Santa Catarina, em 1968, as agências locais fusionaram-se e o endereço passou para a Avenida Tiradentes.
4.2.8. Banco Mercantil:
O 'Banco Mercantil Finasa S/A' instalou sua agência em Santa Cruz do Rio Pardo aos 02 de fevereiro de 1943 (Debate, edição de 27/04/2003).
Foi o maior banco particular dos anos de 1960, também conhecido por 'Finasa'. Sua agência em Santa Cruz funcionou à Avenida Tiradentes com a Rua Conselheiro Dantas – onde o atual Banco Itaú/Unibanco.
Aquisicionado pelo Banco do Brasil, em 2002, encerrou suas atividades em Santa Cruz em 16 de abril de 2003.
4.2.9. Caixa Econômica Federal:
Fundada em 1861, somente abriu sua agência em Santa Cruz aos 9 de abril de 1960, à Rua Marechal Bittencourt, onde permaneceu até 1979, quando transferida para prédio próprio à Avenida Tiradentes nº 352 (13/02/2011).
Quase uma década antes se projetou uma agência para a localidade, de acordo com matéria jornalística em 'A Cidade', de 8 de julho de 1951, anunciava:
  • "Agência da Caixa Econômica Federal".
  • "Por via telegrafica, o deputado Leônidas Camarinha deu-nos a grata noticia da creação nesta cidade da Agencia da Caixa Economica Federal".
  • "É mais uma importante repartição que teremos graças ao notavel trabalho do dinamico deputado que tão bem quer esta terra e este povo".
4.2.10. Banco Industria e Comércio Santa Catarina – INCO
Instituição fundada em 1934 por um grupo econômico do Vale do Itajaí – Santa Catarina.
Embora com ausência de documentos e onde as memórias confundem-se com o Banco Brasileiro de Descontos – Bradesco, a financeira teve agência instalada em Santa Cruz do Rio Pardo nos anos de 1950, à Avenida Tiradentes, onde funcionou, até sua aquisição/incorporação pelo 'Banco Brasileiro de Descontos – BRADESCO', em 1968.
Tem citação publicitária em 1962 (O Regional, 04/02/1962: 2), e seu gerente mais conhecido foi o José Batista Siqueira.
4.2.11. Bank Brasil S/A Banco Múltiplo – HSBC:
Conhecido pela sigla 'HSBC' instalou Agência em Santa Cruz à Rua no final doa anos 1980 início de 1990, à rua Catarina Umezu, até sua transferência para a Avenida Tiradentes, entre as Ruas Conselheiro Dantas e Marechal Bittencourt.
4.3. Seguradoras
4.3.1. Companhia Sul América de Seguros
Em maio de 1902 funcionava em Santa Cruz a Companhia Sul América de Seguros, oferecendo "toda segurança e amparo das familias, logo que os seus chefes desapareçam" para a qual:
  • "(...) bastará uma mesquinha economia annualmente, a qual mais tarde poderá servir de amparo aos seus caros, ao proprio segurado, caso elle attingir com vida o tempo determinado no contracto de 10, 15 ou 20 annos, constituindo neste ultimo caso, uma caixa economica para si mesmo" (Correio do Sertão, 17/05/1902: 3).
Disputava clientela com a Sociedade Nacional de Seguros, e não se sabe qual delas a pioneira em Santa Cruz, se chegaram juntas ou se antecedidas por alguma outra empresa do ramo.
4.3.2. Sociedade Nacional de Seguros
No início do Século XX a 'Sociedade Nacional de Seguros Mútuos sobre a Vida', em Santa Cruz do Rio Pardo era representada pelo Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré e o advogado e promotor público Dr. José Amadeo Cesar.
O anuncio e a divulgação trazia o título 'Garantia da Amazônia', com sede no Pará, e as subsedes em São Paulo e Rio de Janeiro.
Na imprensa local o anuncio, inclusive, informava: "O abaixo assignado, tem a honra de convidar o respeitavel publico desta importante localidade de effectuar seus seguros nesta muito acreditada e respeitavel sociedade, actualmente a mais importante e a mais vantajosa."
Assinava ou emprestava seu nome à publicidade, "O Representante da 'Garantia da Amazonia' – Ferreira de Mello" (Correio do Sertão, 20/07/1902: 3).
4.3.3. Sociedade Anônima de Previdência e Economia
Em janeiro de 1903 anunciava-se em Santa Cruz a 'Sociedade Anonyma de Previdencia e Economia' – conhecida como 'Economisadora', sediada no Rio de Janeiro, com objetivos em "promover o bem estar de todas as classes sociaes, garantindo-lhes um peculio de Capital e renda, tomando por base de suas operações a GUARDA, AUGMENTO E DESENVOLVIMENTO de pequenas economias emitte quatro especies de apolices, incluindo a Infantil, com premio total de 2:400$000" (Correio do Sertão, 24/01/1903: 3).
4.3.4. União Paulista – Sociedade Mutualista
Em 1917 funcionava em Santa Cruz do Rio Pardo a 'União Paulista - Sociedade Mutualista', vista em um seguinte anúncio datado de 27 de abril de 1917, assinado pelo Agente Constancio Carlos da Silva:
  • "Aviso aos mutuarios desta Sociedade mutualista que, de ordem da Directoria, o mappa demonstrativo das prestações mensaes será encerrado impreterivelmente no dia 5 de cada mez, não recebendo dahi em diante prestação alguma, qualquer que seja o motivo".
  • "Estão, porém, isentos dessa exigencia as cadernetas das séries União e Quarta, devendo os interessados dirigir-se directamente ao escriptorio da Sociedade" (O Contemporaneo, 05/05/1917: 3).
5. Pasta da Agricultura e os serviços interligados
5.1. Zootecnia
Em 1911 criou-se para Santa Cruz uma Estação de Zootecnia, na Rua Duque de Caxias, fundo com o Rio Pardo e divisa com Ribeirão São Domingos, terreno adquirido de Julio de Cerqueira Cezar, por compra, conforme Lei Municipal nº 165 de 27 de fevereiro de 1911, serviço voltado à saúde animal.
Neste lugar eram alojados os animais importados para reprodução, bois, cavalos e outras espécies, para melhoras e apurações de raças, aquisições em 1910, no Governo Olympio Rodrigues Pimentel (A Cidade, 07/09/1910: 1).
O lugar também servia para animais apreendidos pelos fiscais da Municipalidade, e localizava-se onde, em 1926, numa parte de seu terreno, foi construído o Matadouro Municipal.
5.2. Expurgo
Em 1921 foi nomeado 'Fiscal do Expurgo' o senhor Rodolpho Antonio da Silva (Cidade de Santa Cruz, 09/11/1921: 2), residente à rua Saldanha Marinho, num aviso publicado no semanário 'Cidade de Santa Cruz' (20/11/1921: 3):
  • "A todos os snrs. proprietarios de machinas de de beneficiar algodão, neste municipio, que de ora em diante não poderão fazer despacho de sementes sem a competente guia fornecida por esta fiscalização, e os que por ventura encontram em seu poder passados anteriormente ao presente aviso ficam sem effeito desde esta data, devendo serem substituidos por outros".
5.3. Delegacia Regional Agrícola
Em 1957, pelo Decreto Estadual nº 30.277, de 03 de dezembro do mesmo ano, dispõe sobre a criação da Delegacia Regional Agrícola de Santa Cruz do Rio Pardo.
No ano de 1961 foi designado Delegado Agrícola em Santa Cruz do rio Pardo, o Engenheiro Agrônomo Georgino Coelho (O Regional, 18/06/1961: 1).
Em 1964, conforme publicação no Diário Oficial do Estado, o Médico-Veterinário Dr. Clodomiro Caricatti encontrava-se no exercício das funções de Zootecnista, do Departamento da Produção Animal da Secretaria Estadual da Agricultura, em Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 16/01/1964: 48).
Antes de assumir cargo em Santa Cruz, Caricatti foi Zootecnista sediado em Avaré (DOSP, 18/01/1963: 22). Algum tempo depois Caricatti foi designado Delegado Agrícola.
6. Diagnóstico do município em 1926
Em 1926 estava prefeito em Santa Cruz do Rio Pardo o advogado Dr. Pedro Camarinha, em lugar de Leônidas do Amaral Vieira, afastado desde 02 de junho daquele ano, para assumir o Comando Legionário do Batalhão Ataliba Leonel, aquartelado na cidade de Botucatu,
  • "(...) criado para dar combate a grupos revolucionários, como de 1924. Tinha formação civil, mas com feições nitidamente militares, com rígida hierarquia, treinamentos intensivos, patentes, exclusões e premiações solenes. Cada batalhão recebe um nome, geralmente escolhido entre os políticos mais influentes, Ataliba Leonel, nesse tempo, era deputado federal influente, que geralmente cuida dos interesses de Botucatu e região" (Pupo, 2002: 84, Volume II).
O então prefeito Camarinha prestou contas de seu governo à Câmara (A Cidade, 06/02/1927: 1), incluso período de Leônidas do Amaral Vieira, cuja sinopse revela pretensões à transparência e acréscimo curricular ao líder Leônidas para futuras pretensões políticas. As citações e transcrições não referenciadas acham-se inclusas nas descritivas de Pedro Camarinha – referência 1165.
A Administração, segundo Camarinha, enfrentava dificuldades financeiras, dívidas vultosas contraídas em administrações passadas, cujo valor "beira a casa de mil contos de réis", o que significava um milhão de réis, para arrecadação efetiva, em 1926, de 228:750$160 e saldo de 16$100 para o exercício seguinte.
  • A moeda brasileira era e é lastreada em ouro. O réis (Rs.), período de 08/10/1833 a 31/12/1942, tinha paridade de Rs. 2$500 por 1/8 de ouro de 22 K – Lei nº 59, de 08/10/1883 – fonte Banco do Brasil S.A, ou seja, por 1/8 de onça - [oz], o que equivale a 3,54369039 gramas daquele metal. 
Assomavam-se às dividas, a obrigação na legalização das municipalidades desmembradas do território santacruzense; a colaboração com a Cruz Azul prestadora de benefícios e amparos aos soldados [policiais] e familiares; a aquisição de mobiliários para o posto policial; lavagens de roupas da população carcerária; e despesas com abastecimento de água para o Grupo Escolar.
O abastecimento de água para o Grupo Escolar era problema crônico, nem dois anos de funcionamento e, em 1917, já se construía o segundo poço, em causa do esboroamento do primeiro, e enquanto o assunto não resolvido a água era "carregada da bica do bairro de S. José" (O Contemporaneo, 28/06/1917: 2), e esta serventia não era apenas para o Grupo Escolar, mas em algumas vezes a Cadeia Pública e a Santa Casa, diante de qualquer emergência de falha nas bombas ou nos postos de abastecimentos.
O município subsidiava outros serviços, ainda que particulares considerados essenciais à população:
  • "Com o fito de fomentar a propagar a industria, devidamente auctorisada, esta Prefeitura concedeu favores á fabrica de lacticinios de propriedade do senhor Joaquim Theophilo de Mello e á Agencia Ford para a instalação de uma boma de gazolina de ar comprimido. A Empreza Funeraria, que explorava o serviço de enterros, gozando de certas prerrogativas, falliu".
O Prefeito em exercício informava das obras inadiáveis, como a construção intensiva de sargeteamento da cidade, o calçamento do jardim público, os cuidados com cemitério – serviços de manutenção, enquanto os problemas com o abastecimento de água à população e a rede de esgoto persistiam e afligiam os moradores da zona urbana. Não existia água encanada que chegasse às residências, e a população servia-se dos regos d'água e chafarizes, enquanto as águas servidas lançadas nos quintais, num tempo que ainda eram comuns as latrinas ou as coletas domiciliares para lançamentos no Rio Pardo.
O alcaide admitia: "A dolorosa verdade é que, nesta cidade, tudo está por fazer", para, em seguida, arrematar: "Se não é a obra do Genesis, há, entretanto, pontos de affinidade".
Camarinha, após o queixume sobre a dívida herdada, enumerou as obras realizadas em seu governo, apresentando em primeiro plano os reparos nas estradas para Bernardino de Campos, Espírito Santo do Turvo, Chavantes, Ipaussu e São Pedro do Turvo; reforma da ponte do [Bairro] Alecrim.
Das realizações urbanas destacou o abaulamento das vias públicas, com revestimentos em pedregulho, e o alargamento da Avenida Tibiriçá "em direcção à esplanada da Sorocabana", além do emplacamento da cidade e construções de bueiros e sarjetas. Também deu combate à formiga saúva, insetos himenópteros da família dos formicídeos – gênero Atta, pesadelo dos santacruzenses pelos grandes estragos às plantações, desde a fundação do lugar, motivo de matéria jornalística seriada em 1902 (Correio do Sertão, edições de 1902).
O Prefeito, nessa série de medidas no exercício de 1926, determinou, ainda, a desativação da Pedreira situada na Rua Conselheiro Antonio Prado – parte que na época chamava-se Rua Paraná, junto ao Ribeirão São Domingos.
  • Santa Cruz tinha outra pedreira localizada à margem esquerda do Rio Pardo, cujos vestígios ainda hoje observáveis, e que em 1902 já dava margem às reclamações (Correio do Sertão, edição de 16/08/1902: 2) como causadora de transtornos pelo arrebentamento de pedras com dinamite, onde pedras alcançavam residências próximas e até no Bairro São José, causando danos aos imóveis e plantas, além dos perigos às vidas, humana e dos animais.
Outro relevante serviço, voltado à saúde pública e higiene, dizia sobre a construção do matadouro de animais para o consumo, sendo complementar à essa construção a obrigatoriedade de transporte de "carne verde em carroção adequado".
Este serviço era reivindicação camarária desde 1894, e as tradições apontam que no lugar sugerido na época foi levantado precário abatedouro destinado somente a gado bovino, conforme depreendido de seguinte publicação de 1902: "portanto não é idéa nova si a Camara actual obrigar aos marchantes de porcos a utilizarem-se do Matadouro Municipal, não admittindo o abuso de em qualquer lugar fazer-se o abatimento de porcos ficando o Matadouro, somente para o bovino" (18/03/1902: 2).
  • O matadouro construído em 1926, identificado como modelo, foi construído junto à barra do Ribeirão São Domingos no Rio Pardo, lugar onde instalado o campo da zootecnia e próximo da antiga ponte que servia a cidade.
Também feito relacionado à saúde pública foi a obrigatoriedade de se transportar de leite 'in natura' para entrega à população, "em carrocinhas adrede preparadas".
Na questão de visual da cidade, o prefeito relacionou entre as obras realizadas, a extinção do cemitério velho, com a remoção de restos mortais e destruição dos túmulos, o que não aconteceu, na totalidade, posto que, nos anos de 1940, ainda existiam algumas sepulturas no lugar e, restos mortais encontrados em 2008, quando da ampliação do fórum local (Debate, 13/04/2008 - Ossos são encontrados em obras do Fórum).
Ainda, em questão de aparência urbana, foi a "extincção da 'Igrejinha', no então chamado 'Largo de S. Cruz', cujos terrenos foram vendidos e estão sendo edificados".
  • A construção situava-se na Praça ou Largo Santa Cruz, referenciada em 1884, no primeiro dimensionamento territorial santacruzense. Em 1926 jazia em ruínas, com os alicerces expostos, aparentemente desde 1906, quando da autorização eclesial "para a exhumação dos ossos de várias pessoas, da egreja velha para serem transladados para a matriz nova de Santa Cruz do Rio Pardo" (Correio Paulistano, 01/06/1906: 4).
Com nova planta cadastral para a cidade, o saneamento com o apoio do Governo do Estado – Área da Saúde, a iluminação pública e outros serviços, o prefeito realçava sua administração, prestes a assinar contrato com a Companhia Luz e Força Santa Cruz, atendendo a reclamos populares, para o aumento de iluminação pública urbana, sem mais ônus para os cofres municipais, obtendo do "dr. Leal Costa, seu digno presidente a promessa de estudar o assumpto com sympathia e boa vontade".
Pedro Camarinha encerrou sua 'prestação de contas', com a mensagem: "Eu nutro, senhores Vereadores, uma convicção profunda nos destinos que o futuro preserva à cidade de S. Cruz do Rio Pardo, porque, quando mais não fosse, ella está nas vossas mãos".
7. Loteamentos pioneiros
As citações das ruas atuais como divisas identificando bairros, vilas e jardins, não podem ser consideradas exatas pelas características hoje conhecidas.
7.1. Centro, com a Vila Samaritana, e o Bairro São José
O povoamento oficial urbano santacruzense iniciou-se no ano de 1861/1862, dentro do todo doado por Manoel Francisco Soares ao patrimônio da Santa Cruz, e, posteriormente, em 1868, na parte oferecida pelo casal José dos Santos Coutinho e Rita Porcina de Sene – genro e filha de Manoel Francisco Soares, para o patrimônio de Santo Antonio, em torno de 22 alqueires de terras.
Documento cartorial confirma:

  • "Terrenos do Patrimônio doados a Santa Cruz e Santo Antonio e em parte dos quais estão situados a Vila de Santa Cruz e o bairro duas margens do Ribeirão São Domingos, para o patrimônio, "a Santa Cruz e Santo Antonio e em parte dos quais estão situados a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo e o bairro que faz parte da mesma vila e conhecido pela denominação de Bairro de São José e as divisas dos terrenos doados a Santo Antonio, constam do auto de pagamento na divisão judicial que nesta Comarca correu a requerimento de Valentim José Teodoro." (Cartório Oficial de Registro de Imóveis, Certidão de 08/03/2006, da Escritura Pública de 05 de fevereiro de 1903, Livro 3-L (antigo) de Transcrição das Transmissões).

O território referenciado destinava-se à formação de povoado, sob a administração da Igreja, e assim o foi até 1902, quando a Câmara Municipal votou, unanimemente uma lei, decretando a desapropriação, por utilidade pública municipal, dos terrenos urbanos, autorizando a Intendência acordar com a Vigararia a desapropriação amigável (Correio do Sertão, 06/12/1902: 1).
Após o ato, a Câmara Municipal iniciou as regularizações dos terrenos ocupados, mediante pagamento de taxa e comprovante de satisfação ao Código de Postura, observados no livro de Registro de Datas de Terrenos, 1905; e também postos a vendas chãos remanescentes.
Em 1903, parte do território urbano santacruzense estava dividido em quadras, separadas por ruas, e da mesma maneira, do outro lado do Ribeirão São Domingos, entre o Pardo e a atual Rua Coronel Antonio Evangelista da Silva, até o alto do São José, parte da hoje Rua Arlindo Crescêncio Piedade em direção ao Pardo.
Na época existiam grande número de chácaras marginais ao Pardo e São Domingos, onde ausentes os arruamentos.
7.1.1. Vila Samaritana
Dentro do todo doado por Manoel Francisco Soares ao patrimônio da Santa Cruz, formou-se um conjunto de chácaras confinado entre a Rua Joaquim Manoel de Andrade e o Rio Pardo, desde as Rua Conselheiro Dantas até a Rua Padre Pio Giocondo Lorgna.
Os principais chacareiros na região foram os senhores Fausto Vieira de Azevedo, Benedito B ou P dos Santos, Pedro Manoel de Andrade, a família Martins e José Antonio de Moraes Peixe, este cuja extensão seguia adiante das demarcações urbanas posto divisas com sua propriedade rural.
Com o fracionamento das chácaras formou-se a Vila Samaritana, nome em razão de uma fonte de água que se dizia 'com propriedades minerais', devidamente canalizada e vendida de casa em casa em garrafões e tonéis, até seu definitivo fechamento pelo médico Aparecido Rodrigues Mouco, Chefe do Serviço de Saúde, nos anos de 1960, porque a água além de não possuir as propriedades veiculadas estava contaminada para doenças hídricas.
Ainda nos anos de 1940 a Samaritana era considerada área suburbana pelo Decreto-Lei Municipal nº 1-A daquele ano; e algumas construções em terrenos contíguos abrigaram a zona do baixo meretrício, desde as desativações das casas congêneres na Rua Marechal Bittencourt.
Nos anos de 1950, a Vila Samaritana estava formada e reconhecidamente urbana, conforme Decreto Municipal de nº 92, de 09 de agosto de 1957, que desapropriou terrenos para as obras da nova Estação de Tratamento de Água da cidade:
  • "Um terreno de formato cuneiforme, de área superficial de 5.847,2 (cinco mil oitocentos e quarenta e sete metros e dois decímetros quadrados), dividindo pelos fundos com o Rio Pardo, na extensão de 44 metros; por um lado com herdeiros ou sucessores de Joaquim Paulino, na extensão de 196,70 metros. Pelas cabeceiras com Pedro B. dos Santos, e Rua Conselheiro Saraiva [parte agora denominada Padre Pio Giocondo Lorgna] na extensão de 20 metros, de propriedade de herdeiros ou sucessores de Pedro Manoel de Andrade." 
Para o mesmo objeto, também desapropriada toda a quadra de nº 7, com oito lotes dos sucessores de Fausto Vieira de Azevedo, entre o Rio Pardo e as então ruas Azevedo e Martins.
7.2. Vila Sidéria 
Sem ao certo porque o nome Sidéria, palavra grega com significado aproximado 'aquilo que se quer ou se pretende da vida', os autores encontraram possível [e discutível] relação com a ópera Sidéria do compositor brasileiro, o curitibano Augusto Stresser, sucesso em 1912, coincidência ou não ao ano do surgimento da Vila de igual nome em Santa Cruz. Stresser denominara a obra em homenagem à filha Sidéria.
A Vila Sidéria dos primeiros tempos era maior que a atual, com início desde onde atualmente localizado o templo religioso católico romano, Nossa Senhora de Fátima, consideradas informações, de 1941, quanto a localização do edifício agregado, outrora de serventia para o Colégio Apostólico Dominicano (A Cidade, 25/05/1941: 4).
No lugar hoje Praça Carlos Queiroz estava o Asilo São Vicente de Paulo e, ao lado, um parque infantil, todos então situados na Vila Sidéria, dentro da propriedade que pertencera ao engenheiro Henrique Kruzman, já considerado legalmente ausente em 1909.
A faixa considerada a inicial da Vila Sidéria tinha largueza confinada pela Rua Conselheiro Saraiva e todo os próprios da Igreja Católica, seguindo em direção à Rua Euclides da Cunha para daí, à direita, alargar-se até a Rua José Zacura, descendo em direção aos Ribeirões Mandassaia e São Domingos.
Na altura da Rua Antonio Mardegan, pela Conselheiro Saraiva, as divisas da Vila Sidéria seguiam pouco abaixo, pela Rua Regente Feijó, rumo ao Ribeirão São Domingos.
Acima da Rua Euclides da Cunha, em direção ao Ribeirão São Domingos, toda a extensão considerada Vila Sidéria foi propriedade do advogado Olympio Rodrigues Pimentel.
Algumas datas e chácaras foram postas a vendas. A partir da Rua Euclides da Cunha e Simão Cabral (antiga Rua Sidéria, depois Porto Alegre) em direção ao Ribeirão São Domingos, estabeleceram-se as famílias Cabral, Correia [Corrêa] e Ferrazini, entre outras.
Em 1931/1932 a Vila Sidéria era importante para Santa Cruz do Rio Pardo e destacada como palco de apresentações futebolísticas, no campo da Associação Operária Santacruzense que, posteriormente, cederia o lugar para a Associação Esportiva Santacruzense.
A vila teve progresso destacado nos anos de 1930 (O Trabalho, anos 1931 e 1932, edições números 17 e 50). Tal o progresso da vila e população crescente, que se pensou numa escola, e o cidadão Felippe Correia, juntamente com sua mulher, dona Martha Maria Correia, doaram ao Governo do Estado um terreno de 8 mil metros quadrados para a construção de um Grupo Escolar, consoante Lei Estadual nº 2.680, de 28 e publicada aos 29 de setembro de 1936.
A construção não se realizou e o terreno foi revertido ao doador, conforme Lei Estadual nº 731, de 12 e publicada aos 13 de junho de 1950, com as descrições que o terreno se limitava "pela frente com a Rua Maceió onde mede 100 m (cem metros), pelos fundos, com a Rua Recife, onde mede 100 m (cem metros), e pelos lados com as Ruas Porto Alegre e Manaus, tendo em cada um 80 m (oitenta metros) de extensão". 
A esclarecida faixa inicial da Vila Sidéria tornou-se centro expandido, e o território encolheu para as atuais dimensões, repartidas com a surgente Vila Santa Aureliana, formada a partir da Rua José Zacura, ou seja, adiante da Vila Sidéria.
Atualmente ampliada surgiu uma vila sequente denominada Nova Sidéria.
7.3. Jardim Umuarama
Umuarama, corruptela de 'embuarama' (embu: lugar; aram[a]: sol, com significado de bom clima), palavra de origem tupi e incorporada ao idioma português [do Brasil] em 1927, tornou-se usual para denominar locais salubres e ensolarados, distante das zonas ribeirinhas ou dos pauis. 
Na Ditadura Vargas (1930/1945) incentivou–se denominações de origem indígenas, consagradas no Decreto-Lei nº 311, 1938, disposto pela Resolução de nº 61, de 24 de julho de 1939, a qual, além de proibir a repetição dos nomes das cidades e distritos, recomendou "a preferência em adotar nomes regionais de língua indígena."
O Jardim Umuarama santacruzense tomou esse nome, para denominar o bairro residencial formado por trecho – expandido – entre a Travessa Marechal Deodoro à Avenida Joaquim de Souza Santos, confinada pela Rua Euclides da Cunha/Avenida Clementino Gonçalves e a Rua Epiphânio José Botelho.
Tal territorialidade foi desapropriada pelo Prefeito Leônidas Camarinha, para utilidade pública, pelo Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944, para fins de utilidade pública, a construção de um hospital e revendas.
As residências foram construídas no decorrer dos anos.
7.4. Vila Gonzaga
Antiga chácara situada desde a Rua Euclides da Cunha, abaixo da Rua Catarina Etsuko Umezu, tendo por fundos o Ribeirão São Domingos até a Rua Barão de Cotegipe, onde antiga chácara de Joaquim Pio da Silva, parte depois de propriedade da Família Gonzaga, onde instalada uma beneficiadora de café.
Alguns antigos mapas ditam a Vila Gonzaga desde a Rua Conselheiro Dantas, adiante da Euclides da Cunha, até as divisas com a Vila Rocha.
7.5. Vila Rocha
Tradições lembram a família Rocha proprietária de uma chácara à marginal esquerda do Ribeirão São Domingos, numa parte da qual formou-se a Vila Rocha, a partir dos anos 1920 – as primeiras construções, entre as Ruas Barão de Cotegipe, Jacinto Pedro de Oliveira até altura da Batista Botelho, em direção ao ribeirão.
Toda a área era considerada suburbana conforme depreende-se do Decreto-Lei Municipal nº 1-A.
7.6. Vila [Santa] Aureliana
A partir da Rua Conselheiro Saraiva, entre o Rio Pardo e o Ribeirão São Domingos/Mandassaia, até a Fazenda Serrinha e o Bairro Mandassaia, existiam duas fazendas situadas num todo que pertencera a Manoel Francisco Soares.
A separação entre elas, dentro do limite de suas extensões, era a estrada que, partindo da Rua Euclides da Cunha, conduzia a Espírito Santo do Turvo.
Os domínios eram conhecidos, à esquerda do divisor a Fazenda Santa Aureliana, do advogado e político Olympio Rodrigues Pimentel, e à direita as terras do engenheiro Henrique Kruzman, ausente.
A propriedade de Kruzman foi a hasta pública, citação de 1909, e arrematada por Antonio Evangelista da Silva – o Coronel Tonico Lista, que a repassou ao ruralista José Antonio de Moraes Peixe, assim conhecida como Fazenda do Peixe.
O engenheiro Kruzman residia em Campinas e adquirira a propriedade do Capitão Antonio Joaquim Gonçalves [da Silva], conforme consta no Cartório de Registro de Imóveis – SCR. Pardo, Livro 3 F (antigo) de Transcrição das Transmissões, dele à fls. 111. Transcrição 1.102 de Livro 4, do ano de 1894 – nº 1.102, de 12 de janeiro de 1894.
Por volta de 1910, Dr. Olympio – prefeito (1908/1910) e deputado estadual a seguir, transformou parte de sua fazenda em lotes para vendas, nas proximidades do perímetro urbano, e chácaras mais distantes, sob a denominação Santa Aureliana – uma homenagem à esposa.
Documento oficial, de 1912, menciona Chácara Santa Aureliana, quando da desapropriação de duas datas de terrenos, pela Lei Municipal nº 193, de 17 de setembro de 1912, sendo uma a que se limita:
  • "(...) por um lado com a estrada da Mandaçaia, pela frente com terrenos do mesmo patrimônio, pelos fundos com terrenos da Chacara Santa Aureliana, de propriedade do dr. Olympio Pimentel, e por outro lado, com a data de José Antonio Moraes Peixe, pertencente ao mesmo Dr. Olympio Pimentel, e outra, a que limita-se por um lado com a data já descrita, pela frente com terrenos do patrimônio, pelos fundos com a citada Chácara Santa Aureliana e por outro lado com a rua dr. Euclides da Cunha." (Cidade de Santa Cruz, 19/09/1912: 1. O terreno, dito propriedade do dr. Olympio Pimentel, corresponde ao atual patrimônio público, onde instalada a empresa Qualitá Veículos – referência 2012.).
A partir da desapropriação iniciaram-se alienações de lotes adjacentes à Rua Conselheiro Saraiva, para a formação da denominada Vila Sidéria.
7.7. Vila dos Oitenta
Entre os centros populacionais surgidos da Vilas Santa Aureliana/Sidéria, merece destaque a formação da Vila dos Oitenta, a tratar de loteamento inicialmente não planejado e sem autorização municipal, ou seja, clandestino, com início nos últimos cinco anos de 1950.
Em 1964 a Câmara Municipal aprovou o Projeto 36/1964, transformando-o em Lei Municipal nº 221, de 03 de setembro daquele ano, autorizando o registro e a autorização de referido loteamento, quando mais de 1/3 do loteamento já edificado, segundo consta na própria lei.
Da Vila dos Oitenta, contam as memórias, seriam oitenta lotes que o vendedor distribuiu por quadras, para a venda na condição de cada lote com imóvel construído, para um terreno vazio destinado à Municipalidade, ficando esta a responsável pela infraestrutura e construção das casas restantes.
A ideação teria sido benéfica ao loteador que viu seus imóveis valorizados, com grandes lucros, além das vantagens notoriamente indevidas, porém usufruídas, pelos responsáveis municipais.
7.8. Vila [do] Assis
Dela quase não se ouve mais dizer, porém tratava-se de território enclavinhado entre as Vilas Sidéria, Santa Aureliana e Vila dos Oitenta, aliás, junto a esta surgida no segundo quinquênio de 1950, legalizada, ao contrário da Vila dos Oitenta.
Originou-se de uma chácara pertencente à Família Assis, e a referência legal maior à sua existência surge em Lei Municipal nº 96, de 24 de agosto de 1960, que especifica e denomina Via Pública e dá outras providências: "Fica denominada Rua 'Clemente Ferreira', a rua que partindo da Rua José Zacura, no ponto final da Rua Padre Figueira, segue em direção da Vila Assis, nesta cidade." 
7.9. Vila São Judas Tadeu
Mensagem do Prefeito Cyro de Mello Camarinha, à Câmara de Vereadores, 1953: 15, menciona entre as vilas de Santa Cruz a São Judas Tadeu.
Sem melhores esclarecimentos, a vila era um apêndice adiante da Vila Santa Aureliana, depois ampliada entre as Avenida Clementino Gonçalves e a Carlos Rios.
7.10. Outras vilas originárias da Fazenda Santa Aureliana
Atualmente o todo da antiga Fazenda Santa Aureliana compreenderia outros conjuntos habitacionais, como o Jardim Eleodoro (I e II), Residencial Eldorado, Residencial Morada do Sol, Jardim Viviane, Residencial Graúna e projetos futuros.
7.11. Água dos Pires
Loteamento rural para a Vila Zerrener, no lugar denominado Fazenda dos Pires, anunciado aos 22 de fevereiro de 1921: "Fazenda dos Pires – (Villa Zerrener) – Comunico aos pretendentes que já estão sendo cortados pelo agrimensor os lotes de terrenos da fazenda dos Pires e que restam poucos à venda. Americo França Paranhos" (Cidade de Santa Cruz, 13/03/1921: 6).
A Fazenda dos Pires, mais propriamente Fazenda Água do Pires, tem sua origem histórica em 1857, quando José da Costa Allemão Coimbra, a adquiriu de Francisco de Paula Moraes, genro de José Theodoro de Souza (DOSP, 18/09/1909: 4310-4311), e nela desde então a sede da propriedade.
7.12. Parque das Nações
No ano de 1977, pelo Decreto Municipal 162, de 06 de outubro, foi aprovado o loteamento denominado Parque das Nações, zona rural – Sítio Água dos Pires, de propriedade de Paulo Dias Cassiano, pela empresa Paulo Dias Cassiano Loteamento de Imóveis S/C Ltda.
Situado dentro da antiga Fazenda Água dos Pires, desmembrado e adquirido quando do loteamento Vila Zerrener.
Sem a infraestrutura necessária e sem cumprimento às leis da época, o Parque das Nações tornou-se um projeto falido e praticamente esquecido pelas administrações públicas em prejuízo aos compradores.
Ainda em 2010 o bairro era carente de melhorias e sua população explorada politicamente em períodos eleitorais.
7.13. Bairro da Estação
As primeiras residências foram para os trabalhadores da Estrada de Ferro Sorocabana, com aquisições e desapropriações de datas de terras.
Os melhoramentos incentivaram construções, para familiares e agregados de fazendeiros na região. No ano 1915 algumas casas são vistas nas imediações da via férrea.
Nos anos de 1930, parte da família Beguetto possuía terras e residia acima da estação ferroviária. Logo predominaria população italiana ruralista naquele bairro entremeado de chácaras.
7.14. Vila Popular
O aluguel residencial em Santa Cruz do Rio Pardo era extremamente caro e havia déficit de moradias. Alguns poucos proprietários, como Antonio Alves Farias, concentravam dezenas de casas, de padrões variados, para os interessados.
Com o êxodo rural experimentado em 1960 o problema agravou-se, e surgiram os bolsões de miséria nas periferias mais concentrados no alto do Bairro São José, e acima do Bairro da Estação. Era o fenômeno da favelização.
Para corrigir distorções, o governo optou por conjuntos residenciais prontos e voltados para a população carente, ou seja, projeto de casas populares ou da desfavelização.
A Vila Popular, acima do Bairro da Estação, foi uma das experiências.
Posteriormente a região foi expandida com outros conjuntos residenciais, de iniciativa pública e privada, conforme demandas, para os surgimentos do Jardim Santa Cruz, Conjunto Habitacional Luiz Brondi, Conjunto Habitacional Nagib Queiroz, Núcleo Habitacional Ettore Cortela, Conjunto Habitacional João Piccin, Parque Itaipu (iniciativa privada), Núcleo Habitacional Oswaldo Cortela, Jardim Vista Alegre, o Conjunto Habitacional Frei Lorenzetti e Jardim São João.
7.15. Vila [do] Saul
O Capitão Saul Ferreira de Sá teria vendido sua propriedade à família Garcia, que rapidamente a fracionou partes em datas e chácaras colocadas a vendas.
A área era parte da Fazenda São Domingos, de Manoel Francisco Soares e sucessores, principalmente Balthazar de Abreu Sodré, após 1908. Divisava com as terras de Matias Ban, através da estrada Santa Cruz – São Pedro do Turvo.
As datas, próximas umas das outras, ficaram conhecidas ainda antes 1920 como a Vila do Saul – depois Vila Saul, referência e homenagem ao antigo proprietário.
7.16. Parque São Jorge
Outrora parte integrante, tal qual a Vila Saul, da primitiva Fazenda São Domingos, o bairro residencial denominado Parque São Jorge foi propriedade da família Kawabata que optou pelo loteamento no final dos anos de 1980 e início de 1990.
7.17. Vila [do] Matias
Mathias Ban, iugoslavo naturalizado brasileiro, residente em Santa Cruz, fazendeiro, proprietário de curtumeiro e fornecedor de água nas residências. Vendeu seu Curtume em 1951 aos Irmãos Rodrigues.
Após a venda do estabelecimento, Mathias Ban iniciou loteamento de uma área acima do Ribeirão São Domingos, atualmente à esquerda da Avenida Dr. Pedro Camarinha, o documento abaixo transcrito mostra o início do loteamento:
  • "Benedicto Villas Boas, Oficial Maior do Cartório do Registro Geral de Hipotecas e Anexos da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo. Estado de São Paulo, etc."
  • "Faz Saber que, pelo Sr. Mathias Ban, brasileiro naturalizado, casado, proprietário, residente nesta cidade, foi depositado neste cartorio o memorial e mais documentos referentes a venda em lotes à prestações, por oferta publica, dos terrenos de sua propriedade denominado 'vila Mathias' na Fazenda São Domingos e Monjolinho, deste municipio e comarca com a área de 7 alqueires, ...2... milesimos do alqueire de terras. Iguais a 18 ha. 93 a. e 94,5 ca. que correspondem a 189.394,50 mts 2 com 334 lotes, que faziam parte da Fazenda São Domingos e Monjolinho, nos suburbios desta cidade com a área total de 12 alqueires de terra, anexo ao perimetro urbano desta cidade, adquiridos pela transcrição numero 1.654, feita em 2 de abril de 1932, neste cartório, ficando a área loteada com as seguintes divisas e confrontações: - ‘começa na estaca O, cravada ao lado esquerdo da estrada de rodagem que vai de Santa Cruz do Rio Pardo à São Pedro do Turvo, distante da ponte, na rua Conselheiro Dantas 115 metros e onde existe uma cerca de arame na divisa com a firma comercial 'Irmãos Rodrigues Ltda'; daí segue acompanhando a referida estrada de São Pedro do Turvo no rumo de 21º N.O. na distancia de 709 metros, confrontando com a ‘Vila Saul’ até a estaca numero 1: daí segue no rumo de 59º 00’ S.O., na distância de 384 metros confrontando com o proprio Mathias Ban até a estaca numero 2 cravado junto a uma cerca de arame; daí segue pela cerca de arame nos seguintes rumos e distâncias: 30º 38’ S.E., em 188 metros; 83º 45’ N.E., em 160 metros e 38º 00 S.E., em 459 metros, confrontando com Agostinho Santana até a estaca numero 5 e daí continua por cerca de arame no rumo de 59º 00 N.E. na distância de 182 metros, confrontando com a firma comercial 'Irmãos Rodrigues Ltda.', até o ponto inicial destas divisas e confrontações."
  • -(DOSP, 06/01/1952)
Outros loteamentos adiante da Vila Mathias – Matias, foram formados a exemplos do Jardim Brasília, Jardim Santana (I, II, III), Jardim Bela Vista, Jardim União e Jardim Planalto.
7.18. Vila [do] Fabiano
Terras de Antonio Fabiano da Silva, aonde outrora a Fazenda do Coronel João Baptista Botelho e depois sua viúva Guilhermina Brandina da Conceição, a partir das atuais divisas com o Bairro São José e num enclave entre as propriedades de Donato Carlomagno – Fazenda União propriedade atual de Aquino Rosso, e as chácaras ou sítios de Abílio da Silva Jardim e Família Tokomoto.
Nos anos de 1950/960 a propriedade foi transformada em loteamento, e em 1967 o então Prefeito Carlos Queiroz foi autorizado, por Lei Municipal nº 417, de 30 de junho daquele ano, a desapropriar toda a quadra 25 do Loteamento Vila Fabiano, por utilidade pública, limitada entre as ruas Santa Maria [hoje David Pinhata], São José e Francisco Carlomagno [antes Santa Anna].
7.19. Vilas Madre Carmem e Maristela
Pela Lei Municipal 316, de 23 de setembro de 1966, Santa Cruz aderiu ao Plano Nacional de Habitação - COHAB [Companhia de Habitação Popular Bauru], para construções de casas populares, e o conjunto recebeu a denominação de Vila Madre Carmem.
Para as obras o Prefeito Carlos Queiroz 'teria sugerido' a formação de construtora, em nome de Osvaldo Cortella, Joaquim Severino Martins e Mário Figueira, sob a denominação de fantasia 'CORMAF', empresa que se tornaria célebre pelos seus contratos públicos para construções populares, com mais de treze mil construções, tornando ricos os seus proprietários, especialmente Joaquim Severino Martins – pedreiro e construtor, envolvido em política, primeiro como vereador, depois prefeito e vice-prefeito, cacique partidário e um dos homens mais influentes de Santa Cruz do Rio Pardo nos anos 1970 e 1980.
Adiante da Vila Madre Carmem formou-se a Vila Maristela a divisar com a Fazenda União, de Aquino Rosso, e o atual Recinto de Exposições José Rosso – doação do mesmo Rosso.
7.20. Bosque dos Eucaliptos
Loteamento semiurbano promovido por Aquino Rosso Filho, nos anos de 1980, destinado a grandes e luxuosas construções.
7.21. Favelas em terrenos da USP
A Universidade São Paulo – USP tornou-se proprietária de terras advindas de Francisco Estevão, e nelas se pensou, até, as futuras instalações de faculdade estadual – Instituto de Letras e Filosofia, pretensão vetada em 1957 pelo governador paulista, Dr. Jânio da Silva Quadros, em represália ao político santacruzense Leônidas Camarinha.
O abandono dos terrenos favoreceu proliferação das favelas denominadas 'Divinéia' e 'Esqueleto', depois com início de urbanização pelo prefeito Onofre Rosa de Oliveira (1983/1988), concluída pelo sucessor, Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho (1989/1992 e 1997/2000).
As melhorias introduzidas por Teixeira Coelho foram inauguradas pelo prefeito Adilson Donizeti Mira (2001-2008), apropriador político da desfavelização.
O 'Esqueleto' teve a denominação para Vila Bom Jardim e 'Divinéia' tornou-se Vila Divinéia.
A USP transferiu/formalizou os terrenos, novamente, para a municipalidade.
7.22. Vila Joaquim Paulino
Pequeno loteamento, conforme Lei Municipal nº 99, de 24 de agosto de 1960, confinado entre terrenos litigiosos da Vila ou Chácara Peixe, formado adiante da atual Avenida Joaquim de Souza Campos, divisava com a mesma a Chácara Peixe e por ela cercado, "A rua da Vila Peixe que parte da avenida Cel. Clementino Gonçalves em frente à rua José Zacura e corta três vias ainda sem denominação, em direção à Vila Joaquim Paulino, fica denominada: 'Avenida Joaquim de Souza Campos'-." 
7.23. Jardim Alvorada
Decreto Municipal 396, de 10 de junho de 1965, aprovou o plano de loteamento do 'Jardim Alvorada', na zona rural periférica do centro urbano, na 'Chácara Peixe', sendo incorporadores Fernando Tonini Filho, Ernesto Tonini, Luiz Tonini e cônjuges, proprietários dos respectivos terrenos. O Jardim integrou-se à Joaquim Paulino e Chácara Peixe.
7.24. Chácara [do] Peixe
Com a morte do José Antonio de Moraes Peixe, por assassinato, em 13 de setembro de 1913, sem herdeiros diretos, sua esposa e meeira tornou-se amante do patriarca santacruzense da família Souza Campos, segundo as tradições, e a este a viúva Moraes Peixe, Dona Emerenciana, entregara os seus bens, posteriormente repassados aos descendentes Souza Campos.
O Juiz de Direito ou Desembargador Azer ou Aser de Souza Campos, recebeu a área por doação de seus pais – Joaquim [Paulino] de Souza Campos e Azeneth Martins de Campos – em 1927, denominada 'Chácara [do] Peixe', contendo na época uma área total de 95 alqueires paulistas, que no cartório recebeu a transcrição de nº 5.240 em 1938, e os outros sucessores repartiram entre si a hoje denominada Vila Joaquim Paulino e outras propriedades urbanas.
O Decreto Municipal nº 12, de 20 de dezembro de 1940, houve por bem desapropriar terras da família Souza Campos, para utilidade pública, um pacote de obras que envolvia a construção de um estádio de futebol e a como a construção de um parque infantil.
A área a ser desapropriada situava-se entre:
  • "Rua Benjamin Constant transversalmente, com terreno da Igreja - dos Padres Dominicanos, com a Rua Prudente de Moraes [atual José Epiphânio Botelho] transversalmente, com terreno da Associação Vicentina, com a Rua Quintino Bocaiuva transversalmente, com terreno de João Scarpin ou seus sucessores, com a Rua Euclides da Cunha e estrada de rodagem ao Distrito de Espírito Santo do Turvo." 
Em 1944 ainda não eram definidas as confrontações da Chácara Peixe e da Vila Joaquim Paulino, tanto que no Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944, desapropriatório de partes de terras entre outras, aquelas de propriedades de:
  • "Azeneth Martins de Campos, Eufraim de Campos, Aser Martins de Campos, Diná Martins de Campos, Genésio Boamorte e sua mulher Lia de Campos, "herdeiros e sucessores de Joaquim de Souza Campos, situado na zona rural, na 'Chácara Peixe' ou 'Joaquim Paulino', dentro das seguintes divisas; (...)", citando Elias Gaigher, João Scarpin – pelos sucessores, consoante Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944, e a área loteada Vila Joaquim Paulino.
A desapropriação não foi amigável, considerando contestações ao ato – Processo nº 50.585, por Azeneth Martins de Campos e outros, e o Processo 50.853, por Azer Martins de Souza Campos e outros (DOSP - Judiciário, edições diversas), com imediata disputa judicial, prosseguinte pelos sucessores, em parte encerrada no ano de 2010 e outra ainda por decidir.
Algumas datas da Chácara Peixe foram adquiridas, sem escritura definitiva, ou apossadas, em pontos esparsos, sendo que nas proximidades onde a erosão famílias pobres se estabeleceram para sobreviver do lixo urbano ali jogado, desde a faiscagem [catanças] do lixo às criações de suínos.
Na Administração Aniceto Gonçalves (1977/1982), a Chácara Peixe foi aberta a porteira que limitava o expansionismo urbano adiante da Rua Conselheiro Saraiva. A partir daí aconteceu especulação imobiliária com as vendas de terrenos, construções de imóveis residenciais modernos, ainda que sem a legalização do empreendimento e sem a necessária infraestrutura.
As primeiras escrituras definitivas de terrenos e casas aconteceram em 2010, muitas ainda em processo de regularização, e questionadas pelos herdeiros e sucessores das famílias consideradas proprietárias originais.

Um comentário:

  1. O conteúdo é muito bom mas o designer do blog poderia melhorar e a letra dos textos poderia ser aumentada, também poderia conter algumas imagens nas laterais dos textos.

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