SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

1895 - A IMPRENSA

I – Imprensa escrita
O jornalismo santacruzense teve seu início ainda no século XIX (1895), justificado pela promissão do município em relação ao seu desenvolvimento, portanto centrado na produção capitalista, através de um grupo intelectual formado de profissionais liberais.
A história local e regional encontra-se, nas páginas dos jornais santacruzenses, a contar de 1902. Antes disto é preciso recorrer aos jornais paulistanos, de cidades paulistas mais antigas, dos provinciais (estaduais) ou aos almanaques e publicações em Diários Oficiais a seu tempo.
Dos recursivos locais somente foi possível resgatar acontecimentos graças a Adair de Almeida Junior – funcionário público do Poder Judiciário, colecionador de exemplares, vocação herdada do sogro, o escrivão de polícia Cyro de Oliveira. Para o acervo dos autores, também de importância os números conservados pelo funcionário público municipal, Elias do Carmo. A estes nomes os autores acrescentam Geraldo Vieira Martins Junior, responsável pela cessão de grande parte das cópias dos hebdomadários locais.
Muito valiosa, também, a cooperação da funcionária pública municipal, Maria Helena Cadamuro, responsável pelo Museu Municipal de Chavantes - SP, que em 2011/2012 disponibilizou seu acervo particular com cópias do Correio Paulistano.
A estes nomes, o reconhecimento dos autores, cientes que o trabalho proposto estaria incompleto sem tais contribuições.
A história santacruzense, para o resgate completo, deve muito aos jornais da grande imprensa, editados nas capitais de diversos estados e cidades maiores, disponibilizados pela Biblioteca Digital Nacional - http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx, e pelo Arquivo do Estado de São Paulo - http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/jornais_revistas, e outros órgãos de informação, todos referenciados, inclusive quando acervos próprios de empresas jornalísticas.
 Dos conhecidos informativos santacruzenses:
1.  'O Paranapanema' – 1895
'O Paranapanema' foi o primeiro órgão de imprensa escrita em Santa Cruz do Rio Pardo, lançado aos 30 de novembro de 1895, sediado à Rua Saldanha Marinho, e dele encontrado o primeiro e talvez único número, junto à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, graças ao exemplar salvo pelo bibliófilo Plínio Doyle, sendo a cópia obtida e apresentada pelo casal Celso e Junko Sato Prado:
  • "Antes, imaginava-se que o 'Correio do Sertão', de 1902, seria o primeiro jornal da cidade. Agora, porém, sabe-se que 'O Paranapanema', que começou a circular no final do século XIX, foi o pioneiro" (Debate, 04/06/2006, Primeiro jornal de Santa Cruz data de 1895: 'O Paranapanema', matéria assinada por Sérgio Fleury Moraes). Raul da Silva, advogado provisionado, assinou como editorialista e escreveu 'Nosso Rumo' com os esclarecimentos: "Vencidas as muitas dificuldades que se apresentaram à realização da idéia de uma imprensa nesta localidade, surge hoje em Santa Cruz do Rio Pardo o seu primeiro periódico".
O nome 'O Paranapanema' vinculava-se às dimensões territoriais do município de Santa Cruz do Rio Pardo, ao longo daquele rio, desde a barra do Itararé à atual localidade de Salto Grande.
Otimista, o editor Raul da Silva considerava que o município "está indubitavelmente predestinado a ser futuramente a maior fonte de riquezas deste Estado", pela fertilidade de seu solo.
Não se tem notícias por quanto tempo circulou 'O Paranapanema' em Santa Cruz, ou edição única.
2.  'Correio do Sertão' – 1902
Sob a direção de Antonio Galvão, oriundo da Tribuna Popular da localidade de Itapetininga, o 'Correio do Sertão' foi inaugurado em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 11 de março de 1902, com o propósito em ser independente, apartidário e imparcial:
Bastante mencionado neste trabalho, 'O Correio do Sertão' dispensa apresentações ou quaisquer outras citações, senão a lembrança que seu apartidarismo perdurou pouco mais de um mês de existência, já posicionou-se contra o Diretório dominante – PRP e seus dirigentes, com forte tendência de ataques pessoais às famílias Sodré e Costa. Foi o grande refletor de uma época de extrema violência política em Santa Cruz, o próprio órgão vítima de episódios de gênero.
As desavenças com as famílias Costa e Sodré e a exacerbada intromissão política tornou polêmico o 'Correio do Sertão' desde abril de 1902 a dezembro de 1903.
Tratava-se, apesar disto, de semanário representativo da época, inclusive com especial atenção à colônia italiana, para a qual abriu a seção no próprio idioma.
3.  'O Progresso' – 1904
Instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo no mês de março de 1904, como órgão republicano, dirigido por José A. Pereira Junior, identificado como sobrinho de Antonio Galvão, o diretor proprietário do Correio do Sertão.
Ao contrário do Correio do Sertão, tratou-se de semanário apologético ao partido comandado pelas famílias Costa e Sodré, refletido em seus editoriais e ataques aos políticos adversários.
O semanário 'O Progresso', tendencioso, não mencionou os acontecimentos políticos do período, e nem a mutilação histórica santacruzense, por não interessar ao Diretório chefiado pelo Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré.
4.  'Correio de Santa Cruz' – 1908
Folha dominical a partir de março de 1908, sob a responsabilidade de Sebastião Lino Marianno.
O semanário revelava-se simpatizante ao então Capitão Antonio Evangelista de Souza, o Tonico Lista, o presidente do diretório político municipal perrepista.
Era custeado pelo poder público, destinado a reproduzir atos oficiais da municipalidade.
A despeito de elogioso ao PRP, não atacava os adversários políticos.
5.  'Cidade de Santa Cruz / A Cidade (...)'
A imprensa interiorana do início do século 20 era financiada ou custeada pelos partidos políticos, sendo comum, mesmo nas pequenas localidades, dois hebdomadários de posições diferentes.
Nem todos os semanários eram aceitos pelo público, mas quase todos alfabetizados liam as notícias nos dois informativos.
  • Alguns informativos eram tão associados com o leitor que se encerrada a sua circulação outro 'jornal' seria fundado, o qual, de alguma maneira procuraria associar-se à denominação consagrada.
Assim foi com o semanário 'Cidade de Santa Cruz', fundado em 1909 e que circulou quatorze anos, com tantos diretores proprietários, até ser substituído, em 1923, por novo órgão, 'A Cidade', que ensaiou linha própria em algumas edições, mas não tardou evocar identificação com o 'Cidade de Santa Cruz' e a usurpar-lhe o tempo, em anos e números.
Em 1939 a empresa editora experimentou, ainda, 'A Cidade Comercial', espécie de publicação especial da folha 'A Cidade', além de edição de 'O Garoto', voltado, assim dito, ao público infantil.
5.1. 'Cidade de Santa Cruz' – 1909
Em janeiro de 1909 surgiu o periódico 'Cidade de Santa Cruz', órgão vinculado ao Partido Republicano, de propriedade e direção do Dr. Joaquim Silvado, advogado e também Inspetor Escolar.
 O semanário situava-se na Praça da Liberdade, ou Largo do Jardim, imóvel sob o nº 17.
Nascido órgão republicano tornou-se independente, na sua identificação, porém fortemente político, e teve diversos diretores proprietários ou responsáveis, uma mudança de nome ao longo da existência, conhecido também como o Jornal dos Taveiros, alusão ao nome da família que mais tempo o dirigiu.
A fundação do hebdomadário aconteceu com o Coronel Antonio Evangelista da Silva ascenso ao poder santacruzense.
Saber das notícias, tendenciosas ou não, pelo 'Cidade de Santa Cruz', ou simplesmente 'A Cidade', ainda hoje é vivenciar a história local e um tanto regional, por meio século, de informações gerais, de políticas, de intrigas sociais e a evolução ou involução do próprio município com seus ganhos e perdas.
Aos 04 de julho de 1911 o 'Cidade de Santa Cruz' apresentava seu novo responsável, o 'Dr. José Bulcão', advogado e contabilista [guarda-livros]. O hebdomadário não mudou o seu perfil republicano.
Em 10 de março de 1912 'Dr. José Bulcão' não era mais o responsável pelo hebdomadário, substituído pela 'Empresa Bastos e Cia, sendo seu Gerente L. Bastos', e a redação e oficina transferidas para a Rua Saldanha Marinho, nº 33.
Bulcão 'readquiriu' o Semanário, por compra, conforme noticiado em 20 de maio de 1913, e é, também, proprietário da Casa Bulcão, uma livraria e papelaria à Praça da República nº 1.
5.2.  'Cidade de Santa Cruz' – 1920
Em 1921 o 'Cidade de Santa Cruz' estava sob a responsabilidade de 'M. Faria Valença', conforme edição de 06 de fevereiro, sendo o início do semanário – ano I em dezembro de 1920, portanto não vinculado ao 'Cidade de Santa Cruz' original, fundado em 1909.
Sem melhor explicação, no entanto, a edição de 13 de março de 1921 atribuiu ao semanário 'ano XII', vinculando-o desta maneira à folha homônima fundada em 1909.
A edição de 09 de novembro do ano 1921 revela que o 'Cidade de Santa Cruz' estava arrolado no espólio de 'M. Faria Valença', sendo redator o Avelino Taveiros e colaboradores diversos.
Dois anos depois, em 1923 – no pretenso 14º ano de circulação, conforme arquivos, o hebdomadário 'Cidade de Santa Cruz' estava substituído pelo 'A Cidade', sob a direção de J. A. Campos e Cia, mantendo a referência anual (Ano XIV), e com a mesma sequência numérica para suas edições.
5.3.  'A Cidade' – 1923
No ano de 1923, de acordo com exemplar de 18 de setembro de 1923 (ano XIV nº 134), a circulação do semanário 'A Cidade', Órgão do Partido Republicano, informava-o propriedade de 'J. A. Campos e Cia', aparentemente sucessor do 'Cidade de Santa Cruz', e assim a prosseguir até a edição de 03 de novembro de 1923 (Ano XIV nº 141).
As edições seguintes, de 10 de novembro (Ano XIV nº 142) a 26 de novembro do mesmo de 1923 (Ano XIV nº 144) circularam sem a identificação de qualquer responsável.
C. Martins assumiria a direção, como Diretor Gerente do 'A Cidade' em 1º de dezembro de 1923, e nesta condição permaneceu, pelo menos, até 11 de dezembro de 1924 (Ano XV nº 192), respeitada a coleção incompleta dos autores, sendo que em 05 de março de 1925 (Ano XV nº 203) surgia no nome de F. Bressane Cunha, como Diretor Gerente.
Após Bressane Cunha, sem nenhum outro indicativo de qualquer nome intermediário, na edição de 20 de setembro de 1925 (Ano XVI nº 231), apareceu o nome de Avelino A. de Oliveira Borges, como Gerente, Avelino Taveiros como Redator e Dr. Vasco de Andrade como Redator Político, sendo que na edição de 28 de março de 1926 já não constava o nome de Oliveira Borges, mantendo-se, no entanto, inalterados os redatores.
Na circulação de 02 de maio de 1926, Carlos Rios estava Diretor do Semanário (Ano XVII nº 263), continuando os mesmos redatores. Rios permaneceu pouco tempo, substituído por Oscar F. Ramos (Ano XVII nº 270), com esclarecimentos da troca de Diretores, e a justificativa para a saída de Rios: "Multiplos negocios commerciaes reclamam a presença desse nosso auxiliar privando-nos por esse motivo da sua valiosa collaboração".
Até a edição de 19 de outubro de 1930 a equipe do 'A Cidade' (Ano XXI nº 494) circulava sob a direção de Oscar F Ramos, redação de Avelino Taveiros a redação política ao encargo do Dr. Vasco de Andrade. Estava o auge da conclamação revolucionária de 1930 e que traria significativas mudanças políticas para Santa Cruz e região – a revolução de 1930.
A ausência de exemplar nº 495, na coleção dos autores, não permite juízo algum, mas a edição de 31 de maio de 1931 compreende ao ano XXII nº 496, a evidenciar um período que o hebdomadário deixou de ser editado. A referida edição nº 496 trazia Avelino Taveiros como redator, e o filho Renato Taveiros como Diretor [proprietário] do 'A Cidade'.
  • Renato Taveiros e 'A Cidade' locupletaram-se. De órgão republicano o semanário tornou-se noticioso e independente, em 1933, assim definido num exemplo ao acaso, a edição de 02 de abril de 1933, todavia vinculado ao poder local, ao qual Taveiros sempre presente, inclusive Chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo cargo para o qual nomeado pela Lei n 03 de 28 de janeiro de 1948, mediante aprovação em concurso de provas, realizado em 23 de janeiro de 1948.
A família Taveiros, por Avelino Taveiros, desde 1921 responsabilizava-se pela redação do semanário 'A Cidade' ou 'A Cidade de Santa Cruz'. José Herculano Pires (jornalista, filósofo, educador e escritor espírita), em 1933 agradecia Avelino Taveiros, face da acolhida à sua obra pelo Jornal 'A Cidade de Santa Cruz'  (Herculano Pires, 2005: 72).
A nominação 'Cidade de Santa Cruz' para o semanário em 1933, quando o nome era 'A Cidade', isto demonstra o vínculo desejado entre as duas folhas.
Como o último exemplar, nos arquivos dos autores, consta a edição de nº 1909 – (Ano XLIII, publicação de 18 de agosto de 1957), sob a direção de Renato Taveiros e redação de Wladimir Rui Taveiros.
O cabeçalho informa 1909 o ano da fundação do hebdomadário, com redação, oficina e administração situadas à Rua Marechal Bittencourt nº 383.
O lema consagrado pela família Taveiros: "A liberdade não morre enquanto restar uma folha de papel".
5.3.1.  'Garoto' – 1935
O 'Garoto' surgiu como suplemento infantil vinculado ao semanário 'A Cidade', com circulação iniciada em 1935.
Apesar da proposta de circulação tratava-se de órgão bastante politizado e polêmico, com publicações de manifestos e orientações políticos satirizadas sobre apelidos de pessoas na época..
 Observa-se que o tema discorrido somente poderia ser entendido por pessoas da época, pois nada diz para o tempo presente, e não restaura ideias.
5.3.2.  'A Cidade Comercial' – 1939
Em 1939 a empresa editora do hebdomadário 'Cidade de Santa Cruz', cujo nome associado à folha 'A Cidade', foi responsável pelo lançamento do 'Cidade Comercial', tabloide com folhas encartadas, espécie de revista ilustrada, genuinamente política e de extremado partidarismo ao líder Leônidas 'Lulu' Camarinha.
Para a 'Cidade Comercial' Santa Cruz tudo devia a Leônidas Camarinha, inclusive a pujança comercial e para isto criada, divulgando o potencial local na expectativa de atrair indústrias e empresas empregadoras e que fizessem crescer o município.
Tratava-se de periódico endereçado aos leitores mais esclarecidos, com atrativo para hábito da leitura e tratamento de questões essenciais para sociedade entrante nos anos de 1940, sob pontos de vistas cultural e ético acoplado à história desenvolvimentista.
Pode-se dizer que era publicação midiática para bons assuntos, cumprindo-lhe processo ufano varguista da época, comum à imprensa interiorana, e evidenciava Santa Cruz envolvida com a responsabilidade em contribuir para um Brasil melhor.
A existência de poucos exemplares ainda disponíveis evidencia que era um informativo distribuído em outras regiões, a propagandear o político Leônidas Camarinha; como informe apologético, todo colorido e bom de se ler.
6.  'Sul Paulista' – 1910
Bi-semanário fundado em 1910, sob a direção de José Wernek, o 'Sul Paulista' foi veículo informativo de uma só folha, frente e verso.
O endereço era na Rua Visconde [atual Barão] do Rio Branco, nº 17, telefone nº 32.
Nos números disponíveis das edições do Sul Paulista foram poucos os assuntos locais efetivamente relatados e interessantes, prevalecendo publicações e transcrições de notícias de outras localidades, com dropes noticiosos.
O bi-semanário também publicava mensagens de boas-vindas a ilustres chegadores, editais e informes   publicitários.
A partir de 1914 / 1915 o Sul Paulista foi transferido para Ilha Grande – Ipaussu, sob a direção do mesmo Werneck.
7.  'A Ordem' – 1911
No município circularam dois hebdomadários com essa mesma denominação, em épocas diferentes: 1911 e 1921, respectivamente, de partidos políticos e proprietários diferentes.
7.1.  'A Ordem' – 1911: fase I
No mês de setembro de 1911 surgiu o semanário 'A Ordem', do diretor proprietário Sebastião Lino Mariano, tratando-se de Órgão do Partido Republicano Conservador – PRC.
Em Santa Cruz o 'PRC' surgiu do esfacelamento político do grupo 'sodrelista' do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, e assim manter oposição ou tornar-se opção em relação ao PRP de Antonio Evangelista da Silva – o Tonico Lista.
Com o desaparecimento de seus tradicionais nomes estaduais e nacionais, 'A Ordem', como Órgão de informação e divulgação do PRC perdeu sua razão de existir, e, aparentemente extinto, até que os partidários santacruzenses remanescentes procuraram nova sigla partidária, o Partido Municipal, fundado em Santa Cruz em 13 de março de 1921, para fazer oposição ainda ao Coronel Antonio Evangelista da Silva.
7.2.  'A Ordem' – 1921: fase II
Um mês depois, aos 14 de abril de 1921 o novel partido político em Santa Cruz do Rio Pardo fazia ressurgir o nome 'A Ordem', como seu órgão oficial. Na publicação de 02 de junho de 1921, constam as razões do seu surgimento e a justificativa para atraso em referida edição: "Acham-se definitivamente installadas nesta cidade, no Largo da Independencia, as officinas  d'A Ordem e d'A Razão, semanarios respectivamente, da facção dissidente deste municipio e do de Ourinhos, desta Comarca".
Estava, portanto, reinaugurado o semanário 'A Ordem', ou seja, o aproveitamento do mesmo nome ou sua ressurreição para se tornar porta-voz do Partido Municipal, veementemente crítico ao PRP comandado por Antonio Evangelista da Silva – Coronel Tonico Lista, e, principalmente, à pessoa deste.
'A Ordem', nesta segunda fase de existência, foi o principal veículo informativo das desgraças do Coronel Lista e de seus aliados, valendo-se da força do Partido Municipal, reproduzindo praticamente na íntegra todos os processos contra Lista e valorizando cada um dos testemunhos de acusação.
Em 1921 o hebdomadário circulou com 'redactores diversos' até que no exemplar ano II nº 61, de 10 de agosto de 1922, consta seu proprietário Teo Franco, sem precisar desde assumida a responsabilidade.
8.  'O Municipio' – 1913
Hebdomadário identificado como Órgão do Partido Republicano, teve início em maio ano de 1913, sob a responsabilidade de José Werneck, o mesmo diretor do Sul Paulista, e era confeccionado na mesma oficina de 'O Sul Paulista', sob identificação: "O Municipio é propriedade de uma associação e publica-se aos domingos. O formato do Município será o dobro do actual, tendo sido encommendadas machinas de grande formato".
Apresentava-se, portanto de um semanário com uma só folha, ou seja, duas páginas, no idêntico formato e estilo que O Sul Paulista, inclusive os mesmos anunciantes e apresentações.
9.  'O Contemporaneo' – 1915
Teve como redator chefe, Raymundo Vianna, e Redator Secretário, Luiz O. de Souza, estreante em 1º de maio de 1915, para tornar-se um semanário de ampla circulação, concorrendo com o 'A Cidade'; sua redação e oficinas situavam-se à rua Coronel Emygdio José da Piedade.
'O Contemporaneo' tornou-se exemplo de jornal bem feito, informativo e, efetivamente, dedicado aos interesses do município, com notícias críticas e sugestivas, com aparência de neutralidade política, sem qualquer vínculo partidário.
Após 12 de junho de 1915, no entanto, negociou-se o controle do semanário para o Partido Republicano, anunciado em seu número 13, de 31 de julho de 1915, como "gerenciado por uma empreza" – e o redator gerente é o Raymundo Vianna. Após a passagem do semanário ao controle republicano, manteve o estilo noticioso, mas não mais independente conforme observado nas referências dadas ao Antonio Evangelista de Souza e demais membros do partido.
10.  'O Trabuco' – 1921
Semanário de oposição foi fundado em 1921, de acordo com requerimento dos responsáveis ao Prefeito Coronel Antonio Evangelista da Silva, que se dignasse "admmitil-os a assignarem o termo de responsabilidade de redactores responsaveis do jornal critico, humoristico e litterario, 'O Trabuco', impresso na Casa Gomes, desta cidade"; expediente assinado pelos redatores Benedicto Andrade e Francisco Bressane da Cunha,
A solicitação de 14 de junho de 1921, teve despacho de Tonico Lista na mesma data: "Como requer. SCruz do Rio Pardo 14 de junho de 1921 - Antonio Evangelista da Silva".
Já na edição de 23 de outubro de 1921 de 'O Trabuco' trazia veemente publicação sobre a prisão de Tonico Lista, classificando-o de bandido.
Sem se importar com decisão da Justiça a favor de Tonico Lista, o Trabuco, em 1922, sob a responsabilidade de Benedicto Andrade, Francisco Bressane da Cunha e João Padua Fleury, consolidava-se o inimigo mais implacável de Tonico Lista, acusando-o de violências cometidas no passado e o então presente, estando o semanário declaradamente ao lado dos partidários municipalistas – Partido Municipalista de Arlindo Crescencio Piedade, ou seja, dos opositores a Lista e o PRP.
O redator João Padua Fleury, um dos responsáveis pelo Trabuco, participou do célebre tiroteio  de 29 de abril de 1922, defronte a Câmara Municipal, e teria assassinado o dito capanga de Tonico Lista, João de Paula Garcia, um dos três mortos na refrega..
Das desavenças geradas entre Lista e os redatores do Trabuco aconteceriam desdobramentos posteriores à morte do próprio Coronel, em 08 de julho de 1922.
11.  'O Jornal' – 1928
Em 1928, primeiro semestre, surgiu 'O Jornal', órgão de imprensa escrita do Partido Democrático, sob a gerência, redação e oficina à Rua Conselheiro Dantas nº 310 e 328, o hebdomadário tinha como Redator Chefe o Dr. Ruy Gama e Silva, Diretor o Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães e Gerente o José Carlomagno.
Semanário bem modelado, sem as agressividades de seus contemporâneos, estava, no entanto, voltado para as eleições de 1928, anunciando seus candidatos, o médico Abelardo Pinheiro Guimarães e o advogado Ruy Gama e Silva como vereadores, e os senhores Levino Lobo – comerciante, Alzim de Souza Lemos – guarda-livros, e José Raphael Antonio – artista.
12.  'O Trabalho' – 1931
José Bulcão é agora o Diretor Gerente do informativo santacruzense 'O Trabalho', fundado em 1931, com a responsabilidade redacional de Domingos Rizzo.
Aparentemente imparcial, 'O Trabalho' era órgão de publicidade do governo municipal, Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães, instalado em 1930 por força da Revolução.
Ao exemplo do líder político Dr. Abelardo, a linha do 'O Trabalho' era polida e erudita, em suas matérias extensas, necessitando, às vezes, seguimentos em edições seguintes, que os cultos e politizados apreciavam.
No entanto alternava as longas matérias com 'dropes' – notícias curtas variadas em blocoinformes, sobre acontecimentos de interesse local, dirigidos aos menos esclarecidos. Assim era um jornal de grande circulação, extremamente educado, sem respostas ríspidas aos concorrentes, em especial 'A Cidade'.
Qualquer assunto servia para publicações em duas ou três linhas, até os expedientes despachados pelo Prefeito, como baixas de firmas, transferências de nomes e aberturas de novas empresas.
No sistema dropes também eram destacadas as viagens do Prefeito e de outras autoridades a São Paulo para missões de interesses do município ou convocações. Também eram dados valores aos telegramas recebidos com as boas notícias dos Governos/Interventores, Federal e Estadual.
Outras pequenas notícias estavam, ainda, para os serviços públicos federais e estaduais.
Apresentava outras informações, no mesmo estilo, como as partidas de futebol, as falências, as chegadas de autoridades ou profissionais ilustres.
Matérias de maiores alcances também podem ser vistas.
13.  'Santa Cruz Jornal' – 1932
Em complemento ao 'O Trabalho' os políticos dasituação criaram o 'Santa Cruz Jornal', aos 29 de maio de 1932, dirigido por Aristoteles Belisario Couto, como chicote da administração sem aparentemente estar a ela vinculado. 
Tratava de hebdomadário extremamente sarcástico com adversários apelidando-os depreciativamente e chamando-os asseclas "que não souberam zelar pelo patrimonio publico".
Leônidas do Amaral Viera era o alvo preferido do 'Santa Cruz Jornal'.
14.  'O Regional'
Teve duas etapas de circulação no município, em 1951 e, depois, em 1961.
14.1.  'O Regional' – fase I – 1951
Órgão noticioso da região, 'O Regional' foi fundado em agosto de 1951,  situado à Rua Conselheiro Dantas, nº 469-B, sob a direção de Francisco Mariano, e redação de Oswaldo Scuccuglia.
'O Regional' foi criado, ao final do governo Lucio Casanova Neto, para divulgar a mensagem 'udenista' e propagandear os seus candidatos às eleições de 1951, com críticas veladas aos governos, nacional e estadual, porém incapaz de qualquer agressividade maior para o nível local.
Tratava-se de folha 'udenista' surgida no período de dominação política do grupo adversário liderado por Leônidas 'Lulu' Camarinha, então Deputado Estadual.
A despeito do vínculo partidário podia-se dizer um informativo consistente, mas não empolgava e nem explorava as deficiências ou o oportunismo do grupo adversário.
Teve diversos redatores anunciados ao longo de sua existência, alguns conjuntamente, a exemplos de Scuccuglia, Dr. Urbano Moraes Alves e Cicero Leoncio dos Santos.
Após dez anos de existência, 'O Regional' encerrou sua primeira fase de existência, quando deixaria de ser o discreto porta-voz da UDN local para transformar-se no jornal de 'Onofre I – o Único'.
14.2.  'O Regional', fase II – 1961
Sob a direção de José Benedito Pinheiro Ribeiro, com redação, administração e oficina à rua Visconde de Pelotas (Farmacêutico Alziro de Souza Santos) nº 353, ressurgiu em 02 de setembro de 1961, ano I número 1, com a seguinte apresentação, "No firme propósito de melhor servir ao povo desta tão nobre cidade, quer no ramo cultural, quer no campo noticioso, eis porque concedemos em assumir a direção deste Jornal".
Imparcial? "Sim. Somos. Caso contrário seria desmentir a verdadeira finalidade da Imprensa".
Não era mais o mesmo 'O Regional', senão o nome, a tratar-se de veículo propagandista e apologético ao Prefeito Onofre Rosa de Oliveira, às vias de identifica-lo 'Onofre I - O Único', em matéria intitulada 'O Reinado de Onofrinho I' (O Regional, 08/04/1962: 1).
Em 1962, Guiné Arques Picão era o Diretor Responsável pelo 'O Regional'.
15.  'A Folha' – 1959
Em 1º de fevereiro de 1959, Carlos Queiroz criou 'A Folha' como veículo informativo da sua verdade expressa.
Alguns da época dão conta que o hebdomadário em questão nasceu sob a inspiração do Deputado Leônidas Camarinha, como resposta ao grupo dissidente liderado por Lucio Casanova Neto.
Em seus primeiros tempos 'A Folha' contou com a direção do Professor Chafic Jábali, e teve como revisor o Professor Teófilo de Queiroz Filho, nomes representativos da intelectualidade santacruzense da época.
Embora partidário, foi um jornal profissional, inteligente e de conteúdo, e tinha tudo para prosperar e tornar-se grande órgão de informação. Soube focar nas indefinições do governo municipal de Onofre Rosa de Oliveira (1960/1963), representando a insatisfação popular.
Onofre reagiu fazendo ressurgir 'O Regional' com receita vitaminada pelos serviços pagos pela Municipalidade, em forma de grandes editais e informes publicitários.
Carlos Queiroz ganhou a eleição municipal e guindou 'A Folha' à condição de, praticamente, 'Semanário Oficial do Município', versão melhorada do rival 'O Regional', ilustrando a administração governante sem o ridículo apologético, passando ao munícipe a figura de Carlos Queiroz como prefeito competente, realizador e tocador de obras.
Também a receita do semanário governista tinha origem naquilo que a Municipalidade garantia, através dos editais e das publicidades de governo que Carlos Queiroz sabia explorar com aptidão.
Essa sustentação financeira garantia aos diretores e redatores da 'A Folha', confortável prestígio social e razoável lucro financeiro, além da proximidade com o poder político.
Com a morte prematura de Carlos Queiroz e os caminhos diferentes seguidos pelos primeiros Diretores e Redatores, 'A Folha' abandonou seu aspecto mais profissional em troca da natureza política e do amadorismo abnegado de seus quadros.
Onofre de novo ganhou a eleição municipal (1969/1973) e 'A Folha' viu-se forçada assumir nova fase no ano XII de sua existência, sob a responsabilidade jornalística de Ernesto Morbi de Souza – Ankito, direção comercial de Adauto Pires de Souza, e Luiz Ari Berna como redator chefe, com versatilidade informativa agradável, fácil de ler, com boa e inteira página voltada aos esportes, às vezes duas, notícias regionais, artigos religiosos, crônicas e agrados familiares, destacando esse ou aquele membro, além das matérias políticas.
Retornaria como porta-voz da Prefeitura nos anos de 1973/1976, agora com Joaquim Severino Martins, líder político desde o desaparecimento de Carlos Queiroz e a retirada de Lulu Camarinha.
Desde então 'A Folha' tornou-se apenas aquilo que a Administração queria mostrar, além de servir aos interesses de defesas de correligionários e acusações aos adversários. Os seus gerentes sabiam da força da imprensa escrita e não hesitavam disponibilizá-la em favor do chefe político, mesmo contra companheiros renitentes ou rebeldes.
Com bom ativo financeiro, realmente não era fácil algum outro informativo fazer-lhe frente, e assim o semanário se manteria ao longo de três administrações daquela facção política, praticamente como semanário oficial com opiniões concordes com o chefe do executivo ou sua assessoria.
'A Folha' permaneceria no 'poder' de 1977 a 1982, com o governo de Aniceto Gonçalves, porém entrou em declínio a partir de 1978 quando Joaquim Severino Martins, não conseguiu eleger-se Deputado Estadual, apesar de quase 25 mil votos.
O Prefeito Aniceto não tinha pretensões políticas e não soube ou não quis prestigiar o grupo político que o elegera.
16.  'O Centenário' – 1971
Onofre Rosa de Oliveira, prefeito outra vez eleito 1970/1973, fez surgir o hebdomadário 'O Centenário', nome sugestivo porque pela oficialidade em 1970 Santa Cruz do Rio Pardo completava cem anos 'de fundação', órgão vinculado à Administração, editado sob a responsabilidade do Jornalista Benedicto da Silva Eloy, cuja empresa também realizava as impressões.
Apesar desta característica de apoio incondicional ao Prefeito, e para isto fora criado, tratava-se de jornal aberto à expressões diversas, tanto religiosas quanto civis, além de bom informador dos acontecimentos sociais de visão ou alcance mais positivista.
17.  'Debate' – 1977
O 'Debate' teve origem na sequencia do Jornal Furinho, um periódico infanto-juvenil que circulou em Santa Cruz do Rio Pardo, entre 1970 a 1977, feito, mimeografado e vendido, casa a casa, por Sérgio Fleury Moraes.
Aos 17 de setembro de 1977 circulava a primeira edição do, então, decenário Debate, número zero, de feitura artesanal e impresso no sistema ofsete.
A ousadia deu certa, e logo a tiragem Debate chegava aos quinhentos exemplares – hoje são dez mil deles, com circulação semanal, linha independente e, dita até, atrevida quando nos assuntos políticos.
O Debate circulava sob a responsabilidade do Professor Celso Fleury, pai de Sérgio porque este não tinha maioridade civil.
Dois anos depois, aos 06 de agosto de 1979, Sérgio Fleury Moraes, viria requerer em seu nome a efetiva matrícula do Debate, junto ao Oficial Cartório de Registro de Imóveis, Anexos do Júri, Tabelionato de Protestos e Títulos e Documentos da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, apresentando o seu Estatuto, competente publicação em Diário Oficial, identificação de endereço, outros documentos de praxe e pertences da empresa, constando, inclusive, impressora própria – a primeira. Estava legalizado e firmado semanário, de credibilidade.
Ao longo de quatro décadas o Debate, assumindo a época do 'Furinho', construiu sua própria história identificada e amadurecida com o seu Diretor Proprietário, superando todos os obstáculos para se manter no mercado.
Ainda 'Furinho' e tiram-lhe o mimeógrafo; já Debate, principiante, e proíbem-lhe o uso da impressora que não era própria. Jornal adulto e tentam cassar-lhe a liberdade, um juiz que se sente ofendido e ordena a prisão do Diretor Proprietário, ainda que num canil, e por fim a exigência de indenização milionária que se arrasta na Justiça desde 1995 até os anos de 2010.
Esta é uma história de perseguição judicial à imprensa livre que chocou o país.
Os acontecimentos que assolaram o Debate e seu proprietário ganharam manchetes dos principais jornais do país, programas de televisão e até a imprensa internacional.
Politicamente imparcial e mordaz crítico de administrações sofríveis e incapazes de convivência democrática, o Debate sofreu perseguições e boicotes, com agravantes destacadas no século 21 quando o Prefeito Adilson Donizeti Mira (2001/2004 e reeleito 2005/2008) fez mover contra o Debate e seu Diretor Proprietário, no primeiro período de governo, mais de cem processos, quase todos deram em nada, mas de certa maneira conturbaram o caminhar da empresa e dificultaram suas finanças.
Voltado também à cultura, o Debate experimentou edição da Revista D Mais, encartada mensalmente numa das suas edições, por curto período, inviabilizada pelo custo elevado e diante dos gastos da empresa para livrar-se de processos. Os números da 'Revista D Mais' são disputados por pesquisadores, historiadores e memorialistas.
Outro suplemento, infelizmente encerrado, foi o 'Debate Rural ', mas foi mantido o 'Caderno D como Suplemento Especial' e permanece a publicação anual do 'Debatinho', voltado aos escolares.
Rumo aos 34 anos [2011], o Debate tem dado sua contribuição para o resgate histórico santacruzense, publicando e reportando 'descobertas' de novos fatos documentados, além de sua concorrida 'Seção de Cartas', que vem se transformando em Tribuna Livre ou Fórum de Discussões ecléticas, onde até revelados talentos da escrita.
O Debate é o jornal com maior tempo de existência sob uma única direção e denominação em Santa Cruz do Rio Pardo. Também o único com independência política e livre das influências externas, mantendo a neutralidade das notícias, comportamento adotado desde sua origem, evidentemente amadurecido no decorrer dos tempos, reconhecidamente no compromisso sempre com a verdade.
O Debate teve importantes colaboradores/colunistas, destacando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o Frei Beto.
Foi dos poucos jornais interioranos e engajar-se na 'Diretas-Já' e não poupou críticas à Ditadura Militar.
Em 2001 o Debate, em Santa Cruz do Rio Pardo, tornou possível o acesso integral às matérias, vinte e quatro horas após a distribuição do convencional. Foi um sucesso, até outubro de 2012, quando interrompeu o serviço, com expectativas de retorno ainda em 2013.
18.  'Santa Cruz Notícias' – 1983
Onofre Rosa de Oliveira foi eleito, em 1982, para um período de quatro anos de governo de 1983 a 1986 que seria estendido até 1988.
Por sua orientação, os principais assessores, Professor João José 'Dedé' Correa e o advogado Dr. Amaury Cesar, resolveram pela criação de um hebdomadário com redação de Hélio Leme Brisola.
Para a legalização do semanário procuraram por Celso Prado, para ser o Diretor Proprietário – enquanto o advogado Amaury Cesar seria do Diretor. Discutidas as diretrizes, o Santa Cruz Notícias seria um jornal com seis páginas sendo: uma para esportes – com matérias produzidas por Hélio Leme Brisola; outra para coluna social ao encargo de Wanderley Ferreira Lopes – o Jaburu, com auxílio redacional de Brisola; duas outras para assuntos da política local, pró-Onofre, sob a responsabilidade de Dedé Correa e Dr. Amaury, com matérias também de Celso Prado e Hélio Leme Brisola.
Uma página estava reservada ao Diretor Proprietário, com liberdade de críticas e ataques a adversários políticos e mesmo companheiros, até ao Onofre, para este desde que o texto fosse discutido e aprovado pela 'censura', representada por Dedé e Amaury, e os textos eram amenizados ou mesmo suprimidos.
Nome definido Santa Cruz Notícias e o primeiro número foi lançado aos 02 de outubro de 1983, sendo Jornalista Responsável o senhor Benedicto da Silva Eloy, da Empresa Editora de Jornais de Ourinhos Ltda, onde seria impresso o semanário.
Em 06 de fevereiro de 1984 Celso Prado requereu o registro do jornal 'Santa Cruz Notícias' apresentando os documentos: "Cópia do Estatuto; Cópia do Diário Oficial do Estado - Ineditoriais, 94(023) sexta-feira, 03 de fevereiro de 1984, página 13, onde se acha publicado o estado – resumido; e os documentos de praxe, inclusive do Diretor do Semanário, Dr. Amaury Cesar, e do Redator Chefe o Jornalista Benedicto da Silva Eloy".
O hebdomadário apologizava Onofre e centrava críticas aos vereadores oposicionistas, os Arenistas 1: José Carlos Nascimento Camarinha, Pedro Luiz Renófio e Aparecido Rodrigues Mouco. Com a dissidência dos Vereadores José Aldevino da Silva – Vino, e Antonio Francisco Zanete – o Batatão, as críticas do semanário também foram direcionadas contra eles e com maior veemência.
Os vereadores Roberto Mariano Marsola; Israel Benedito de Oliveira – o Nenê Mamona; Luiz Roberto Giacon; Luiz Antonio Tavares – Luizão da Onça; e Aparecido Pereira Borges – o Cido Leiteiro, situacionistas que se mantiveram fiéis, quanto aqueles do grupo de Joaquim Severino Martins – Arena 2: Luiz Clovis Maximiano; Aparecida Lima Martins – Dona Mara; Paulo Fernandes Sanches – Paulinho da Farmácia e Luiz Besson, eram poupados dos ataques.
O semanário não admitia deslizes de companheiros, sendo costumeiras as notas picantes de alertas aos Vereadores Marsola, Giacon, Cido Leiteiro e Luiz Clóvis Maximiano.
Aparecido Borges fora flagrado e fotografado dormindo numa sessão, e assim reportado quando criticou a base de apoio de Onofre. O Vereador Giacon numa fase de rebeldia e propenso a somar com Vino e Batatão.
  • Acanhado, Giacon era vereador apenas de voto, nunca havia pronunciado uma palavra da tribuna, e somente dizia 'presente' quando da chamada ou verificação de quorum. Certa feita, instado por Vino a dizer que horas ocorrera determinada reunião Giacom disse 'Oito horas', e na edição do Jornal saiu estampado: "Giacon fala oito horas na Câmara".
A frase de Giacon entrou para o anedotário político, e o autor rapidamente compreendeu melhor seguir o grupo 'onofrista'.
Do 'Santa Cruz Notícias' diziam, por Celso Prado sabia bater e batia bem, "chutava forte a 'medalhinha' e não fugia da rinha" – comentava o professor Dedé Corrêa.
Prado e Brizola vinham sistematicamente publicando notícias que não agradavam a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – 'SABESP' e preocupava Dedé e Amaury. Por conta de uma publicidade vantajosa pela Companhia, foi determinado exclusão do artigo da semana. Prado escolheu charge de um homem sendo sugado por uma torneira e tascou: "Se a água sai pelo cano, em Santa Cruz do Rio Pardo o contribuinte entra ..." e Brizola completaria "A imprensa é livre, o articulista não o é", mas a matéria não foi publicada e o hebedomadário ganhou muitas edições com os informes 'sabespianos'.
Prado lembra de muitas outras histórias políticas, risíveis algumas, dramáticas outras, que aqui não cumprem o objeto da matéria.
Não tardou e o concorrente 'Debate' também tornou-se alvo de ataque principal do 'Santa Cruz Notícias', numa renhida 'batalha' edição a edição, até fevereiro de 1985, quando Prado se desentendeu com a 'Direção do Semanário' e transferiu a titularidade para Ayrton José do Amaral – o Touchê, que o repassou a Inácio de Barros, em 1º de julho de 1986, ocasião em que Wilson Carlomagno assumiu a direção em lugar de Amaury Cesar.
O desentendimento foi acerca de publicidades exigidas de fornecedores, quanto aos valores efetivamente recebidos e as determinações de depósitos, menores, em conta do semanário. À indagação: "Você acha que estou metendo a mão?", ao qual Prado retrucou: "O ladrão, sou eu que assino os recibos!".
Prado deixou o jornal e devolveu a gráfica, adquirida entre cotizadores, para confecção do jornal e prestações de serviços outros. "Foi o fim de um sonho" diria Prado uma década depois, "mas eu não podia compactuar com aquilo, nem com o pretendido pool das gráficas" o que existia antes e ele denunciaria no Governo Manoel Carlos Manezinho Pereira.
O 'Santa Cruz Notícias' perdera suas características, e em 10 de junho de 1987 é ensaiado retorno de Celso Prado ao comando, com assinatura de transferência, mas suas exigências não foram aceitas.
Numa ação indenizatória movida pelo 'Debate' contra a Municipalidade por perdas e danos de publicações de editais do qual excluído (Processo 26/1984 - 1º Cartório Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo), a Prefeitura colocou toda a carga contra o 'Santa Cruz Notícias' que "foi causador do 'prejuízo' alegado", e não poderia ser ela, a Prefeitura, ser condenada e nem o prefeito responsabilizado pela "inexistência jurídica do Jornal que passou a divulgar seus atos".
A Prefeitura fez juntar cópia de documento assinado por Celso Prado, que este reassumira o Jornal, em 10 de junho de 1987.
Tratava-se de cópia daquele acordo que não prosperara, mas do qual uma cópia extraída antes do original ser destruído (Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, Declaração de 26 de maio de 1988, assinada pelo seu Presidente, Dr. Luiz Antonio Tavares).
Prado reassumiu então a Santa Cruz Notícias e requisitou da Municipalidade todos os documentos referentes a editais e informes publicitários publicados no 'Santa Cruz Notícias', período de outubro de 1983 a agosto de 1988, das participações do hebdomadário nas contratações de serviços do gênero, dos valores pagos, qual pessoa representava o semanário nestas ocasiões, e em nome de quem emitido os cheques pelos serviços prestados.
Ao mesmo tempo requereu os documentos fiscais do Jornal, a conta bancária – com depósitos consideráveis e as retiradas injustificadas, e, assim um escândalo prestes a surgir num ano eletivo em que Onofre pretendia fazer o sucessor.
A Prefeitura, pelo Jurídico, comprometeu-se assumir sua responsabilidade e isentar o 'Santa Cruz Notícias' no processo movido pelo Debate.
Em maio de 1988 Prado recebeu original de documento, amassado e descartado no lixo, data de 25 de novembro de 1987, comprobatório que o semanário continuava propriedade de Inácio de Barros – Diretor Proprietário, Benedicto da Silva Eloy – ainda o Jornalista Responsável, e que Geraldo Peres Generoso assumia a Direção em lugar de Wilson Carlomagno, então falecido.
O próprio Generoso Peres, em sua autobiografia anotou que foi "Diretor Responsável do Jornal SC Notícias - Sta. Cruz do R. Pardo" ('Bio-Biografia' Virtualbooks, Revista Agulha - Jornal de Poesia, SD: 3 de 18), que em outra época não poderia ser senão aquela assinada e apresentada, a coincidir ou não com o período em que o mesmo foi Assessor de Comunicação da Municipalidade local e Vereador em Ipaussu - legislatura informada em mesma fonte, de 1983 - 1988.
Prado, de posse dos documentos que lhe interessavam, fez encerrar, de vez, o 'Santa Cruz Notícias', em 1988.
19.  'Diário da Terra' (edição Santa Cruz) – 2001
Semanário avareense com tiragem especial para Santa Cruz do Rio Pardo. A edição local, às exceções de algumas propagandas vistas, era inteiramente porta-voz do executivo santacruzense, praticamente mantido pela Municipalidade pelas publicações de longos e desmedidos editais.
O jornalista Gervásio Manoel da Silva era o editor da publicação em Santa Cruz. Desde o princípio claro estava que o hebdomadário tinha por missão maior louvar a administração Adilson Donizeti Mira, engrandecendo os feitos, além de rebater 'furiosamente' as críticas promovidas pelo concorrente Debate.
Gervásio, o jornalista editor, em maio de 2002 teria extrapolado a liberdade de imprensa ao criticar o 'Debate' e, mais precisamente – ainda que sem citação de nome –, o diretor do órgão, Sérgio Fleury Moraes, por rebater, nos microfones de uma emissora de rádio, acusações do prefeito Adilson Donizeti, ocasião em que comparou as tiragens dos dois semanários. 
O Diretor proprietário do 'Debate' foi acusado de ingratidão – 'cuspir no prato que comeu' e de impedir circulação do Diário da Terra, por 'furtar exemplares'. Na Justiça, o 'Diário da Terra' foi condenado inclusive a pagar indenização a Sérgio Fleury Moraes (Debate, 21/03/2004).
O jornalista Gervásio já se encontrava em rota de colisão com o Prefeito Adilson Donizeti Mira, notadamente desde outubro de 2001, ao reportar o caso dos 'medicamentos e materiais odontológicos vencidos na área da saúde', manifestando-se contrário às atitudes da Secretária Municipal de Saúde, Luizete de Souza Alexandre Pereira, tanto pela inaptidão demonstrada no trato com a coisa pública, à perseguição e punição da cirurgiã-dentista Junko Sato Prado, que nada tinha a ver com o caso, senão que já havia alertado as autoridades municipais das ocorrências. Outro profissional havia feito o caso denúncia a um Vereador.
O proceder de Gervásio, noticiando a apreensão dos medicamentos pela polícia, o processo decorrente, o laudo, e as sequências do caso em seguidas edições, o que irritou Mira.
O então prefeito Donizeti Mira teria exigido resposta do 'Diário da Terra' em relação ao Sérgio Fleury, e em seguida suspendeu a sustentação municipal – publicações de atos oficiais para a continuidade do semanário em Santa Cruz.
20.  'Semanário Oficial do Município'
Aos 16 de dezembro de 2002 a Câmara, pela Lei nº 1982, aprovou a criação da Imprensa Oficial do Município, para a edição do Semanário Oficial, para fase experimental de um ano.
O órgão surgiu com o objetivo para publicidade legal e matérias institucionais de interesse público – ineditoriais, e publicações de atos municipais oficiais do executivo, secretarias e do legislativo. Registrado em Cartório Livro B 2 nº 12/2003, sempre sob responsabilidade de Jornalista Assessor de Imprensa e uma Diretoria jurídico-administrativa e geral, ocupada por titulares das respectivas pastas, como parte integrante das funções, portanto atividades ou responsabilidades não remuneradas.
 Poderia o Semanário, formato tabloide, mediante Decreto Municipal, publicar atos do Poder Judiciário: os editais, proclamas e ofícios de interesse público, além de documentos da Segurança Pública de relevância à população.
Paralelo ao Semanário a Prefeitura mantinha uma publicação intitulada 'Informação' – folha ofício como informativo da Municipalidade. Estava claro que o Prefeito Adilson Donizeti Mira utilizava meios impressos à custa do erário para autopromoção.
A efetivação do Semanário não foi fácil, um veto somente apreciado pela Câmara em março de 2003, e depois o fim decretado com a rejeição do projeto de lei do executivo que permitia a continuidade do órgão.
A Justiça se pronunciaria favorável às pretensões do Prefeito.
Pouco depois, em 2004, a mando do Prefeito Donizeti Mira, o Semanário publicava sistematicamente que os servidores recebiam salários até adiantados, que as contas da municipalidade eram pagas criteriosamente em dia, além de enumerar obras em andamento e ressaltar cumprimentos de promessas de campanha anterior.
Donizeti Mira foi denunciado pelo Ministério Público de improbidade administrativa, por uso indevido do Semanário Oficial para fins pessoais e eleitorais, e a Justiça – 1ª Instância – reconheceu e o condenou a restituir todas as despesas aos cofres públicos, com juros e correção monetária. Não aprenderia e continuava publicar mensagens alusivas às realizações de seu governo, tanto no Semanário como no 'Informação'. 
Outro escândalo foi denunciado em 2008 sobre o Semanário foi o seu sistema de distribuição, em que cada entregador recebia da Municipalidade quantia mensal superior a funcionário municipal de nível superior.
O entregador, na realidade recebia pagamento em cheque nominal não cruzado, com valores elevados, descontando-os diretamente no banco e devolvia troco ao chefe da operação quadrilheira, que a Câmara Municipal, em Comissão Parlamentar de Inquérito apurou ser Walgnei Júlio Andrade, empregado público municipal que ocupante de cargo de direção na Prefeitura, e sua mulher Cristiane Amélia Siena de Andrade.
O casal Andrade usava parentes, aposentados e até servidores públicos para a distribuição do jornal.
A CPI responsabilizou alguns funcionários e assessores da municipalidade, inclusive Maura Soares Romualdo Macieirinha, que pouco depois seria eleita Prefeita (2009/2012). 
Também foi notada tiragem irreal do Semanário, informada em 10 mil exemplares, incompatível com a realidade santacruzense, havendo, ainda, suspeição de superfaturamento nos preços de edição, e endereçamento dos serviços a uma empresa.
Dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e o processo prossegue na Justiça (TJSP, Civil 0006061-26.2011.8.26.0539 – Comarca Santa Cruz do Rio Pardo).
No auge da crise de distribuição do Semanário, o Informação deixou de circular; algum tempo antes sua edição já era irregular.
O Semanário, por sua vez, ganhou cores e mais páginas, diminuindo sua tiragem semanal em cerca de 85% dos 10 mil exemplares informados na época do escândalo de 2008, mas desde 2009 se tem observado em suas páginas veladas apologias às realizações da então Chefe do Executivo, eleita prefeita em 2008.
21.  'Folha de Santa Cruz' – 2004
O hebdomadário regional intitulado 'Folha de Santa Cruz' surgiu em março de 2004, com as propostas: independência política, imparcialidade nas informações, sem maquiações e sensacionalismos.
O semanário foi criado para favorecer, através de notícias apologéticas, ao então Prefeito Adilson Donizeti Mira, candidato à reeleição. "Dois meses depois, passou a divulgar pesquisas eleitorais que foram amplamente divulgadas pelo candidato do PSDB nas ruas, em panfletos e no horário eleitoral do rádio" (Debate, 26/09/2004).
O 'Folha de Santa Cruz' apresenta-se em 2012 com umas poucas propagandas e muitos editais de Prefeituras da região, às quais a referendar, apologeticamente, sobre eventos favoráveis.
22.  'Atitude' – 2013
O ex-prefeito Adilson Donizeti Mira, envolvido no final da campanha política para a reeleição de sua sucessora, Maura Soares Romualdo Macieirinha, frustrou-se diante da vitória do médico Otacílio Parras Assis, candidato petista.
Visando futuro político, Mira optou lançar um hebdomadário, denominado 'Atitude', com natureza em opor-se ao eleito Parras Assis e ao 'Debate', o semanário que lhe foi crítico no período de 2001/2012, quando a cidade governada pelo PSDB, com Mira oito anos, e Maura durante o tempo 2009/2012.
O 'Atitude' foi gestado no ano 2009, em nome da esposa e de um dos filhos de Mira, como sócios na empresa fantasia 'Editora Interesse Público Ltda – ME', CNPJ 11.426.887/0001-09, sistema escritório virtual com endereço físico compartilhado, para lançamento do semanário em algum momento oportuno. O advogado Mira tem os bens bloqueados pela Justiça, e desde 2002 vale-se de empresas do gênero, com extenso rol de atividades, numa constante mudança ou encerramentos de objetos, trocas de endereços, aberturas e fechamento de filiais, sob o genérico nome Instituto de Interesse Público.
 Com estardalhaços na rede social e veículos de propagandas, Mira optou estrear o 'Atitude' aos 02 de março de 2013. O empreendimento não lhe trouxe retorno esperado, encalhado nos pontos de vendas, porém mantem edições semanais regulares.
 O 'Atitude' tem endereço atual à Avenida Tiradentes, nº 360, Edifício Dr. Abelardo Guimarães, 5º andar – sala 54, sendo a impressão por empresa terceirizada.
II  –  Imprensa falada
O Brasil entrou na era do rádio no centenário da independência, em 07 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro – capital federal, com transmissor colocado no alto do Corcovado e distribuído para receptores instalados em Niterói, Petrópolis e São Paulo além de outros distribuídos entre a elite carioca. O Presidente Epitácio Pessoa fez o discurso inaugural na abertura da Exposição do Centenário da Independência.
A primeira estação emissora ou estação de rádio brasileira reconhecida, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, iniciou atividades em 1923 no Rio de Janeiro, fundada pelo médico legista Edgard Roquette-Pinto, referenciado como o pai da radiodifusão no Brasil, também professor, escritor, antropólogo, etnólogo e ensaísta. Roquete convencera a Academia Brasileira de Ciências adquirir os equipamentos, e quem desejasse um receptor doméstico, além de compra-lo obrigava-se pagar taxa à emissora.
Documentos oficiais revelam a Rádio Clube de Pernambuco como a primeira estação emissora radiofônica brasileira, aos 06 de abril de 1919, fundada por um grupo de amadores de telegrafia sem fio, sob a liderança de Augusto Joaquim Pereira, com estatutos aprovados e publicados no Diário de Pernambuco (História do Rádio – documentos diversos). 
A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro tinha sua programação dividida entre as transmissões oficiais, as de músicas clássicas, de poemas eruditos (parnasianos) e comentários essencialmente culturais ou de interesse intelectual. A emissora foi doada ao Governo Federal em 1936 para se tornar a atual Rádio MEC – Ministério da Educação e Cultura,
No ano seguinte, 1924, entravam no ar as primeiras chamadas Emissoras de Rádio-Telefone do Brasil, e consta o primeiro aparelho instalado em Santa Cruz do Rio Pardo, no mês de abril de 1928:
  • "Noticias Diversas".
  • "Radio-telephonia".
  • "Acha-se installado e funccionando com admiravel perfeição, no Gremio Santa Cruz, um superior apparelho radiotelephonia, communicando-nos com as estações de Buenos Ayres, Republica Argentina, Rio e São Paulo. A superioridade do apparelho trará optima distracção a nossa sociedade, que nas horas de descanço, terá opportunidade de saber o que se vae passando pelas grandes Capitaes" (A Cidade, 22/04/1928: 1).
O Grêmio Santa Cruz, à Rua Conselheiro Antonio Prado, era presidido pelo médico Dr. Pedro Cesar Sampaio, então considerado o pioneiro da radiodifusão em Santa Cruz, embora exclusiva para aos associados.
  • O Grêmio Santa Cruz, advindo Clube Éden, teve sua inauguração reportada aos 12 de outubro de 1927, com localização à Rua Conselheiro Antonio Prado, ao lado do então inaugurado Cine Santa Cruz, atual próprio da Prefeitura Municipal (Referências: A Cidade, 16/10/1927: 1). A emissora foi transferida de endereço, dois anos depois, para dar lugar ao inaugural Clube dos Vinte (1929) e depois a Rádio Difusora (1949). 
Segundo o rádio-operador Noir José Rodrigues, "(...) isso atira-nos aos princípios da popularização do rádio receptor". 
Em 1929 o Clube dos Vinte ocupou as dependências do então extinto Clube Grêmio Santa Cruz, e não se sabe o que foi feito do aparelho de radiotelefonia. Neste mesmo ano o Dr. Pedro Cesar Sampaio teria adquirido o primeiro aparelho de rádio residencial e o colocava no muro de sua residência, e as pessoas então se aglomeravam para ouvir 'a caixa falante'.
Tradições indicam que aquele aparelho de radiotelefonia do Grêmio Santa Cruz, receptor e adaptado emissor via alto-falantes, tipo cornetas, foi transferido para uma sala térrea do edifício hoje de três pavimento, à Rua Conselheiro Antonio Prado ou Praça atual Deputado Leônidas Camarinha, para serviços de alto-falantes. 
1. A Rádio Audição Pública de Santa Cruz
1.1. A Rádio Audição Pública de Santa Cruz 
Tradições indicam a instalação de aparelho radiotelefônico, receptor e emissor via alto-falantes, tipo cornetas, numa sala térrea do edifício hoje de três pavimento, à Rua Conselheiro Antonio Prado ou Praça atual Deputado Leônidas Camarinha, para serviços de som. 
Já se sabia em 1929, por antecipação, que o governo brasileiro liberaria as estações de radiodifusão no país, nestas inclusas as emissoras radiotelefônicas sem os rigores da fiscalização e ou de outorgas de concessões, apenas disciplinadas. 
Em 1º de março de 1932 o Governo editou o Decreto 21.111, regulamentando a execução dos serviços de radiodifusão, nele enquadrando-se a radiotelefonia como radiocomunicação por meio de palavras ou sons, livremente recebidos pelo público.
Em Santa Cruz a radiotelefonia tornou-se Rádio Audição Pública, voltada para o entretenimento, com exigências em manter níveis civilizados e não atentatórios à moral e cidadania, etc, e de retransmitir programas educacionais e oficiais de governo, com liberdade em divulgar notícias captadas das emissoras das capitais. 
A Rádio Audição tinha sua grade de programação envolvendo noticiários, musicais, incentivos culturais, participações públicas 'ao vivo', comercializando espaços para propagandas particulares, divulgações publicitárias de atos do governo municipal e informes de interesse público, além de oferecer, gratuitamente ou não, homenagens diversas a autoridades, aniversariantes, namorados/namoradas, etc, sendo a recreação maior nos fins de semana e feriados, com músicas bem ao gosto dos frequentadores da praça. 
A emissora funcionava numa época política dominada pelo Tenente-coronel Leônidas do Amaral Vieira e o Dr. Pedro Camarinha, e seria este último o 'dono da rádio', embora nenhum documento localizado possa comprová-lo. 
A Rádio Audição Pública teve citação no jornal paulistano O Estado de S. Paulo, por ocasião da transformação da Escola Normal Livre em Escola Normal Oficial, na noite de 21 de junho de 1939: 

  • "Pela comissão patrocinadora das homenagens foi o sr. prefeito [Leônidas 'Lulu' Camarinha] conduzido do Club dos XX para os salões da Prefeitura. Nas escadarias do predio, foi instalado o microfone da Radio Audição Publica, cujos possantes alto-falantes se localisaram nas immediações do jardim publico." (O Estado de S. Paulo, edição de 22/07/1939: 6). 
1.2. Serviços de alto-falantes – SAF 
Com a popularização dos aparelhos de rádio no final dos anos 1930 e início da década seguinte, trazendo notícias para dentro dos lares, a Rádio Audição já nem podia chamar-se estação de rádio ou emissora, e então voltou-se apenas para entretenimentos, nos feriados e fins de semana, sob a direção de Joaquim Ferreira da Silva, tornando-se conhecida como Serviço de Alto-Falantes – SAF. 
José Eduardo Piedade Catalano, numa entrevista ao noticioso santacruzense 360º (Ano IV nº 38, abril/2009: 4) informou:

  • "Ganhei um concurso realizado no antigo [clube] Soarema, hoje prédio da Prefeitura e consegui um emprego no SAF, Serviço de Alto falantes que funcionava no jardim, nas noites de sábado e nas manhãs de domingo." 
O Serviço de Alto-falantes mudou de endereço, onde a atual Rua Catarina Etsuko Umezu, defronte a mesma Praça da República [atual Deputado Leônidas Camarinha], num anexo à Prefeitura Municipal – o agora o Fundo Municipal de Solidariedade. 
No início dos anos de 1940 já se previa a concessão de emissora de rádio para Santa Cruz do Rio Pardo, mudando-se o contexto histórico da radiodifusão para a Rádio Difusora Santa Cruz.
39: 6). 

2. 'Sociedade Rádio Difusora Santa Cruz'
Em 1946 Leônidas fundou a 'Sociedade Rádio Difusora Santa Cruz Ltda (ZYQ-8)', a emissora colocando sócios o comerciante João Queiroz Junior e o bancário [gerente] José Antonio Ramos, com endereço à Rua Conselheiro Antonio Prado, local onde funcionara o Grêmio Santa Cruz e depois o Clube dos Vinte. 
Acontecimento ímpar na história local, a população acompanhou passo a passo as adaptações do prédio, as instalações de aparelhos e a torre. As visitas eram agendadas e muitos contribuíram com doações de discos 78 rotações para a discoteca da emissora.
Após o caráter experimental foi autorizado funcionamento regular, potência de 100 watts, com inauguração oficial aos 15 de maio de 1949, e diante do tremendo sucesso e possibilidades em atingir maior público, logo solicitou dos órgãos competentes autorização para o aumento da potência de sua estação para 1000 watts e teve indeferimento (DOU, 18/08/1949: 11965, Processo n.° 16.329/49) 
José Eduardo Piedade Catalano e Benedito Camarinha Machado, foram os primeiros funcionários registrados pela emissora, em 1948, ambos responsáveis pelas transmissões da emissora. Catalano, ainda em 2014 e com certeza de continuação, respondia por programa diário, estando entre os mais antigos brasileiros prestadores de serviços de locução numa só emissora.
A efetividade da emissora fez cessar os serviços de alto-falante na praça atual Leônidas Camarinha.
Eminentemente 'chapa branca – vinculada ao poder público municipal' fundada por político e a ele subserviente, tornou-se 'propriedade' do comerciante e político Carlos Queiróz, genro de Leônidas Camarinha, e filho de João Queiroz, mantendo a mesma finalidade política, além de informativa.
A empresa obteve licença para operar FM – frequência modulada (DOU, 15/09/1955: 17374), a Rádio Alvorada FM, e utilizou equipamentos para transmissões externas, na fase experimental, mas o funcionamento comercial mostrou-se desinteressante na época.
Carlos Queiroz fez fundar, adrede à emissora, o Clube Social denominado Umuarama Rádio Clube. No final de seu governo Queiroz repassou o controle da emissora ao José Cezário Pimentel, por cem mil cruzeiros – dinheiro da época, em vinte prestações mensais de Cr$. 5.000,00, numa 'negociação' batizada de 'armação', não aparecendo o mais o nome de Carlos Queiroz, nem do outro 'dono', Joaquim Severino Martins. O filho de Pimentel era casado com a filha de Queiroz.
Queiroz morreu pouco depois, em 08 de outubro de 1969, e seus filhos Carlos Antonio Camarinha Queiroz e João Queiroz Neto assumiram a empresa.
A Rádio Difusora não ia bem administrativa e financeiramente, precisando de 'um dono' com dedicação exclusiva, e, em 1974, Joaquim Severino o encontrou em Amerquiz Julio Ferreira, pessoa certa para 'tocar' a emissora. Necessitava, também, de dinheiro para modernização e manutenção da empresa e, assim, outro sócio ideal, o gerente de banco, Clóvis Guerra.
Amerquiz J Ferreira, conforme conhecido, era gerente das Casas Pernambucanas – filial Santa Cruz do Rio Pardo.
Durante muitos anos Amerquiz foi considerado o 'dono' da Rádio Difusora, sempre à frente em todos os momentos de sucessos e dificuldades, inclusive enfrentando concorrências de emissoras clandestinas.
Em 23 de março de 2004, após acertos com os sócios, Amerquiz desfez-se da emissora a favor dos radialistas Odelair Ferdin e Pedro Donizete Dias – este então gerente da rádio Cabiúna de Bandeirantes.
Os adquirentes Ferdin e Donizete Dias imprimiram novo dinamismo à empresa, com grande sucesso e audiência elevada em toda sua rede de programação, mantendo estreita relação com o poder público municipal com notória submissão ao ex-prefeito Adilson Donizeti Mira (2001/2008).
A influência de Mira, prefeito, era tamanha que até vetou entrevista – direito de resposta do diretor-proprietário do Debate: "a emissora decidiu não veicular a gravação após visita do prefeito Adilson Donizeti à sede da Difusora. A rádio possui profissionais na folha de pagamentos de fornecedores da prefeitura – entre eles o comentarista político –, fato que fere o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros" (Debate, 17/08/2008: 1 – "CHAPA BRANCA" – Gravação feita na própria emissora não foi levada ao ar).
A Rádio Difusora tornou-se notória fabricante de notícias apologéticas à municipalidade, justificando erros, acusando e desqualificando adversários, além de fiel intérprete das vontades da política governista, desde que contratada para as publicidades. Entre 2005 e 2007 não temeu responsabilizar pessoas pelo fracasso da administração pública e até time de futebol.
Politiqueira e não obediente à legislação eleitoral foi denunciada pela prática de propaganda irregular e em benefício de candidatos, e apesar de defender-se com mentiras e desqualificações dos denunciantes, a empresa foi considerada culpada e então multada em duas oportunidades.
3.  'Rádio Difusora Morena FM'
Fundada pelo empresário Edson Marreiro, em 1995, em Frequência Modulada 99,9, sem registro oficial, enfrentou problemas com os órgãos fiscalizadores, nos diversos e desgastantes processos jurídicos. A emissora sempre funcionou clandestinamente ou com liminares obtidas na Justiça Federal.
Em 2009 a emissora foi fechada pela Polícia Federal, por ausência autorizativa de funcionamento (22/11/2009), mas duas semanas depois voltou a operar, transmitindo músicas sertanejas, informando que o fechamento pela Operação Anatel e Polícia Federal havia sido errada:
  • "O delegado da Polícia Federal de Marília, dr. José Navas Júnior, disse que, desde o fechamento da emissora, em novembro, recebeu dezenas de e-mails relatando que a emissora havia voltado ao ar. Segundo os e-mails, a emissora anunciava que a operação da Anatel e da Polícia Federal teria sido 'um equívoco' e que a emissora voltaria ao ar amparada por documentos" (TudoRádio.com, Pirataria: Anatel fecha emissora clandestina em São Paulo, edição de 15 de março de 2010).
Em verdade a empresa procurava transferência social, ou de dono, afirmando novos proprietários, sem identificá-los.
A Polícia Federal retornou a Santa Cruz, com Dr. Navas à frente, para conferir denúncias e documentos, mas e emissora estava relativamente 'abandonada', com transmissões por meio de computador e, não localizados os proprietários, foram apreendidos os diversos equipamentos, e depois disto a emissora não mais operou na cidade.
'TudoRádio.com' informava, em sua edição de Edição de 15 de março de 2010:
  • "Segundo o delegado [José Navas Junior], o próximo passo é identificar o real proprietário da emissora, já que a pessoa que está registrada na Anatel não confirma a propriedade da emissora. Navas informou ainda que a emissora funcionava com base em uma liminar que permitia seu funcionamento. Porém, a rádio já havia sido lacrada outras quatro vezes durante os 15 anos que permaneceu no ar".
Nos tempos de funcionamento regular, ainda que ilegal, foi a melhor emissora informativa, esportiva, política e cultural de Santa Cruz do Rio Pardo.
4.  'Alternativa FM 104,9'
João Moretti Junior – Jornalista e Tony Junior – Radialista, idearam uma emissora de rádio comunitária em Santa Cruz do Rio Pardo – Associação Cultural de Comunicação Alternativa, com operação iniciada aos 24 de junho de 1996, através de medida cautelar pela Justiça Federal até a promulgação da Lei nº 9.621, de 19 de fevereiro de 1998, reconhecedora da legalidade do trabalho das rádios comunitárias, e regulamentada pelo Decreto nº 2.615, de 03 de junho de 1998.
A rádio inicialmente funcionou no bairro Itaipu e, depois, por algum tempo no centro da cidade.
Com a protocolização de expediente para legalização junto ao Ministério das Comunicações, a emissora suspendeu as transmissões até a expedição autorizativa provisória de funcionamento. 
Aos 24 de junho de 2006 a 'Rádio 104 FM + Alternativa', ajustadas as documentações, teve sua primeira diretoria formada, entre outros, por Moretti Junior, Aurélio Alonso, Netinho e seu irmão Tony Junior.
A emissora "104FM + Alternativa foi inaugurada em 24 de junho de 2006, – em 104,9MHz – potência de 25 Watts. ZYU 685 – Canal 285 – emissora de Radiodifusão Comunitária em Santa Cruz do Rio Pardo, Estado de São Paulo. Possui programação voltada para o público adulto contemporâneo" (104 FM + Alternativa, A Rádio).
Adotou o slogan como a rádio 'Gostosa de Ouvir', cativando o público prestando serviços, informações cultura e entretenimentos. Com modernas aparelhagens é a única emissora com sistema nobreak, mantendo-se no ar até trinta minutos na ausência de energia elétrica.
A emissora ganhou credibilidade também política, ao dispor gratuitamente transmissões sessões da Câmara Municipal, quebrando sistema viciado de transmissões pagas e retribuições de favores. Os microfones da '104FM + Alternativa' foram abertos sem distinções partidárias ou restrições de qualquer natureza.
5.  'Rádio Bandeirantes FM'
No início dos anos de 1990 o Governo Federal – Collor de Mello anunciou concorrência para concessão de emissora FM para Santa Cruz do Rio Pardo, com vários grupos interessados, inclusive políticos.
O ex-prefeito Onofre Rosa de Oliveira era um dos pretendentes ao lado da vereadora Marizilda Martins Camilo de Lima.
Entre outros pretendentes destacavam o agropecuarista Aloysio Pinheiro Guimarães e Amerquiz Júlio Ferreira, jornalista então sócio-proprietário da Difusora AM. Com o fim do Governo Collor, a concorrência foi cancelada por ordem do Ministro das Comunicações, Sérgio Motta.
Com abertura de nova licitação, em 2000, novos grupos se formaram para a concorrência, mantendo-se o grupo da AM Difusora pelo sócio Amerquiz, a empresa jornalística do Jornal Debate, o empresário Eduardo Pereira Lima, o engenheiro Ricardo Magdalena – vinculado ao político Milton Monti, além da Empresa Real Cafelândia FM – ME, representada pelo empresário José Carlos Hernandez, de Araçatuba, que se sagrou vitoriosa.
A Real-Cafelândia FM-ME 89,1 sob identificação local como 'Rádio Band FM de Santa Cruz do Rio Pardo' apresentou seus dois sócios radialistas, José Carlos Hernandes e Jorge Vinicius, e  teve seu início aos 17 de julho de 2006: "Foi nesse dia que a Band FM iniciou oficialmente, às 15h,11, a retransmissão da programação da Band FM para Santa Cruz do Rio Pardo e região" (Debate, 23/07/2006: 06).
Em 2010 anunciava-se nova direção para o controle da Band FM a partir de 2011.
III – Jornalismo online
1. 'Santa Cruz News' – 2009
Em agosto de 2009, de maneira definitiva em 09/09/2009, surgiu um jornal genuinamente eletrônico, o 'Santa Cruz News', dos radialistas, Adriano Ferdin e Claudio Antoniolli, voltado às informações jornalísticas do dia a dia, distinguindo-se da pessoalidade até, às vezes, informativa dos blogs.
O 'Santa Cruz News', além da identificação informativa profissional dos acontecimentos, também apresenta propósito comercial, através de anúncios.
A evolução do 'Santa Cruz News' é notória, e já transmite sessões do legislativo em tempo real, ou quase, quando de outras notícias – tipo repórter de rua. Transmite ao vivo as realizações esportivas, as entrevistas, e depois as mantém disponibilizadas para acessos.
O sócio Adriano Ferdin reportou:
  • (...) a ideia da criação do 'Santa Cruz News' foi dar ao leitor a informação na mesma velocidade que é veiculada no rádio, mas com a opção de a notícia ser atualizada quantas vezes forem necessárias. 'O rádio é tão ou mais veloz que a internet. Mas a notícia veiculada nas FMs ou AMs não volta, enquanto na internet está sempre à disposição do leitor', avaliou." (Debate, 1544, 7 de novembro de 2010). 
Tornou-se o 'Grupo Santa Cruz News', com Rádio, Jornal e Televisão, conquistando outros centros, ampliando coberturas.
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