SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

APRESENTAÇÃO

A história informada para Santa Cruz do Rio Pardo, em 1887, ignorava o tempo da chegada de Manoel Francisco Soares, porém tinha-o na lembrança como o pioneiro que, acercado de destemidos companheiros, muito combatera os indígenas ferozes que infestavam a região, e, na sede da fazenda onde residia, fincou a "cruz de madeira, que orgulhosamente se ostentava na beira do terreiro de sua habitação" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 541). 
Soares mandara, ainda, construir pequeno espaço religioso, coberto "com taquáras rachadas e sobre-postas umas ás outras (...). E desde então ficou a Santa Cruz como sendo a padroeira da povoação" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542). Soares visualizou, então, a fundação de uma freguesia em suas terras.
À época igualmente lembrada a presença do Reverendo Padre João Domingos Figueira, como aquele que concorrera para execução do plano adotado pelo sertanejo na formação do povoado, conseguindo dele a doação de terrenos para o Patrimônio da Santa Cruz e, de imediato, fazendo levantar um templo religioso e nele entronar a imagem de São Sebastião, doada pelo Soares, e "ahi Manoel Francisco, sua numerosa familia, e todos os já então habitantes deste sertão e dos terrenos do patrimônio, se reuniam (...)" (Almanach da Provincia de São Paulo', 1887: 542). O lugarejo tornou-se Capela, em 1862, como povoação oficialmente reconhecida.
O histórico publicado em 1887, de provável autoria do Coronel e Deputado Provincial de São Paulo, Emygdio José da Piedade, tinha por objeto a história local a partir de 1870, com a chegada do fazendeiro e capitalista Joaquim Manoel de Andrade, o principal agente transformador do capenga lugarejo em próspera comunidade: "Os ranchos desde então foram esquecidos e, podemos affirmar, Santa Cruz do Rio Pardo nasceu em 1872, sendo desde então rapido o seu progresso e admiravel os melhoramentos que tem recebido." (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542).
Segundo aquela narrativa, a Santa Cruz de 1872 deixava a condição de Capela para transformar-se em Freguesia, sinônimo de progresso, sob os auspícios de Joaquim Manoel de Andrade, o mais rico e influente nome no lugar, inclusive o responsável pela elevação santacruzense à condição de vila e, consequentemente município, em 1876.
Com o advento republicano de 1889 e a declarada laicidade do estado em 1891, a Câmara e a Igreja travaram disputa pelos terrenos urbanos santacruzenses, e na pugna desapareceram muitos dos antigos documentos camarários e reescritos os eclesiais, nos tempos do Reverendo Padre Bartholomeu Comenale, mandatário local, Vigário Forense, Vereador – Presidente da Câmara, e depois Intendente.
A história primitiva da localidade, com efeito, perdeu-se, e a edição do Almanach de 1887 tornou-se o único apontamento, conhecido e disponível quanto às origens de Santa Cruz do Rio Pardo, com partes espelhadas, quinze anos depois, pelo Correio do Sertão (1902), sem a citação da fonte, daí os pesquisadores e interessados locais recorrerem-se ao citado hebdomadário como referência historiográfica.
A origem santacruzense oficializou-se, portanto, àquela maneira narrada pelo Almanach, edição de 1887, copiada pelo Correio do Sertão (1902/1903), e apenas no ano de 2005, com as publicações e atualizações digitais de 'Razias – Incursões predatórias em territórios indígenas do Vale Paranapanema' e 'Historiografia para Santa Cruz do Rio Pardo', ambas assinadas por SatoPrado, concluiu-se que a formação do lugar ou da fixação branca retroagia ao ano de 1851, comprovada por centenas de expedientes cartoriais, eclesiásticos e particulares, apanhados pelos autores.
As pesquisas, com apresentações de documentos autênticos e sem exclusões ou inclusões convenientes de acontecimentos, revelaram o vindouro território santacruzense palco de acontecimentos até anteriores a 1851, aí todos de itinerância, desde o atalho jesuítico entre o Paranapanema e a Serra de Botucatu, entre os anos 1608/1628, a trilheira bandeirante de 1721 e o caminho militar de 1771, calcados num quase mesmo trajeto, a despassar o Turvo aonde o baixio do rio, nas proximidades da barra do Alambari.
Como chão de passagem pode-se afirmar, com segurança documental, que em partes para o então futuro 'antigo' município de Santa Cruz, à beira direita do Paranapanema – entre as atuais municipalidades de Timburi e Ourinhos – passava a senda pré-cabraliana Peabiru, largamente utilizada por aventureiros, contrabandistas, faiscadores, bandeirantes, entradistas e religiosos.
Outrossim, igualmente 'resgatados' alguns dos ofícios de governo garantidores das presenças de arranchados nas sesmarias outorgadas entre o Pardo, às duas margens, o Turvo à esquerda e o Paranapanema aos fundos, a partir de 1759 até o abandono dos empreendimentos, por volta de 1780, para enfim a chegada do bandeirismo de José Theodoro de Souza, à frente de bugreiros, para as transformações decorrentes das ocupações predatórias em territórios indígenas.
A conclusão desta tarefa, como edição reescrita, corrigida e ampliada de 'Historiografias' e 'Razias', revela o ineditismo e singularidade historiográfica santacruzense, destacados seus líderes e influentes, registrados biograficamente naquilo que podido conhecer, até esta editação, aberta a discussões sem pretensões de 'história fechada', pois muito ainda se tem a pesquisar e informar.
Santa Cruz do Rio Pardo, 2014. 
Os autores, 
Celso e Junko Sato Prado

-o-
pradocel@gmail.com

Um comentário:

  1. Parabéns pelo ótimo trabalho. Com certeza é uma grande contribuição à história regional

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