SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

1892 - A AGRICULTURA LIVRE E AS IMIGRAÇÕES

1.  Produtividade cafeeira
No ano de 1870 as grandes lavouras cafeeiras da província paulista não ultrapassavam os limites de Botucatu, porém se sabe das primeiras experiências em Santa Cruz, quando já estabelecidos os planos para recebimento de linha férrea.
Quatro anos depois são notadas plantações pioneiras de café no Vale Paranapanema (Leoni, 1979: 28), e as primeiras produções, a partir de 1877, conduzidas em carros de boi ao porto de Lençóis [Paulista] e o entreposto em São Manuel.
A produção de café dita experimental, para Santa Cruz e região, não era significativa em 1877, porém já fazia parte do encaminhamento de seus outros produtos transportados nos carros de boi, nos carretões e no lombo das tropas, que pelos espigões demandavam os tradicionais locais de embarques, chegando já à estação ferroviária de Rio Claro – em funcionamento desde 1875. Relatório CGGSP de 1890 apontava aquela:
  • "a direção ainda hoje preferida pelo comércio da zona do rio Pardo aos confins do Sertão povoado. Esta direção, que aliás nos não parece a mais conveniente, visto obrigar a grande circuito pelo centro do Estado antes de atingir a sua legítima saída no porto de Santos, terá de ser abandonada com o prolongamento da ferrovia Sorocabana, uma vez vencido o espigão divisor dos dois vales. Então todo o vale do Paranapanema não será mais do que um monopólio da mencionada ferrovia".
A mesma Comissão revelava "O comércio, pela via fluvial do Paranapanema, é insignificante; mas vai crescendo aquele efetuado pela estrada do sertão às costas de animais e dos ronceiros carros puxados por bois".
Entretanto, tudo poderia ser melhor e antes, senão o agravamento da guerra com o Paraguai a impor atenções bélicas em detrimento ao avanço da estrada de ferro, rumo ao Planalto Ocidental Paulista.
O progresso teimou não chegar e as lavouras pouco progrediram e quase nada avançaram territórios, pela distância e dificuldades para os transportes. "O comércio no vale do Paranapanema ressente-se muito da falta de boas vias de comunicação; por isso escasseiam um tanto os produtos de exportação da lavoura e tomam a dianteira os da criação, que por si só fazem frente ao comércio de importação" – CGGSP, Relatório de 1890.
Depois surgiram consequências pós-guerra, o endividamento do Brasil com a Inglaterra - financiamento da guerra, o elevado custo governo-igreja e o senado vitalício, a emissão de moedas, a inflação, os problemas militares e escravistas, como exemplos da ampla crise que envolveu todos os segmentos sociais e setores econômicos da vida nacional.
A despeito das dificuldades, Santa Cruz mostrava-se região relativamente bem sucedida, nos anos de 1877, até em causa da Guerra com o Paraguai, quando deixou de ser 'economia de subsistência', para lançar produtos no mercado para satisfazer necessidades da população crescente e das caravanas que se embrenhavam nos sertões. Também cresceram suas invernadas para criação do gado vacum e de suínos.
Mas a produção cafeeira exigia mais que isto para se tornar eficiente, e assim, Santa Cruz dependia da ferrovia para plantios em escalas de exportação.
Iniciaram-se, desde então, no ano de 1887, as grandes lavouras com a inaugural de José Custódio de Souza, na Fazenda Santa Clara, com mais de dez mil pés de café, estruturada na mão de obra escrava então disponível, com excelente produção e lucros em 1890/1891.
Outros fazendeiros seguiram os passos de José Custódio com algumas plantações anteriores a abolição e depois centrada nos forros que pagavam liberdade negociada – antes da Lei Áurea, e na mão de obra indígena ofertada.
A despeito do sucesso cafeeiro, em 1890 a exportação regional era deficitária em relação à importação:
  • "Enquanto do vale saem anualmente pouco mais de 3.000 toneladas de café, algodão e fumo, no valor de cerca de 1.900:000$, os produtos da indústria pecuária, só quanto ao gado suíno e bovino, apresentam um total de perto de 4.000:000$000. O comércio de importação, representado por tecidos de vários gêneros, chapéus, calçados, louça, ferragens, açúcar, farinha de trigo, bacalhau, sal, vinho, cerveja, licores, drogas medicinais etc., é bastante avultado (...). O pequeno comércio entre Botucatu e a barra do Tibagí, a não ser o do gado bovino que vem do Paraná e dos sertões novamente povoados para além de Campos Novos, pouca importância tem: um pouco de café que vai para o Jataí e para Mato Grosso, algumas fazendas, bebidas, ferramentas, etc., eis os principais artigos de importação. O café é entretanto o mais rendoso neste pequeno comércio: comprado a 4$000 por arroba em São Manuel ou Botucatu (sem ser ensacado) vem a valer com o transporte para a barra do Tibagi de 6$000 a 7$000, levado para Mato Grosso, por via fluvial, é vendido no porto de desembarque a 18$000 ou 20$000, geralmente a troco de gado, que, às mais das vezes, é preciso ir vender ao Paraguai" (CGGSP de 1890).
Para o equilíbrio das contas e saldo positivo o mesmo relatório CGGSP recomendava a necessidade de incrementar o comércio de importação e exportação, para o barateamento dos produtos, evidenciando que "A linha férrea Sorocabana, que ainda não penetrou no vale do Paranapanema, seu principal objetivo, é agora o natural escoadouro desta região, não obstante estarem ainda muito distantes do rio as suas estações mais favoráveis, o que ainda torna muito pesados os fretes para artigos de importação" e o da exportação.
Nisto se visualiza a nova ordem mundial a ditar regras ao Brasil, ou seja, a implementação capitalista de produção em atividades organizadas nas grandes lavouras de café e outras culturas.
O fim da escravidão negra, em maio de 1888, fez cessar a base do modelo agrícola até então utilizado e fundeado na produção escravista, o que garantia o barateamento do custo com mão de obra. Em muitos lugares, mesmo aguardada, a abolição gerou a crise da produção agrícola e promoveu a disputa de localidades para a importação de mão de obra.
Em Santa Cruz houve o denominado período de transição entre mão de obra escrava negra com a mão de obra livre, de 1888 até os primeiros anos do século XX, valendo-se dos contratos de libertação antecipada dos negros e a mão de obra indígena em substituição aos libertos.
Outro detalhe, enquanto alguns lugares buscavam o 'branqueamento da pele', isto não aconteceu em Santa Cruz, optando os fazendeiros em contratar o negro já seu conhecido e muito mais camarada que os politizados 'anarquistas' italianos e suas querelas trabalhistas.
Desta maneira Santa Cruz não sentiu a abolição, tanto que suas primeiras famílias italianas deram entradas como negociantes e construtores e não trabalhadores rurais, antes do fim do século XIX. Os imigrantes ruralistas chegaraim apenas a partir de 1901/1902, no período denominado de imigração espontânea.
Já na entrada do século XX o Brasil experimentava a primeira crise cafeeira. Em 1902 os pioneiros no plantio de café na região de Santa Cruz do Rio Pardo, José Custódio de Souza e outros, foram à falência, com a queda internacional do preço do café e sem a garantia do governo brasileiro.
O Brasil não vinha bem economicamente quando Campos Salles assumiu o governo, 1898/1902, com promessa de revitalização posta em prática numa equivocada política deflacionária, ao promover a revalorização do mil-réis frente à libra, com uma quase equiparação artificial, o que fez despencar a economia brasileira, refletida na imediata queda de preço do café no mercado externo, fazendo quebrar os cafeicultores iniciantes, em Santa Cruz do Rio Pardo, a exemplos dos irmãos Custódio, do Coronel João Baptista Botelho, condôminos das Fazendas Santa Clara e Cocaes, e outros de menor porte.
O café despencara de quatro para meia libra por saca, fazendo com que os cafeicultores recebessem menos pela venda de seus produtos. Em razão do débito com a empresa 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited', Custódio, que já vendera parte dos bens, perderia o restante em hasta pública (Correio do Sertão, 06/12/1902: 3).
  • A Fazenda Santa Clara, então "avaliada por 128:230$000, [acabou] sendo arrematada por 30:500$000", de acordo com nota jornalística que arrematava, "Infeliz lavoura, em que estado te deixou o malfadado governo dos srs. Campos Salles, Murtinho e Cª!" (Correio do Sertão, 13/12/1902: 2). A própria companhia 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited' tornou-se proprietária dos bens leiloados, com forte investimento na mesma cultura do café.
Três anos após a entrada da 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited' diretamente na lavoura do café, o produto tornou-se novamente acreditável e fortemente lucrativo e a transformação santacruzense foi enorme, com o surgimento dos novos ricos ao lado dos coronéis agora os 'barões do café'.
A cultura cafeeira que estava entre uma das causas do suicídio do Coronel João Baptista Botelho, em 1902, agora transformava o seu herdeiro político Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista, também casado com sua viúva, no maior cafeicultor regional, através da Fazenda Mandaguary [Mandaguahy], que em seu auge atingiria mais de novecentos mil pés de café. 
No período da crise cafeeira de 1901/1902, a policultura fez o sucesso santacruzense com a produção voltada para a exportação, desde os gêneros de primeira necessidade, às vendas do fumo, dos derivados da cana e também o algodão que, apesar das oscilações e pragas, no início do século, tornou-se o ouro branco.
Essas culturas mantiveram preços excelentes e motivadores para os cultivadores, tornando Santa Cruz o município mais desenvolvido comercialmente no Vale Paranapanema, e "que transformou a economia das áreas mais antigas, que de pastoris passaram a agrícolas (cafeeiras), bem como tornou possível a exploração das ubérrimas terras situadas ao sul do rio Pardo, terras roxas, terras de mata, e que até então haviam sido deixadas à margem pela economia e povoamentos anteriores" (Santos Silva, 1954: 10-11).
O sucesso santacruzense trouxe-lhe acumulação de capital no complexo agropecuário que se refletiria em boa parte do século 20, com fortes impactos na sua urbanização destacadamente após a chegada da ferrovia em 1908, que além das mercadorias e pessoas desembarcadas, propiciava o escoamento em grande escala das mercadorias da região, como o café, algodão, alfafa e outros produtos agrícolas e a madeira, além do transporte de cargas vivas, bovinos, suínos, muares e aves, sem dizer dos passageiros locais que com facilidade e conforto podiam se deslocar para outros centros.
 Mas, os lucros do ramal ferroviário eram todos remetidos para Governo Paulista/Sorocabana, face os compromissos assumidos pela Câmara com sua instalação.
2.  As grandes fazendas e os cafeicultores
O relatório assinado por José Amandio Sobral, Inspetor da Secretaria dos Negócios da Agricultura, do Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, do 5º Distrito, descreve a ruralidade santacruzense: "No municipio occupam-se os lavradores da cultura de milho, da criação, engorda de suinos e de pequenas culturas; mas o que attrahe mais a attenção do lavrador rio-pardense é a cultura do café, de que já existem boas e grandes plantações".
E o autor descreve as principais propriedades:
  • "Fazenda da Bella Vista, muito proxima do rio Paranapanema, na Ilha Grande. Pertence ao sr. Henrique da Cunha Bueno e tem 900 alqueires de muito boas terras. Tem 300.000 pés de café, bons pastos e matta virgem. O terreiro é de tijolos, em parte pixado de 16 bacias e um plano docemente inclinado. É o terreiro melhor construido que tenho visto, pelas relações, engenhosamente estabelecidas, que umas bacias têm como as outras. \ O café é em parte conduzido do cafezal para o terreiro por meio de canos feitos de tijolos curvos, dentro dos   quaes se põe agua que transporta o café. \ A fazenda tem 600 almas nas quais estão comprehendidas 82 familias de colonos e camaradas. \ Tem machinismos completos de beneficar café, incluidos tanques de lavar, despolpador e separador Monitor".
  • "Fazenda Novo-Niagara. Pertence ao sr. Theodoro Ville. Tem 3.800 alqueires de terras, parte arenosas e parte bôa. Tem 220.000 pés de café, muitos e grandes pastos e matta virgem de grande extensão. Tem uma fabrica de benneficar café, e muitas casas de colonos".
  • "Fazendas Estrella e Santo Antonio. Tem 409 alqueires de terras e pertencem aos herdeiros do cl. João Baptista Botelho. O cafezal tem 218.000 pés de café. As culturas de milho tem dado resultados extraordinarios".
  • "Fazenda Santo Antonio. Pertence ao sr. dr. Francisco Sodré. Tem 202 alqueires de terras. O cafezal tem 35.000 pés de café. Tem criação, pastos, roça e matta virgem. A producção relativa de milho tem sido fóra do commum".
  • "Fazenda do Monjolinho. Pertence ao sr. capm. Joaquim Pio da Silva. Tem 600 alqueires de boas terras, com 70.000 pés de café, pastos e matta virgem".
  • "Fazenda Dourado, do sr. Silvestre Fustino de Andrade, com 330 alqueires de boas terras. Tem 55.000 pés de café e bons pastos".
  • "Fazenda Taepava, do sr. Heitor da Cunha Bueno. Tem 235 alqueires de boas terras, com 58.000 pés de café, pastos e matta virgem".
  • "Fazenda Mombuca, pertencente ao sr. Mizael Gonçalves de Oliveira. Tem 500 alqueires de boas terras com 120.000 pés de café, bons pastos, matta virgem, boa morada moradia e solida e elegante construcção, onde estão montadas as machinas de beneficiar café".
  • "Fazenda Redempção, do sr. dr. Cleophano Pitaguary. Tem 200 (1) alqueires de boas terras, com 50.000 pés de café, pastos e matta virgem".
  • "Fazenda Thesouro do Sul. Tem 90 alqueires de boas terras com 30.000 pés de café e pertence ao sr. Augusto Bretas".
  • "Fazenda Thesouro de Brilhantes. Pertence ao dr. Carlos Gonzaga, tem 150 alqueires de boas terras e 60.000 pés de café".
  • "Fazenda Recreio. Pertence ao sr. Olympio Braga. Tem 220 alqueires de terras e 101.000 pés de café".
  • "O sr. Francisco Luiz Pereira tem no districto do Oleo uma fazenda com 180 alqueires de terras e 100.000 pés de café; o sr. Joaquim Jorge de Moura tem, no mesmo districto, 121 alqueires de terras, com 29.000 pés de café; a viuva Barreira tem, ali também, 35.000 pés de café; o sr. José Bernardes de Souza tem 16.000 pés de café; o sr. José Francisco da Silva tem também 16.000 pés de café, e d. Dulcena tem 15.000 pés de café".
  • "O municipio, apesar de desprovido de estrada de ferro, tem ja muito boas fazendas e uma população cafeeira de 2.265.272 pés, o que revela o futuro brilhante que o espera, quando tiver melhorado o preço do café e for servido pela ferrovia, e nem só pela cultura do café se pode vir a distinguir, mas por qualquer dos outros ramos da lavoura".
  • "Como o milho ali produz muitissimo, a engorda de gado suino póde fazer a prosperidade d'aquella zona e, entre nós, um concorrente da América do Norte no fornecimento de productos do gado suino".
  • "São muito proprias as terras de Santa Cruz do Rio Pardo, para a cultura de tuberculos, que ainda hoje importamos em larga escala do extrangeiro. São, em summa, de uma variada aptdão agrícola, e por isso o seu futuro será forçosamente brilhante".
  • "(In Correio do Sertão, 07/02/1903: 1-2, republicado em 14/02/1903: 1 e 2)".
A matéria destacava as qualidades das terras santacruzenses "que não tem inveja às melhores de outros municipios d'este mesmo Estado", cuja "rocha formadora das terras do municipio, a mesma rocha que deu as terras do Ribeirão Preto e de S. Manoel do Paraiso ..."
Lamentou o semanário que a Fazenda Santa Maria, do Dr. Arlindo Vieira Paes, "uma das melhores do municipio, bem montada, e com bôas bemfeitorias, não figura no alludido estudo, quando suas terras são eguaes em tudo às terras do tn. sr. Henrique Bueno e dr. Pitaguary. Esta fazenda tem 358 alqueires de terras boas e 40.000 pés de cafés formados". Corrige, ainda, que '(1)': "Houve engano por parte do informante. A fazenda do dr. Cleophano Pitaguary tem mil alqueires de terras boas e já então continha 120.000 pés de café".
Em 1903 já eram muitas outras fazendas com plantações de cafés, não menos importantes que aquelas citadas no trabalho do jornalista e funcionário público José Amandio Sobral:
  • Fazenda Santa Izabel do Ipê: do Tenente-Coronel José Mathias d’Almeida Barboza;
  • Fazenda Três Barras: subdividida entre os proprietários José Camilo dos Santos, Firmino Leme, José Alves de Oliveira e outros;
  • Fazenda Areia Branca: de Francisco Antonio Gonçalves, Pedro Nolasco da Silva e outros;
  • Fazenda Perobas: de Antonio F. de Oliveira Piedade, D. Guilhermina Botelho e outros;
  • Fazenda Aparecida: do Juiz de Direito Augusto José da Costa;
  • Fazenda Mandassaia: do Padre Bartholomeu Comenale, Tenente Manoel Pereira Tavares e outros;
  • Fazenda Crissiumal: do Tenente Fernando de Paula Lima, Antonio Dionyzio Pereira e outros;
  • Fazenda Poção: de Joaquim Bueno e outros;
  • Fazenda Ribeirão Grande: de José Antonio de Moraes [Peixe], Martinho Pires, Pedro Faustino e outros;
  • Fazenda do Barreiro: de João Faustino, a viúva Andrade - Dona Umbelina Maria de Jesus, José Borges Pereira e outros;
  • Fazenda Mandaguahy: do então Major João Evangelista da Silva, da viúva Borges – Anna Rosa de Oliveira, e outros;
  • Fazenda Lageado: de Claudino José Bernardes, seus irmãos e outros;
  • Fazenda Brumado: de Emygdio Dias d’Almeida;
  • Fazenda Cocaes: da Companhia Lidgerwood Manufacturing Companhia Ltda;
  • Fazenda Três Ilhas: de Pedro Manoel de Andrade e outros;
  • Fazenda Douradinho: de Joaquim Duarte e outros;
  • Fazenda Dourado: do Capitão Francisco Narcizo Gonçalves;
  • Fazenda Figueira: de João Domingues Martins, Manoel Eugenio Soares e outros.
Alguns destaques devem ser observados. A parte maior da Fazenda Mandaguahy – Mandaguary foi adquirida pelo Coronel Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista, em 1903, dos herdeiros e da meeira de Francisco Ignácio Borges, além de propriedades menores, distintas e determinadas, divididas judicialmente, cuja divisão homologada por sentença judicial de 19 de dezembro de 1905, transitada em julgado.
Em 1916 a Fazenda Mandaguahy, acrescida legalmente de outro quinhão de terras – por sentença judicial de 24 de maio de referido ano, possuía 600 mil pés de café (O Contemporaneo, 05/09/1916: 1), e em 1922 contava com mais de 800 mil cafeeiros.
Foi no ano de 1922 que o Coronel Lista vendeu a Fazenda Mandaguary à Sociedade Anônima Moinho Santista:
  • por "escritura pública lavrada nas notas do sexto tabellião da Capital Thiago Mazagão, em trinta e um de Janeiro deste anno [1922], livro numero duzentos e vinte um, folhas quarenta verso, devidamente transcripta no Registro hypothecario desta Comarca, no livro numero trinta e sete, paginas cento e vinte e oito, sob numero 11.189, a tres de Fevereiro deste anno... " (DOSP, 15/09/1922: 16-17).
A fazenda, consoante mesma publicação, era composta de: "oitocentos e um alqueires, (...), oitocentos e poucos mil cafeeiros, casa e morada, de administração, de colonos, machina de beneficiar café, serraria, moinho, terreiros ladrilhados, e mais bemfeitorias existentes dentro do perimetro ...".
3.  Imigrações
Santa Cruz do Rio Pardo não esteve entre as primeiras localidades a receber os imigrantes europeus para mão de obra ruralista, recorrendo à continuidade dos serviços compulsórios gratuitos indígenas, portanto não integrado com o Sistema de Imigração que tinha, como prioridade, a urgente mão de obra estrangeira para núcleos exclusivamente vinculados às fazendas de café, nem se enquadrava ao Sistema de Colonização.
Apenas no século XX os agricultores santacruzenses, em especial os cafeicultores, a exemplo dos outros fazendeiros do centro sudoeste paulista, de Ribeirão Preto e demais regiões agrícolas, associaram-se para o emprego de mão de obra imigrante mista, através de empresas contratantes, na denominada segunda marcha de expansão do café e demais culturas iniciada já no século XX. Santa Cruz destacou-se nessa fase, após a chegada da ferrovia, fator determinante para o escoamento da produção agrícola.
Santa Cruz recebeu, oficialmente em 1908, os primeiros imigrantes, certo, porém, que outros chegantes europeus já se encontravam no município, a exemplos dos portugueses, espanhóis e italianos, residentes em colônias nas grandes fazendas, cujas registros ignorados em números e procedências.
Nem todos os imigrantes chegaram pelo Porto de Santos, ou, dentre aqueles que por ali entraram, muitos não passaram pela hospedaria e muitos registros perderam-se: "Dos 30.792 immigrantes espontaneos do anno 1908, 20.780 entraram pelo porto de Santos, 303 pela Estrada de Ferro Central e 709 por outras estradas de ferro, mas sómente 7.422 passaram pela Hospedaria da Capital" (R.SNA..., 1908: 116), sendo 103 espontâneos para Santa Cruz do Rio Pardo (R.SNA..., 1908: 104).
Documentos oficiais atestam entradas anuais de imigrantes europeus para Santa Cruz, com passagem pela Hospedaria de Imigrantes:
  • 1911 – 1.829 (R.SNA..., 1911: 137);
  • 1912 – 1.386 deles (R.SNA..., 1912/1913: 193);
  • 1913 – 1.589 (R.SNA..., 1912/1913: 193);
  • 1914 – 11.114 (R.SNA..., 1914: 168);
  • 1915 – 1.183;
  • 1916 – 483 (R.SNA..., 1916: 162);
  • 1917 – 668 (R.SNA..., 1817: 124);
  • 1918 – 224 (R.SNA..., 1918: 124).
Não foram anotadas entradas oficiais de imigrantes entre os anos 1919/1921, porém registrados em 576 entradistas em 1922 (R.SNA..., 1922: 91), e, no ano de 1923, 1.109 estrangeiros (R.SNA..., 1923: 107).
No ano de 1923, o Quadro Estatístico de Lavoura de Café do Estado por nacionalidade e localidade (R.SNA..., 1923: 12), constava para Santa Cruz do Rio Pardo o total de 319 propriedades cafeeiras, sendo 70 delas de estrangeiros, destacando em números de pés de cafés, 6.683.100 para os brasileiros, e 2.000.000 para estrangeiros, numa porcentagem correspondente a 29,9%.
Dos imigrantes, por nacionalidade, eram os proprietários de lavouras de café no município (R.SNA..., 1923: 121):
  • "Italianos: 57 propriedades com 1.266.000 pés de café";
  • "Portugueses: 2 propriedades com 93.000 pés de café";
  • "Espanhóis: 7 propriedades com 74.000 pés de café";
  • "Alemães: 1 propriedade com 7.000 pés de café";
  • "Diversas nacionalidades: 3 propriedades com 560.000 pés de café".
3.1.  Os imigrantes italianos
As primeiras famílias italianas para Santa Cruz chegaram antes de 15 de novembro de 1889, destacadas as Alóe, Bertoncini, Carlomagno, Carmelinem, Dasini, Finelli, Genuta, Guidies [também Guido], Marchezotti, Nelly e Setti, com pelo menos um membro inscrito no Mapa Oficial do Alistamento dos Eleitores de 1890.
Também outras famílias italianas apresentadas, ainda no século XIX:
  • "Agazzi; Ambrosia; Aregonha; Baggio; Ballo; Begueto; Benetti; Bertoldi; Boaacci; Bozzio; Bozzoni; Brondi; Camilo; Canassa; Cardin; Carminos; Carrer; Colli; Cornelli; Criveli; Dalmatti; Dapare; Darroz; Delarissa; Della Libera; Dibastiani; Di Giácomo; Esquinilli; Farani; Ferrazini; Fiori; Franciscon: Fraulin [e]; Furlan; Gasparite; Gazzola; Giovanni; Gozzo; Guido; Leopoldo; Longo; Lorenzetti; Ludete; Luidi (Luidge); Magnani; Maitan; Mantovani; Marcato; Mardegan; Mariani,; Marini; Marquesin; Mascati; Mazzante; Menon; Mioto; Murador; Nardi; Negrini; Nigrioni; Pavanelli; Perin; Picinin; Piveta; Poli; Portezan; Rampaolo; Randrano; Ravanelli; Ravedutti; Renofio; Righi; Risi; Rosseto; Sanson; Sarachi; Sartori; Sciarini; Scudeler; Serracini; Simonette; Singolane (Singulani); Tameozo; Tittoneli; Tosini; Venturine; Vidor; Viol; Viotti; Vison; Vuolo e Zanete (Prefeitura, Registros de Sepultamentos exercícios de 1908/1929; e Registros de Estrangeiros pela SS/SP - Delpol, 1930/1939, observando que as grafias nem sempre correspondem).
Nem todos os imigrantes italianos chegaram para agricultura, ou, então, rapidamente se apartaram do emprego ruralista, tanto que em 1890, eram:
  • Negociantes: Antonio Bertoncini, filho de Ângelo Bertoncini; Francisco Marchezotti, filho de Domingos Marchezotti; Moyzés Nelli, filho de Nicolau Nelli;  Silvestre Setti, filho de Antonio Setti, cuja entrada em 24/outubro/1888.
  • Artistas: Francisco Carlomagno, filho de Donato Carlomagno [o velho]; Henrique J Carmelinem, filho de João Carmelinem; Carlos Guidies, filho de Martini Guidies; Miguel Finelli, filho de Nicolau M Finelli; Martini Dasini, filho de José Dasini. Artista tinha por significado profissionais autônomos, geralmente aqueles que trabalhavam com madeiras, exemplos, construtores de casas, carpinteiros, marceneiros e artesãos em geral.
  • Médico: Samuel Genuta, filho de Vicente Genuta Ternuta (?), em Santa Cruz do Rio Pardo pelo menos desde 1883.
O Paranapanema, de 30 de novembro de 1895, estampou alguns nomes de italianos presentes:
  • "Moysés Nelli [já referenciado] – Delegado de Polícia;
  • "Raphael Totti, proprietário da Padaria Secos e Molhados, à rua Conselheiro Antonio Prado esquina com Saldanha Marinho";
  • "Emílio Piagentini, estabelecido no ramo de bebidas – Fabrica de Bebida Nacional, na Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 12".
Dos italianos 'santacruzenses', do século XIX, o destaque maior foi o Coronel Moyses Nelli, da Guarda Nacional, próspero negociante e fazendeiro, metido em política, sendo eleito vereador em algumas legislaturas, autoridade policial e judicial - nomeada, e representante da colônia em Santa Cruz do Rio Pardo, em 1910 estava decadente - mas não pobre, quando nomeado Ajudante de Coletoria (Correio Paulistano, 26/01/1910: 3). Nascido em 1859, pelo registro eleitoral de 1890, Nelli morreu e foi sepultado em Santa Cruz aos 16/03/1931, com a 'idade declarada de 70 anos'.
Após Moyses Nelly destacou-se representante da colônia italiana local, Frediano Colli, e depois Alberto Scazzola, hoteleiro e Agente Consular Italiano (O Contemporaneo, 24/091916: 1). A presença italiana foi de extrema importância em todos os setores da sociedade santacruzense, embora algumas dificuldades de relacionamentos em Santa Cruz, com alguns casos descritos ao longo deste trabalho.
Alguns italianos 'santacruzenses' foram investigados pelo DEOPS/SP) por participações em manifestos agrários, políticos ou, apenas, para informações, nos diversos movimentos registrados no Brasil do século XX, destacando:
  • "Antonio Sangali, Ernesto Vedoato [Veodovatto - Vodoto], Ezechielo Ciocci [Religioso Dominicano], Ferrari Firmo, João Veodovato [Veodovatto], José Murador, Josehat Rosati, Luigi Orlandini (Frei), Luiz Brondi, Maria Ferari [Ferrari], Natal Manfrim e Paulo Camillo".
Pela mesma fonte, brasileiros 'santacruzenses' descendentes de italianos, estiveram sob a vigilância do DEOPS:
  • Amélia Carvalho Pazzini, Angelo Nicolai, Angelo Pinhata, Antonio Brandileone, Antonio Pellegrini, Clodoveu Pagatto (?), Guido Daineze, Italo Gozzo, José Cammassa (Canassa?), José Rapetti Filho e Luiz Andriolo [Andriolli]; além dos já citados Clélio Zanoni e Alcides Beguetto, entre possivelmente outros.
3.2.  Os japoneses
Santa Cruz não teve colonização japonesa empresarial e sim a espontânea, com as chegadas de algumas famílias, por indicações, parentescos ou mesmo aventuras.
A imigração japonesa no Brasil iniciada em 1908 teve seus primeiros residentes em Santa Cruz nos anos de 1920, para as lavouras de algodão, café a alfafa. Algumas tradições apontam os primeiros japoneses 'santacruzenses' vindos do Vale da Ribeira, após os contratos com a empresa Brasil Takushoko Kaisha, por volta de 1918/1920, ou depois, em 1925, do mesmo Vale, pela empresa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha.
Relatórios de Governo atestam presenças de citadas empresas responsáveis pela entrada dos imigrantes japoneses no RibeiRA, contudo não informam destinos após cumprimento de contratos (R.SNA (...), 1916: 141-148; 1925: 117).
O assunto merece melhores atenções quando da efetiva chegada dos primeiros imigrantes nipônicos, em Santa Cruz, sendo a família 'Fukuda' a pioneira, com presença registrada desde maio de 1920, e depois, a partir de 1923 ao ano de 1929, outras apresentam-se residentes no município:
  • "Ajzem; Banki (família Koba?); Chibase (Chiba ou Chibata?); Endo; Fukuda; Gaya; Gem (Satoyoski); Goshima; Hamaki; Hashimoto; Hitani; Iokimaru; Izumi; Kawamoto; Kido; Kita; Michioka; Midori; Mine; Nagamatsu; Nagasaki; Naguiro (Naguira); Nakamura; Natsuyo (Natsuno?); Nicase (?); Nisaki (?); Nishifuna (?); Nishina; Ogata (Kiota); Okada; Ozaki; Sato; Satu (Satsu?); Sechinza (Chinza?); Shige; Sota (Soutan?); Suindini (?); Sullare (?); Sute (Suto?); Tamagushi; Tanaka; Taniguchi; Tanowa (Tanowaki?); Teozsma C... (Tegima - Tagima?); Thora (Toraya - Torai?); Tomaki; Toyoshi; Shinoda; Ueda; Ueto (Uete - Ueti ?); Umisu (Umezu?); Yamami; Yamashita; Yamazaki; Ynumuro; Yoshida; Yoshisaki; Wakataru (Nituceque Vaccatalu - conforme escrito); Ziu (Chiu?)" (Prefeitura, Registros de Sepultamentos, 1908/1929 e Registro de Estrangeiros pela SS/SP - Delpol, 1930/1939, observando que as grafias nem sempre correspondem quanto as transcrições de pronuncias, as inversões de nomes e sobrenomes, e podem acontecer ilegibilidade de alguns sinais gráficos e nomes com escritas diferentes sabendo-se tratar das mesmas pessoas ou famílias).
No ano de 1924 a família 'Yoshisaki' era proprietária do Hotel Familiar, em Santa Cruz do Rio Pardo, situado à Rua Marechal Bittencourt (A Cidade, 18/04/1924: 6).
Ainda em 1924 noticiou-se: "a japonesa Yone Ynumuro, accusada de haver, ha cerca de tres mezes, em sua residencia nas proximidades desta cidade, assassinado um seu patricio. Defendeu-a, o dr. Vasco de Andrade, que conseguiu a sua absolvição unânime" (A Cidade, 04/12/1924: 2).
Não se tem o nome da vítima, contudo existe registro de 19 de outubro de 1924, referente ao óbito e sepultamento de Nituceque Vaccatalu [respeitada a grafia], com idade de 23 anos, sem nenhum outro japonês, adulto, falecido no período correspondente ao assassinato cometido por Yone Ynumuro.
Em 05 de janeiro de 1925, o japonês 'Ogata Kiota' comunica a Municipalidade que "não continuando neste exercício com o seu negócio de seccos e molhados e hotel de 2ª classe, vem respeitosamente ante V.Exa., requerer a competente baixa, não tendo feito em termo oporttuno por desconhecer a lei Municipal que rege a materia pelo que confiado nos supplementos de V.Exa. pede ser attendido" (Prefeitura, Livro de Registros - Requerimentos, exercício de 1925). 
Não há informações confiáveis que o estabelecimento hoteleiro de Kiota seja o mesmo que pertencera à família Yoshisaki, na Rua Marechal Bittencourt.
Em 1925 noticia-se nova chegada de japoneses, na propriedade de José Augusto Junqueira, denominada Santa Clara. O Inspetor Sanitário da Capital, Dr. Haroldo Reis, veio certificar-se das condições de sanidade dos imigrantes, recomendando a vacinação contra o tifo e a variola (A Cidade, 27/03/1925: 1).
No ano de 1926 existiam colônias japonesas em Santa Cruz do Rio Pardo, Espírito Santo do Turvo e Chavantes. É o que se depreende de Nota Policial divulgada naquele ano:
"Colonos que fogem – O fiscal da fazenda São Domingos - Julio Iokimaro - queixou-se à delegacia de que, na madrugada de 26, os colonos japonezes Satoyoski Gen e Mitrucki Okada acompanhados de suas famílias fugiram da mesma fazenda, onde tinham apreciavel debito, furtando ainda a patricios cobertores e miudezas varias. Ao que consta, os fugitivos tomaram rumo de Espirito Santo ou de Chavantes, onde têm parentes" (A Cidade, 02/05/1926: 2.).
Destaque entre as primeiras famílias nipônicas estava os Banki, pelo menos desde 1927, conforme biografia referente ao Cônego Ângelo Banki idade de 82 anos em 2009:
"Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) Banki é o sétimo de 10 filhos de um casal que deixou Hiroshima para desembarcar no Brasil em 1914, apenas seis anos depois dos primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. Logo, a família que chegou a enfrentar a fome, primeira realidade dos imigrantes orientais que sonhavam em ganhar dinheiro rápido e voltar para a terra natal, converteram-se ao catolicismo. E o menino Ângelo, aos 10 anos, não teve dúvidas quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre. Rapidamente disse sim e pela primeira vez calçou um par de sapatos para ir estudar na capital" (Santin, 2009: 1).
Com maiores divulgações históricas, a partir de 1930 apresentam-se outras famílias, destacando-se as Kawbata, Izumi e Yoneda.
Em 1934, chegou a Santa Cruz, Toji Amemiya, na época com 16 anos, unindo-se posteriormente, pelo matrimônio com Kasuko, à família Tamura (Debate, 15/06/2008, referências apanhadas – Caderno D), adotando o sobrenome.
Kasuko, aos 10 anos em 1934, veio para o Brasil juntamente com a família, aportando-se em Santos, de onde seguiram para Jaboticabal como colonos numa fazenda por um período de dois anos, outro biênio como meeiros e depois arrendatários, até que em 1940 chegaram à região de Santa Cruz do Rio Pardo. Nessa época, Kasuko conheceu Toji, com quem se casou em 1942.
A partir dos anos de 1935, chegaram à região de Santa Cruz membros da família Suzuki [Michiyoshi, Shozo, Seiko e Teruichi], com entrada no Brasil no ano de 1932 no município de Cerqueira Cesar (07/06/2009, dados referenciais).
Outras famílias japonesas, após ou mesmo anteriores a 1935, estão registradas em Santa Cruz:
  • Abe; Ashikaga; Beppu; Amaze; Amura; Aoki; Aragaki; Ashikawa; Fugita; Furuya; Ganiko; Hagime; Hamada; Harada; Hassegawa; Hayasaka; Henna; Hirata; Hirano; Honda; Hoshi; Ichimura; Ikeda; Igari; Isamo; Ishii; Ishiwashi; Ito; Ivama; Kaawano; Kadoi; Kawamura; Kawati; Kameda; Kamei; Kanai; Kassai; Kato; Koba (Banki Koba - família Banki dos anos de 1920?); Kobayashi; Kobata; Komino; Kuwahara; Mamura; Matsui; Matsumoto; Miagi; Miyshiro; Momura; Morita; Myata; Nakandakari; Nacasse; Nacatamo; Nacauma; Nagagushi; Nagai; Nagatomo; Nakatami; Niitsuma; Oguro; Okura; Oki; Osagi; Sakai; Sasaki; Sato; Saito; Shiracawa (Shirakawa); Shiraishi; Suga; Tada; Takahashi; Takamori; Takiushi; Tanaka; Todokoro; Tokanaga; Tomori; Tomita; Tomoike; Tukuzaki; Tsuhata; Ueda; Ueno; Umetsu; Umino; Ushiwata; Ushida; Watanabe; Yabuki; Yaeda; Yamada; Yamamoto; Yamasaki; Yamashita.
A colônia era ativa e crescente. Documento de 1935 revela instalado em Santa Cruz do Rio Pardo o Hotel Tayô, da família Kuwabara, à rua Marechal Bittencourt, com inscrições em caracteres katakana e kandi. Outro documento da época mostra a Casa Comercial Yoneda e familiares, sendo o estabelecimento situado à Rua Marechal Bittencourt esquina com a Antonio Mardegan.
A loja e o hotel já existiriam nos anos de 1920, primeiro como propriedades da família Yoshisaki, depois de Ogata (Kiota).
A família Sugisawa, casal e sete filhos – uma filha morreu na viagem, instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo vinda do Japão em 1937, para o trabalho numa fazenda local (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná – Projeto de Lei 137/2009, título de Cidadão Honorário do Estado do Paraná, ao Sr. Saburo Sugisawa, nascido no Japão em 1934).
A família Sassaki também chegou antes da Guerra, assim como outros nipônicos que em todo ou em parte foram residir em outros municípios dos estados paulista e paranaense.
3.2.1.  A 2ª Guerra Mundial, a Shindo RenMei e o DEOPS
Os filhos dos japoneses antes da 2º Guerra Mundial tinham escolas próprias e, também, frequentavam estabelecimentos brasileiros de ensino. Porém, em 1938, Vargas impusera restrições culturais aos nipônicos e as escolas japonesas foram proibidas, de alguma maneira sob a alegação da proibição constitucional, de 1937, de línguas estrangeiras nos cursos regulares de ensino e não tolerada para menores de quatorze anos.
 Depois uma série de decretos-leis entre 1938 e 1939, impunha restrições culturais aos nipônicos, e as famílias abandonaram muitos costumes.
As medidas atingiam imigrantes italianos e alemães que, com os japoneses, constituíam os oriundos do 'EIXO' – Itália, Alemanha e Japão, denominado no jargão por 'ROBERTO' – as iniciais das capitais daquelas nações: Roma Berlim e Tóquio.
A cultura japonesa, num todo, diferenciava-se dos usos, tradições e costumes brasileiros e tornaram-se exprobrados e discriminados pela sociedade brasileira capitalista, que visavam o branqueamento nacional, com agravamento à medida da aproximação de Getulio Vargas com os Estados Unidos, quando indiscriminadamente os japoneses radicados tornaram-se, à visão do governo, inimigos do Brasil.
Ainda neste período, aparentemente, integração e a convivência japonesa na sociedade santacruzense não apresentava grandes desconfortos para as famílias Yoshisaki, Ogata, Kuwabara, Yoneda e Banki, enquanto outras sofriam rejeições sociais.
Os Banki, Yoshisaki, Ogata e Kuwabara já não estariam em Santa Cruz do Rio Pardo nos tempos da guerra.
Aos 29 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu com o Eixo, em solidariedade aos Estados Unidos, pelo ataque japonês a Pearl Harbor – acontecimento de 07 de dezembro de 1941, obrigando todo o corpo diplomático japonês a deixar o país.
Entre si os imigrantes japoneses acudiam-se, através de associações secretas, ocultas ou clandestinas, alvo dos órgãos repressivos do governo brasileiro. As inquietudes dos radicados quanto ao destino da guerra tiravam-nos do anonimato, diante da preocupação quanto à sobrevivência familiar ou mesmo grupal num Brasil cada vez mais hostil.
Para os imigrantes japoneses o Japão precisava ganhar a Guerra, e evidentemente expressavam o querer entre os conterrâneos, através de parentes, das apresentações artísticas, dos filmes contrabandeados, das revistas no idioma, e dos viajantes, que depois o governo brasileiro suspeitou-os espiões.
Novo Decreto de Vargas, e já não se podia mais falar em público o idioma de cada nação do Eixo, com ou sem intérprete, além da exigência de salvo-conduto nos deslocamentos regionais e proibição total de qualquer manifestação cultural, mesmo famíliar. Também as atividades de trabalho dos japoneses, em todo estado de São Paulo, tornaram-se alvo de fiscalização embasada em Edital pela Superintendência de Segurança Pública do Estado.
Mesmo clandestinas destacam-se as "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Remmey: Prontuário 108981 – Caixa 247" e a "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Ketumei Dan (Prontuário 64244 – Caixa 247", PROIN).
Diversas famílias japonesas em Santa Cruz ficaram sob observações policiais, ainda antes do fim da guerra, acontecida com a capitulação japonesa, e em cena a Shindo Renmei, pelos kachigumi ou vitoristas, pregoeira que a rendição era propaganda americana/ocidental, perseguindo os makegumi – derrotistas ou realistas, com extrema violência e mesmo mortes.
Os kachigumi eram maioria nos cerca de 200 mil colonos no Brasil da época, enquanto os derrotistas não passavam de vinte mil indivíduos, em torno de 20% do total de imigrantes e descendentes.
Nunca se fez em Santa Cruz qualquer levantamento do pós-guerra sobre o alcance dos kachigumi sobre os makegumi, ou mesmo as reações destes em relação aos patrícios rivais. Sabe-se que a Organização Shindo Renmei santacruzense existiu, assinalada em mapa (Arquivos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, inserido na obra Corações Sujos (Morais, 2004: 152-153), porém as famílias nipônicas evitam o assunto, e os descendentes talvez desconheçam, e, como tabu, tudo caminha para o apagamento da memória.
A organização Shindo Renmei foi desfeita no ano de1947, quando Vargas mandou interrogar mais de 30 mil pessoas, prendendo 300 suspeitos e 155 ameaçados de expulsão.
Durante o período descrito alguns japoneses 'santacruzenses' foram monitorados pela polícia política de Vargas e tiveram que prestar esclarecimentos, alguns presos e, entre os fichados:
  • "Akio Kato; Akio Myamura; Asaji Takahashi; Chiko Shoji;  Chuzaemon Shoji; Fukashi Saito - Caporanga; Hactiro Tomita; Haruo Fujii; Hideshi Yoneda; Hiroshi Sato; Jutaro Watanebe [Watanabe]; Kibutaro Saito; Kintaro Ueno; Kiyoma Hamada – Alambari; Kndzi [Kendi] Kanazawa; Kohiro [Koichiti] Sato – pai da coautora Junko Sato Prado; Kotuku Arakaki; Kotuku Arakaki; Massao Sato –atuante na região de Tupã (SP), tio da coautora; Massayuki Takaahaci [Takahachi]; Michiyoshi Suzuki; Mitsuo Kameda; Mituo Myasaki; Morimitsu Aizawa; Mussamito Takaahaci [Takahachi]; Myoji Sato; Nobuhiko Myake; Norio Takahatake; Ryutaro Kurahashi - São Pedro do Turvo; Saburo Fugiwara; Setsuo Tanno; Shigeru Kanico [Ganiko]; Shinzo Matida; Sunao Muraguchi; Takao Yoda; Takesshi Yamamoto; Tatume Fukuzaki; Tetsu Kawabata; Tokujiro Tajima: Tutume Furusaki; Yasuhei Aoki; e Yasusige Nagai" (DEOPS/PROIN: Fichas Policiais para Santa Cruz do Rio Pardo).
Os fichamentos e prisões podiam ocorrer com membros de organizações ou suspeitas de secretismo, de líderes comunitários, parentes de algum suspeito, ou mesmo por falar o idioma proibido.
Yasusige foi preso por falar japonês e teve situação agravada em causa das diferentes grafias do seu nome em português. O fotógrafo Kintaro Ueno, residente à Rua Floriano Peixoto nº 166, em Santa Cruz do Rio Pardo, teve apreendido seu material fotográfico porque as fotos, para o seu livro, tinham legendas em japonês.
"O professor Boris Kossoy, da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), juntou o material de dois dos fotógrafos imigrantes ali encontrados: Kintaro Ueno e Hideo Hayashida que, segundo escreve o professor, registraram 'o progresso para os que não temiam o trabalho árduo', em meio ao preconceito e desconfiança do Estado Novo. Nas imagens, famílias inteiras reunidas vestem suas melhores roupas a fim de construir um autorretrato de sucesso" (Montesanti, 2011: 2).
A abertura política somente ocorreria a partir de 1952, com o reatamento das relações diplomáticas Brasil/Japão, mais propriamente em 1958/1960, reabrindo algumas escolas japonesas, com números menores pela adaptação geográfica e cultural dos filhos no Brasil, e então muito se perdeu, e apenas a culinária japonesa tem sido assimilada pelos lares brasileiros, mas a riqueza cultural japonesa dos primeiros tempos da imigração, apenas sobrevive, adaptada, entre antigos descendentes.
3.3.  Imigrantes (famílias) de outras nacionalidades
Imigrantes, de nacionalidades diversas, chegaram a Santa Cruz:
  • "Alemã: Bartel; Flanuz; Hiese; Humberto (aportuguesado); Kroemia (Croemia); Miller; Piechotlka; Richter; Wolf (desde os anos de 1870)".
  • "Árabe: Queiroz (aportuguesado de Keiruz, assemelhando-se com sobrenomes iguais de origem síria e libaneza)".
  • "Argentina: Alóe (não confundir com família Alóe italiana); Lozano".
  • "Austríaca: Cassoto; Gassmer; Kievi; Malanche; Malurch; Paviot; Prensaki; Schneider; Vicentin; Wolf (século XX - confunde-se com sobrenome alemão); Yega".
  • "Belga: Jasogne Castano (?)".
  • "Chilena: Domingues".
  • "Cubana: Saliba, sobrenome que não deve ser confundido com Saliba, de origem libaneza, não descaratando, porém, parentesco ou igual origem primária)".
  • "Espanhola: Ascencio; Castelhano, Cecilia; Cid; Garcia; Gimenes; Gomes; Neguardo; Martins; Munhos; Oliveira; Ortega Orta; Parianês; Parra; Peralta; Perez; Puertas; Ramos; Rodrigues; Santiago; Vasquez (Vasques)".
  • "Francesa: Brandt; Nantes (anterior ao período imigração, com presença regional desde 1851)".
  • "Húngara: Etieme; Hessen; Komyama (não deve ser confundido com sobrenome japones); Madarassy; Pinter; Sciba; Tavez".
  • "Indiana: Raj".
  • "Inglesa: Dayy; Shieffield".
  • "Iugoslava: Ban; Cimeman; Gaich; Kovacth".
  • "Libaneza: Abujamra; Assef; Dabus; Germanos; Ghamlouche; Ibrahim; Kanan; Keiruz (confunde-se ou aparenta-se com o sírio Queiroz - aportuguesado); Maluly; Rahuné; Saad; Saliba; Trad".
  • "Lituana: Denisovas; Geciumes; Meliumas; Micaskis; Polzunoff; Tamkas; Trimarchas".
  • "Napolitana: Schirillo; Simiscarco. (Os napolitanos não eram contados italianos)".
  • "Palestina: Bassit".
  • "Paraguaia: Morinigo".
  • "Polonesa: Alzim; Namcinsk".
  • "Portuguesa: Amorim; Caetano; Espírito Santo; Fernandes; Freitas; Gomes; Gonçalves; Luz; Martins; Pestana; Ribeiro; Santos; Tavares da Silva; Veríssimo".
  • "Rumena: Andrei; Crestiocor; Danielenco; Fingarman; Hogan; Macarie; Pereverzin; Radulenco; Vezetiv".
  • "Russa: Busck; Cavalchuk; Croval; Dacowoy; Peniverzoma (?); Pereverzium; Polzonoff; Romancine; Semmence; Sirache; Truchskini".
  • "Siria: Abras; Brehaim; Honório; Queiroz (família que antecedeu a imigração, presente em Santa Cruz do Rio Pardo desde o século XIX); Riston; Zacura; Zieck [Ziecl?]".
  • "Suiça: Dubuis".
  • (Fontes: Prefeitura, Registros de Sepultamentos, 1908/1929; e Registro de Estrangeiros pela SS/SP – Delpol, 1930/1939; observando que as grafias nem sempre correspondem).
Alguns estrangeiros 'santacruzenses', não italianos e nem japoneses, estiveram sob o crivo do DEOPS (PROIN):
  • "Johan Schaden – húngaro; Leonardo Jablonki [Jablonsky] - lituano; Andre Milian Ortega – espanhol; Antonio Martin Bêjar – espanhol; Antoune Youssef Jabali – sírio; Felix Peyalho Carbajal - uruguaio;  Francisco Dias – português; Guinel Sanches Viudes - espanhol; Gines Antonio Gracia Assencio – espanhol; José Romero Ruiz – espanhol; Julius Knopp – polonês; Salvador Molina Moreno – espanhol; Wolf Klejman – polonês" (PROIN, Fichas Oiliciais para Santa Cruz do Rio Pardo).
Consta, também fichado pelo DEOPS, "Vitor Lozovoy" [Victor Lozzovoy], brasileiro filho de imigrantes, sem identificação de origem, preso em 1953, constando em "cópia de relação de elementos do Partido Comunista simpatizante do interior do Estado de São Paulo".
De outros brasileiros santacruzenses nascidos de pais estrangeiros ou estrangeiros sem identificações de nacionalidades constam: "Abe Sabe; Leoni Kalichaman; Lourdes Koquinoff; Manoel Ortegozza; Maria Saliba; Maria Tolonis Bross; Miguel Riston; Rubens Guglielmetti [neto]; Saad Agiz Habe". 
No ano de 1953 entre os que foram presos em Santa Cruz, como comunistas ou simpatizantes, figuram os estrangeiros de origem não identificada, ou filhos cujos nomes não constam em arquivos DEOPS: "Eufimi Kochonoff e Martin Stringues"; todos foram torturados e Stringues morreu no período em que se encontrava preso (O Regional, 03/05/1953: 1 e 10).
Cumpre o destaque de dois chineses que pretendiam montar comércio em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1902, episódio relatado pelo engenheiro-arquiteto, Edmundo Krug, na sua passagem por Cerqueira Cesar – até ali de trem, para prosseguimento até São Pedro do Turvo, a cavalo, com um guia (conhecido por Quinzote) e animais sobressalentes, quando "dois chinezes queriam ir a Santa Cruz do Rio Pardo para ali se estabelecerem com um negocio de tecidos de bambu, com fabricação de cestos, peneiras, vassouras, etc... " (Krug, 1925: 403-404).
Os chineses intentaram utilizar-se gratuitamente dos cavalos disponíveis alugados por Krug:
  • "O meu amigo Quinzote percebe que os taes não eram cavalleiros firmes na sella, e desejando ver-se livre delles, mas não querendo recusar, accedeu promptamente ao pedido, ajudando até aos dignos homens amarellos a montarem, entregando-lhes em seguida um bahú de folha, no qual se achavam as suas ferramentas e algumas roupas. O pobre chinez tendo puchado demasiadamente as redeas, o animal começou a afastar até que teve de encostar ela rectaguarda numa vidraça da casa de um italiano pouco cortez. Vidros quebraram-se, tiniram os cacos na calçada, o italiano berra e o animal espanta-se de tal forma que, como toda besta velhaca, começa a corcovear; o chinez deixa o bahú cahir, as patas do animal pizam-n'o e o pobre mongolo vem ao solo maogoando-se fortemente na sua digna parte musculosa".
A história não registra os citados chineses em Santa Cruz do Rio Pardo.
Nos primeiros vinte anos do século XX, a despeito do fracionamento territorial, são muitas as fazendas e todas prósperas; os fazendeiros plantadores do café, algodão, alfafa e demais lavouras e criações, são ricos; o comércio é forte; o lugar tem tradiçao e cultura, porém o município é pobre, na insolvabilidade perante o governo do estado em causa da insolvabilidade diante da dívida acumulada com o ramal da estrada de ferro.
4.  Sobrevalorização das terras
As terras santacruzenses sempre foram caras, principalmente a partir de 1887 com a introdução das primeiras lavouras cafeeiras, cuja especulação também em causa da prevista passagem do tronco da estrada de ferro, acontecimento que evidentemente traria progressos à região.
Mesmo quando da certeza que o tronco ferroviário da linha do Tibagi não mais passaria por Santa Cruz, a região não perdeu o impulso progressista, acreditando que o ramal sorocabano adquirido ou construído pelo município seria viável, para a ligação com a projetada Ferrovia do Peixe, então um entroncamento ferroviário na sede do município.
A Ferrovia do Peixe não aconteceu, mas o lugar estava detentor regional dos principais serviços públicos e dotado de infraestrutura suficiente para manter-se município líder na agropecuária.
Fazendeiros e os profissionais de diversas áreas como a medicina, odontologia, engenharia, agronomia, zootecnia e a advocacia, entre outras profissões, mantiveram a especulação imobiliária como negócio lucrativo.
Onde o predomínio das boas terras e a viabilidade das diversas culturas, entre elas, alfafa, algodão, café, além das invernadas para criação de gados, a abundância vinha a calhar e o lugar era atrativo para a aplicação de dinheiro de grandes investidores nacionais e estrangeiros, a exemplos da 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited', 'Zerrener Bülow e Cia', e a 'Sociedade Anônima Moinho Santista', por uma ou outra razão.
Constituída de homens ricos num município endividado pelo ramal ferroviário construído e depois mantido às expensas do cofre público municipal, e cujos lucros com a ferrovia eram remetidos para o Governo do Estado, até se imaginava estagnação, mas os capitalistas não temiam investir no lugar, adquirindo e especulando terras.
5.  Santa Cruz de 1892
O Relatório da Câmara, à Repartição de Estatísticas do Estado, em 31 de dezembro de 1892, além das escolas já citadas, dava dimensão da Santa Cruz na época:
  • "46 estabelecimentos commerciais, sendo: Lojas de fasendas, ferragens, armarinhos, calçados, arreios etc 9; armazéns de machados e miudezas de armarinho, generos da terra, ...., 8; aguardentes e bebidas alcoolicas e generos da terra, 28; casa de joias e relojoarias, 1; casa de bichas, 13";
  • "(...) 20 estabelecimentos industriaes sendo: Fabrica de cerveja 1; Fabrica de bebidas gasosas 1; Assougues, 2; Olarias para fabrica de telhas e tijolos 6; Engenho de serra movido por agua para tiragem de madeiras para construções, 5; Fabrica de aguardente e assucar de cana 5";
  • "[Profissionais liberais, autônomos e outros informados] 26, sendo: Dentista, 1; Tabeliães 2; escrivão do Registro de hipothecas 1; escrivão de Paz 1; Juiz de Direito da Comarca 1; Promotoria Pública 1; advogados 3. Pharmaceuticos 2; vigário da Paróchia 1; Solicitadores das auditorias 2; ingenheiro civil 1; aggrimenssores 2; Capitalistas 2; Medicos 2; officiais de justiça 2; Carcereiro 1; Secretario da Camara Municipal 1; Hotelleiros 2";
  • "Pequenos estabelecimentos agrícolas, as quaes poucas ou nem uma produção desas, devido a pouca edade e hoje desenvolvem-se rapidamente, principalmente as da cultura de café, já existindo neste Município muitas milhares de pés que se de 1894 em diante e nas sua maior parte commeçarão a produzir".
  • "É nos impossivel, com exactidão dar – nos o numero de trabalhadores empregados na lavoura, mas podemos afirmar ser esse numero superior a mil".
  • "(...): Só existe nesta Paróchia cinco escolas sendo: quatro publicas regidas por professores e professoras, e uma particular, todas de 1ªs letras".
  • "(...): Existe a Igreja Matris e o Patrimônio de Santa Cruz e de Santo Antonio, que são administrados pela Fabriqueira de Igreja".
  • "(...): Existiam 144 casas terreas. Subjeitas ao imposto predial, e destas, assobradada 1; sobrados 2, ambos contendo dois pavimentos: um terreo e outro superior. Um destes sobrados é a Cadeia Publica e pertence ao Estado".
  • "Foi assacada a importancia 5:700$000".
  • -"A Comissão – Julio César – Arlindo Crescencio Piedade".
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Um comentário:

  1. Boa tarde!!! vocês tem fotos do bairro Três Barras por volta do ano 1940?

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