SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

1862 - A HISTÓRIA REFERENCIADA

Surgimento de Santa Cruz do Rio Pardo 



Antiga imagem de São Sebastião, em madeira, sem histórico conhecido, guardada no Salão Paroquial de Santa Cruz do Rio Pardo - Matriz de São Sebastião, evoca peça sacra doada pelo pioneiro Manoel Francisco Soares, citada no Almanach para a Província de São Paulo, 1887: 542, vide http://satoprado-ebook.blogspot.com.br/2013/07/blog-post_19.html.

1. Alambari – o primeiro bairro rural entre as fazendas santacruzenses
No ano de 1852 são identificados moradores na região do Alambari: José Luiz Correa, Manoel Alves dos Reis, Manoel Duttra [Dutra] Pereira e Silvério Gomes dos Reis (DAESP, Lista de Votantes de 1852, para a Capela de São Domingos, Freguesia de Botucatu, no município de Itapetininga). 
O lugar, Alambary, apresentou-se, depois, como o 3º Quarteirão Eleitoral da Freguesia de São Domingos, em 1858/1859, identificados os votantes:
  • "Antonio José Correa, 42 anos, casado";
  • "Antonio Cardoso da Silva, 55 anos, casado";
  • "Antonio Moreira de Souza, 30 anos, casado";
  • "Joaquim Cardoso da Silva, 25 anos, casado";
  • "José Cardoso da Silva, 35 anos, casado";
  • "José Pedro Nunes, 35 anos, casado";
  • "Manoel Dutra [Duttra] Pereira, 56 anos, casado";
  • "Manoel Nunes de Moraes, 52 anos, casado";
  • "Miguel Roiz¨ de Moura, 42 anos, casado";
  • "Manoel Ferreira Nantes, 35 anos, casado";
  • "Francisco Nunes de Moraes, 58 anos, casado." 
  • (DAESP/BTCT, Quarteirões da Freguesia de S. Domingos). 
O bairro do Alambari integrou-se ao território de Santa Cruz quando da elevação desta à condição de freguesia e dadas suas divisas pela Câmara Municipal de Lençóis Paulista, em sessão de 26 de outubro de 1872: 
  • "Principiando-se no rio Alambary, no logar chamado dos Cardosos, procuram o espigão e por este abaixo até frontear o ribeirão de Santa Clara. E por este ribeirão acima até ultimas cabeceiras e d’aqui, o rumo, ao rio Pardo por entre as terras de Manoel Baptista e Antonio de Oliveira Marinho e por estas, a rumo, até o rio Paranapanema, divisando sempre com a Freguezia de S. Domingos e pelo lado opposto com o sertão."
O Governo da Província de São Paulo aprovou a decisão camarária lençoense por Ato de 09 de novembro de 1872, e o bairro Alambari permaneceu rural.
2. Santa Cruz – sede de fazenda e bairro rural no pontal Pardo/São Domingos
Três ou quatro anos após assumir terras no Turvo, Manoel Francisco Soares conquistava a margem direita do Pardo, para formar a Fazenda Santa Cruz/São Domingos, tardiamente em relação a posse anterior pelas dificuldades no enfrentamento aos Caingangue ali instalados.
A primeira referência para a Fazenda Santa Cruz/São Domingos menciona apossamento primitivo por volta de 1855 (DOSP, 17/05/1895: 8-9), e já em 1857 informada a sede da propriedade como bairro rural Santa Cruz, lugar de morada para o proprietário, posseiros adjacentes, agregados e trabalhadores, livres ou não, como forma de proteção mútua entre as famílias. 
Santa Cruz aparece a primeira vez, sob tal denominação, aos 25 de junho de 1857 no assento batismal de: 
  • "André, filho legitimo de Antonio Rodrigues de Moraes e Ana Apparecida da Conceição, da freguezia de Campestre, da Provincia de Minas Gerais, que residem no bairro de Santa Cruz. Forão padrinhos Jose Manoel de Andrade e Dona Maria da Conceição." (Santa Cruz do Rio Pardo, Batismos, 1856/1884: 6).
Desta maneira o arraial estava contado como um dentre os bairros surgentes no futuro território santacruzense, por volta do ano de 1855, todavia lhe dado destaques em 1858/1859 ao ser classificado como o "7º Quarteirão de Eleitores do Rio Pardo, para a Freguesia de São Domingos, no município de Botucatu", com os seguintes eleitores:
  • "Antonio Francisco Soares, casado, 38 anos";
  • "Francisco Pires de Sousa, casado, 40 anos";
  • "Francisco Soares, casado, 24 anos";
  • "Fellipe de Moura Rocha, casado, 40 anos";
  • "Faustino Machado de Oliveira, casado, 50 anos";
  • "José Francisco Chaves, casado, 50 anos";
  • "José Francisco Soares, casado, 31 anos";
  • "Joaquim José Soares, casado, 32 anos";
  • "José Domingues Chaves, casado, 30 anos";
  • "Justino Soares, casado, 30 anos";
  • "Joaquim Pereira da Silva, casado, 32 anos";
  • "José Geraldo, casado, 50 anos";
  • "José Custodio de Sousa, casado, 30 anos";
  • "Ignacio Pinto Gomes, casado, 24 anos";
  • "Joaquim Machado, casado, 24 anos";
  • "José Francisco de Oliveira, casado, 24 anos";
  • "Manoel Francisco Soares, casado, 64 anos";
  • "Antonio Machado, casado, 60 anos." 
  • -(DAESP/BT, 1859, Freguesia de S. Domingos – Rio Pardo, 7º Quarteirão). 
Para o Quarteirão Eleitoral Rio Pardo deu-se a dimensão, grosso modo definida, conforme observação em 1862: 
  • "As divisas combinadas com os moradores, e as mais apropriadas devem ser: Principiando na foz do rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até frontiar em linha reta com o ribeiro Santa Clara, descendo este a entrar no Turvo, descendo este athe onde principiou a divisa." (ACMSP, texto extraído de uma das cartas do Padre Figueira, referente ao ano de 1862, Documentos Diversos para Santa Cruz do Rio Pardo). 
Por regra legal os eleitores eram, ou deveriam ser, ao menos um ano residentes onde inscritos, mas não se tratava de lugar específico e sim região, dentro de determinada freguesia.
Cada eleitor representava família própria constituída, embora nem todos os moradores preenchessem as exigências para a qualificação eleitoral, e, então, a região do Rio Pardo poderia abrigar, em 1859, outras famílias que não tinham votantes, ou por não atingirem a renda mínima anual exigida de 200$000, ou residir fora ou, ainda, sonegar informações.
São exemplos de fazendeiros, não citados eleitores no 7º Quarteirão: João Rodrigues de Oliveira, sócio de Manoel Francisco Soares na Fazenda Crissiumal; João Vieira Teixeira e Silva, da Fazenda Três Ilhas, por posse primária; Joaquim José Martins, Fazenda Ribeirão Grande/Salto da Boa Vista.
Alguns fazendeiros, eleitores ou não, nunca residiram no lugar, a exemplo do capitalista, arquiteto e entalhador, José da Costa Allemão Coimbra, documentalmente conhecido, mas o seu agregado Francisco Pires de Souza era inscrito votante.

3. Doações patrimoniais para formação de Santa Cruz do Rio Pardo
3.1. Patrimônio da Santa Cruz
Em 1861/1862 o fazendeiro Manoel Francisco Soares doou cem alqueires de terras ao Patrimônio da Santa Cruz, sob a administração da Igreja, para a oficialização de uma Capela sob a denominação Santa Cruz do Rio Pardo, cujas dimensões compreendidas da barra do Ribeirão de São Domingos até um valo em direção ao Pardo e, por este abaixo ao encontro com o mencionado tributário (ACMSP, Relatório dos Bens Imóveis da Diocese de São Paulo de 1904: 55-56). 
Por documentos e novas consultas, os autores [SatoPrado: 14/10/2018], reveem as dimensões para a urbe santa-cruzense, ou seja, a territorialidade patrimonial doada por Soares à Santa Cruz, que se iniciava na barra do Ribeirão de São Domingos, no Pardo, e por ele acima ao encontro com Ribeirão do Mandassaia. Dali saia o valo, a grosso modo, em direção ao início Rua Conselheiro Saraiva e, por esta, à Rua Padre Pio Giocondo de Lorgna, para se chegar ao Pardo.
Considere-se, que as vias públicas santacruzenses não eram arruadas e nem alinhadas conforme hoje se conhece, mas, ainda perceptíveis irregularidades de terrenos e quadras estendidas desde o Ribeirão Domingos/Mandassaia, em direção à Rua Conselheiro Saraiva. 
Provam-se as dimensões. A Lei Municipal de nº 193, de 17 de setembro de 1912, da desapropriação de terrenos para utilidade pública:
-"A Câmara Municipal decretou e eu promulgo a seguinte Lei":-"Art. 1º - Ficam desapropriadas, para utilidade pública, destinadas ao serviço de água desta cidade, duas datas de terrenos, tendo cada uma dez braças de frente por 20 braças de fundo, situadas no patrimonio desta cidade, sendo uma, a que limita-se por um lado com a estrada da Mandassaia, pela frente com terrenos do mesmo patrimonio, pelos fundos com terrenos da Chacara Santa Aureliana, de propriedade do dr. Olympio Pimentel, e por outro lado, com a data de José Antonio de Moraes Peixe, pertencente ao mesmo dr. Olympio Pimentel, e outra, a que limita-se por um lado com a data já descrita, pela frente com terrenos do patrimonio, pelos fundos com a citada chacara Santa Aureliana e por outro lado com a rua dr. Euclides da Cunha, pertencente a José Antonio de Moraes Peixe, ficando igualmente desapropriado uma casinha coberta de telhas, de tijolos, ainda por acabar, situada nesta última data, ficando salvo a seu proprietário desmancha-la e retirar do local todo o material"."(...)." - (Cidade de Santa Cruz, 19/09/1912: 1).
O primeiro terreno, 10 braças de frente para a atual Rua Conselheiro Saraiva – onde o valo, olhando de frente, à esquerda, 20 braças faceando com a estrada para a Fazenda Mandassaia [seguindo para o Ribeirão dos Cubas e Espírito Santo do Turvo]; à direita, 10 braças, com a já denominada Rua Euclides da Cunha; e aos fundos, 20 braças, com a então chácara Santa Aureliana. O segundo lote, 10 braças defronte ao valo, 20 braças à esquerda seguindo a Euclides da Cunha, completando o cercado com 10 braças de fundo e vinte de comprimento em direção ao valo.
Cada braça, oficialmente, mede 1,8288 metros, embora usual, na época, 2,20 metros.
Documentos resgatados junto a Cúria Diocesana de Ourinhos testificam a posse e administração da Igreja, desde 1861/1862, sobre as terras doadas por Soares ao Patrimônio da Santa Cruz (Juízo Municipal, SCR. Pardo, Processo de 28/07/1890).
José dos Santos Coutinho, aos 12 de dezembro de 1891, com idade de 75 anos, naquele mesmo processo reconheceu a doação dos terrenos por Manoel Francisco Soares "para que a Igreja tivesse seu patrimonio e amparo de Nossa Senhora protegesse a elle doador e sua familia contra o asalto dos indios que infestavam nessa época este sertão".
O pioneiro Joaquim Pereira da Silva, idade de 62 anos, como testemunha na ação, aos 12 de dezembro de 1891, declarou "Que essa doação foi uma promessa para livral-os dos selvagens habitantes destas mattas e elle testemunha, conjuntamente com outras pessoas, foi quem erigio o Cruzeiro no largo atualmente da matriz". 
O Padre João Domingos Figueira, morador do lugar desde 1861/1862, assegurou em carta referente a 1862, a doação dos cem alqueires de terras para o patrimônio da Santa Cruz (ACMSP, Documentos Diversos para SCR. Pardo).
3.2. Patrimônio do Santo Antonio 
O casal José dos Santos Coutinho e Rita de Sene, genro e filha de Manoel Francisco Soares e Ignácia Porcina de Sene, aos 09 de março de 1868 doaram vinte alqueires de terras ao Patrimônio do Santo Antonio, parte onde o atual Bairro São José, conforme escritura lavrada em São Domingos (Livro de Notas, nº 3, fls. 59-v a 60-v, 1º traslado pelo Tabelião de Santa Bárbara do Rio Pardo, aos 04 de dezembro de 1891).
O terreno pertencera antes a João Paulo Garcia, extraído da primitiva posse de Faustino Machado de Oliveira. Mapa referente ao patrimônio, datado de 14/04/1900, assinado pelo engenheiro Lars Swenson, revela dimensão do terreno em 24,2 alqueires (Prefeitura, Cadastro).
Documentos de 1893 revelam posse imediata da Igreja sobre os bens, já em 1868, formando povoado (Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para SCR. Pardo). 
Num longo e discutido processo, após a laicidade do Estado, a Câmara Municipal desapropriaria os terrenos da Igreja (Patrimônios de Santa Cruz e Santo Antonio) a favor da Municipalidade, com transmissão oficializada (Cartório Registro de Imóveis SCR. Pardo, Certidão de 08/03/2006, Escritura Pública de 05 de fevereiro de 1903, Livro 3-L (antigo) de Transcrição das Transmissões).
4. Formação da Capela Santa Cruz do Rio Pardo 
Crônica de 1887 informa que o pioneiro Manoel Francisco Soares residia na sede da sua fazenda, onde "uma cruz de madeira, que orgulhosamente se ostentava na beira do terreiro de sua habitação" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 541), e outras moradias havia, daí o nome Bairro Santa Cruz, posteriormente elevado a Capela, com o designativo Santa Cruz acrescido do Rio Pardo.
Soares mandara, ainda, construir pequeno espaço religioso, coberto "(...) com taquáras rachadas e sobre-postas umas ás outras (...). E desde então ficou a Santa Cruz como sendo a padroeira da povoação." (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542).
A mesma crônica aponta a presença do Padre licenciado, João Domingos Figueira, fazendeiro residente no Bairro Santa Cruz, vizinho de Manoel Francisco Soares (Almanach para Provincia de S. Paulo, 1887: 542), o doador das terras para o Patrimônio da Santa Cruz, entre 1861/1862, nas quais o padre pôs-se a trabalhar para a formação urbana, com o rossio, a fixação do cruzeiro e a ereção de templo religioso, permitindo a elevação do bairro à condição de Capela, denominada Santa Cruz do Rio Pardo, jurisdicionada à Freguesia de São Domingos, no município de Botucatu. 
Ausente qualquer expediente anterior de oficialização, aos 23 de novembro de 1862 o povoado teve sua primeira identificação civil conhecida, como Santa Cruz do Rio Pardo, num ofício expedido pela Câmara Municipal de Botucatu à Presidência da Província de São Paulo: 
  • "Ha neste Municipio sette Igreijas, a Matriz desta Villa, a de Lençois, a de São Domingos, da Piedade do Rio do Peixe, a de Santa Crus do Rio Pardo, da Santa dos Remedios no Tiete, e a do Rio Novo, as treis primeiras pouco tem sido auxiliada pelo Governo, e as ultimas mais pequenas porem decentes e feitas a custa dos fieis, pelo que V.Exa. colligera que neste Município o povo he religiozo o que sertamente satisfara ao Governo de V.Exa. para assim ajudal-los." (DAESP/BTCT, Documentos: Ofícios Diversos).
Aos 25 de novembro de 1862, também a Igreja reconheceria o lugar como Capela Santa Cruz, no registro de batismo de Maria, filha de Miguel ou Miziel com a liberta Rozalia:
  • "(...). Na Capela filial de Santa Crus Baptizei pus santos oleo na inosente Maria de idade de tres mes filga legitima de Mizial [e] Rozalia, Escravo do Padre João Domingos Figueira, forão padrinhos Jose Peres das Chagas e Maria Inosencia da Conceição (...) – Padre Andrea Barra." (Eclesial, 1859/1879).
Padre Figueira, referindo-se a Santa Cruz do Rio Pardo dos anos de 1862, descreveu-a:
  • "(...) nova povoação cujo povo bem dedicado ao servisso de Deos e da Igreja com minha estada de dois annos fes se uma Capella môr, forrada, assoalhada, com Prezbiterio, altar, trono, sacrário, e retabulo. O patrimonio doado é de 100 alqueires já conta com 18 a 20 fogões no arraial. A afluencia do povo é imensa." (ACMSP, Documentos Diversos para Santa Cruz do Rio Pardo).
O edifício sacro construído pelo Padre Figueira, ou às suas ordens, situou-se onde parte dos fundos da atual matriz de São Sebastião, vista como significativa construção para o ano de 1862, com as medidas de 40 por 60 palmos, equivalendo a 8,80 metros de frente por 13,20 de fundos, com reparos e adaptações dez anos depois para servir de Matriz, a partir de 1873 (Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para SCRPardo, Processo de elevação para Freguesia, 28/12/1872). 
5. Os fundadores
Os patrimônios doados a Santa Cruz e ao Santo Antonio formaram a povoação de Santa Cruz do Rio Pardo.
Mesmo a considerar a doação de terras pelo casal Coutinho e Senne para o Patrimônio do Santo Antonio, visando formação de povoado unificado a Santa Cruz, são consagrados fundadores santacruzenses o fazendeiro Manoel Francisco Soares e o Padre João Domingos Figueira. 
5.1. Manoel Francisco Soares* 
O pioneiro santacruzense declarou idade de 64 anos, em 1858, na sua qualificação eleitoral para o 7º Quarteirão do Rio Pardo, Freguesia de São Domingos, Município de Botucatu (DAESP, 1859, Ofícios Diversos para Botucatu). Teria, portanto, 57 anos em 1851 quando chegou ao sertão.
Soares faleceu em São Domingos, conforme sugere registro de sepultamento de certo Manoel, aos 10 de outubro de 1872, declarado "viúvo, de edade muito avançada, e rezada recomendação, diz ser natural de Taubate, não lembrou familia e morreo pobre na fazenda de Mecias d'Andrade" (Eclesial, SCR. Pardo).
Os autores, esgotadas tecnicamente as possibilidades de homônimos 'Manoel', faixa etária dos 60 e mais anos, para Santa Cruz/São Domingos e adjacências, concluíram ser o pioneiro santacruzense, aquele identificado em óbito. A transferência de terras da Fazenda Salto da Boa Vista/Ribeirão Grande para o Padre João Domingos Figueira, em 1861/1862, indica ainda viva sua mulher Ignácia Porcina de Sene.
Nascido ou não em Taubaté-SP, a primeira referência documentada sobre Manoel Francisco Soares aconteceu na província mineira, aos 08 de fevereiro de 1818, já casado com Ignacia Porcina de Sene, no batizado do filho Miguel, em Capela São João do Nepomuceno, Lavras-MG (Eclesial: Livro 1805-1829, Imagem 206). O documento religioso revela-o, com a mulher, "agregados do Capitão Andre Martins de Andrade."
Documentos eclesiásticos revelam pardos os integrantes da família Sene/Soares.
Existe outro assento de batismo do mesmo Miguel (Eclesial, Livro 1805-1829, Imagem 218), em Capela de São Bento do Campo Belo, onde uma das fazendas do Capitão André Martins de Andrade (Inventário e Tutela – Projeto Compartilhar, citação).
O casal Senne/Soares teve os seguintes filhos conhecidos:
  • Miguel, nascido em 1818 conforme acima mencionado, não se apresentou eleitor em 1859, e dele quase nada se sabe no sertão, à exceção do filho Manoel Soares (DOSP, 01/10/1918: 4869) em invasão de terras na localidade de São Pedro do Turvo. Seria ele o Miguel de Tal revelado em 'As Primeiras Fazendas da Região de Botucatu' (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F-91).
  • Maria, batizada em Capela de São Bento de Campo Alegre – Lavras, ao 1º de novembro de 1819 (Livro 1805-1829 Imagem 221). No sertão nada se sabe a respeito de Maria.
  • Ritta: batizada aos 15 de fevereiro de 1821, em Rio Verde (Eclesial, Livro Índice de Batismos, Campanha/Santo Antonio, MG, 1813-1824), sendo padrinhos Miguel Justino do Espírito Santo e Anna Ignacia de Lima – tidos avós pelo lado materno. Ritta casou-se com José dos Santos Coutinho sendo o casal doador de terrenos ao Patrimônio de Santo Antonio, em 1868, incorporado à formação de Santa Cruz do Rio Pardo.
  • Antonio Francisco Soares: nascido por volta de 1823, casado com Anna Lauriana Vieira, aos 23 de fevereiro de 1846 (Eclesial, Silvianópolis - MG, Matrimônios: 1842-1873). Antonio foi dono de terras no Ribeirão Capivara, tributário do Pardo (Pupo e Ciaccia, 2005: 207 - F-35, citação de divisas).
  • Joaquim José Soares: nascido por volta do ano de 1826, casado com Maria Antonia da Luz, em data de 29 de julho de 1847 (Eclesial, Matrimônios, Silvianópolis – MG, 1842-1873). Joaquim mudou-se, com sua numerosa família, de Santa Cruz do Rio Pardo para a região de Conceição de Monte Alegre (Leoni, 1979: 5). 
  • Justino Soares: nascido por volta de 1828, casado com Antonia Maria dos Sanctos, aos 02 de dezembro de 1850, (Eclesial, Matrimônios, Araraquara, SP, 1842 - 1865).
  • Pedro Francisco Soares: nascido aos 17 de novembro e batizado aos 02 de dezembro do ano de 1830 (Eclesial, 1800 - 1835). Não teve história conhecida, porém sabe-se de seu filho Joaquim Tito Soares, nascido em 1871, eleitor em 1904 (Livro Eleitoral – Resumo dos eleitores das Seções Federais, Santa Cruz do Rio Pardo, 1904).
  • Anna: nascida aos 22 de junho e batizada aos 22 de julho de 1832 (Eclesial, Livro de Batismos, Silvianópolis, MG, 1800 - 1835: 82), casada com José Domingos ou Domingues de Chaves, em São Bento de Araraquara, em 04 de fevereiro de 1851 (Eclesial, Livro 1842 - 1865). Anna, já viúva, faleceu em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 21 de outubro de 1896 (Eclesial, SCR.Pardo, Óbitos Livro 1883/1897: 48).
  • Francisco Soares: nascido aos 08 de dezembro de 1833, e batizado em 01 de janeiro de 1834 (Eclesial, Livro de Batismos, Silvianópolis, ref. 1800/1835), casado com Hipolita Maria de Jesus (Eclesial, Batismos, Botucatu 1856/1859 referências transmitidas em 04/09/1858 registro 1537). Foram padrinhos de batismo Domingos Soares – solteiro e Maria Venancia – solteira. 
  • Joaquina: nascida aos 30 de junho e batizada aos 14 de julho de 1835 (Eclesial, Silvianópolis - MG, Livro: 1797/1837), conhecida no sertão, salvo homônimos, pelos nascimentos das filhas, Anna, os 08/01/1857 e batizada aos 09/03/1857 (Eclesial, Botucatu, Batismos Livro 1856/59: 21), e Prudencianna, batizada em São Domingos, aos 20 de novembro de 1862, idade de 04 meses (Eclesial, Santa Cruz do Rio Pardo - SP, 1859/1879: 192), ambas de pai incógnito.
Soares teve registros de passagens em Araraquara – SP, aos 02 de dezembro de 1850 e 04 de fevereiro de 1851, nos casamentos dos filhos Justino Soares com Antonia Maria dos Sanctos [Chaves], e Anna Porcina Soares com José Domingos Chaves.
  • Antonia Maria e José Domingos eram irmãos, filhos de José Francisco Chaves e Joaquina Maria dos Santos, também pioneiros em Santa Cruz do Rio Pardo.
A presença de Manoel Francisco Soares na região santacruzense, então território da Capela de São Domingos, remonta possivelmente ao ano de 1851/1852 – na posse da Fazenda Jacutinga, e com certeza documental em 1855 nas transações de terras como posseiro primitivo das Fazendas Santa Cruz/São Domingos, abrangendo a Crissiumal.
Documentos eclesiais, a partir de 02 de março de 1855, confirmam a presença da família Soares no sertão (Batismos, Botucatu, 02/02/1855 – referências Justino Francisco Soares), a não restar dúvidas quanto o pioneirismo de Manoel Francisco Soares, no Pardo santacruzense, em data até anterior, considerando que a preparação de fazendas, para vendas, demandava cerca de quatro ou cinco anos, desde o afastamento do perigo indígena às demarcações e fixações de divisas, além das aberturas de caminhos, derrubadas de matas e o imediato arrancho para o abrigo e segurança dos empregados, agregados e escravos.
Em 1858 Soares e seus filhos estavam entre os qualificados votantes para as eleições de Juízes de Paz da Freguesia de São Domingos, de acordo com a ata organizada pela mesa paroquial, datada de 17 de julho de 1859. 
Após a doação patrimonial a Santa Cruz, em 1861/1862, não se tem qualquer registro de sua presença e a da mulher até 1872, quando lhe sobreveio o óbito indicando-o já viúvo. 
O nome de Soares não constou nas solenidades que elevou Santa Cruz à condição de freguesia pelo poder civil, em 1872, ratificada eclesialmente no ano seguinte. Pelas retentivas familiares, Soares cometera crime de morte, por questões de terras, evadindo-se para jamais retornar, e no período entre a fuga e morte estivera sob proteção do fazendeiro Messias José de Andrade.
_____________________________________

* Acréscimos, por atualização, em 13 de maio de 2018:
Manoel Francisco Soares, casado com dona Ignacia Porcina de Senne, ele nascido em Taubaté (SP)[1], por volta de 1794 – por base seu cadastramento eleitoral de 1858/1859[2], filho de Manoel Soares e Maria Vicencia, inferimento no nascimento do irmão Domingos Soares[3], identificado no batismo de Francisco, filho de Manoel Francisco Soares e dona Ignacia Porcina de Senne[4].  

[1] ACMSP/SGU, 10/10/1872, esgotadas as possibilidades de homônimos 'Manoel'.
[2] AESP, 1859, Documentos diversos para Botucatu, Lista Geral dos Votantes, 7º. Quarteirão do Rio Pardo, Freguesia de São Domingos, Município de Botucatu.
[3] Eclesial, Baependi-MG, Livro de batizados, 1803-1826: 166.
[4] Eclesial, Silvianópolis – MG, 01-01-1834, Livro 1800-1835.
_________________________________________________

5.2. Padre João Domingos Figueira 
O Padre João Domingos Figueira tem o seu nome lançado em antigos documentos, como o cofundador e primeiro vigário santacruzense.
Português, nascido aos 14 de abril de 1810, na Freguesia do Estreito de Nossa Senhora da Graça de Câmara dos Lobos, filho de João Domingos Figueira e Maria de Faria, batizado em 18 de abril do mesmo ano, conforme "Livro Décimo Oitavo dos Baptizados da Parochial Igreja do Espirito Santo da Villa da Calheta, nelle a folha cento e sincoenta oito verço." De conformidade com transcrição: "Funchal, 13 de Março de 1833" (Apud Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
Vocacionado para o sacerdócio, Figueira iniciou curso no Seminário Católico de Funchal, em 1824, sem conclusão, egresso em 1833, deixando Portugal para residir no Brasil, onde concluiu os estudos para receber ordens sacras. "Em 1839 'os moradores na Freguezia de Caboverde' pedem ao Bispo de São Paulo a confirmação do Padre João Domingos Figueira para seu Parocho" (Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
João Domingos Figueira foi pároco nomeado, a pedido da população, para Cabo Verde – MG, a contar de 1º de outubro de 1839 "por seu comportamento, lisonjeiras esperanças de bem servir a igreja" (Carvalho, 2003: 34).
O Reverendo Padre Ignácio Ribeiro do Prado e Siqueira, em alguns assentos de batizados em Cabo Verde – Minas Gerais, atesta como batizador o padre João Domingos Figueira, a partir de 1835 (Livro de 1821-1836: 135, exemplo de 31/05/1835).
Documentos resgatados pelo Padre Hiansen Vieira Franco, em novembro de 2012, revelou os "Auttos de Collação da Igreja de Cabo-Verde a favor do Reverendo João Domingos Figueira", de 27 de junho de 1842, sob o Decreto Imperial de 06 de maio do mesmo ano (Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
Aos 23 de agosto de 1845, o Padre Figueira pediu renúncia do cargo, em Cabo Verde, quando "lá não podia permanecer com ameaças consecutivas de morte" (Carvalho, 2003: 188).
O requerimento não prosperou ou foi acordado entre as partes, até 1858, quando novo pedido do padre:
  • "Vinte e dois annos de continuada perseguição nesta Freguezia, è motivo mais que sufficiente para renunciar, pela segunda vez, o beneficio de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde, onde por infelicidade sou collado (...)." (ACMSP, Autos de Renúncia de Benefícios – Paróquia de Cabo Verde, MG, 1858: 15/03, apud Padre Hiansen: 2012 – Documentos de Arquivos).
A solicitação foi aceita pelo Bispado de São Paulo e publicada pelo Governo da Província de Minas Gerais (Correio Official de Minas, 29/03/1858: 1-2), e Figueira perdeu sua condição de vigário colado, e licenciou-se do Clero e "Comprando uma grande fazenda no Rio Pardo foi cultival-a, deixando de parochiar." (A Reforma, 19/12/1878: 2), em terras adquiridas de Manoel Francisco Soares, no ano de 1861/1862.
O 'Progresso de Tathuy', de 12/12/1878, descreveu a participação do Padre Figueira na origem do lugar: "Foi elle quem mandou derrubar a matta, onde hoje é a villa de Santa Cruz do Rio Pardo, e mandou ahi fazer-se a primeira roça." (In A Reforma, 19/12/1878: 2). 
O ativismo de Figueira atraiu rivalidade do Padre Andrea Barra, Vigário em São Domingos. Os padres desavieram-se e, por carta ao Bispado de São Paulo. Figueira comunicou e denunciou: 
  • "Os habitantes de Santa Cruz do Rio-Pardo filial de Sam Domingos termo de Botucatu, encarregando-me como seu procurador. Dois anos habitei entre elles, neste tempo erigio-se huma capella mór com presbiteryo, altar sacraico, throno retabulo, forrada, assoalhada, com corredores dos lados o mesmo e sachristia. O patrimonio doado tem sem alqueires, mais ou menos, terreno proprio para grande povoação, agua pelo alto com abundancia, apresenta este logar um futuro risonho. A afluencia de povo de todas as partes é immensa. As divisas combinadas com os moradores, e as mais apropriadas devem ser: Principiando na foz do rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até frontiar em linha reta com o ribeiro Santa Clara, descendo este a entrar no Turvo, descendo este athe onde principiou a divisa." 
  • "Esta Capella dista de S. Domingos quatorse leguas, o vigario bastante inpolitico negou-me todas as licenças para baptisados e casamentos, talves julgando que o privaria de seus emulumentos. Estes habitantes tendo entre si um padre vio-se na dura necessidade, com incommodos innauditos hirem para S. Domingos e dispesas imcompativeis, subscrivendo cotas para o vigario ir, ao lugar, e assim mesmo, não hia se não por, contribuição espantoza, como fosse a benção do cemiterio q. exigio oitenta mil reis dizendo que era a licença, quando a provisão q tenho de cemiterio para minha fazenda importou hum mil duzentos e oitenta." 
  • "Senhor esta capella não foi benta e para esse fim requeiro a V. Ex. faculdade para mim ou outro sacerdote de confiança sua. Assim mais a ereção de pia Baptismal. V. Ex. que em todos os actos de sua sublime administração tem apresentado amor paternal, caridade, e desinteresse. Eu em nome daquellas ovelhas submissas do seu grandioso rebanho supplicamos serem atendidas." 
  • "Eu, e aquelles ficamos rogando a Deos pela conservação de sua vida apreciavel para ingrandecimento das almas por isso." 
  • "-Ilegivel-." (ACMSP, Documentos Diversos para Santa Cruz do Rio Pardo).
A carta, documento inédito, revela entrelinhas o desejo de Figueira assumir as funções sacerdotais em Santa Cruz. no entanto negocia sua nomeação para a freguesia Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso, atual Caconde. Ofício da Presidência da Província de São Paulo ao Bispado de São Paulo revela os acontecimentos:
  • "Ao exm. bispo diocesano – Passo ás mãos de v.ex. o incluso officio em que o padre João Domingos Figueira dá parte de achar-se a freguezia do Bom Successo desprovida de parocho para que v.ex. se digne tomar este objecto na consideração, que julgar conveniente." (Correio Paulistano, 16/04 1863: 3).
Padre Figueira conseguiu nomeação para o lugar, como Vigário Encomendado (RG, BN 1003, 1863/1864: 40 – Mapa S/N; RG, U 1005, 1864/865: 8-9), em setembro de 1863. Durou quase nada, assim revela carta do padre ao Bispado de São Paulo, datada de 13 de fevereiro de 1864: 
  • "Com magoa levo ao conhecimento de S.Ex.Rev. o que se tem passado neste infeliz lugar há 6 mezes. Convidarão-me para vir ao lugar e fazer meus contratos, estive hum mez ... -me a que fizesse minha mudança, propuz condições acceitarão, e um lugar onde empregasse os cativos, tudo foi franqueado; porem a peçonha do Hydra estava encerrada nas viceras do depravado que me convidou para este lugar por nome Fernando, este homem é quem afiançava, porem logo q. aqui cheguei portou-se diferente, negando-se ao seu lado, só passado tres mezes, depois de varios desgostos afiançou porem a 10 de Fevereiro quando completava seis mezes ... que os parias não querião mais minha continuação como vigario: não podem elles justificar faltas só sim a 10 de Fevereiro não dei cinca porque não achei palma benta no lugar que elles chamão Igreja, não achei theribulo, no acto ... ... não havia vinho pa. a Missa, e no dia dois ... . No dia dois de Novembro p.p. tambem esse senhor feudal sentio-se porque não o esperei e ... quando quisesse ... são as faltas q. elles o ligão. Em vista do acontecido tenho de regressar para minha fazenda em Sta. Cruz do Rio Pardo, onde fico esperando as determinações de V.Ex. dirigindo-se p. Botucatu. Ainda que quizesse continuar-se pelos emulumentos estes são tão limitados que não dá para o café, Missas neste lugar não há, tudo he mizeria." 
  • "V.Ex.Rº atendendo ao expendido asseitará minha dimessão, não me nego a servir a Deos e á Igreja, e em Sta. Cruz existe uma nova povoação cujo povo bem dedicado ao servisso de Deos e da Igreja com minha estada de dois annos fosse uma Capella môr, forrada, assoalhada, com Prezbiterio, altar, trono, sacrario, e retabulo. O patrimonio doado é de 100 alqueires já conta com 18 a 20 fogões no arraial. A afluencia do povo é imensa." 
  • "Deos G. a V.Ex. Revª - muitos annos. Bom Sucesso - 13 de Fevereiro de 1864." 
  • "O V. João Domingos Figueira" (ACMSP, Documentos Diversos para Santa Cruz do Rio Pardo).
A carta desabafo diz muito de Santa Cruz, para onde Figueira retornou à vida de fazendeiro, e, a despeito dos seus entreveros com o vigário Andrea Barra, realizou alguns ofícios religiosos, revela-os o forâneo Padre Bartholomeu Comenale, em 1893: 
  • "(...) no anno de 1867, nesta Matriz, o Revdo. Pde João Domingos Figueira baptizou José, de poucos dias, filho legítimo de Francisco Theodoro de Souza e Maria Magdalena de São José, foram padrinhos José Botelho de Souza e Lina Honória de São José." (Eclesial, SCR. Pardo, 1873/1896, referente ao ano de 1863).
Aparentemente Padre Figueira não demonstrou nenhum interesse pela Vigararia de São Domingos, ou que fosse convidado, quando da morte do Padre Andrea Barra em setembro de 1870. Somente retornaria ao serviço religioso, como coadjutor ou capelão em Santa Cruz, com a posse do Padre Francisco José Serôdio, aos 15 de março de 1872, para São Domingos. Figueira permaneceu nas funções até sua nomeação como o primeiro vigário de Santa Cruz, aos 15 de março de 1873 (Câmara Episcopal de São Paulo, apud ALESP, CO 073-001.1).
Aos de 02 de julho de 1873 num expediente ao governo paulista, Figueira confirmaria sua presença na região desde 1861/1862, "conhecedor destes lugares, onde habito á doze anos" (ALESP, EE 73_27.1, 02/07/1873).
O Padre João Domingos Figueira faleceu em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 26 de novembro de 1878, e seu corpo sepultado no piso da matriz, próximo do altar (Oliveira Zanoni, 1976: 57); e sua morte noticiada pelos jornais da época. 
O paulistano 'Jornal da Tarde', edição de 17/12/1878 – página 2, reportou: 
  • "Com 69 annos em Santa Cruz do Rio-Pardo, falleceu o revd. vigario padre João Domingues Figueira, primeiro povoador daquella villa." 
  • "Deu Liberdade a trinta escravos, e fez diversos legados pios." 
  • "Era um verdadeiro apostolo do bem, pelo que os seus parochianos muito sentirão a sua morte." 
O 'Diário de Tathuy', SP, arrematou "O padre João Domingues gozou de uma bonita reputação como homem e como sacerdote. O povo santacruzense sentiu a sua morte" (Apud Província de São Paulo, 19/12/1878: 2).
O inventário do Padre João Domingos Figueira, ainda a trâmite no ano de 1896 (DOSP, 19/03/1898: 23.174), apresentava como herdeiros legatários, os filhos e filhas: 
  • João Bonifácio Figueira, identificado filho de João Domingos Figueira (Alistamento Geral dos Eleitores Federais – SCR. Pardo, 1902: 9), nascido por volta de 1850, casado com Maria das Dores de São José.
  • Bemvinda Carolina do Espírito Santo, casada com Manoel Gomes Nogueira.
  • Mariana Rosa do Amor Divino, casada com Luiz Antonio Rodrigues.
  • Maria Innocencia da Conceição, casada com José Joaquim Gomes.
  • José Chrisante Figueira, conhecido por João Baptista.
  • Antonio Emilio Rodrigues, conhecido por Antonio Baptista. 
A 'ex-escrava Rozalia' foi inclusa no inventário, mas não a Maria Bernardina, que se identificava filha do Padre.
  • No registro de óbito de Maria, falecida a 1º de setembro de 1889, constou ser ela "filha natural do finado Padre João Domingos Figueira" (Cartório de Registro Civil – SCR. Pardo, Livro C-1 nº 122: 41) e o registro eclesial, em mesma data, revelou-a filha de pais incógnitos.
O Padre João Domingos Figueira foi o grande nome na formação histórica de Santa Cruz, ao lado de Manoel Francisco Soares, e suas cartas, referentes ao ano de 1862, revelam, inconteste, a origem santacruzense.
6. As primeiras vias da integração 
Qualquer povoação somente é dada conhecer quando se sabe quais os caminhos que a interligam com seus patrimônios e os lugares civilizados.
6.1. Pelo espigão
Uma estrada, a partir do limite extremo do patrimônio com as já desmembradas Fazendas Santa Cruz e São Domingos, permitia ligações da povoação com os bairros adjacentes e fazendas, além dos centros urbanos desenvolvidos ou em desenvolvimento. 
A mesma via, nas proximidades da barra do Alambari, despassado o Turvo num baixio dava acesso a outros caminhos, para alcançar povoados formandos no Turvo/Alambari, ou rumar a São Pedro do Turvo e sertão à frente.
6.2. Ingressos e saídas pelo Pardo
No princípio santacruzense, pela obviedade, canoas e pequenas balsas serviram como meio de travessia do Pardo, para acessos aos caminhos das fazendas, povoados e centros comerciais, a partir de um potreiro na Água dos Pires. 
No entanto, a senda que melhor serviu a primitiva Santa Cruz, despassava o Pardo por numa ponte nas proximidades do Salto do Dourado, onde a fazenda do Padre João Domingos Figueira. Esta estrada, já conhecida desde 1861/1862, ainda era importante em 1897, lembrada para se colocar nova ponte no lugar denominado 'Fazenda do Padre', "na estrada que da villa de Santa Cruz do Rio Pardo se dirige para o Jacarezinho no estado do Paraná" (Correio Paulistano, 30/05/1897: 1). 
A estrada e passagem sobre o Pardo situam-se na conhecida 'Usina Velha'.
Outra passagem sobre o Pardo foi pensada em 1886/1887 (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 545), na então Rua do Andrade – atual Saldanha Marinho, somente providenciada, como obra pública, em 1900, pela Lei 0743, de 10 e publicada aos 18 de novembro. Referida lei desapropriou, para utilidade pública, a ponte particular de Manoel Pereira que acessava sua serraria, do outro lado rio, sendo as obras conclusas em 1901.
Se no século XIX não construída qualquer ponte oficial pela Rua do Andrade [atual Saldanha Marinho], pelo menos uma existia no Pardo urbano, reformada em 1899, "na Rua Visconde de Pelotas – que sobe em direção á cadêa velha, tendo espaço para tres cavaleiros juntos" (Correio Paulistano, 21/04/1899: 2), sem informações desde quando em funcionamento. O endereço é o mesmo onde a atual ponte.
6.3. Do outro lado do Ribeirão São Domingos
Os moradores iniciais de Santa Cruz atingiam as propriedades, para adiante do Ribeirão São Domingos, ultrapassando-o pelo leito, a pé, por uma pinguela, ou sobre montarias e veículos por tração animal, nas proximidades do Chafariz. 
Do outro lado do Ribeirão as estradas rudimentares seguiam o desenvolvimento das fazendas ao sul riopardense, ou em direção a São Pedro do Turvo, por uma trilheira que, aos poucos, substituía o caminho acessado através do baixio no Turvo, nas proximidades da barra do Alambari. 
Com o aumento populacional e exigências comerciais, construiu-se a ponte sobre o Ribeirão São Domingos, pela Rua Conselheiro Dantas, por volta de 1880/1890, adiante da qual a estrada para atendimentos às fazendas, bairros rurais, além de melhor comunicação com a povoação de São Pedro do Turvo e adiante, unindo Santa Cruz às vias de integração sertaneja desde Campos Novos.
7. Conquistas consolidadas
7.1. O papel da Igreja
Santa Cruz, bairro ou sede de fazenda, teve início jurisdicionado à Freguesia de São Domingos, a partir de 18 de fevereiro de 1856, com a posse do padre Andrea Barra.
Os documentos são escassos até 1862, senão os registros religiosos que atestam pequena movimentação no setor, mas uma referência camarária em 1º de maio de 1893 chama a atenção:
  • "Entrou para o Archivo desta Câmara sob a responsabilidade do secretario, 25 volumes das leis municipais, de 1857 a 1891, cujos volumes forão pelo Presidente desta Camara rubricadas" (Câmara SCR. Pardo, 1893: 3), o Padre Bartholomeu Comenale, na época, também o Vigário Forâneo. 
Os expedientes davam suportes às pretensões da Igreja sobre os bens patrimoniais da Santa Cruz e do Santo Antonio, os quais, pela laicidade do estado – assim entendia o Vigário, mantinham-se sob domínio eclesial, administrado pela Fábrica (Juízo Municipal, SCR. Pardo, Processo de 28/07/1890).
7.2. Capelania vacante
O Padre Andrea Barra, vigário em São Domingos, deixou a titularidade da vara e o capelanato de Santa Cruz, aos 13 de setembro de 1870 (Oliveira Zanoni, 1976: 61), após quatorze anos de serviço religioso, numa situação bastante incomum: ele foi baleado por João, alcunhado Italiano, acontecimento que a malícia sertaneja transformou em caso passional. O criminoso foi preso e o processo lançado em "Crimes Notáveis da Província de São Paulo." (RG U 1117, 1870/1870: 5).
Já aos 24 de maio de 1870 João havia atentado contra a vida do Reverendo, (RG BN 1012, 1870/1871: 120), então evadindo-se para retornar, meses depois, e consumar o ato.
Com o acontecido ao Padre Barra, em setembro de 1870, São Domingos ficou sem Vigário até março de 1872, e, assim, desprovidas as Capelas. No entanto, aos 08 de janeiro de 1872, apresentou-se em Capela de Santa Cruz o Padre Antonio Zielinski (Livro de Batismos, 1872-1879), celebrando ofícios religiosos sob a autorização da Vigararia Capitular de Botucatu.
O padre polonês Zielinski deixara sua terra natal quando do fracassado Levante de Janeiro de 1861, dos polônios contra o regime tzarista russo, refugiando-se no México junto às tropas do austríaco arquiduque Ferdynando Maximiliano Habsburgo – Imperador do México, fugindo Zielinski para o Texas (EUA) em seguida à queda do aventureiro Maximiliano. Perseguido em território norte-americano, o Padre usufruiu da simpatia de D. Pedro II para abrigar-se no Brasil, em Santa Catarina, no ano de 1867. 
No hiato de sua biografia conhecida, chegou a Santa Cruz do Rio Pardo, ao sentir-se ameaçado no sul brasileiro por agentes estrangeiros, após sofrer atentado. Tornou-se conhecido como 'o padre que fugia'. 
Zielinski permaneceria em Santa Cruz até 07 de abril de 1872, mesmo com a presença do Padre Francisco José Serôdio, português, assumindo a titularidade da Vara em São Domingos, aos 15 de março de 1872. 
O crescimento populacional sertanejo, assim como sua extensão territorial, exigia presença de padres capelães para sub-regiões de São Domingos, sendo nomeado o Padre João Domingos Figueira como coadjutor para Santa Cruz do Rio Pardo, a partir de 31 de maio de 1872 (Oliveira Zanoni, 1976: 61).
7.3. A confirmação de vigararia e o Padre João Domingos Figueira vigário nomeado
Nos tempos do Brasil Império, o Estado e a Igreja ajustavam-se juridicamente, o que equivale dizer, uma lei civil somente teria validade se ratificada pela Igreja, assim como todo e qualquer ato jurígeno eclesiástico dependeria, por sua vez, da confirmação do estado, como complementações harmoniosas, raramente com arbítrio do Imperador. 
De 13 de janeiro de 1873, a Carta de Provisão Eclesiástica elevando Santa Cruz a Vigararia, confirmava o ato da Lei nº 71 de 20 de abril de 1872 que instituía a antiga capela como freguesia, vigorando desde então as mesmas divisas que lhe foram dadas pelo poder civil.
Antes do reconhecimento eclesiástico, Santa Cruz tinha templo religioso decente e paramentado, levantado pelo Padre João Domingos Figueira desde 1862, medindo 40 por 60 palmos, equivalendo a 8,80 metros de frente por 13,20 de fundos, necessitando de reparos e adaptações para servir de matriz (Processo para elevação de Freguesia Canônica, 28/12/1872).
A história revela a construção numa pequena parte da atual Praça Dr. Pedro César Sampaio, então denominada Praça Anchieta, a partir do imaginário sequente da Travessa Manoel Herculano, pelos fundos da Igreja, entre a Avenida Tiradentes e a Rua Benjamin Constant, com frente para a Rua Dr. Alziro de Souza Santos.
A confirmação do ato designativo de vigairaria trouxe, consequentemente, a nomeação do Reverendo Padre Figueira, cofundador de Santa Cruz, como o primeiro vigário local (ALESP, CO 73.1.1).
O reconhecimento religioso para Santa Cruz refletiu-se nas melhorias político-administrativas, com sua integração ao rol de paróquias existentes na Província de São Paulo (RG D 1015, 1874/1874: 50), como apresentação e reconhecimento de Governo às destinações de recursos para despesas com a manutenção da matriz, além dos pagamentos pelos serviços civis prestados pelo vigário, como os alistamentos, censos, escriturações e expedições de documentos diversos com fé pública. 
Em 1876 a Igreja em Santa Cruz do Rio Pardo recebia do Governo de São Paulo 40$000 – verba ordinária para sua fábrica (RG AN 1018, 1876/1877: S 2-19). Pelo mesmo relatório, em 'S 3-22', a concessão estendia-se para os exercícios 1877/1878 e sequentes. Enquanto a Igreja manteve-se religião oficial, Santa Cruz auferiu recursos públicos para manutenções da Matriz.
A elevação eclesial de Santa Cruz retirou de São Domingos a sua importância junto às capelas do Vale Paranapanema, daí sua decadência selada em 1877, com a criação da Comarca Eclesiástica de Santa Cruz do Rio Pardo. 
Com a elevação de Santa Cruz à condição de vigararia fez-se, então, novas demarcações, e São Pedro do Turvo subordinou-se à nova paróquia, não conseguindo emancipação, conforme pleiteada em documentos de Governo, ainda no ano de 1890 (IBGE – Coleção Digital 1890, Synopse do Recenseamento de 31 de dezembro de 1890, página 140 e outras).
Também Piraju, em cujo termo inclusa Ilha Grande [Ipaussu], subordinou-se à sede eclesial santacruzense.
Em 1871 criou-se o distrito de "São Sebastião do Tijuco Preto", pertencendo ao município de São João Batista do Rio Verde (Itaporanga), todavia Santa Cruz do Rio Pardo feita sua sede eclesiástica, desde 13 de janeiro de 1873 até o desvinculamento. 
Igualmente pertenceram à vigararia santacruzense as "Parochias do Espirito Santo, São Domingos, Capellas do Oleo, Lageado e Ilha Grande ..." (Correio do Sertão ano I nº 49, 21/02/1903: 1).
8. Os vigários após o Padre Figueira
Ao Padre Figueira substituiu o Reverendo Padre Antonio Manoel Bicudo, ainda em 1878, "apenas por espaço de 15 dias" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542), porém, nenhum expediente oficial, conhecido, atesta a presença do Padre Bicudo em Santa Cruz.
Oliveira Zanoni (1976: 61) mencionou como substituto de Figueira, o Padre Pedro Gaggino de Montaldo, período de 27/11/1878 a 06/07/1879, mas os autores não localizaram, até 2013, qualquer informe que possa confirma-lo vigário em Santa Cruz.
Radicado em Piraju por mais de duas décadas, a contar de 1872, nenhum impedimento havia para o Padre Montaldo oficiar atos religiosos em Santa Cruz, eventualmente, entre 1878/1879, assim como o fez, interinamente, o Padre Décio Chefato, de São Pedro do Turvo (Eclesial, Assentos para Santa Cruz do Rio Pardo).
8.1. Padre Próspero Antonio Iorio e a nova matriz 
Com ou sem as presenças dos Padres Bicudo e Montaldo, no lugar do Padre Figueira apresentou-se vigário o padre italiano, naturalizado brasileiro, Próspero Antonio Iorio, aos 08 de outubro de 1879, permanecendo à frente dos trabalhos até os 12 de dezembro de 1882 (Oliveira Zanoni, 1976: 61), apesar de sua preterição pelos políticos liberais dominantes.
Foi no ministério de Iorio que a política liberal pretendeu e impôs um novo templo religioso, desde o lamentável episódio ocorrido aos 29 de junho de 1880, véspera das eleições municipais:
  • "(...) quando o povo se achava na igreja, ouvindo a missa conventual, nela entrou o coronel Francisco Dias Baptista, acompanhado de quarenta e cinco capangas todos armados, trazendo dois delles bandeiras vermelhas, marchando á dois de fundo, com as armas em punho e bandeiras desfraldadas; rodearam a egreja e desfilaram pelas ruas da villa, indo todos apear-se na casa do delegado de policia Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros, donde logo depois e do mesmo modo, dirigiram-se para a casa do primeiro." 
Vitorioso nas eleições municipais o Partido Liberal, tão logo assumiu o poder, às expensas da Câmara fez levantar paredes de tijolos em torno da antiga matriz, construção por isso apelidada 'barracão', obra sem nenhuma beleza arquitetônica e criticada pela população.
Em 1887 a Câmara solicitou do Deputado Coronel Emygdio José da Piedade esforços no sentido de reservar verba pública o levantamento da cumeeira igualando-a à altura da primeira linha da torre em construção (Livro Ata, 12/01/1887).
O 'barracão' manteve em seu interior o velho templo construído de tábuas (Curia Diocesana de Ourinhos, Reverendo Padre Dr. Luiz Priulli, 19/05/ 1906).
Quanto ao Padre Iorio, "tendo aqui reunido bom peculio, deixou a Igreja retirando-se para a Italia" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543).
8.2. Padre Bartholomeu Comenale – Vigário Forâneo
Após Iorio, outro italiano, brasileiro naturalizado, Padre Bartholomeu Comenale assumiu o vicariato santacruzense, entre 17/08/1883 a 09/01/1895, e a ele coube apelar à Câmara Municipal para requerer do Governo Provincial a instituição de imposto anual obrigatório a todos os munícipes, emancipados e alforriados, a favor da igreja até que esta estivesse pronta e aparamentada.
O atendimento do Governo de São Paulo foi dado pela Resolução nº 008, de 14 de março de 1884, "Que cria, na Circunscrição da Vila de Santa Cruz do Rio Pardo, o imposto anual de dois mil réis por cada pessoa, nacional ou estrangeira, de 21 anos para mais, ou mesmo menor de idade quando a pessoa coletada viva sobre si." 
Mencionado despacho ainda ditava que os designados responsáveis pelos recolhimentos do imposto e as demais providências, seriam obrigados a pagar pelos parentes, ou aqueles nomes omitidos propositadamente da lista oficial, além da incômoda multa de 20 [vinte] mil réis. 
O imposto, a ser pago por recolhimento no mês de outubro de cada exercício, seria elevado para 5 [cinco] mil réis em caso de atraso até 15 de novembro, e a partir daí as sanções legais seriam pelo confisco ou penhora de bem, para leilão, compatível com o valor devido.
Em ofício de 12 de novembro de 1884, a Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo comunicou à Presidência da Província de São Paulo a execução da Resolução 008, e, a seguir, propôs a nomeação de Comissão, com lista sugerida, para responder pelas obras da Igreja Matriz, consequentemente responsáveis pela entrada e saída de recursos originários do imposto legalmente recolhido. 
Foram indicados membros da Comissão, o Vereador Joaquim Manoel de Andrade, o Vigário e Vereador Padre Bartholomeu Comenale e o Tenente Coronel Emygdio José Piedade, Chefe da Guarda Nacional, cada qual "por sua dedicação aos negócios da igreja, por seu caráter ilibado e por todos os títulos que recomendão estão nas condições de bem desempenhar." (Câmara SCR. Pardo, Livro dos Ofícios Expedidos e Recebidos, exercício de 1884).
As decisões de governo foram ineficazes, o imposto não foi bem-vindo, o povo não aceitava o malfadado templo, preferindo sua demolição, e não se tem registros de penações aplicadas por inadimplência.
Afora o imposto, o Governo da Província beneficiava a Igreja de Santa Cruz com valores às Côngruas ao pároco e coadjutores, além das adjudicações de conformidade com a Lei nº 92 de 17 de maio de 1883, artigo 1º § 4º (RG: BN 1028, 1883/1884: A-92). 
Enfim Padre Comenale, engajado na política como Vereador nas legislaturas de 1893/1896, em certo tempo também ocupando a Presidência da Casa e Intendência, estranhamente deu por concluso o templo da Matriz, ampliada em quatro metros – projeto seu de 1886 (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 544), estando prédio ainda em obras. 
Comenale, por motivos de transferência de paróquia não concluiu o mandato de vereador, renunciando em 1894/1895.
Padre Comenale foi possuidor de fazenda em Santa Cruz do Rio Pardo, assim vista em 1903 a "Mandassaia dos srs. padre Bartholomeu Comenale, tn. Manoel Pereira Tavares e outros (...)" (Correio do Sertão, 11/02/1903: 2).
Embora bastante criticado pelo sucessor, Padre Comenale foi "um dos mais preciosos ornamentos do clero catholico" (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542). 
8.3. Monsenhor João Soares do Amaral
Após Comenale, o Monsenhor João Soares do Amaral assumiu exercício da Vigararia a partir de 21 de abril de 1895. 
O Monsenhor, no pouco tempo em Santa Cruz, denunciou a precária situação da igreja: 
  • "(...) um barracão defficiente, mal construido, fora do alinhamento e esquadro e que não se deverá concluir, mas sim procurar levantar por nova planta d’um profissional." (Documentos Eclesiásticos para Santa Cruz do Rio Pardo, Livro do Tombo, 1895: 10, por Frei João Basílio, apud Junqueira, 2006: 41). 
O hebdomadário Correio do Sertão (21/02/1903: 1) publicou as revelações do Monsenhor Soares em quais condições encontrara a paróquia:
  • "(...) em um estado verdadeiramente lastimavel, debaixo de todos os pontos de vistas. Sem Egreja Matriz, por isso que esta não passava de um barracão defficiente mal construido, fora do alinhamento e do esquadro ameaçado próxima queda. O patrimônio da Egreja em poder da Camara Municipal. A Egreja pauperrima de paramentos e alfaias, reinando a maior desordem e confusão no livro do Tombo e na Fabrica, estando esta com um grande deficit e com a escripturação toda por fazer-se." 
Pelo mesmo Correio do Sertão, o Monsenhor Soares escreveu no Livro do Tombo a sua indignação quanto a religiosidade local: "Não encontrei uma devoção qualquer de modo que a religião deste povo, cifrava-se em baptisar seus filhos", o mesmo indiferentismo também observado nas Igrejas jurisdicionadas a Santa Cruz.
O Monsenhor conclamou para o lugar a presença de um padre jovem "que, com seus esforços, cooperados pelo influxo da graça, deverá chamar ao redil já muitas ovelhas que se dizem crentes ou protestantes." 
E o hebdomadário encerrava a matéria: "Eis dito por elle mesmo o estado em que encontrou a Egreja local." (...). "Pois bem: Monsenhor João Soares, sem alarde e ostentação, sem dar a perceber a ninguem o estado miserando em que seu antecessor havia deixado a Egreja – ..." 
O Monsenhor Soares encerrou atividades em Santa Cruz aos 30 de novembro de 1895. 
8.4. Padre Paschoal Maria Giffoni
O Reverendo Padre Giffoni assumiu a paróquia em 19/01/1896, para enfrentar a apatia religiosa da população.
Não lhe foi demérito algum. Nenhum outro padre, após Figueira, conseguira sensibilizar a população para a construção da Matriz, e o Reverendo Giffoni sentia-se no desconforto em reunir os fiéis na antiga edificação cercada pelos paredões, sem ver a conclusão da obra.
Giffoni deixou a Paróquia no ano de 1900, para retornar a Santa Cruz quase quatro décadas depois, onde faleceu aos 29 de junho de 1937 (Prefeitura, Registro de Óbitos), quando a vigararia sob o controle dos padres dominicanos desde 10 de setembro de 1936. 
8.5. Cônego João Antonio da Costa Bueno
Após Giffonni chegou o Cônego João Antonio da Costa Bueno, aos 02 de dezembro de 1900, o qual pretendeu outra igreja, uma verdadeira obra arquitetônica em lugar da infelicitada matriz. Tal construção daria fundos para a Rua Benjamin Constant e frente para a Travessa Manoel Herculano, a aproveitar parte da construção anterior. 
Já entrado o século XX, a ideação de Bueno não prosperara além das escavações para alicerces, segundo reportagem do Correio do Sertão (19/04/1902):
  • "Era intenção do Revmo Cônego João Antonio da Costa Bueno, intenção que teve seu começo de execução, como diriam os criminalistas, edificar a igreja matriz nesta Praça, conforme se vê nas escavações para os alicerces da igreja, a qual ficara com a frente para a Travessa de Manoel Herculano, com o fundo para a rua que passa em frente das casas do Dr. Cleophano Pitaguary e Major Arlindo Piedade de modo a cortar o corpo da igreja velha, e fazer com esta um ângulo quase recto." 
A Igreja já não tinha o poder de outrora, todavia organismo ainda forte. 
8.6. Padre Francisco Botti
A Matriz encontrava-se nesta situação quando da chegada do Padre Francisco Botti, sucessor do Cônego Costa Bueno, a partir de 17/10/1901. Botti, favorável a uma nova igreja mostrou-se, prudentemente, atento às manifestações populares contrárias ao projeto de seu antecessor. 
O Correio do Sertão, na edição de 19/04/1902, acrescentava sua opinião ao coro de queixas e justificativas da população: 
  • "O local onde se acha a igreja velha em absoluto também não se presta para nelle ser edificado o templo projectado, não só porque para isso seria preciso arrasar o barracão que esta servindo de Igreja, como também porque ficando no meio da Praça Marechal Deodoro, inutilizará o largo, que já é tão pequeno." 
Tratava-se da antes Praça Padre Anchieta. 
O povo não queria qualquer aproveitamento da desditosa matriz, porém os lugares propostos para as novas obras foram descartados: "O local que mais se presta, sob todos os pontos de vista, para a egreja é inquestionavelmente aquelle em que está o templo maçônico da loja União Paulista, na Praça Marechal Deodoro" (Correio do Sertão, 03/05/1902: 1).
A justificativa era aceitável: 
  • "(..) porque collocada ahi a egreja como que respeitamos a vontade dos primitivos fundadores desta cidade, os quaes escolheram a hoje Praça Marechal Deodoro para ahi ser levantado o primeiro templo que serviu de egreja matriz nesta cidade."
As ideias de Padre Botti determinavam que a solução fosse mesmo construir a nova igreja lá onde a antiga e inconclusa matriz, todavia uma concepção ousada com ampliação da praça – para os limites atuais, com isto a necessidade de derrubar duas outras antigas construções, a sede da Maçonaria e o assobradado prédio do antigo Quartel – Delegacia de Polícia e Cadeia – próprio do Governo do Estado, além de alienar terrenos particulares para a efetivação dos planos: 
  • "Ao lado do templo maçonico existem duas datas de terrenos: uma pertencente ao Capitão João Baptista de Oliveira Mello e outra pertencente ao Estado, por isto que faz parte da cadêa, proprio estadual." 
  • "O Revmº Padre Botti deve, desde que a egreja seja edificada no local em questão, procurar adquirir os terrenos que ficam aos lados do templo maçonico o que mais tarde ficarão aos lados da egreja, para transformal-os em dous lindos jardins que virão tornar a nossa egreja poeticamente seductora sob os pontos de vista artisitico e hygienico." 
  • "Quanto à data pertencente ao capitão Mello, estamos certos de que dificil serà ao revmº Padre Botti adquiril-a porque o capitão é uma alma nobre, bemfazeja, amanate do progresso e do bem estar desta localidade. Si a fabrica não tem o dinheiro necessario para essa acquisição, estamos certos de que o povo não deixará de, por meio de uma subscripção, entrar com a quantia necessaria para a compra da referida data desde que a egreja tenha de ser edificada no ponto em questão." 
  • "Agora quanto ao terreno da cadêa velha, como faz parte do largo, facilimo será ao revmº Padre Botti transformal-o em jardim, porque estamos certos de que a isso não se opporá a nossa edilidade. O que é preciso, porém, é que o edificio da cadêa velha seja removida do largo, porque está enfeiando-o extraordinariamente. Tal edificio, que è todo de taboas, está em ruinas, inteiramente podre. O governo certamente não mandará consertal-o, não só porque não tem necessidade delle, como tambem porque será pôr dinheiro fóra. Si ao menos o edificio da cadêa velha se prestasse para ser adaptado para um grupo escolar ou para qualquer outro fim util, vá que o governo mande retocal-o; mas, não se prestando para cousa alguma, e sendo um grande caixão de taboas, feio, indecente, ninho de traças, de cupins e de carunchos, o melhor que o governo do Estado tem a fazer é cedel-o à municipalidade, para esta dar-lhe o destino que melhor lhe parecer."
  • "(...)." (Correio do Sertão, 17/05/1902: 1, Assumptos do dia – O local da egreja). 
Com a aquisição do terreno e prédio da maçonaria, através de escritura de compra e venda, e mais a autorização de se usar próprios do estado e do particular – Capitão João Baptista de Oliveira Mello, o Padre Botti conseguiu seus intentos e os prédios foram demolidos, para dar lugar à nova matriz e praça estendida.
  • A cadeia velha foi derrubada e o terreno repassado à Igreja, para a construção da Praça, sendo a Municipalidade compensada com um lote correspondente na esquina das atuais Avenida Tiradentes com a Farmacêutico Alziro de Souza Santos, aonde em 1908 pretendeu-se construir a Câmara ou que o Governo Federal ali fizesse uma Agência do Correio (Livro Ata, Câmara, 14/01/1908), ideias que não prevaleceram.
  • O alicerce – abertura de valas teve início em 17 de junho e concluído aos 30 de agosto de 1902 (Correio do Sertão, 06/09/1902: 2). Uma foto tirada pelo Major Vicente Finamore atesta a obra ainda antes da demolição do prédio da Maçonaria (CD: A/A).
Padre Botti, coadjuvado pelo Padre Affonso Aloia, fez abrir os alicerces do templo, em 1902, e iniciar as obras. Foi transferido, em 1903, para Cravinhos – SP deixando foto da matriz em obras (Livro Ata, Câmara, 01/05/1903), infelizmente desaparecida.
8.7. Padre Dr. Luiz Priulli
O Padre Doutor Luiz Priulli ocupou o lugar de Botti, conforme carta de sua lavra, de 19 de maio de 1906, e deu continuidade às obras do templo iniciado pelo Padre Botti, e derrubou a parte interna da velha construção ou o que dela restava, "feita de taboas", transferindo os restos mortais do Padre João Domingos Figueira, Joaquim Manoel de Andrade e sua mulher, da antiga para a nova matriz (Curia Diocesana de Ourinhos, Documentos para Santa Cruz do Rio Pardo). 
O novo templo foi concluído e assim noticiado: "A Matriz nova, que acabamos de examinar, representa o esforço ingente d'esse Pastor verdadeiramente Ministro de Jesus Christo" (O Progresso, edição de 21/04/1906).
A seguir a inauguração do templo, em 1906, Padre Priulli recebeu a esperada autorização eclesial "para a exhumação dos ossos de várias pessoas, da egreja velha para serem transladados para a matriz nova..." (Correio Paulistano, 01/06/1906: 4).
Apesar de dinâmico e elogiado, o Padre Priulli tinha problemas que passavam despercebidos ou ignorados pela população, sendo ele viciado em jogos e gostador de prostitutas.
Não tardou ser descoberto na prática de irregularidades e denunciado pelo Monsenhor Francisco de Paula Rodrigues – Governador do Arcebispado de São Paulo, numa época que Santa Cruz pertencia ao Bispado de São Carlos.
Em carta sigilosa ao Núncio Apostólico o monsenhor elencou uma série de irregularidades de Priuli.
  • "Foi acusado de ter se apropriado de uma quantia de dinheiro que os fieis de Santa Cruz do Rio Pardo tinham dado para um altar", diz o denunciante, acrescendo num ofício de 1914, anexado ao processo "Era ele, então, vigario dessa paroquia e, chamado por mim, confessou a falta." (Arquivo Secreto do Vaticano, Nunciatura Brasileira – Processo 157, Fascículo 787).
Luiz Priulli soube que estava sendo investigado e não negou as denúncias. E em sua defesa ao Vaticano, por escrito, tentou comover os juízes contando sua história 'de menino pobre', além de comprometer-se devolver à paróquia de Santa Cruz o dinheiro indevidamente apropriado.
Também pesaram contra Priulli outras acusações, como o fato de ofender o então papa Pio X, a quem se referia como "comedor de polenta", inclusive, "Não satisfeito, ele criou um prato de polenta e batizou-o de Pio X." 
Priulli foi considerado insano e afastado de suas funções por algum tempo.
8.8. Padre Sismondo de Cruz Dias
Ao Priulli substituiu o Reverendo Sismondo, a partir de 25 de julho de 1908.
Praticamente sem notícias, Sismondo parece não ter ido além do exercício de suas funções religiosas em Santa Cruz. 
8.9. Padre José Cacere
O Reverendo José Cacere chegou à paróquia em 25 de março de 1909 e nela permaneceu até a chegada do Padre Vicente Rizzi, em 02 de maio de 1910, sem qualquer destaque documentado, digno de nota.
8.10. Padre Vicente Rizzi 
Padre Rizzi marcou época em Santa Cruz, desde sua chegada em maio de 1910, com o principal objetivo em promover ambiciosa reforma da Igreja Matriz.
O templo existente, apesar de recente, parecia não ser do agrado da população e nem da Câmara Municipal, inclusive com Projeto de Lei em tramitação, "para remover da praça Marechal Deodoro um trambolho de construcção a que chamam igreja matriz" (Cidade de Santa Cruz, 07/09/1910: 1). 
A obra não foi removida, mas doravante o Padre Rizzi deu início à ampliação e total remodelação do prédio da Matriz dando-lhe características de grande beleza arquitetônica, assim vista em 1913: 
  • "O esforçado vigario dessa parochia, revmo. padre Vicente Rizzi, conseguio impor-se à gratidão de todos os santa-cruzenses, sem distincção de credo religioso ou de ideal político." 
  • "Provando o quanto vale o poder da vontade, nas causas nobres, o Revdmo. vigario Rizzi vê em grande adiantamento as obras da Matriz, que elle atacou, sem contar com um vintém em caixa, mas tão sòmente com a generosidade de nosso bom povo." 
  • "Os fossos em que repousam os alicerces da parte nova do edifício, foram abertos, sem o digno vigario saber de onde poderia receber o dinheiro, que elle de sua bolsa, adiantara."
  • "Não foi, porém, perdida a boa vontade pelo serviço de sua Religião e o levita poude receber – d’aqui e d’acolá, - esportulas, menóres e grandes, com as quaes tem pago os empreiteiros." 
  • "Dentro de pouco tempo, será inaugurada, solemnemente, a nova Egreja, que será um dos mais importantes templos catholicos desta zona." 
  • "A fachada da Matriz, que se acha quase concluída, não é uma dessas obras toscas em que o mourisco e o manuelino formam baralhadamente, um estylo confuso e grotesco, a fachada da Matriz apresenta um conjuncto architectonico, que não deixa de ter um tanto de byzantino, mas obedece, na linha geral, ao estylo gothico." 
  • "Os torreões lateraes não repousam no quadrilatero, mas n’um polygono irregular e são ornamentados por artísticas janelas." 
  • "Por sobre o espaço gazophylaceo, fica o coro." 
  • "A nave ampla do templo é ornada de columnas com capitéis, artisticamente trabalhadas." 
  • "A abside, onde se levanta o altar mor, depois de prompta, será uma verdadeira obra-prima.""E si vamos ter, em Santa Cruz do Rio Pardo, um templo que há de attestar aos posteros, a sinceridade da fè de nossos coetaneos e a generosidade do povo contemporaneo, a quem o devemos?"
  • "Exclusivamente á tenacidade edificante, nobre e altruistica, do revmo. vigario Rizzi, a quem não podemos regatear os mais enthusiasticos e applausos pelo zelo com que se empenha, em tudo o que concerne ao serviço do Templo, que lhe está entregue." 
  • "Urge, pois, que todos os habitantes de nosso opulento municipio pressurósos, venham trazer seus obulos ao digno vigario, certos de que, por pequena que seja a offerta, ella se torna grande, pois, como já dizia Seneca: - Bis dat qui cito dat." (O Sul Paulista, 30/04/1913).
Conforme o descrito vê-se fase preliminar detalhada de ambicioso projeto já em andamento. A conclusão das obras, no entanto, demoraria anos. Em 1917 criou-se uma Comissão para a terminação do templo:
  • "As obras constam da erecção da torre, já bem iniciada; reforma do telhado que é de telha nacional para telhas francesas; forro de madeira; ladrilhos de mosaico e revestimento interno e externo, bem como o calçamento em derredor da egreja" (O Contemporâneo, 05/05/1917: 3). 
Rizzi deixou a paróquia em 1917, sem conclusão da obra, e a ele sucedeu o Padre Gasparino Dantas.
Questão de referência histórica, ao Reverendo Rizzi coube primazia em adquirir o primeiro automóvel a circular em Santa Cruz, um modelo Page, "que mandou vir para os serviços de alugueis" (Cidade de Santa Cruz, 26/10/1913: 1). A notícia esclarecia que "O producto dos alugueis desse automovel sera revertido a beneficio das obras da matriz." 
8.11. Padre Gasparino Dantas
O Padre Gasparino Dantas iniciou o exercício de suas funções em 01 de janeiro de 1918, até sua transferência para Tietê – SP em 1923 (Correio Paulistano, 03/03/1923: 7).
O ativo clérigo marcou presença em Santa Cruz do Rio Pardo destacando-se em diversas frentes de trabalhos comunitários e sociais, cujos reconhecimentos publicados inclusive pela grande imprensa de São Paulo, sendo exemplo, em 1921, "pela nova matriz, cuja construção é dirigida pelo vigario revmo. padre Gasparino Dantas." (Correio Paulistano, 13/08/1921: 5). 
A obra era a finalização da reforma proposta e iniciada pelo seu antecessor, Reverendo Padre Vicente Rizzi, e à frente dela o Padre Dantas, desde 1918, pode finalmente entrega-la, por volta de 1923, como um dos mais belos templos do interior paulista, e assim permaneceria até meado de 1960 quando abaixo, contra a vontade popular, para dar lugar à atual edificação inaugurada em 1967.
8.12. Outros padres destacados (01/01/1918-10/09/1936)
Após Gasparino Dantas passaram pela paróquia, sucessivamente: Padre João Marques da Silva Faia (1923); Padre Adauto Rocha (1925); Padre Acchilles E. Triksmans (1927); Padre Afonso Tojal (1928); Padre Gasparino Dantas (1933 – uma segunda vez); e Padre José Montezuma (1934 até 1937).
8.13. Os padres dominicanos (10/09/1936)
Os primeiros Dominicanos para Santa Cruz chegaram da Itália (Bologna) e assumiram a paróquia aos 21 de janeiro de 1937, tendo à frente Frei Miguel Lanzini, efetivado vigário (21 de abril de 1937), auxiliado por Frei Domingos Acerbi, e os cooperadores Frei Imão Dorvi e Frei Guala Ferrari.
Os Dominicanos, além dos ofícios religiosos de praxe, também foram recrutadores de vocacionados à vida sacerdotal, com a abertura da Escola Apostólica Dominicana.
8.13.1. Paroquiamento Dominicano (1937)
Após o Frei Miguel Lanzini, outros nomes ocuparam a responsabilidade paroquial: Frei Ceslau Cencini (1941 e 1950); Frei Reginaldo Orlandini (1948); Frei Humberto Pereira (1957 e 1959); Frei Bernardo Monti (1958); Frei João Alves Basílio (1967); Frei José Maria Lorenzetti (1969).
A partir de então, sem conflitos, o rol de padres pode ser encontrado junto às Casas Paroquiais onde disponíveis todas as informações complementares.
-o-

Nenhum comentário:

Postar um comentário